Coexistência pacífica: causas, características e consequências

A coexistência pacífica era um conceito aplicado a política internacional durante a segunda metade do século XX. O primeiro a usar o termo foi o líder soviético Nikita Kruschev, que o cunhou para descrever como deveriam ser as relações entre as duas grandes potências da época: os Estados Unidos e a União Soviética.

Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial , os aliados vencedores se dividiram em dois grandes grupos ideológicos. Um, o capitalista ocidental, liderado pelos EUA O segundo, o comunista, liderado pela União Soviética. Por alguns anos, parecia inevitável que um conflito eclodisse entre os dois blocos.

Coexistência pacífica: causas, características e consequências 1

Nikita Khrushchev e John F. Kennedy – Fonte: Fotografia do Departamento de Estado dos EUA na Biblioteca e Museu Presidencial John F. Kennedy, em Boston. [Domínio público], via Wikimedia Commons

A morte de Stalin , em 1953, deu uma virada na situação. Seu substituto foi Nikita Kruschev, que logo promoveu uma nova política externa, a coexistência pacífica. A base disso era a convicção de que, para evitar a guerra, era necessário renunciar ao uso de armas para se impor.

A coexistência pacífica, apesar da ocorrência de várias crises importantes que quase levaram a uma guerra nuclear, manteve a paz entre os dois blocos. Segundo os historiadores, o final dessa etapa pode ser marcado no início dos anos 80.

Causas

Joseph Stalin morreu em 5 de março de 1953 e foi substituído por Nikita Kruschev após um processo de sucessão no qual teve que se livrar dos apoiadores de continuar com a linha dura (exterior e interior).

Logo, o novo líder soviético decidiu mudar a política de seu país. Por um lado, empreendeu um processo de desestalinização e fez com que a economia experimentasse uma melhoria notável. Por outro lado, também lançou uma proposta para reduzir a tensão com o bloco ocidental.

O armistício na Guerra da Coréia e a paz da Indochina contribuíram para esse possível relaxamento. Além disso, nos Estados Unidos, os defensores das doutrinas mais agressivas, que propunham “represálias em massa” a qualquer movimento soviético, estavam perdendo influência.

Necessidade de um longo período de paz

Depois de chegar ao poder, Khrushchev decidiu modernizar parte das estruturas da União Soviética. Assim, ele planejava construir barragens gigantes no Volga ou oleodutos para levar água aos campos de cultivo da Ásia Central, por exemplo.

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Todos esses projetos precisavam de um grande esforço financeiro, além de muito trabalho. Por esse motivo, eu precisava que a situação internacional se acalmasse e que nenhum conflito bélico (ou ameaça dele) pudesse monopolizar os recursos que seriam usados ​​para a construção da infraestrutura.

Arma nuclear

O lançamento das bombas atômicas pelos Estados Unidos sobre o Japão criou um sentimento de insegurança nos soviéticos. Parte de seus esforços se concentrou em equiparar o potencial destrutivo aos seus rivais.

Em 1949, a União Soviética fabricou suas bombas A e, em 1953, o H. Além disso, construiu submarinos e superbombarderos para poder lançá-los em território inimigo.

Isso acalmou as autoridades soviéticas, pois consideravam que o poder militar havia sido equilibrado.

Destruição Segurada Mútua

Outra causa da proposta soviética de coexistência pacífica estava relacionada ao ponto anterior. O desenvolvimento de armas de destruição em massa pela União Soviética conscientizou os dois lados do resultado previsível de um confronto armado entre eles.

Ambos os competidores tinham armas suficientes para destruir seus inimigos várias vezes, tornando seus territórios inabitáveis ​​por séculos. Era a chamada doutrina da destruição mútua garantida.

Descongelar

Após a morte de Stalin, alguns sinais de distensão apareceram entre os dois blocos que emergiram da Segunda Guerra Mundial. Isso inclui a assinatura do Armistício Panmunjong, que terminou a guerra da Coréia em 1953, ou os acordos de Genebra, relacionados ao conflito na Indochina.

Caracteristicas

A formulação do conceito de coexistência pacífica foi baseada nas fileiras soviéticas. Seus líderes concluíram que, por um tempo, era inevitável que os países comunistas e capitalistas vivessem juntos. A única maneira, portanto, de evitar uma guerra mundial era renunciar às armas como meio de resolver disputas.

Essa teoria permaneceu em vigor por quase 30 anos. No fundo, havia uma visão otimista do futuro do bloco soviético: Kruschev achava que esse período de paz lhes permitiria vencer economicamente o Ocidente.

Distensão

A principal característica desse estágio da guerra fria foi a distensão entre os dois blocos mundiais. Havia um tipo de compromisso tácito de não alterar o equilíbrio que emergiu da Segunda Guerra Mundial.

A coexistência pacífica foi baseada no respeito mútuo (e no medo) entre os Estados Unidos e a União Soviética. A Conferência de Genebra de 1955 ratificou o status quo existente e confirmou as áreas de influência dos dois países.

