Ensaio científico: características, estrutura, temas, etapas

Um ensaio científico é um texto escrito em prosa, relativamente curto e dedicado a um assunto específico relacionado à ciência. Expressa um ponto de vista pessoal sobre o assunto abordado, com base nas informações coletadas e apresentadas objetivamente. O autor desenvolve as idéias de forma organizada e utilizando uma linguagem técnica.

O ensaio substantivo vem do francês Essai , que significa ” tentativa “, e também do verbo essayer , que significa ” tentar alguma coisa “. Estes, por sua vez, derivam do latim exagium, que significa ” peso ” ou ” medida ” e exigem que isso signifique ” investigar ” ou ” certificar-se “.

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Em geral, a produção de ensaios envolve a medição, avaliação, comparação e ponderação dos problemas que os originam. Como gênero literário, o ensaio teve origem nos Essais (Essays, 1580) pelo filósofo e escritor francês Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592).

Por outro lado, no caso particular de um ensaio científico, embora um pesquisador possa ter vários propósitos ao escrever um ensaio, em última análise, seu objetivo é persuadir os leitores. Por exemplo, ao comparar e contrastar duas teorias, o escritor espera convencer os leitores da superioridade de uma sobre a outra.

Da mesma forma, a produção de um ensaio científico pode ter o objetivo de conhecer a opinião pessoal do autor sobre o tema desenvolvido. Isso, para ser válido, deve ser suportado com argumentos suficientes e válidos. Da mesma forma, é muito frequente que isso seja contrastado com idéias publicadas anteriormente por outros pesquisadores.

Quanto ao assunto, é amplo. Seu campo é o conhecimento científico científico. Nesse sentido, não há tópico do conhecimento humano que não possa ser objeto de uma investigação e posterior publicação de um ensaio. Entre outros, qualquer tópico médico, social e de natureza pode ser objeto de um ensaio científico.

Características do ensaio científico

Brevidade e exclusividade

O ensaio científico é breve e único. Assim, sem abusar da fala, apresenta um novo tema que é o eixo central do ensaio. Simultaneamente, ele deve cumprir o requisito de brevidade, mas sem ignorar os dados relevantes que são a base estrutural do julgamento.

Por outro lado, a singularidade também se estende ao assunto. O ensaio científico aborda apenas um tópico por trabalho. Pode ser complementado com temas secundários, pois o tema principal é apenas um.

Caráter pessoal

Um ensaio científico é uma escrita de natureza fundamentalmente pessoal na qual as idéias do autor são expostas. Eles são apoiados ao longo do ensaio por evidências fornecidas por pesquisas e idéias próprias e outros ensaístas. As idéias de outros autores estão devidamente indicadas e os créditos são respeitados.

Variedade de temas

Em geral, esse tipo de ensaio pode abranger um número infinito de tópicos. Praticamente, não há área científica proibida para a produção desses trabalhos de pesquisa.

Áreas como matemática, física ou ciências naturais, entre muitas outras, são frequentemente objeto de ensaios científicos.

Suficiência de Conteúdo

O conteúdo do ensaio científico é escrito com a suficiência necessária para apoiar as próprias idéias e refutar as que se opõem.

Durante o processo, o ensaísta mistura lógica natural com sua capacidade intelectual no trabalho. Por outro lado, abundam em detalhes para garantir a compreensão das idéias apresentadas.

Pensamento e argumentação lógica

O pensamento lógico do ensaísta se reflete em seu trabalho. Tanto a maneira como o tópico é apresentado quanto a sequência de seu desenvolvimento são baseadas em esquemas racionais e razoáveis. Dessa maneira, a defesa de suas próprias posições é facilitada.

Agora, o autor adapta o conteúdo de acordo com suas preferências e intenções, mas sempre favorecendo a razão e a integridade metódica.

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Para enriquecer o discurso, pode ocasionalmente desviar-se para idéias acessórias, mas sempre mantém a linha principal de idéias.

Por outro lado, o argumento é feito com inteligência e lógica. A imprecisão é evitada o tempo todo. As idéias são o produto de processos de discernimento e reflexão. O autor tenta antecipar possíveis dúvidas e argumenta para esclarecer a maior quantidade delas desde o início.

Originalidade do conteúdo

O conteúdo de ensaios científicos é geralmente de conteúdo inovador e controverso. O plágio é – em todos os casos – muito desaprovado e – às vezes – até legalmente condenado. Embora possam ser encontrados ensaios que lidam com idéias discutidas anteriormente por outros ensaístas, o ângulo de foco é sempre novo.

