- Os hospitais universitários e centros oncológicos integrados combinam assistência, ensino e investigação para melhorar o tratamento do cancro.
- Modelos como o Porto.CCC e unidades especializadas em cancro do pulmão promovem equipas multidisciplinares e diagnósticos de alta precisão.
- Ensaios clínicos em redes como CUF e Ribera–Pratia dão acesso a terapias inovadoras e aceleram o progresso científico em Oncologia.

O cancro é hoje uma das principais causas de doença e morte em todo o mundo e, por isso, os hospitais universitários e centros oncológicos integrados assumem um papel absolutamente central na forma como diagnosticamos, tratamos e acompanhamos estes doentes. Em Portugal e Espanha, várias instituições hospitalares, universidades e centros de investigação uniram forças para criar verdadeiros ecossistemas de cuidados, ensino e ciência, capazes de oferecer terapias altamente diferenciadas e acesso a ensaios clínicos de ponta.
Quando falamos em “cancro hospital universitário”, falamos muito mais do que num simples serviço de Oncologia: referimo-nos a redes de especialistas, laboratórios de investigação, biobancos, unidades de ensaios clínicos e equipas multidisciplinares que, a partir da cama do doente, levam as perguntas para o laboratório e devolvem soluções sob a forma de novos tratamentos. Ao mesmo tempo, estes centros funcionam como escolas para as novas gerações de médicos, investigadores e outros profissionais de saúde, influenciando políticas públicas e definindo padrões de qualidade a nível nacional e europeu.
Porto Comprehensive Cancer Centre: doentes, ciência e inovação em conjunto

O Porto Comprehensive Cancer Centre (Porto.CCC) é um consórcio de referência na área da Oncologia, que liga o Instituto Português de Oncologia do Porto a estruturas académicas e de investigação como o i3S, criando uma comunidade altamente especializada focada na inovação e na investigação translacional em cancro. O objetivo central é muito claro: transformar conhecimento científico em benefícios concretos para os doentes oncológicos, elevando a qualidade da assistência e promovendo avanços terapêuticos relevantes.
A missão do Porto.CCC assenta na combinação de assistência de elevada qualidade, investigação de ponta, ensino e formação avançada, tudo isto em estreita articulação com a comunidade. Não se trata apenas de tratar tumores, mas de criar um ambiente onde médicos, cientistas e outros profissionais cooperam de forma contínua, partilhando dados, perguntas e resultados para acelerar o progresso na área oncológica.
Entre os principais objetivos deste consórcio destaca-se o apoio à investigação colaborativa e interdisciplinar em Oncologia, sempre com foco no impacto clínico para os doentes. Isto passa por desenvolver estudos que envolvem diferentes áreas – desde a biologia molecular até à imagiologia avançada – e por criar condições de internamento e ambulatório adequadas à realização de investigação clínica robusta, com ensaios clínicos bem estruturados.
O Porto.CCC aposta de forma especial na qualidade do diagnóstico em patologia molecular e na imagem médica, porque sem diagnósticos precisos não é possível oferecer terapêuticas personalizadas. Paralelamente, incentiva fortemente a investigação pré-clínica, alinhada com as infraestruturas dedicadas a ensaios clínicos, para que as descobertas no laboratório possam, de facto, chegar à prática clínica de forma estruturada.
Outro pilar fundamental do consórcio é a formação da próxima geração de cientistas translacionais e investigadores clínicos, garantindo que o conhecimento acumulado não se perde e que surgem novos líderes em áreas-chave da Oncologia. Para isso, é dada grande importância à divulgação científica em eventos nacionais e internacionais, bem como à publicação de trabalhos em revistas de topo, com foco especial no cancro.
O conceito “From Bedside to Bench and Back” (B3)

O Porto.CCC adoptou o conceito “From Bedside to Bench and Back” (B3) como imagem de marca da sua forma de trabalhar. Em termos simples, “Bedside” representa o contacto diário do IPO Porto com as necessidades concretas dos doentes com cancro: sintomas, dificuldades no acesso a terapias, efeitos secundários, limitações de diagnóstico, entre outros problemas muito reais.
