Frente Popular (Chile): História, Características e Idéias

A Frente Popular era uma coalizão criada entre vários partidos políticos chilenos diante das eleições de 1938. Começou em 1936 e durou até 1941, quando dissensões internas a dissolveram. O conceito de Frente Popular veio de uma Europa em que a chegada ao poder de partidos fascistas, como os nazistas na Alemanha, causou séria preocupação.

A Guerra Civil Espanhola também influenciou a criação desses acordos. Foram os comunistas europeus que optaram por expandir a base tradicional de seus seguidores, sabendo que era a melhor maneira de vencer as eleições. No entanto, no Chile, o núcleo central da coalizão pertence ao Partido Radical.

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Da esquerda para a direita: Pedro Aguirre Cerda e Arturo Alessandri

Nesse partido, havia uma mistura ideológica e estava localizada no centro do espectro político. Juntamente com radicais e comunistas, os Partidos Socialistas, Democratas e Radicais Socialistas participaram da Frente Popular. Além disso, diferentes organizações sociais localizadas à esquerda aderiram.

A experiência, pelo menos no campo eleitoral, foi um sucesso. A Frente Popular venceu as eleições de 1938 e seu candidato, o radical Pedro Aguirre Cerda, foi nomeado presidente.

História

Contexto internacional

A década de trinta do século XX viu como os movimentos fascistas surgiram em vários países, alcançando o poder na Alemanha, Itália e, depois de uma guerra civil, na Espanha.

Por seu lado, a União Soviética se estabeleceu como o único país socialista, o que a tornou uma referência para grupos de esquerda em todo o mundo.

Os diferentes partidos comunistas perceberam que o frentismo característico dos anos 20 não servira para alcançar o poder. Portanto, eles tentaram mudar a estratégia e ampliar a base de suporte.

O sistema, como apontou o búlgaro Georgi Dimitrov em 1935, deveria tentar formar alianças com organizações com as quais eles compartilhavam a visão antifascista.

A ferramenta para alcançar essas alianças seriam as frentes populares. Eles tiveram sucesso na Espanha (antes da guerra), na França e, finalmente, no Chile.

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Primeiros passos

A política no Chile também observou as mudanças que estavam ocorrendo em todo o mundo. Já na década dos 20 surgiram vários movimentos que se opunham à oligarquia que liderava o país há muito tempo. Dentro dessas organizações estavam o Partido Comunista e Socialista.

Além disso, o Partido Radical estava abandonando posições conservadoras para se posicionar no centro político, com parte do partido com uma clara visão anti-oligárquica.

Foi o Partido Comunista, seguindo a estratégia das frentes populares, que propôs a criação de uma grande coalizão da qual participavam partidos e organizações progressistas; para eles, era a melhor maneira de enfrentar o certo, depois no governo.

Criação da Frente Popular

O primeiro que aceitou a proposta dos comunistas foi o Partido Radical. Ao longo de 1936, os componentes das assembléias do partido estavam aprovando a aliança. As eleições estavam marcadas para 1938, mas a coalizão começou a funcionar como uma frente de oposição ao presidente Arturo Alessandri.

Dois anos depois, foram os socialistas que se uniram à aliança. Depois deles, eles aprovaram o Partido Democrata e o Partido Socialista Radical.

Finalmente, organizações e sindicatos como a Confederação dos Trabalhadores do Chile (CTCH), alguns grupos de estudantes como a Federação de Estudantes do Chile (FECH) ou o Movimento de Pro-emancipação das Mulheres do Chile (MEMCH) terminaram de formar a Frente Popular.

Eleições de 1938

O primeiro passo para enfrentar as eleições foi a escolha de um candidato comum. Para isso, foi convocada uma convenção presidencial, com a participação de 400 delegados radicais, 300 socialistas, 160 comunistas, 120 democráticos e 120 do CTCH.

