- Fração molar é adimensional, varia de 0 a 1 e a soma dos componentes é 1.
- Converta % em massa em mols e depois em X via ni/Σn.
- Percentagem mássica, fração molar e molalidade não dependem de temperatura.
Quer transformar uma porcentagem em massa em frações molares com segurança e sem tropeços? Então você está no lugar certo. Neste guia, você vai ver como conectar massa, quantidade de matéria e proporções de forma lógica, usando passos claros, fórmulas essenciais e exemplos numéricos completos — do jeitinho que aparece em provas, exercícios e na bancada do laboratório.
Ao longo do texto, vamos integrar conceitos-chave de Química de soluções (fração molar, título em massa, molalidade, molaridade, p/v, v/v), mostrar por que a soma das frações molares é 1, explicar a faixa de variação entre 0 e 1, e ainda amarrar tudo com aplicações práticas, como a relação com pressão parcial em misturas gasosas. No final, você terá repertório para navegar entre diferentes unidades de concentração com naturalidade.
Conceito e propriedades essenciais da fração molar
Fração molar é a razão entre o número de mols de um componente e o número total de mols da mistura. Para um componente i, escrevemos Xi = ni / ntotal, onde ntotal é a soma dos mols de todos os constituintes (soluto(s) + solvente). Essa grandeza é adimensional e muito prática em balanços de massa e estudos de equilíbrio.
Em soluções binárias (um soluto e um solvente), calculamos as frações molares de cada componente separadamente: X1 = n1/n e X2 = n2/n, sendo n = n1 + n2. É importante lembrar que não falamos em “fração molar da solução”, e sim dos componentes. A soma X1 + X2 é sempre igual a 1.
Como o denominador (ntotal) é a soma dos mols e, portanto, maior que cada parcela individual, cada fração molar fica no intervalo 0 a 1. Isso quer dizer que, se um cálculo retornar algo fora desse intervalo, houve erro em alguma etapa (tipicamente na conversão de massa em mols ou na soma dos componentes).
Quando necessário, a fração molar pode ser expressa em porcentagem molar. Basta multiplicar X por 100 para obter o valor em %. Assim, 0,25 corresponde a 25% em fração molar, e a soma das porcentagens molares de todos os componentes continua sendo 100%.
Como relacionar fração molar com porcentagem em massa
Para converter % em massa em fração molar, a ideia é direta: assuma uma base conveniente de cálculo (geralmente 100 g de solução), determine a massa de cada componente a partir do percentual, converta cada massa para mols usando a massa molar e, por fim, calcule Xi = ni / Σn. Em uma solução binária, se w1 e w2 são as frações em massa e M1 e M2 as massas molares, então uma expressão útil é: X1 = (w1/M1) / .
Esse caminho inverso também funciona: se você conhece a fração molar e precisa do título em massa (w) do soluto, converta os mols em massas (m = n·M) e divida a massa do soluto pela massa total da solução (m = m1 + m2). Assim, você percorre a ponte entre quantidade de matéria e massa sem ambiguidade.

Passo a passo prático com exemplos resolvidos
Exemplo 1 (frações molares a partir de mols dados): Uma solução foi preparada com 1 mol de glicose e 99 mol de água. O total de mols é n = 1 + 99 = 100. Logo, Xglicose = 1/100 = 0,01 e Xágua = 99/100 = 0,99. Esses valores confirmam a soma igual a 1 e a coerência com a faixa entre 0 e 1.
Exemplo 2 (de fração molar para título em massa): A fração molar de glicose (C6H12O6) em solução aquosa é Xglicose = 0,01. Se ntotal = 100 mol como base, então nglicose = 1 mol e nágua = 99 mol. Convertendo para massa: mglicose = 1 × 180 = 180 g; mágua = 99 × 18 = 1782 g; msolução = 180 + 1782 = 1962 g. Assim, o título em massa do soluto é w = mglicose/msolução = 180/1962 ≈ 0,0917, ou 9,17% (m/m). É exatamente o tipo de conversão que liga fração molar e percentagem mássica.
Exemplo 3 (NaCl em água a partir de massas e volumes): Uma solução de NaCl foi feita com 12 g de sal em 250 mL de água (assumindo densidade da água ≈ 1,00 g/mL para 250 g). Mols de NaCl: n = 12 / 58,44 ≈ 0,205 mol. Mols de H2O: n = 250 / 18,015 ≈ 13,88 mol. Assim, XNaCl = 0,205 / (0,205 + 13,88) ≈ 0,0145, e XH2O ≈ 0,9855. Note como converter massa em mols é a etapa crítica para acessar frações molares.
Exemplo 4 (percentagem mássica e conversão para molaridade): Em soluções comerciais, como o HCl a 37% (m/m), 100 g de solução contêm 37 g de HCl e 63 g de água. Se a densidade a 20 °C for ρ ≈ 1,18 g·cm−3, então 100 g ocupam ~84,7 cm3 (0,0847 L). Mols de HCl: 37/36,46 ≈ 1,015 mol. A concentração molar fica ≈ 1,015 / 0,0847 ≈ 12 mol·L−1. Embora o alvo aqui seja molaridade, o raciocínio mostra como percentagem em massa serve de ponto de partida para diversas conversões, inclusive para fração molar se você também computar os mols do solvente e dividir pelo total.