Essas questões clínicas do dia a dia são o ponto de partida para novas linhas de investigação, que avançam para o “Bench”, isto é, para os laboratórios e grupos de investigação que compõem o consórcio. Ali, equipas multidisciplinares trabalham para compreender melhor a biologia dos tumores, testar novas moléculas, explorar técnicas inovadoras de imagem ou desenvolver biomarcadores capazes de orientar terapêuticas mais eficazes.
Uma vez desenvolvidas e validadas, estas soluções regressam ao “Bedside”, ou seja, à cama do doente, sob a forma de ensaios clínicos que testam novos fármacos, combinações terapêuticas ou estratégias de diagnóstico e seguimento. Os doentes passam a integrar estes estudos, beneficiando de tratamentos potencialmente mais avançados e contribuindo, ao mesmo tempo, para o conhecimento científico global.
O modelo B3 é, portanto, um ciclo contínuo de melhoria: as necessidades práticas estimulam a investigação, a investigação gera novas abordagens terapêuticas, e estas, de novo, alimentam a prática clínica com soluções mais eficazes. Esta dinâmica é essencial para que um hospital universitário com vocação oncológica se mantenha na linha da frente, tanto no tratamento como na ciência.
Além da vertente clínica e científica, o Porto.CCC investe igualmente na inovação tecnológica, em patentes e na criação de empresas spin-off, potenciando que tecnologias desenvolvidas internamente possam ser transferidas para o mercado e beneficiar um número cada vez maior de doentes, dentro e fora do país.
Conselho Científico Externo (ESAB) e reconhecimento internacional
Para garantir padrões elevados de qualidade científica e clínica, o Porto.CCC criou, em 2022, um Conselho Científico Externo (External Scientific Advisory Board, ESAB), constituído por figuras de grande prestígio internacional em diversas áreas da investigação e tratamento do cancro. Este conselho funciona como um órgão consultivo independente, que avalia estratégias, projetos e resultados, ajudando a alinhar o consórcio com as melhores práticas europeias e mundiais.
Entre os membros do ESAB encontram-se líderes de centros oncológicos de referência, como Ulrik Ringborg, diretor do Cancer Center Karolinska no Karolinska University Hospital, na Suécia, que preside ao conselho, bem como Alexander Eggermont, ligado ao Princess Máxima Center for Pediatric Oncology nos Países Baixos, Alexander Markham, do MRC Medical Bioinformatics Centre no Reino Unido, Robert C. Bast Jr., do MD Anderson Cancer Center, nos Estados Unidos, e Stefan Fröhling, do National Centre for Tumor Diseases em Heidelberg, Alemanha.
Esta composição internacional garante uma visão estratégica ampla, capaz de comparar o desempenho e os objetivos do Porto.CCC com os dos melhores centros mundiais. Ao receber recomendações e críticas construtivas de especialistas de topo, o consórcio consegue ajustar prioridades, reforçar áreas emergentes e corrigir eventuais lacunas na sua atividade clínica e científica.
O reconhecimento internacional do Porto.CCC está também associado à participação ativa em iniciativas europeias ligadas à investigação em cancro, em que o consórcio tem sido anfitrião e parceiro, contribuindo para a definição de agendas comuns na luta contra a doença, desde a prevenção ao seguimento de longo prazo.
Cronologia de desenvolvimento do Porto.CCC e principais marcos
O percurso do Porto Comprehensive Cancer Centre é marcado por vários momentos-chave que consolidaram a sua posição como polo oncológico de referência. Em 2016, com a criação do i3S, surgem novas oportunidades para fortalecer o consórcio, levando à assinatura de um protocolo de colaboração a 17 de abril desse ano, na presença do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e do Secretário de Estado da Saúde.
Já em 2017, o Porto.CCC realiza, nas instalações do i3S, a primeira apresentação conjunta do seu Research Report referente a 2016, um passo importante para afirmar a transparência e a consistência da produção científica das várias equipas envolvidas. A divulgação sistemática de relatórios de investigação é um dos métodos mais eficazes para demonstrar impacto e atrair novos parceiros e financiamentos.
