Epiderme: formação, características, camadas, funções

A epiderme é a camada mais superficial da pele e possui funções principalmente de proteção na presença de agentes mecânicos, químicos ou luz ultravioleta. A espessura dessa camada em humanos depende da área estudada, variando entre 0,1 mm nas áreas mais delicadas e até 1,5 mm, nas regiões espessas.

Estruturalmente, é composto por quatro camadas ou estratos: córnea, granular, espinhosa e basal. Nesta última região, encontramos células em constante divisão que formam os queratinócitos – células que dominam a composição da epiderme – que farão parte do restante das camadas.

Epiderme: formação, características, camadas, funções 1

Fonte: Mikael Häggström, baseada no trabalho de Wbensmith [CC BY-SA 3.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)]

Quanto à sua origem embriológica, a epiderme provém do ectoderma superficial e, no quarto mês de gestação, as quatro camadas da estrutura já podem ser distinguidas.

Caracteristicas

A pele é o órgão que ocupa a maior área – com área superior a 2 m 2 e pesando aproximadamente 4 kg -, por isso cumpre uma enorme variedade de funções, principalmente a proteção.

Este órgão possui uma estrutura formada por duas camadas principais: a derme e a epiderme.

É caracterizada pela presença de queratina. Essa proteína é sintetizada por um número significativo de células epidérmicas chamadas queratinócitos, que estão associadas à termorregulação e outras formas de proteção. São as células mais abundantes da epiderme.

Outras células que fazem parte da epiderme, mas em quantidades menores que os queratinócitos, são melanócitos. Eles são responsáveis ​​pela produção de melanina, a molécula responsável por dar cor à pele e protegê-la.

Não há sangue ou vasos linfáticos na epiderme, pois a nutrição ocorre na próxima camada, a derme, que é irrigada por esses componentes.

Camadas

Na epiderme, conseguimos reconhecer quatro camadas ou estratos principais. Estas são a camada corneana, a camada granular, a camada espinhosa e a camada basal. A seguir, descreveremos as características mais relevantes de cada estrato celular:

Camada de tesão

A camada mais externa da epiderme é a córnea. É composto de várias folhas de células mortas chamadas queratinócitos. Essas células são produtoras de uma proteína fibrosa chamada queratina.

As células que os compõem são caracterizadas por serem grandes, planas e de forma poliédrica. Eles são empilhados em camadas verticais de espessura próxima a 25 camadas, embora mais de 100 camadas possam ser encontradas nas palmas das mãos e pés.

Um composto lipídico é responsável por ligar as células da camada da córnea de uma maneira muito comprimida, da mesma maneira que os tijolos são unidos ao cimento em uma construção.

A taxa de substituição dessas estruturas é bastante alta, pois elas são constantemente perdidas e reabastecidas.

A função imediata dessa camada é a proteção contra atritos e outros distúrbios físicos. Graças às suas propriedades impermeáveis, a perda de água é evitada.

Quando a camada é exposta a distúrbios contínuos – como esfregar, por exemplo -, ela tende a engrossar e a formar “calosidades”.

Camada granulada

Imediatamente após a camada da córnea, encontramos a granulose, formada por folhas de queratinócitos que degeneram gradualmente até morrerem e são substituídas por outras células, sofrendo descamação constante.

É chamado de “granulosa”, uma vez que, à luz do microscópio, um conjunto de grânulos escuros compostos por querato-hialina pode ser facilmente observado.

Este composto dos grânulos é formado por sua vez, por duas proteínas:

– Profilagrin, que é o precursor do filagrin, uma proteína que participa da cornificação da pele

– Envolvidos, relacionados à queratinização.

Também existem grânulos lamelares que, diferentemente dos grânulos anteriores, só podem ser visualizados por microscopia eletrônica.

Dentro desses grânulos, encontramos uma grande quantidade de polissacarídeos, glicoproteínas e lipídios que ajudarão a ligar as células do estrato córneo. Ou seja, eles servirão como uma espécie de cimento molecular.

Nesses grânulos, também encontramos enzimas com funções de degradação, responsáveis ​​pela eventual destruição do núcleo e organelas celulares.

Camada espinhosa

A terceira camada da epiderme também é formada por queratinócitos. No entanto, o formato dessas células não é mais plano, mas adquire formas irregulares com vários lados, lembrando diferentes formas geométricas.

Nesta camada estão os melanócitos e outras células relacionadas à resposta imune, chamadas células de Langerhans.

Os melanócitos são células dendríticas e produtores de pigmentos. Os dendritos se espalham nas células desse estrato, servindo como condutores de pigmento.

As células de Langerhans também são células dendríticas. Eles são derivados da medula óssea e constituem cerca de 5% das células da epiderme. Essas células são idênticas aos macrófagos observados em outros tecidos. Portanto, essas células funcionam como barreiras imunológicas típicas da pele.

A estrutura do estrato espinhoso determina em grande parte as propriedades mecânicas da pele, pois é resistente a danos mecânicos e, ao mesmo tempo, é bastante flexível.

Camada basal

A última camada é formada por um estrato fino de queratinócitos, cujas formas lembram um cubo ou um cilindro. É bastante ativo do ponto de vista metabólico e também da divisão celular. Nesse ponto, as fronteiras entre a epiderme e a derme são estabelecidas.

As células da camada basal são na maioria indiferenciadas e estão em um processo contínuo de proliferação.

Nesta camada, são geradas células que substituem as que morrem nas regiões mais superficiais. Ou seja, eles ocorrem nesse estrato e, em seguida, têm a capacidade de migrar para onde são necessários. O tempo médio de migração da camada basal é de aproximadamente duas semanas. Se a pele está ferida, esse processo aumenta sua velocidade.

