Estágio fálico: conflitos, mecanismos de defesa e evidências

Estágio fálico: conflitos, mecanismos de defesa e evidências

estágio fálico , na teoria freudiana do desenvolvimento psicossocial, é a terceira fase pela qual as crianças passam para o amadurecimento psicológico, após os estágios oral e anal. Segundo esse psicanalista austríaco, as crianças devem passar por cinco fases diferentes para desenvolver a personalidade adulta, cada uma com características muito diferentes.

No estágio fálico, que ocorre entre os 3 e os 6 anos de idade, a libido das crianças concentra-se na genitália, sendo esta a principal zona erógena. O indivíduo começa a estar mais consciente de seu próprio corpo e do dos outros, além de ter mais curiosidade sobre as diferenças na anatomia de cada pessoa.

Segundo Freud, nessa fase, as crianças começam a entender as diferenças entre “homem” e “mulher”, o que geralmente ocorre após comportamentos exploratórios, como tocar seus próprios órgãos genitais ou tentar ver outras pessoas nuas. Além disso, nessa fase, os papéis de gênero começariam a se formar.

Por outro lado, é no estágio fálico que começam a ocorrer alguns dos conflitos psicológicos mais importantes da personalidade individual, o complexo de Édipo no caso dos meninos e o complexo de Electra no das meninas. Isso altera muito o relacionamento com os pais e determinará o desenvolvimento da personalidade da pessoa no futuro.

Conflitos de personalidade

Freud entendeu o desenvolvimento da personalidade como um processo no qual certos conflitos parecem que a criança precisa resolver antes de se tornar adulto. É precisamente no estágio fálico que dois dos mais importantes aparecem: o complexo de Édipo nos meninos e o complexo de Electra nas meninas.

Esses “complexos” são metáforas que tentam explicar a aparente competição das crianças com seus pais do mesmo sexo. Assim, os meninos sentiam uma certa inveja do pai e tentavam se apegar mais à mãe, enquanto as meninas tentavam sabotar a mãe para ganhar a afeição do pai.

Para Freud e alguns de seus discípulos, resolver corretamente o complexo de Édipo ou Electra, conforme apropriado, é essencial para que as crianças desenvolvam uma personalidade saudável e uma forte identidade sexual. A permanência desse conflito ao longo da vida da pessoa pode explicar algumas patologias ou o aparecimento de preferências sexuais além da norma.

Complexo de Édipo

O primeiro conflito descrito por Freud foi o complexo de Édipo, nomeado em homenagem à lenda grega de mesmo nome, na qual um rei mata seu pai para se casar com sua mãe sem saber. O psicanalista usou esse termo para se referir à dinâmica pela qual as crianças concentram sua libido na mãe, causando emoções como ciúmes ou rivalidade contra o pai.

Como a criança precisa da proteção da mãe e quer se sentir apegada a ela, sua identidade (um dos componentes da mente segundo Freud) quer matar o pai; mas seu eu, a parte realista da mente, sabe que o adulto é mais forte e, portanto, não pode prejudicá-lo.

Como conseqüência, o menino tem uma aversão irracional e subconsciente em relação ao pai, que se manifesta principalmente no “medo da castração”. Com o tempo, esse conflito deve ser resolvido para que o indivíduo possa aceitar sua própria masculinidade e desenvolver uma personalidade adulta saudável.

Electra Complex

Nas teorias iniciais de Freud, Freud nunca apontou para uma versão feminina do complexo de Édipo. No entanto, Carl Jung , um de seus principais discípulos, postulou a teoria de que havia um fenômeno equivalente nas meninas: o complexo Electra.

Esse fenômeno psicológico seria baseado em uma suposta “inveja do pênis”, causada porque a menina perceberia que sem esse órgão genital, ela não pode dominar sexualmente a mãe como seu ego infantil desejaria. Para compensar, a menina redirecionava sua libido para o pai, desenvolvendo assim um princípio de feminilidade heterossexual.

O complexo Electra seria resolvido quando a menina substituísse seu desejo de infância de possuir um pênis pelo de ter um filho durante a vida adulta. Segundo Freud e seus discípulos, o conflito feminino presente no estágio fálico seria mais intenso emocionalmente nas meninas do que nos meninos, tornando mais provável que as dificuldades aparecessem ou não fossem resolvidas corretamente.

Mecanismos de defesa

Durante o estágio fálico, as crianças de ambos os sexos desenvolvem uma série de mecanismos de defesa psicológica que os ajudam a resolver os conflitos que ocorrem entre sua identidade e o seu eu. Eles permaneceriam presentes ao longo da vida, mas se tornaram muito evidentes durante esse período.

Assim, entre os mecanismos de defesa mais importantes, encontramos a repressão, que envolve o bloqueio de memórias, emoções e idéias; e identificação, que consiste em assimilar características dos pais do mesmo sexo. Esses mecanismos ajudariam a criança a reduzir sua ansiedade e rivalidade com os pais do sexo oposto.

Se a criança não conseguir resolver o conflito do estágio fálico, na idade adulta, ela poderá apresentar sintomas como baixa auto-estima, timidez, ódio pelo sexo oposto, promiscuidade ou dificuldades em estabelecer relacionamentos estáveis ​​com um parceiro.

Evidência

As teorias psicológicas de Freud têm sido amplamente criticadas nas últimas décadas por estudiosos de todo o mundo. Isso se deve ao fato de que a maneira como são declaradas não permite verificá-las facilmente do ponto de vista científico, por isso é muito difícil garantir que sejam verdadeiras e demonstrar que não são.

Por isso, no campo da psicologia moderna é muito comum descartar as idéias de Freud como totalmente falsas ou inúteis. No entanto, em alguns contextos eles continuam a se aplicar, e as terapias baseadas em suas idéias provaram ser muito eficazes no tratamento de certos problemas psicológicos.

Referências

  1. “Estágios psicossexuais” em: simplesmente psicologia. Retirado em: 07 de abril de 2020 de Simply Psychology: simplypsychology.com.
  2. “Os estágios de desenvolvimento psicossexual de Freud” em: VeryWell Mind. Retirado em: 07 de abril de 2020 de VeryWell Mind: verywellmind.com.
  3. Estágio fálico em: SpringerLink. Retirado em: 07 de abril de 2020 de SpringerLink: link.springer.com.
  4. “Estágios de Freud para o desenvolvimento psicossexual” em: All Psych. Retirado em: 07 de abril de 2020 de All Psych: allpsych.com.
  5. Estágio fálico em: Wikipedia. Retirado em: 07 de abril de 2020 da Wikipedia: en.wikipedia.org.

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