Em 2018, o consórcio coordena, através do i3S, a 1.ª Gago Conference, um encontro que reuniu médicos, investigadores e decisores nacionais e europeus ligados à Oncologia. A conferência foi inteiramente dedicada ao reforço da investigação clínica em cancro na Europa, com o objetivo de reduzir o impacto social da doença. Contou com a presença de membros do governo português responsáveis pelas áreas da Saúde e da Ciência, sublinhando o peso político do tema.
O ano de 2021 representa outro marco fundamental, com a realização do European Cancer Research Summit, que teve lugar no Instituto Português de Oncologia do Porto, enquanto membro do consórcio Porto.CCC. Este encontro focou-se na relevância das infraestruturas de investigação em cancro e reuniu dezenas de cientistas de renome internacional, dando origem à “Porto Declaration on Cancer Research”, um apelo à Europa para reforçar a investigação em todas as fases da doença – prevenção, diagnóstico, tratamento e seguimento.
Também em 2021, o Porto.CCC obtém financiamento significativo através do programa NORTE 2020 e do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, no âmbito do contrato-programa TeamUp4Cancer, com um investimento total superior a 17 milhões de euros. Este apoio visa o desenvolvimento de um projeto científico colaborativo durante dois anos, envolvendo grupos de ambas as instituições que compõem o consórcio, consolidando a capacidade de investigação translacional na região Norte.
Hospital universitário e Serviço de Oncologia Médica no Centro Hospitalar Universitário do Porto
O Centro Hospitalar Universitário do Porto, que integra o antigo Hospital de Santo António, é um exemplo claro de como um hospital universitário pode tornar-se um polo oncológico de excelência. Desde 2016, este centro é reconhecido pela Direção-Geral da Saúde como centro de referência para quatro tipos de tumores sólidos em adultos: tumores do testículo, neoplasias hepato-bilio-pancreáticas, cancro do reto e sarcomas ósseos e de tecidos moles.
O Serviço de Oncologia Médica, dirigido por António Araújo desde 2014, sofreu uma profunda transformação. Quando assumiu o cargo, o serviço estava subdimensionado em termos de espaço físico e recursos humanos, focando-se sobretudo na resposta interna ao próprio hospital. O desafio lançado pela administração foi claro: transformar o serviço numa referência nacional e internacional, à altura da missão universitária do centro hospitalar.
Ao longo dos anos, foi possível recrutar mais médicos – atualmente são 11 especialistas, além de cinco internos – e investir intensamente na diferenciação da equipa. Foram criadas consultas de grupo multidisciplinares organizadas por patologia oncológica, que envolvem as especialidades médicas e cirúrgicas relevantes para cada tipo de tumor, e o serviço foi aberto à referenciação externa, permitindo que qualquer médico possa encaminhar doentes para avaliação oncológica.
Hoje, para além da consulta geral de Oncologia, existem consultas dedicadas a vários tipos de cancro, incluindo tumores da mama, do aparelho digestivo, urológicos, hepato-bilio-pancreáticos, cabeça e pescoço, cancro da tiroide, ginecológicos, do sistema nervoso central, pulmão, tumores neuroendócrinos, sarcomas ósseos e de tecidos moles. Estas consultas decorrem em diferentes locais do centro hospitalar, como é o caso da Ginecologia, que funciona no Centro Materno-Infantil do Norte.
As equipas destas consultas multidisciplinares incluem, pelo menos, um oncologista médico, o cirurgião da área correspondente, especialistas em Imagiologia, Anatomia Patológica, Radioncologia e outras áreas afins, de modo a garantir que cada caso é discutido em profundidade e que o plano terapêutico é o mais completo e atualizado possível.
Atividade assistencial, investigação clínica e ambição de centro compreensivo
Em termos de atividade assistencial, o Serviço de Oncologia Médica do Centro Hospitalar Universitário do Porto realiza anualmente cerca de 4600 primeiras consultas e aproximadamente 14 500 consultas subsequentes, além de assegurar apoio ao Serviço de Urgência entre as 8h00 e as 20h00 e gerir camas de internamento específicas para doentes oncológicos.
O serviço tem também uma forte componente de investigação clínica, com um número elevado de ensaios em curso, nomeadamente estudos de fase II e III em áreas como o cancro do pulmão, tumores da cabeça e pescoço, próstata, colon e reto, bexiga, estômago e ovário. Para sustentar esta atividade, foram recrutados coordenadores de ensaios clínicos em regime de tempo inteiro, o que permite uma organização mais eficaz e um acompanhamento rigoroso dos estudos.
