Correntes marinhas: como ocorrem, tipos, consequências, importância

Correntes marinhas: como ocorrem, tipos, consequências, importância

As correntes são deslocamentos maciços de águas superficiais e profundas, causados ​​por ventos, rotação da Terra, diferenças de temperatura e salinidade. Eles podem ser rasos e profundos, com os rasos ocorrendo  nos primeiros 200 a 400 m de profundidade. Por seu lado, correntes profundas em profundidades maiores. 

As correntes marinhas superficiais são produzidas devido ao empurrão da água pelos ventos e as profundas devido às diferenças de temperatura e salinidade. 

As correntes superficiais e profundas se complementam, formando uma grande correia transportadora oceânica. Assim, as massas de água se movem em correntes de superfície que vão do equador ao círculo polar e retornam em correntes profundas.

No caso de correntes profundas, eles retornam ao equador e continuam à Antártica, cobrindo todos os oceanos. Na Antártica, eles seguem para o leste, atravessam o Oceano Índico e daí para o Pacífico, onde as correntes quentes da superfície se movem para o norte e retornam ao Atlântico.

Os sistemas de correntes marinhas formam as chamadas viradas oceânicas, onde a água circula nos oceanos do planeta. Existem 5 turnos principais, dois no Oceano Atlântico, dois no Pacífico e um no Oceano Índico.

Entre as correntes mais destacadas estão a do Golfo do México, a de Las Agujas, a do leste da Austrália, a de Humboldt e a do Mediterrâneo. Todas as correntes marinhas cumprem funções importantes no sistema planetário que regulam o clima, distribuem nutrientes e biodiversidade, além de facilitar a navegação.

Como são produzidas as correntes marinhas?

– Condições gerais do oceano

Nos oceanos existe um gradiente de temperatura da superfície, onde a temperatura máxima está localizada no Mar Vermelho com 36 ºC e a mínima no mar de Weddell (Antártica) com -2 ºC. Além disso, existe um gradiente de temperatura vertical, com águas quentes nos primeiros 400m e uma área muito fria abaixo de 1.800m.

Há também um gradiente de salinidade, com águas mais salgadas em áreas com menos chuva, como o Atlântico, e menos salgado, onde chove mais (Pacífico). Por outro lado, há menos salinidade nas costas, onde fluem rios que fornecem água fresca em relação ao mar.

Por sua vez, temperatura e salinidade afetam a densidade da água; quanto maior a temperatura, menor a densidade e maior a salinidade, maior a densidade. No entanto, quando a água do mar congela e forma gelo, sua densidade é maior que a da água líquida.

– Efeito Coriolis

A Terra gira em seu eixo para o leste, causando um desvio aparente em qualquer objeto que se mova em sua superfície. Por exemplo, um projétil lançado do equador em direção a um local no Alasca (norte) cairá ligeiramente à direita do alvo.

Esse mesmo fenômeno afeta ventos e correntes oceânicas e é conhecido como efeito Coriolis.

– Desenvolvimento de correntes

Correntes de superfície

Devido ao aquecimento diferencial da Terra, há temperaturas quentes perto do equador e frio nos pólos. As massas de ar quente sobem criando um vácuo, ou seja, uma zona de baixa pressão.

Assim, o espaço deixado pelo ar quente é preenchido com ar de uma região fria (zona de alta pressão), que se move para lá devido à ação dos ventos. Além disso, a Terra em seu movimento rotacional causa uma força centrífuga no nível do equador, fazendo com que a água se mova para o norte e para o sul nesta área.

Além disso, as águas próximas ao equador são menos salgadas, porque há mais chuvas que fornecem água fresca e diluem os sais. Enquanto em direção aos pólos chove menos e uma grande porcentagem da água é congelada, então a concentração de sais na água líquida é maior.

Por outro lado, no equador as águas são mais quentes devido à maior incidência de radiação solar. Isso faz com que a água nessa área se expanda e aumente seu nível ou altura.

Correntes de superfície do Giro do Atlântico Norte

Ao analisar o efeito desses fatores no Atlântico Norte, observa-se que é gerado um grande sistema de circulação fechada de correntes marinhas. Começa com os ventos vindos do nordeste (ventos alísios), causando correntes marítimas na superfície.

Essas correntes nordestinas, ao chegarem ao equador, movem-se para o oeste devido à rotação, começando na costa oeste da África. Então, ao chegar à América, a corrente equatorial encontra obstáculos terrestres contínuos ao norte.