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Respeito pelas áreas de influência

Essas áreas de influência foram, com exceção, respeitadas pelas superpotências. Não apenas nas forças armadas, mas também no campo da propaganda política.

Equilíbrio do terror

A tecnologia militar dos dois blocos alcançou um desenvolvimento que garantiu a destruição de ambos os lados em caso de guerra, não importa quem ganhou. Por muitos anos, a coexistência pacífica coexistiu com o medo de uma guerra nuclear irromper.

Para tentar evitar situações de extrema crise, os EUA e a URSS estabeleceram, pela primeira vez, canais de negociação direta. O famoso “telefone vermelho”, a metáfora do contato direto entre os líderes dos dois países, tornou-se o símbolo do diálogo.

Por outro lado, foram realizadas negociações que culminaram em tratados para limitar as armas nucleares.

Crise

Apesar de tudo, a coexistência pacífica não significou que o confronto entre os dois blocos desapareceu. Embora áreas próximas de influência fossem respeitadas, uma das características daquele período eram as crises que apareciam com frequência nas áreas periféricas.

As duas superpotências enfrentaram indiretamente, cada uma apoiando um lado diferente nas diferentes guerras que eclodiram no mundo.

Uma das crises mais importantes foi a de 1961, quando o governo da Alemanha Oriental construiu o Muro de Berlim que separava as duas partes da cidade.

Por outro lado, a conhecida crise dos mísseis estava prestes a provocar uma guerra nuclear. Os Estados Unidos descobriram a intenção da União Soviética de instalar mísseis nucleares em Cuba e decretaram um forte bloqueio naval. A tensão aumentou ao máximo, mas finalmente os mísseis não foram instalados.

A Guerra do Vietnã foi outra crise no âmbito da guerra fria. Nesse caso, os americanos foram forçados a se aposentar em 1973.

Consequências

Segundo os historiadores, é difícil separar as conseqüências diretas da coexistência pacífica daquelas causadas pela Guerra Fria.

O fim do monopólio nuclear dos EUA

Os Estados Unidos perderam o status de ser o único país com armas nucleares. Não apenas a União Soviética fabricou a sua, mas também outros países como Grã-Bretanha, França ou Índia.

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Isso levou ao estabelecimento de negociações para limitar o arsenal nuclear e até desmantelar parte dele.

A resposta dentro de cada bloco

A distensão causou discrepâncias dentro dos dois blocos. Não precisando estar totalmente consciente de enfrentar o inimigo, surgiram diferenças internas em vários lugares.

No Ocidente, destacou-se a França, que estabeleceu uma política autônoma contra os Estados Unidos. A mencionada Guerra do Vietnã também significou uma grande resposta interna, mesmo dentro dos Estados Unidos.

Nos países da área de influência soviética, houve alguns levantes importantes. Entre eles, a Primavera de Praga, que buscava o estabelecimento de um “socialismo de rosto humano”:

Por seu lado, a Iugoslávia de Tito, que já enfrentara Stalin, promoveu o Grupo de Países Não Alinhados, com a intenção de formar um terceiro bloco, mais ou menos independente.

Criação de novas organizações militares

Em 1954, a República Federal da Alemanha entrou na OTAN. A resposta soviética foi a criação do Pacto de Varsóvia, uma organização militar que englobava os países vizinhos.

De volta à tensão

Muitos especialistas colocam o fim da coexistência pacífica nos anos 80, quando Ronald Reagan aderiu à presidência dos Estados Unidos. Outros, no entanto, apontam que isso começou a enfraquecer anos antes, com Jimmy Carter como presidente.

Naquela época, surgiram novos surtos de conflitos em todos os continentes. A União Soviética invadiu o Afeganistão e os Estados Unidos responderam apoiando a resistência e impondo sanções aos soviéticos, incluindo o boicote aos Jogos Olímpicos de Moscou.

A chamada Guerra nas Estrelas, dirigida por Reagan em 1983, fez com que a tensão subisse rapidamente, confirmando o fim da Coexistência Pacífica.

Referências

  1. Ocaña, Juan Carlos. A coexistência do Pacífico 1955-1962. Obtido em historiasiglo20.org
  2. Departamento de Educação, Universidades e Pesquisa do Governo Basco. Rumo à coexistência pacífica. Obtido de hiru.eus
  3. Icarito Guerra Fria: Coexistência pacífica. Obtido de icarito.cl
  4. Khrushchev, Nikita S. Sobre a coexistência pacífica. Obtido em Foreignaffairs.com
  5. Van Sleet, Michelle. Coexistência pacífica de Khrushchev: a perspectiva soviética. Obtido em blogs.bu.edu
  6. CVCE Da coexistência pacífica aos paroxismos da Guerra Fria (1953-1962). Obtido em cvce.eu
  7. Biblioteca do Congresso A União Soviética e os Estados Unidos. Obtido em loc.gov
  8. História Digital A morte de Stalin e a guerra fria. Obtido em digitalhistory.uh.edu

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