Avaliação da ideia

O ensaio científico convida o leitor a avaliar idéias, buscar informações adicionais e refletir. A originalidade das idéias apresentadas pelo ensaísta incentiva o pensamento de qualidade. Os leitores sentem no ensaio uma fonte de referência e consulta crítica.

Alto rigor

O processo de pesquisa e análise é produzido seguindo os padrões de alto rigor. Deve obedecer estritamente à realidade e não omitir nenhuma informação. O autor apresenta o conteúdo evitando qualquer tipo de tendência e mantendo a objetividade.

Discurso profissional e divertido

Os principais leitores de um ensaio científico são os especialistas da área que são o tema central. Em vista disso, o discurso deve ser especializado, objetivo e elegante, mas divertido o suficiente para não perder a atenção. Um tipo discursivo apropriado é aquele que incentiva contribuições e feedback de idéias.

Estrutura (peças)

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Título

O título de um ensaio científico informa o leitor sobre seu conteúdo. Isso deve ser simultaneamente conciso, mas informativo.

Também deve conter o mínimo de palavras possível sem afetar a precisão e a clareza de suas informações. Para esses fins, o autor deve cuidar da sintaxe e selecionar as palavras que chamam a atenção do leitor.

Sumário

No resumo do ensaio científico, o autor indica a utilidade do assunto abordado. Da mesma forma, indica os principais subtemas que podem aparecer e descreve outros conceitos discutidos no trabalho. As idéias propostas pelo ensaísta são brevemente explicadas nesta parte.

O resumo também é conhecido como abstrato. Esse nome deriva do latim “abstractum”, que significa “forma condensada de um texto”.

Nesta seção, o interesse no trabalho de redação é criado usando palavras-chave. Em geral, esta seção é limitada a um número máximo de palavras. Esse limite varia entre 250 e 300.

1. Introdução

Na introdução, o ensaísta fornece uma visão condensada do assunto que discutirá no breve. Para esses fins, indica os pontos preliminares do sujeito e as condições de origem.

Da mesma forma, trate da pergunta que você deseja responder com o ensaio ou faça uma descrição que ajude o leitor a saber do que se trata o trabalho.Em seguida, descreva o que será discutido; as razões pelas quais o tema do ensaio é importante e em quais casos específicos você discutirá.

Do mesmo modo, o autor vislumbra nesta parte as conclusões a que chegará. Pelas regras já acordadas no meio, a introdução representa cerca de 10% do ensaio.

Conteúdo (corpo do ensaio)

O conteúdo ou o corpo do ensaio inclui uma discussão aprofundada sobre o tópico escolhido. Cada uma das seções da exposição é desenvolvida de acordo com os critérios selecionados. Esse desenvolvimento deve ter conteúdo suficiente, profundidade e seguir um estilo de fácil entendimento, na medida do possível.

A parte principal desta seção é a exposição pessoal e sua argumentação. Da mesma forma, é o confronto das idéias do ensaísta com as de outros autores que trataram do mesmo assunto. Nesta parte, é usado um estilo de argumentação lógica indutiva, dedutiva ou qualquer outro tipo de raciocínio validado.

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Por outro lado, as propostas desenvolvidas nesta seção são apoiadas por evidências. É costume terminar esta seção resumindo novas perguntas para trabalhos futuros. O desenvolvimento desta parte do ensaio geralmente constitui 80% do trabalho.

Conclusões

Nas conclusões dos ensaios científicos, os ensaístas mencionam os resultados mais interessantes do trabalho realizado. Muitos tendem a enfatizar que o assunto de seu ensaio ainda está em discussão. Posteriormente, eles recapitulam o argumento.

Eles também explicam o tipo de metodologia usada para chegar a essas conclusões e apontam como alcançar uma compreensão mais profunda do tópico. Para finalizar, o autor indica aos leitores de seu trabalho os campos de aplicação prática do estudo realizado e apresentado no ensaio.

Referências ou fontes

Nesta parte final do ensaio científico, o autor cita todas as fontes consultadas para o desenvolvimento de seu ensaio. Estes são citados seguindo padrões acordados internacionalmente. Freqüentemente, esses dados incluem o título dos trabalhos, autores, ano de publicação, entre outros.

Tópicos frequentes

Embora o assunto de um ensaio científico possa ser praticamente qualquer, os mais utilizados são aqueles que, de alguma forma, causam choque. Esse choque pode vir de um problema global ou regional que precisa de uma solução rápida.

Além disso, eles podem vir de descobertas recentes que atualizam o conhecimento em algum campo da ciência. Também podem ser o resultado de avaliações feitas pelo ensaísta que contrastam com concepções anteriores sobre o assunto.

