Cultura dominante: conceito, características e exemplos

Cultura dominante é uma expressão usada para definir esse grupo de crenças, práticas e comportamentos dentro de uma sociedade, que são compartilhados e seguidos pela maioria de seus membros. É um conceito usado regularmente no campo da sociologia, antropologia e semiótica.

Essas características podem ser ideológicas, religiosas, idiomáticas, estéticas, étnicas ou outras, que geralmente são percebidas como um sinal de pertencimento e identificação.

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O nazismo era a cultura dominante na Alemanha, entre 1933 e 1945, perseguindo minorias. Arquivos Nacionais da Noruega [CC BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0)]

Dentro da estrutura de uma entidade geopolítica, geralmente possui forte presença e influência em tradições, governo, instituições estatais e educacionais, mídia, direito, artes, economia e negócios.

Segundo o dicionário da Real Academia Espanhola (RAE), a palavra “cultura” refere-se ao conjunto de modos de vida, costumes, conhecimentos e grau de desenvolvimento artístico, científico e industrial de uma sociedade ou grupo, em um determinado momento.

Enquanto isso, o termo “dominante” vem do latim “domināri” e implica uma prevalência ou submissão de terceiros.

A figura de uma cultura dominante também implica a existência de outras culturas minoritárias, que em muitos casos ela tenta conter, censurar ou reprimir.

Conceito de cultura dominante

O conceito de cultura dominante foi desenvolvido pelo escritor italiano Antonio Gramsci (1891-1937), no início do século XX. Em seus ensaios, esse filósofo marxista sugeriu que os modelos de sociedade eram impostos por uma poderosa classe hegemônica.

Nesse sentido, para ele, o capitalismo não apenas implicava uma questão econômica, mas também incluía outras dimensões, como cultura, arte e entretenimento, como formas de opressão e controle.

Dessa maneira, entendi que para mudar a sociedade não bastava usar os meios de produção e administração. Além disso, uma nova consciência cultural teve que ser criada e mantida.

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Tipos de culturas

Atualmente, na maioria das sociedades é possível encontrar quatro tipos de culturas: a dominante, subculturas, marginais e as chamadas contraculturas.

A cultura dominante é aquela que administra normas, crenças e processos sociais básicos, porque são compartilhados pela maioria ou porque possui os meios econômicos e / ou de poder para impô-los.

Por outro lado, as subculturas são grupos minoritários que têm crenças e comportamentos diferentes daqueles da cultura dominante com a qual vivem.

Enquanto isso, culturas marginais são aquelas que, devido ao seu pequeno número ou à sua baixa posição ou influência, não são reconhecidas pela hegemonia como força social.

Finalmente, as contraculturas são os movimentos que se opõem aos valores, normas e ideologias impostas pela cultura dominante.

Caracteristicas

A cultura dominante de uma nação é geralmente resiliente e passa de geração em geração. Em alguns casos, isso pode mudar ao longo do tempo como resultado de diferentes fatores internos ou externos. No entanto, quando isso acontece, o movimento geralmente acontece lenta e gradualmente.

Outra de suas características é que ele tem o poder de estabelecer as normas sociais da comunidade e uma grande influência nos valores, comportamento, pensamento e linguagem.

Para isso, possui o poder dos meios políticos e econômicos para promover e garantir o funcionamento ininterrupto do sistema.

Geralmente, a cultura dominante é imposta aos indivíduos como parte do processo de socialização, através da escola, das normas dos pais, do sistema produtivo, dos órgãos de controle e repressão, bem como da mídia.

Entre suas características, está também a posição de força em relação às culturas ou subculturas marginais, às quais geralmente se submete.Essa postura hegemônica pode ocorrer em relação a culturas externas – em cenários de colonização – e internas, no caso de grupos minoritários que vivem na mesma sociedade.

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Exemplos de culturas dominantes

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Joseph Stalin instalou o realismo socialista como a cultura dominante da antiga União Soviética. Fonte: pixabay.com

Colonização européia

Um exemplo claro de cultura dominante foi o dos países europeus que invadiram a América e a África durante o tempo da colonização. Esses estados realizaram uma repressão cruel e brutal das culturas nativas tradicionais, cujos habitantes receberam seus próprios costumes e crenças.

Fascismo

Outros casos reconhecidos foram o nazismo na Alemanha e o fascismo na Itália, que lançaram as bases de seu poder nas fundações de um despertar nacional e na perseguição ao resto das minorias.

Além de exaltar os supostos “valores alemães”, o nazismo procurou transformar outras culturas em inimigos que precisavam ser combatidos e exterminados, incluindo o marxismo e o judaísmo. Assim, motivados por propaganda incansável, censura, queima de livros, repressão e violência contra tudo o que não era “verdadeiramente alemão” tornou-se habitual.

Socialismo

Outro caso de cultura dominante foi o chamado realismo socialista na antiga União Soviética, especialmente durante o governo de Joseph Stalin. Essa tendência artística, que buscava expandir a consciência de classe e o conhecimento dos problemas sociais, foi imposta arbitrariamente na maioria dos países do bloco socialista.

WASP

Finalmente, outro exemplo é o do grupo WASP (branco, anglo-saxão e protestante – branco, anglo-saxão e protestante) – nos Estados Unidos, que historicamente detinham poder político, social e econômico naquele país.

Essa cultura dominante, associada a descendentes de britânicos brancos, defende os valores tradicionais e rejeita outras etnias, como afro-americanos, asiáticos, hispânicos, judeus e católicos.

Referências

  1. Federico Polleri. (2014). A hegemonia cultural. 2017, a partir de gramasci.org.ar Site: gramascilogias.com
  2. Malinowski, B. Culture. Encyclopaedia of the Social Sciences, 1931.
  3. Herrera, Bernal. Cultura e contracultura: observações periféricas. Universidade da Costa Rica Digitalizado pela Biblioteca «P. Florentino Idoate, SJ »José Simeón Cañas Universidade Centro-Americana.
  4. Manuel Fernandez Cuesta. (2013). Gramsci e a nova hegemonia cultural. 2017, a partir de eldiario.es Site: eldiario.es
  5. Cultura hegemônica, Wikipedia. Disponível em: en.wikipedia.org
  6. Dicionário da Real Academia Espanhola (RAE). Disponível em: rae.es

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