Vínculos e diferenças: fração molar, molalidade, molaridade, p/v e v/v
Molalidade (m, por vezes denotada W) é o número de mols do soluto por quilograma de solvente: m = nsoluto/msolvente(kg). Há uma forma equivalente muito usada em exercícios: m = msoluto / (Msoluto × msolvente), quando o soluto é dado em massa e você precisa converter por M. Uma vantagem prática é que não depende de volume, portanto é pouco sensível a variações de temperatura.
Molaridade (M) é o número de mols de soluto por litro de solução: M = nsoluto/Vsolução (L). É amplamente utilizada em laboratório, mas, como depende de volume, pode variar com a temperatura. Em contextos de pH, por exemplo, é molaridade: se pH = 8, então = 10−8 mol·L−1, um caso clássico que ilustra a utilidade de M.
Porcentagem p/v (m/v) expressa massa de soluto (g) por volume de solução (mL), multiplicada por 100: % (p/v) = × 100. Uma solução a 10% (p/v) de NaCl, por exemplo, tem 10 g de soluto em 100 mL de solução. Na prática, adiciona-se o sólido à água e completa-se o volume ao final para evitar erro.
Porcentagem v/v aplica-se quando o soluto é líquido: % (v/v) = × 100. Para fazer 1000 mL a 5% (v/v) de etilenoglicol em água, usa-se 50 mL de soluto e completa-se com água até 1000 mL. Mais uma vez, o volume final deve ser ajustado após a mistura, porque volumes nem sempre são aditivos.
Fração molar e pressão parcial em misturas gasosas
Em gases ideais, a fração molar conecta-se diretamente à lei de Dalton: Pa/PT = Xa, em que Pa é a pressão parcial do componente a e PT a pressão total. Sabendo Xa e PT, obtém-se Pa por Pa = Xa·PT. Essa relação simples permite ir e voltar entre composição e pressões em problemas de mistura gasosa.
Vale observar que, embora fração molar e molalidade sejam independentes de temperatura (não envolvem volume), pressões parciais e molaridade dependem de grandezas sensíveis a T. Assim, escolha a unidade com critério, de acordo com a propriedade que você quer acompanhar.
Como converter de % em massa para fração molar (roteiro geral)
Para amarrar tudo, aqui vai um roteiro enxuto que consolida as ideias usadas nos exemplos: (1) escolha uma base, como 100 g de solução; (2) obtenha msoluto e msolvente a partir da % (m/m); (3) converta cada massa em mols: n = m/M; (4) calcule ntotal somando os mols; (5) encontre Xi = ni/ntotal. Se o exercício pedir o título em massa também, faça wsoluto = msoluto/mtotal e, se necessário, converta para % multiplicando por 100.
Checklist rápido de coerência: Xi entre 0 e 1; ΣXi = 1; % (m/m) entre 0% e 100%; massas e mols positivos; unidades consistentes (g, mol, L). Esses detalhes evitam armadilhas muito comuns em provas e no laboratório.
Relações úteis entre grandezas e observações finais de prática
Fração mássica, fração molar e molalidade compartilham uma vantagem: são grandezas que não dependem do volume da solução. Isso é especialmente valioso quando a temperatura varia, já que densidades e volumes mudam, e influenciam as propriedades coligativas. Em contrapartida, a molaridade sofre com essas variações, por isso cuidado ao comparar concentrações em diferentes T.
Se você partir de percentagem em massa e tiver densidade do produto (como no HCl 37%), pode obter a molaridade. Se, além disso, você calcular os mols de solvente, também consegue as frações molares: é só dividir os mols de cada componente pelo total. O segredo é sempre a ponte massa ↔ mols.
Erros frequentes incluem: esquecer de somar corretamente ntotal; usar a massa molar errada; não converter mL em L ao calcular molaridade; supor que volumes são aditivos (misturas podem contrair ou expandir). Ao montar soluções p/v ou v/v, complete o volume ao final, e não some volumes esperando coincidência exata com o alvo.
Por fim, lembre que transformar fração molar em porcentagem é só multiplicar por 100, e que a soma das porcentagens molares é 100%. Na prática industrial e analítica, trabalhar com frações molares facilita comparar composição relativa, enquanto % (m/m) é excelente para preparar lotes com precisão por massa, e molaridade brilha em titulações e cenários volumétricos.
Ao dominar esse mapa mental — % (m/m) → mols → frações molares você resolve desde exercícios didáticos (glicose/água, NaCl/água) até rotinas de qualidade de insumos (como HCl comercial), e ainda conecta composição com propriedades como pressão parcial em gases. Essa visão integrada poupa tempo, diminui retrabalho e deixa seus resultados muito mais confiáveis.