Uma das características mais marcantes deste serviço é a elevada taxa de recrutamento de doentes para ensaios clínicos. A equipa acredita que a participação nestes estudos garante cuidados de saúde de nível muito elevado, já que os médicos são constantemente auditados naquilo que fazem e os doentes têm acesso a terapias inovadoras antes de estarem amplamente disponíveis. Esta lógica reforça a ideia de que a investigação é, em si mesma, uma forma de prestação de cuidados de excelência.
Para complementar a investigação clínica, foi criada a UnIO – Unidade de Investigação em Oncobiologia, sediada no Instituto de Genética Jacinto Magalhães, ligada ao ICBAS, onde colaboram alunos de mestrado e doutoramento em projetos de investigação básica em cancro. Esta ponte entre o laboratório e a clínica é típica de um verdadeiro hospital universitário com vocação oncológica.
Uma das grandes ambições do Serviço de Oncologia Médica é ser reconhecido como centro compreensivo de tratamento oncológico, isto é, uma estrutura que reúna, não só todas as dimensões médicas e cirúrgicas da terapêutica oncológica, mas também cuidados de radioterapia robustos e cuidados paliativos de referência, equiparando-se ao que de melhor se faz nos principais centros oncológicos europeus.
Desafios humanos da Oncologia Médica e compromisso social
A prática da Oncologia Médica envolve um contacto muito intenso com temas como a vida, a morte e a perda. Como sublinha António Araújo, durante muito tempo existiu a perceção social de que receber um diagnóstico de cancro equivalia quase a uma sentença inevitável de morte. Embora os avanços científicos tenham mudado radicalmente este panorama para muitos tumores, o peso emocional do diagnóstico continua a ser enorme para os doentes e suas famílias.
Lidar diariamente com essas emoções torna a Oncologia uma especialidade bastante singular, que exige não apenas competência técnica, mas também grande capacidade de comunicação, empatia e resiliência psicológica por parte dos profissionais. A carga emocional associada ao acompanhamento em fases avançadas da doença é elevada, tanto para doentes como para equipas clínicas.
Este contexto ajuda a explicar o envolvimento de muitos oncologistas em iniciativas de sensibilização e associações de doentes. Um exemplo é a criação da Pulmonale – Associação Portuguesa de Luta Contra o Cancro do Pulmão, fundada por António Araújo, com o intuito de promover informação, prevenção e apoio a pessoas afetadas por este tipo de tumor. Esta ligação à sociedade civil complementa o trabalho realizado nos hospitais universitários.
Por outro lado, alguns destes profissionais têm também um papel ativo em estruturas de representação profissional e até na vida política institucional, como é o caso da participação nos órgãos dirigentes da Ordem dos Médicos, contribuindo para a definição de políticas de saúde, regras de formação especializada e estratégias de organização dos serviços oncológicos a nível regional e nacional.
Unidades especializadas de cancro do pulmão: CUF Oncologia
Na área privada, a rede CUF Oncologia criou uma Unidade de Cancro do Pulmão com coordenação a Norte e a Sul do país, com o objetivo de uniformizar as melhores práticas na abordagem a tumores malignos da traqueia, brônquios, pulmão, pleura e mediastino em todos os hospitais e clínicas da rede. Esta estrutura procura garantir que um doente com cancro do pulmão recebe uma avaliação e um plano de tratamento equivalentes, independentemente da unidade CUF onde é observado.
A unidade é constituída por uma equipa multidisciplinar muito alargada, que inclui cirurgiões cardiotorácicos, pneumologistas, oncologistas médicos, anatomopatologistas, radioncologistas, imagiologistas, médicos de medicina nuclear, especialistas em cuidados paliativos, psicólogos, nutricionistas, enfermeiros de oncologia, farmacêuticos, entre outros profissionais. Esta diversidade assegura que o doente é acompanhado de forma integral, desde o diagnóstico à fase de seguimento.