A presença dos obstáculos, mais a força centrífuga do equador e a diferença de temperatura entre as águas equatorial e polar, direcionam a corrente para o nordeste. A corrente aumenta sua velocidade quando circula nos canais estreitos entre as ilhas do Caribe e o canal de Yucatán.

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Depois, a partir do Golfo do México, continua pelo estreito da Flórida, fortalecendo-se juntando-se à corrente das Antilhas. A partir daqui, continua seu curso para o norte ao longo da costa leste da América do Norte e depois para o nordeste.

Correntes profundas do Giro do Atlântico Norte

Em sua jornada para o norte, a corrente do Golfo perde calor e a água evapora, torna-se mais salgada e densa, e afunda para se tornar uma corrente profunda. Mais tarde, alcançando o obstáculo terrestre do norte da Europa ocidental, ele se divide e um ramo continua para o norte, depois para o oeste, enquanto o outro continua para o sul e retorna ao equador.

Fechamento do Giro do Atlântico Norte

O ramo de correntes do Giro do Atlântico Norte que colide com a Europa Ocidental vai para o sul e forma a corrente das Ilhas Canárias. Nesse processo, as correntes do Mar Mediterrâneo são incorporadas na direção oeste, o que contribui com uma grande quantidade de sais para o Oceano Atlântico.

Da mesma forma, os ventos alísios empurram as águas da costa africana para o oeste, completando o Giro do Atlântico Norte.

Curva subpolar do Atlântico Norte

O norte atual forma o Gyre Subpolar do Atlântico Norte, indo oeste encontra a América do Norte. Aqui se forma a corrente fria e profunda do Labrador, rumo ao sul.

Essa corrente marinha do Labrador passa abaixo da corrente do Golfo na direção oposta. O movimento dessas correntes é dado por diferenças de temperatura e concentração de sal (correntes termohalinas).

Grande correia transportadora oceânica

O conjunto de correntes termohalinas formam o sistema de corrente que circula abaixo das correntes superficiais, formando a grande correia transportadora oceânica. É um sistema de correntes frias e profundas que vai do Atlântico Norte à Antártica.

Na Antártica, as correntes vão para o leste e, quando a Austrália passa, segue em direção ao Pacífico Norte. Nesse processo, as águas estão esquentando, pelo que ascendem ao chegar ao Pacífico Norte. Em seguida, eles retornam ao Atlântico na forma de uma corrente de superfície quente, passando pelo Oceano Índico e se conectando com as curvas do oceano.

Tipos de correntes marinhas

Existem dois tipos básicos de correntes marinhas definidas pelos fatores que as originam e pelo nível do oceano através do qual circulam.

Correntes do mar

Essas correntes ocorrem nos primeiros 400-600 m de profundidade do mar e são causadas pelos ventos e pela rotação da Terra. Eles representam 10% da massa de água existente nos oceanos.

Correntes do mar profundo

As correntes profundas ocorrem abaixo de 600 m de profundidade e deslocam 90% do corpo de água do mar. Essas correntes são chamadas de circulação termohalina, pois são causadas por diferenças na temperatura da água (“garrafa térmica”) e na concentração de sal (“linhagem”).

Principais correntes marinhas

Curvas oceânicas

De acordo com o padrão dos ventos e pela ação da rotação terrestre, as correntes marinhas formam sistemas circulares de correntes chamadas voltas oceânicas. Existem 6 turnos principais:

  • Virada do Atlântico Norte
  • Curva do Atlântico Sul
  • Passeio pelo Pacífico Norte
  • Passeio pelo Pacífico Sul
  • Virada do Oceano Índico
  • Tour da Antártica

Cada volta é composta de correntes diferentes, das quais a corrente no limite oeste de cada volta é direcionada para o pólo correspondente. Ou seja, as curvas do Atlântico Norte e do Pacífico Norte vão para o polo norte e as curvas do Atlântico Sul, do Pacífico Sul e do Oceano Índico vão para o polo sul.

As correntes no limite oeste de cada curva são as mais fortes e, portanto, a corrente do Golfo do México corresponde à curva do Atlântico Norte e a de Kuroshio à curva do Pacífico Norte.

No Giro do Atlântico Sul, a corrente mais forte é a do Brasil e no Pacífico Sul a da Austrália Oriental. Por seu lado, no Giro del Índico está a corrente de Las Agujas, que corre ao longo da costa leste da África de norte a sul.

Tomando o Giro do Atlântico Norte como exemplo, descobrimos que o sistema completo é composto de quatro correntes. Neste Giro, além da corrente do Golfo no oeste, está o Atlântico Norte que vai para o nordeste.

Então, no leste, está a corrente de Las Canarias, que segue para sudeste, e o circuito se fecha com a corrente equatorial do norte, a oeste.