Na primeira votação, ninguém obteve maioria suficiente para ser eleito candidato. Os primeiros resultados colocaram Aguirre Cerda, do Partido Radical, na liderança; e Marmaduke Grove, do Socialista. No final, este último decidiu retirar sua candidatura e apoiar o radical. Dessa forma, Aguirre Cerda foi investido como candidato.

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Além do representante da Frente Popular, os outros candidatos à presidência foram o conservador Gustavo Ross e o ex-ditador Ibáñez del Campo. O último acabou retirando sua candidatura após a tentativa frustrada de golpe, estrelando um grupo de jovens nazistas.

Por uma margem estreita, o vencedor foi Pedro Aguirre Cerda, com o qual a Frente Popular alcançou seu objetivo de mudar o governo.

Dissolução da Frente Popular

Apesar de uma ação governamental que lançou muitas políticas sociais, a Frente Popular imediatamente começou a ter problemas internos.

Os primeiros que mostraram insatisfação foram os comunistas. De fato, eles não queriam assumir nenhum ministério e continuaram a organizar greves e manifestações. Da mesma forma, houve uma grande rivalidade com os socialistas, uma vez que ambos lutaram pela mesma base eleitoral.

À medida que as eleições de 1941 se aproximavam, o Partido Socialista decidiu deixar a Frente e se apresentar. Isso e a morte do presidente Aguirre Cerda significaram o fim da coalizão, embora os partidos restantes (comunistas, radicais e democratas) ainda se apresentassem juntos e conquistassem os novos votos.

Características e ideologia

A união de um partido central – o Radical, próximo à burguesia e com componentes de proprietários de terras – com os comunistas e socialistas não era ideologicamente fácil. Embora os radicais tivessem assumido traços social-democratas, havia algumas diferenças em relação à doutrina.

Portanto, mais do que uma ideologia comum, havia um acordo sobre pontos mínimos que deveriam ser realizados para melhorar o país.

Anti-fascismo e anti-autoritarismo

O governo conservador de Alessandri baseara sua autoridade na repressão de oponentes, trabalhadores e estudantes. Além disso, um partido de corantes nazistas havia aparecido no Chile: o Partido Nacional Socialista.

A rejeição comum de todos os componentes da Frente Popular contra a repressão de Alessandri e a necessidade de impedir que os nazistas cheguem ao poder estão no centro da criação da coalizão.

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Da mesma forma, eles concordaram em rejeitar a oligarquia que continua a governar o país e em democratizar as instituições. Nesse sentido, houve um choque entre a classe média, que encarnava o Partido Radical, e o trabalhador comunista e socialista, mas o inimigo comum fez com que fosse alcançado um acordo.

Em suma, a Frente Popular advogou a restauração dos princípios da democracia, enfatizando a liberdade, a solidariedade e a luta contra o imperialismo. O objetivo era ajudar a classe média e o trabalhador em oposição aos poderosos.

Economia

Foi um membro do Partido Radical que resumiu a ideologia econômica da Frente Popular. Assim, Justiniano Sotomayor declarou na Câmara dos Deputados que a aliança procurava alcançar a independência econômica do Chile, longe das garras do imperialismo.

Na realidade, o programa estava mais próximo das doutrinas de Keynes do que do comunismo. O objetivo era criar um estado de bem-estar, com as necessidades básicas dos cidadãos atendidos e com o Estado participando da atividade econômica.

A Frente Popular se propôs a acelerar o desenvolvimento industrial do país, favorecendo seus nacionais sobre as empresas estrangeiras.

Para isso, fundaram o projeto CORFO (Corporação para a Promoção da Produção Nacional), vinculado à criação de indústrias.

Da mesma forma, impuseram tarifas sobre produtos estrangeiros, para que os nacionais pudessem competir nos preços.

Referências

  1. Enciclopédia chilena. Frente Popular Obtido em es.wikisource.org
  2. São Francisco, Alejandro. Era radical. A formação da Frente Popular no Chile. 1935-1938. Obtido em eldemocrata.cl
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