Portanto, a capacidade regenerativa da pele depende em grande parte do estado da camada basal. Se a camada for afetada, serão necessários enxertos de pele.

Algumas regiões do corpo têm uma camada adicional de epiderme. As palmas das mãos e pés são geralmente um pouco mais grossas, graças à presença de outra camada superficial chamada camada lúcida.

Treinamento

Das três camadas embrionárias, a pele tem uma formação dupla. Enquanto a derme se desenvolve a partir do mesênquima, a epiderme a produz a partir do ectoderma superficial.

Nos estágios iniciais de desenvolvimento, o embrião é coberto por uma única camada de células ectodérmicas. Às seis semanas de gestação, o epitélio sofre uma divisão e uma camada de células chamada periderma aparece.

O desenvolvimento das células continua até a formação de uma terceira camada na zona intermediária. Nos primeiros três meses, a epiderme é invadida por células da crista neural, responsáveis ​​pela síntese da melanina.

À medida que o quarto mês de gravidez se aproxima, a epiderme já terá sua organização definitiva em quatro camadas bem marcadas.

Funções

Protecção

A primeira função da primeira camada da pele é intuitiva: proteção e prevenção de perda de líquidos. Isso é responsável por formar uma barreira contra diferentes tipos de possíveis distúrbios, tanto físicos quanto químicos. Além de proteger contra diferentes tipos de patógenos que podem entrar no corpo.

Fotoproteção

Um caso particular de proteção é a fotoproteção. A epiderme funciona como uma barreira contra a radiação ultravioleta graças à presença de melanina, um pigmento responsável pela absorção de radiação nociva do sol.

Nos animais, esse pigmento é um derivado do aminoácido aromático tirosina e é amplamente distribuído nas linhagens.

A produção de melanina ocorre na camada basal da epiderme. A molécula consegue cumprir seu objetivo de proteção, mediando a dissipação de calor em um processo chamado conversão interna ultrarrápida.

Essa conversão de uma energia prejudicial para uma inofensiva é crucial para a proteção do material genético. Essa proteção ajuda a manter a integridade do DNA, pois a exposição contínua à radiação pode causar danos à molécula, estando associada ao desenvolvimento de câncer.

A cor da pele humana é presumivelmente uma característica adaptativa associada à quantidade de luz solar que eles recebem no ambiente em que se desenvolvem.

As peles escuras estão relacionadas à proteção contra intensa radiação solar e pele clara em áreas onde a captura da baixa luz solar que recebem é essencial para a síntese de vitamina D (veja abaixo).

Termorregulação

A regulação da temperatura é um fenômeno muito importante e trabalhoso para os organismos endotérmicos. A pele – e, portanto, a epiderme – é o órgão envolvido nesse processo de regulação.

Juntamente com a derme, essa estrutura é capaz de controlar a temperatura através dos mecanismos de transpiração (com a evaporação do mesmo, o organismo consegue perder calor e, assim, reduzir a temperatura) e o controle do fluxo sanguíneo.

Percepção

A pele é um órgão rico em receptores de todos os tipos, por isso intervém no fenômeno da percepção e medeia a comunicação do organismo e seu ambiente. Essas sensações incluem toque, pressão, temperatura e dor. Além disso, permite responder a essas sensações.

Por exemplo, as células Merkel são componentes escassos localizados na camada mais profunda da epiderme e estão relacionados à recepção mecânica por tácteis.

Troca de substâncias

A pele está envolvida na absorção e excreção de diferentes substâncias, como sais minerais, uréia, ácido úrico, ácido lático e outros resíduos. Também é responsável por mediar o trânsito de gases como oxigênio e dióxido de carbono.

O papel da pele na respiração depende do organismo estudado. Em pequenos organismos, como os anfíbios, a pele é fina e participa ativamente da troca de gases, a ponto de algumas espécies não terem pulmões. Nos mamíferos, existem estruturas especializadas responsáveis ​​pelas trocas gasosas.

Síntese de vitamina D

A vitamina D é uma substância esteróide essencial formada por quatro anéis de átomos de carbono, com semelhanças estruturais bastante marcadas com a molécula de colesterol.

A síntese desta vitamina ocorre na pele e, para que a reação ocorra, é necessária a presença de luz ultravioleta do sol. Em seguida, ele se move para outros órgãos (rim e fígado) para continuar seu processamento e passar para a forma ativa.

A síntese de vitamina D não se restringe à região da pele, também pode vir de alimentos incluídos na dieta, como óleo de peixe ou laticínios enriquecidos com essa vitamina.

Participa da via metabólica do cálcio, fósforo e do processo de mineralização óssea. Sua função não se restringe ao desenvolvimento e manutenção do sistema ósseo, mas também participa do sistema imunológico, endócrino e cardiovascular.

A deficiência de vitamina D tem sido associada a raquitismo e osteomalácia; A primeira patologia é comum em tenra idade, enquanto a segunda está associada a adultos. Também pode causar osteoporose, diferentes tipos de câncer, esclerose múltipla ou doenças cardiovasculares, entre outras patologias.

Auto reparo de feridas

A pele não é apenas o maior órgão do ser humano, mas também é a primeira a estabelecer uma contagem direta com o meio ambiente, por isso é constantemente exposta a entidades físicas e químicas que podem feri-lo e causar ferimentos.

Essas feridas podem ser reparadas em questão de dias (dependendo da magnitude), graças ao fato de a pele possuir um sistema de divisão celular e renovação rápida dos tecidos.

Função não biológica em humanos

Na área médica, avaliar a condição da pele fornece informações muito valiosas, pois é um verdadeiro reflexo do estado de saúde do paciente e pode ser útil na identificação de determinadas patologias.

Além disso, a pele do ser humano também desempenha um papel crucial na estética e em proporcionar a cada indivíduo um senso de identidade.

Referências

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