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A corrente do Golfo do México

Essa corrente faz parte da curva do Atlântico Norte e é chamada assim porque é originária do Golfo do México. Aqui as águas superficiais aquecem e se expandem, elevando o nível do mar em relação às águas mais frias do norte.

Portanto, a corrente é gerada do Golfo ao norte, onde a água perde o calor afundando e formando a corrente do Atlântico Norte.

Clima da Europa Ocidental

A corrente do Golfo contribui muito para regular o clima da Europa Ocidental, graças ao calor que transporta do Golfo do México. Esse calor liberado na altura da Groenlândia é transportado para o continente pelos ventos do oeste, moderando as temperaturas continentais.

A corrente do Mediterrâneo

O Mar Mediterrâneo é uma bacia quase fechada, exceto pela conexão de 14,24 km de largura com o Oceano Atlântico através do Estreito de Gibraltar. Este mar perde cerca de 1 m de água anualmente por evaporação em seus verões quentes.

A conexão com o Atlântico e as correntes geradas nos permitem renovar a água perdida e oxigená-la. As correntes que saem do Mediterrâneo contribuem para formar a corrente do Golfo.

Gradiente de salinidade

Salinidade e temperatura são os fatores fundamentais que atuam para produzir a corrente entre o Mediterrâneo e o Atlântico. Ao perder água para a evaporação em uma área fechada, a salinidade no Mediterrâneo é maior do que no Oceano Atlântico além do estreito.

A água com maior teor de sal é mais densa e vai para o fundo, formando uma corrente profunda em direção ao Atlântico com menor concentração de sais. Por outro lado, a camada superficial da água do Atlântico é mais quente que a do Mediterrâneo e gera uma corrente superficial do Atlântico para o Mediterrâneo.

A corrente de Humboldt

É um fluxo raso de água fria que viaja da Antártica até o equador ao longo da costa do Pacífico da América do Sul. Nasce da elevação ou elevação de parte das águas frias da corrente profunda do sul do Pacífico, quando colide com a costa sul-americana.

Faz parte do Giro subtropical do Pacífico Sul e é responsável pelo fornecimento de grandes quantidades de nutrientes às costas do Chile, Peru e Equador.

Consequências

Distribuição de calor e salinidade

As correntes marinhas fluem dos locais com águas mais quentes e salgadas para as regiões mais frias e com menor concentração de sal. Nesse processo, eles contribuem para distribuir o calor ambiente e o teor de sal nos oceanos.

Impacto no clima

Ao mover corpos de água quente para áreas frias, as correntes participam da regulação do clima na Terra. Um exemplo disso é o efeito moderador da temperatura ambiental exercida pela corrente do Golfo do México na Europa Ocidental.

Assim, se a corrente do Golfo parasse de fluir, a temperatura na Europa Ocidental cairia em média 6 ° C.

Furacões

As correntes marítimas, ao transportar calor, fornecem umidade por evaporação e geram um movimento circular em estreita relação com os ventos, que são a causa dos furacões.

Troca de gás

A água do mar mantém uma constante troca de gases com a atmosfera, incluindo vapor de água, oxigênio, nitrogênio e  CO 2 . Essa troca é possível devido ao movimento da água pelas correntes marinhas, o que contribui para quebrar a tensão superficial.

Modelagem costeira

As correntes marítimas exercem uma força de desgaste (erosão) na superfície do fundo do mar e nas costas por onde passam. Esse efeito erosivo ao longo de milhares de anos está moldando o fundo do mar, as montanhas submarinas e o litoral.

Distribuição de nutrientes e biodiversidade

Por outro lado, as correntes marinhas carregam nutrientes junto com o plâncton que se alimenta delas. Isso condiciona a distribuição da fauna marinha, pois está concentrada onde há mais alimentos disponíveis.

O plâncton é transportado passivamente pelas correntes da superfície e alguns nutrientes correm para o fundo, onde são deslocados por correntes profundas. Mais tarde, esses nutrientes retornam à superfície nas chamadas afloramentos ou afloramentos marinhos de água.

Emergências ou afloramentos de águas marinhas

Correntes profundas dão origem às chamadas afloramentos ou afloramentos de águas marinhas. É o surgimento de águas frias profundas na superfície, que transportam nutrientes depositados nas profundezas do oceano.

Nas áreas em que isso ocorre, há um maior desenvolvimento das populações fitoplanctônicas e, portanto, dos peixes. Essas áreas se tornam importantes zonas de pesca, como a costa do Pacífico peruano.

