Como Carlos Magno governou um império tão extenso?

Carlos Magno governou com sucesso seu vasto império, atendendo cuidadosamente às necessidades de seus governados. Devido às condições sociais e políticas prevalecentes, essa não era a maneira usual de agir dos presidentes. Isso, diferentemente de seus antecessores, não considerava seus domínios como bens pessoais dos quais obter riqueza.

Nesse sentido, havia o costume de distribuir o reino proporcionalmente entre todos os filhos homens vivos. Essa forma de governo criou uma atomização do poder do estado entre várias populações que inicialmente eram uma e depois seguiram as ordens de diferentes reis.

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Carlos Magno e o Papa

Da mesma forma, os reis não governavam diretamente, mas através de “mordomos do palácio”, que administravam o reino em seu nome. Tudo isso criou uma desconexão entre os monarcas e os súditos que se tornou uma ignorância do soberano sobre as necessidades de seu povo.

Em uma clara diferenciação, ao longo de seu reinado de 47 anos, Carlos Magno empreendeu um grande número de reformas sociais, governamentais e religiosas. Ciente da vastidão do território que ele tinha que governar e de sua diversidade de nacionalidades, ele começou a criar uma identidade como povo.

Sua ânsia por cultura o levou a intervir no ensino e na construção de escolas. Ele também desenvolveu uma forma de governo central que foi apoiada por governos com autoridade local que, sentindo-se parte de uma cultura comum nascente, trabalhou de maneira eficiente e leal a favor do império.

Chaves para entender como Carlos Magno governava um império tão extenso

Divisão político-territorial e inovações governamentais

Carlos Magno empreendeu uma reorganização política territorial. Ele dividiu o vasto império em 52 municípios e nomeou um gerente para administrá-los.

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Paralelamente, ele formou uma equipe de agentes especiais chamada missi dominici , que periodicamente auditava essas acusações para garantir que agissem com honestidade e não abusassem de seu poder.

Além disso, ele organizou sua equipe do governo central com base em funções claramente definidas. Essa equipe cobriu todas as áreas sobre as quais Carlos Magno precisava ter supervisão constante.

Assim, ele nomeou um senescal ou chefe dos serviços do palácio e um garçom ou administrador do tesouro real. Ele também nomeou um conde palatino ou especialista em direito e substituiu o imperador em casos de ausência e um chanceler ou notário do imperador e um arquelainel capelão ou chefe dos serviços religiosos do palácio.

Durante seu reinado, Carlos Magno instituiu assembléias gerais chamadas sínodo, conventus, concilium ou placitum de natureza consultiva. Estes eram convocados uma vez por ano e com a presença dos grandes nomes do reino ( populus ). Lá eu pude ouvir opiniões sobre assuntos importantes.

As conclusões alcançadas nas reuniões com o populus foram formalizadas em escritos oficiais chamados capitulantes.

Seu nome veio do fato de que tais escritos foram organizados por capítulos. Estes deram força aos acordos e mais tarde se tornaram leis.

Reformas sociais

Carlos Magno fez parceria com a igreja para alcançar a creatio imperii christiani (criação de um império cristão), adotando pax christiana como política social. Com isso, ele tentou alcançar a unidade, a justiça e a paz na sociedade civil e eclesiástica.

Na ânsia de atingir esse objetivo, ele pressionou os condados ( governadores de províncias) e suas missis (auditores) a manter uma conduta digna e honesta. E encheu os capitulares com tipologias de infrações e as respectivas sanções.

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Em um momento incomum para a época, impôs taxas às necessidades para evitar especulações. Além disso, proibia o acúmulo de excedentes de produção e o empréstimo com juros.

Ele também criou e manteve hospícios, leprosários e outras instituições de caridade e, ao mesmo tempo, minou o desejo de lucro.

Desde o início, Carlos Magno deixou claro que a grande variedade de nacionalidades de seu império deveria ser levada à unitarização. Por isso, ele manteve o cristianismo como um estilo de vida obrigatório de seu império, enquanto permitia certas liberdades culturais de nacionalidades.

Diplomacia e relações externas

A atividade diplomática e da aliança foi intensa durante o reinado de Carlos Magno. Como resultado, ele teve excelentes relações com Alfonso II, rei da Galiza e Astúrias, Harun Al-Rashid, rei dos persas e os imperadores de Constantinopla, Nicephorus I, Michael I e ​​Leo.

Da mesma forma, ele manteve muito boas relações com os líderes da igreja cristã. Acredita-se mesmo que eles eram os verdadeiros partidários ideológicos de seu governo.

Carlos Magno foi estabelecido como um objetivo para estabelecer o reino de Deus na terra. Este foi um dos primeiros projetos a estabelecer uma visão religiosa do mundo.

Além disso, ele incorporou em sua prática diplomática o poder de seus exércitos. Assim, tornou-se costume para os reis vizinhos dar alta prioridade a esses relacionamentos.

Cada um deles tentou evitar, através de alianças, a possibilidade de ser invadido (o que aconteceu em alguns casos).

Em geral, o poder e a maneira como Carlos Magno governava um império tão extenso eram vistos com grande respeito por seus potenciais adversários. Até gregos e romanos decidiram estabelecer alianças quando suspeitaram que seriam invadidos.

Novas conquistas

Uma das estratégias seguidas por Carlos Magno para permanecer no poder por 47 anos foi a anexação de novos territórios aos quais ele havia recebido em herança seu pai, rei Pepino II. Durante seu reinado, o território dobrou em comparação com o que ele herdara.

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Segundo relatos oficiais, Carlos Magno recebeu um território um pouco menor que a atual França. E quando ele morreu, deixou um império com um vasto território equivalente à atual Europa Ocidental.

Como resultado de sua política de expansão contínua, Carlos Magno tornou-se rei dos francos, dos lombardos e, finalmente, Imperator Augustus (imperador romano).

À medida que os territórios conquistados aumentavam, seu poder aumentava e as chances de seus possíveis adversários militares diminuíam.

Em 772, ele recebeu o pedido do papa Adriano I para ajudá-lo a recuperar certas propriedades papais italianas.

Carlos Magno enfrentou os lombardos (dinastia declarada em rebelião) e despojou-os das terras que haviam retido. Posteriormente, ele os disponibilizou ao papa, ganhando assim um poderoso aliado.

Referências

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  5. Collins, R. (1998). Carlos Magno Toronto: University of Toronto Press.
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