Etapas

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Seleção de Tema

Nesta parte da produção, o ensaísta seleciona o assunto dentro de uma determinada disciplina que, geralmente, é o seu campo de especialização.

Muitas vezes, a seleção é o produto de suas reflexões durante o desempenho profissional. Também pode estar relacionado à resolução de um problema na área de interesse do pesquisador.

Delimitação do Assunto

Depois que o tópico for selecionado, o próximo passo é definir seu estudo. Nesse nível de pesquisa, o autor levanta as hipóteses iniciais. Também faz perguntas sobre a viabilidade de resolver o problema e estabelece o escopo de seu trabalho.

Coleta de Informações

A compilação das informações corresponde à etapa em que o autor avança para a localização e leitura de diferentes materiais informativos referentes ao tópico selecionado. Para fazer isso, vá para diferentes fontes, como livros, internet e revistas.

Após a coleta do material, o ensaísta prossegue com a revisão, leitura e resumo, selecionando as informações mais relevantes. Todo esse material compilado ajudará o autor do ensaio a afirmar ou refutar suas próprias conclusões iniciais.

Determinação da linha argumentativa

Nesta fase do ensaio científico, uma linha de argumento é escolhida. Isso consiste em estabelecer a sequência na qual você apresentará o trabalho. Além disso, o material (bibliografias, experimentos, resultados, entrevistas) é organizado para incorporá-los no momento apropriado.

Seleção de informações

Dependendo da linha de argumento escolhida, o ensaísta seleciona as informações que servirão para apoiar sua tese principal. Nesta fase, o pesquisador encadeia as informações coletadas com os objetivos de seu trabalho e com os resultados de suas pesquisas ou experimentos.

Descrição das fontes

Esta parte do ensaio consiste no esboço da possível bibliografia que será incluída no final do trabalho. Nesse sentido, são coletadas todas as informações de detalhes, como título do trabalho, autor, data de publicação e outras.

Os critérios de descrição dependem do formato de consulta e referência escolhido. Entre os formatos disponíveis para ensaios científicos, o formato APA (American Psychology Association) pode ser mencionado.

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Preparação do projeto de texto

A preparação do rascunho do texto consiste na montagem das informações. Nesta fase, todos os dados dos textos consultados, as idéias do próprio autor e os resultados dos testes realizados são condensados ​​na redação. O principal critério nesta seção do ensaio é a fluência e a compreensão do texto.

Correção de borracha

Uma vez concluído o rascunho do ensaio científico, ele deve ser revisado. Esta revisão é feita prestando atenção à linha argumentativa e expositiva. Ao mesmo tempo, citações e paráfrases, referências entre parênteses, notas de rodapé e referências finais também são revisadas.

O processo de correção do apagador é realizado em duas fases:

  1. A primeira consiste em uma primeira revisão na qual são checados o conteúdo e a organização do ensaio. É de importância vital nesse nível que o conteúdo comunique seu propósito ao leitor e que exista coesão entre suas partes.
  2. A segunda revisão enfoca aspectos gramaticais. Entre eles, atenção é dada à pontuação, sotaque, concordância entre gênero e número e ortografia.

Edição final do ensaio

A edição final do ensaio científico corresponde à parte formal e estética da obra escrita. No lado da formalidade, o autor decide quem será o responsável pela preparação da apresentação ou prólogo. Geralmente, são profissionais da área de redação com experiência comprovada no tópico tratado.

Do lado estético, o autor escolhe a forma visual de seu ensaio. O tipo de papel, capa, cores, entre outros atributos, são selecionados nesta fase. O principal critério que prevalece nessa escolha é o econômico.

Exemplo

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Em geral, qualquer ensaio científico é importante devido ao grau de conhecimento e progresso gerado com sua publicação. No entanto, existem trabalhos especiais que marcaram um antes e um depois da comunidade científica. Foi o caso do ensaio intitulado The Origin of Charles Darwin’s Species (1809-1882).

Seu título original em inglês era Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural ou a preservação de raças favorecidas na luta pela vida. Foi publicado em 24 de novembro de 1859.

Este trabalho introduziu a teoria científica segundo a qual as populações evoluíram de geração em geração ao longo do tempo através de um processo que foi batizado com o nome de seleção natural.Isso foi batizado como Teoria da Evolução e mudou completamente a maneira como a origem da raça humana era abordada.

Neste ensaio científico, Darwin apresentou uma grande quantidade de evidências para mostrar que diferentes formas de vida surgiram de uma descendência comum. A diversidade da vida foi um processo posterior que seguiu um padrão ramificado de evolução.

Referências

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