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Concentração de contaminantes

Os oceanos sofrem sérios problemas de poluição devido à ação humana, que incorpora grandes quantidades de resíduos, principalmente plásticos. As correntes marinhas carregam esses detritos e, devido ao padrão circular dos superficiais, estão concentradas em áreas definidas.

A partir daqui, surgem as chamadas ilhas de plástico, que são formadas pela concentração de fragmentos de plástico em grandes áreas do centro das curvas do oceano.

Do mesmo modo, a combinação das correntes marinhas da superfície com as ondas e a forma da costa concentra os resíduos em certas áreas.

Importância para os ecossistemas e a vida na Terra

Migrações marinhas

Muitas espécies marinhas, como tartarugas, cetáceos (baleias, golfinhos) e peixes, usam as correntes oceânicas para suas migrações oceânicas de longa distância. Essas correntes ajudam a definir a rota, reduzir a energia de deslocamento e fornecer alimentos.

Disponibilidade de nutrientes

A distribuição de nutrientes na horizontal e na vertical nos oceanos depende das correntes oceânicas. Por sua vez, isso afeta as populações de fitoplâncton que são os principais produtores e a base das redes alimentares.

Onde existem nutrientes, há plâncton e peixes que se alimentam dele, além de outras espécies que comem peixes e aves marinhas.

A pesca

A distribuição de nutrientes através das correntes marinhas afeta a disponibilidade de pesca para seres humanos.

Disponibilidade de oxigênio

As correntes marinhas ao mobilizar a água contribuem para a oxigenação, fundamental para o desenvolvimento da vida aquática.

Ecossistemas terrestres

Os ecossistemas costeiros e interiores são influenciados pelas correntes marinhas na medida em que regulam o clima continental.

A navegação

As correntes marítimas permitiram o desenvolvimento da navegação pelo ser humano, permitindo viagens marítimas para destinos distantes. Isso possibilitou a exploração da Terra, a dispersão da espécie humana, o comércio e o desenvolvimento econômico em geral.

Fatores que influenciam a direção das correntes

A direção que as correntes oceânicas tomam é expressa regularmente nos oceanos do mundo. Esse padrão de direções é determinado por múltiplos fatores cujas forças são a energia solar e a gravidade da Terra e da Lua.

Radiação solar, pressão atmosférica e direção dos ventos

A radiação solar influencia a direção das correntes marítimas por ser a causa dos ventos. Esta é a principal causa da formação de correntes superficiais que seguem a direção dos ventos.

O gradiente de temperatura e a gravidade

A radiação solar também afeta a direção das correntes oceânicas aquecendo a água e fazendo com que ela se expanda. Devido a isso, a água aumenta de volume e eleva o nível do mar; apresentando áreas oceânicas mais altas (quentes) que outras (frias).

Isso forma uma diferença de nível, ou seja, uma inclinação, movendo a água para a parte mais baixa. Por exemplo, no equador as temperaturas são altas e, portanto, a água se expande, determinando um nível do mar 8 cm mais alto do que em outras áreas.

O gradiente de salinidade

Outro fator que influencia a direção das correntes marinhas é a diferença de salinidade entre diferentes áreas do oceano. Como a água é mais salgada, sua densidade aumenta e afunda, e as correntes profundas se movem em função dos gradientes de temperatura e salinidade.

O relevo marinho e costeiro

A forma da plataforma continental e o litoral também afetam a direção das correntes oceânicas. No caso das correntes de superfície que percorrem as costas, as características geográficas influenciam sua direção.

Por outro lado, correntes profundas ao impactar a plataforma continental podem sofrer desvios horizontais e verticais.

Rotação da Terra e o Efeito Coriolis

A rotação da Terra afeta a direção dos ventos, gerando uma força centrífuga no equador, empurrando as correntes em direção aos pólos. Além disso, o efeito Coriolis desvia correntes para a direita no hemisfério norte e para a esquerda no hemisfério sul.

Referências

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  2. Castro, P. e Huber, ME (2007). Biologia Marinha. 6ª edição McGraw-Hill.
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  4. Neumann, G. (1968). Correntes oceânicas. Editora Elsevier.
  5. Pineda, V. (2004). Capítulo 7: Morfologia do fundo do oceano e características da costa. In: Werlinger, C (Ed.). Biologia Marinha e Oceanografia: Conceitos e Processos. Volume I.
  6. Prager, EJ e Earle, SS (2001). Os oceanos. McGraw-Hill.
  7. Ulanski, S. (2012). A corrente do Golfo. A incrível história do rio que atravessa o mar. Turner Publicaciones SL

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