Os doentes e os seus cuidadores beneficiam de um acompanhamento de grande proximidade, com enfermeiros dedicados que os orientam em cada etapa do percurso – exames, tratamentos, consultas, internamentos – e com gestores oncológicos que facilitam todo o processo administrativo. Esta organização é essencial para reduzir a ansiedade, minimizar atrasos e evitar que o doente se perca na complexidade do sistema de saúde.
No plano da investigação, a Unidade de Cancro do Pulmão da CUF está envolvida em múltiplos projetos clínicos, em colaboração com faculdades de Medicina e centros de investigação portugueses. Desde 2018, contribui para um Biobanco específico de cancro do pulmão, em parceria com o Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina de Lisboa, recolhendo e armazenando amostras biológicas fundamentais para estudos genómicos e moleculares.
Além disso, nas unidades CUF decorrem vários ensaios clínicos e estudos observacionais focados no cancro do pulmão, possibilitando que os doentes tenham acesso a terapias inovadoras, novas combinações de fármacos ou abordagens diagnósticas emergentes, integradas numa rede hospitalar com forte componente universitária e investigacional.
Ribera-Pratia: ensaios clínicos oncológicos em hospitais universitários
Em Espanha, o grupo de saúde Ribera estabeleceu um acordo estratégico com a Pratia, uma rede de investigação com mais de 90 centros em seis países europeus, para expandir o acesso dos doentes a terapias oncológicas inovadoras através de ensaios clínicos. Esta colaboração abrange os hospitais universitários de Vinalopó (Elche), Torrejón (Madrid) e o Hospital Ribera Povisa (Vigo), todos com forte vocação universitária.
Graças a esta parceria, estes hospitais oferecem atualmente uma ampla gama de ensaios clínicos em Oncologia, incluindo estudos centrados no cancro do pulmão e da mama, melanoma e tumores da cabeça e pescoço, entre outros. Este leque de opções reforça a capacidade dos hospitais universitários de proporcionar tratamentos que, fora do contexto de ensaio, ainda não estão disponíveis na prática clínica corrente.
A Fundação Ribera Salud e a Pratia lançaram também uma campanha de sensibilização intitulada “Juntos podemos mudar o futuro”, destinada a informar o público sobre o papel dos ensaios clínicos no tratamento do cancro e a importância de terapias inovadoras. Esta iniciativa pretende combater a desconfiança e a falta de informação que muitas vezes impedem os doentes de considerar a participação em estudos clínicos.
Como sublinha o chefe de Oncologia do Hospital Universitário de Torrejón, os ensaios clínicos são a única forma de comprovar cientificamente se uma nova terapia é superior às abordagens atuais. Nem todos os doentes cumprem os critérios para integrar um estudo, mas, quando uma terapêutica experimental demonstra eficácia e segurança – avaliadas ao longo das fases I, II e III – o benefício acaba por se estender a um número muito maior de pessoas no futuro.
As Unidades de Pesquisa Ribera-Pratia funcionam como centros modernos de ensaios clínicos oncológicos, oferecendo consultas com oncologistas especificamente para avaliar a elegibilidade dos doentes para estudos abertos, organizar a sua inclusão e assegurar o seguimento rigoroso exigido pelos protocolos. Ao mesmo tempo, a Pratia apoia as equipas locais com experiência, infraestrutura e agilização dos processos administrativos, elemento crítico num campo tão dinâmico como a Oncologia.
Esta sinergia permite introduzir terapias inovadoras de forma mais rápida e estruturada, aumentando as opções de tratamento disponíveis nos hospitais universitários do grupo Ribera e reforçando o papel da investigação clínica como motor de progresso contra o cancro. Informações detalhadas sobre estudos em curso e processos de inscrição são disponibilizadas em plataformas online dedicadas, facilitando o acesso dos doentes a estas oportunidades.
No conjunto, a articulação entre centros como o Porto.CCC, serviços de Oncologia de hospitais universitários, unidades especializadas como a da CUF e redes de ensaios clínicos como Ribera-Pratia mostra como o combate ao cancro exige uma aliança sólida entre assistência, investigação e formação. Quanto mais integrados estiverem estes elementos – desde a cama do doente até ao laboratório e de volta ao hospital – maiores serão as probabilidades de oferecer diagnósticos mais precisos, tratamentos personalizados e perspetivas de vida melhores para quem enfrenta um diagnóstico oncológico.