León Febres-Cordero Ribadeneyra: biografia, presidência e obras

León Febres-Cordero Ribadeneyra (1931-2008) era um engenheiro e empresário equatoriano, presidente número 35 do Equador, que ganhou fama mundial por sua maneira de fazer política e pelas controversas decisões tomadas ao longo de seu mandato.

Durante seu mandato presidencial de quatro anos, Febres-Cordero teve que lidar com forte oposição do Congresso equatoriano, acusações de corrupção, guerrilheiros urbanos, sobreviver a uma revolta militar e até sequestrar.

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SSGT GUSTAVO A. GARCIA [Domínio público]

Ele sempre foi acompanhado pela imagem de um homem forte, fortalecido por sua afinidade por cigarros, armas e cavalos, nos quais geralmente vinha montado para fazer uma entrada triunfal durante suas campanhas políticas.

Sua vida pública não terminou após o término de seu mandato presidencial, pois ele permaneceu ativo em cargos relevantes quase até o final de seus dias.

Biografia

Primeiros anos

León Esteban Febres-Cordero Ribadeneyra nasceu em 9 de março de 1931 em Guayaquil, Equador, em uma família com uma posição econômica confortável. Seus pais eram Agustín Febres Cordero Tyler e María Ribadeneyra Aguirre.

Seus primeiros estudos foram realizados no Colégio Salesiano Cristobal Colón de Guayaquil, sendo então enviados para continuar sua formação nos Estados Unidos; inicialmente na academia militar Charlotte Hall, em Maryland, e mais tarde na Academia Mercersburg, na Pensilvânia.

Ele estudou no Stevens Institute of Technology em Hoboken, Nova Jersey, onde se formou em engenharia química em 1953.

Ao retornar ao Equador, Febres-Cordero trabalhou em vários cargos: como engenheiro de uma cervejaria, gerente da Companhia Elétrica de Guayaquil, da Industrial Molinera, da Molinera Industrial, da Cartonaria equatoriana, da Papelaria Nacional e da Papelaria Interamericana de Tecidos.

A experiência adquirida durante o desenvolvimento de seu trabalho lhe deu confiança suficiente para estabelecer sua própria empresa, Compañía Santos e Febres Cordero, na qual ele oferecia serviços elétricos.

Em 1960, ele era professor de engenharia na Universidade de Guayaquil e começou a ter compromissos mais relevantes quando foi eleito Presidente da Associação de Industriais da América Latina, bem como na década seguinte, quando assumiu o cargo de Presidente da Câmara de Industriais do Equador.

Vida política

Sua intensa carreira nos negócios impulsionou sua abordagem política. Em 1966, aos 35 anos, foi eleito deputado funcional da Assembléia Constituinte, como representante da indústria costeira para a elaboração da nova Carta magna equatoriana.

Entre 1968 e 1970, atuou como senador funcional do Congresso, encarregado do Segundo Comitê de Economia e Finanças.

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Na ditadura de Guillermo Rodríguez Lara, Febres-Cordero, que atualmente trabalhava para a empresa de banana Noboa, é preso por se recusar a emitir cheques para o governo. Por esse incidente, ele permaneceu na prisão por 93 dias.

Em 1978, ingressou no Partido Social Cristão e, nas mãos dessa organização política, foi eleito deputado do Congresso pelo período 1979-1983. Naquela época, ele questionou vários ministros envolvidos em supostos casos de corrupção.

Já com reconhecimento público suficiente para seu crédito, Febres-Cordero se lançou à disputa presidencial com o lema “Pão, teto e emprego”, sendo finalmente eleito para o período 1984-1988.

Presidência

Seu governo foi caracterizado desde o início por suas extensas reformas econômicas, com mais de vinte decretos que eram frequentemente rejeitados por um congresso equatoriano de oposição.

Ele estabeleceu uma política de economia de mercado livre que produziu admiração e boas relações com o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, com quem assinou acordos que até permitiram a entrada no Equador de mais de cinco mil reservistas do exército dos EUA.

Esse procedimento foi fortemente criticado pela oposição que catalogou o fato de uma violação da soberania nacional.

Rebelião e sequestro

Em 1986, Frank Vargas Pazzos, comandante geral das Forças Armadas acusou o ministro da Defesa, Luis Piñeiro, de estar envolvido na compra ilícita de uma aeronave Fokker por uma sobretaxa que excedia cinco milhões de dólares. No entanto, a comissão do congresso que estudou o caso estabeleceu que não havia irregularidades.

Essa questão acabou se tornando uma verdadeira dor de cabeça para Febres-Cordero, já que o comandante que fez a queixa se levantou duas vezes. E embora as rebeliões tenham sido sufocadas e Vargas Pazzos preso, isso não significou o fim da história.

Em janeiro de 1987, membros da Força Aérea, aliados a Vargas Pazzos, sequestraram o presidente e sua comitiva por quase doze horas durante um evento realizado na Base Aérea de Taura.

O objetivo dos rebeldes era forçar Febres-Cordero a assinar uma resolução de anistia para o líder rebelde. Esse documento já havia sido emitido pelo Congresso, mas o presidente se recusou a oficializá-lo até então.

Assinado o documento, Vargas Pazzos foi libertado enquanto Febres-Cordero era obrigado a não retaliar contra os seqüestradores. No entanto, cinco meses após o evento, cerca de sessenta pessoas envolvidas no seqüestro foram presas.

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A questão do seqüestro foi usada pelo presidente do Congresso, Andrés Vallejo, para pedir a renúncia de Febres-Cordero como o primeiro presidente do país, alegando que as decisões presidenciais erradas foram o que o levaram a essa situação. Este pedido finalmente não transcendeu.

Ações contra guerrilheiros urbanos

Em 1984 começou a incursão do guerrilheiro urbano “Alfaro Vive ¡Carajo!”, Que naquele ano executara o seqüestro do banqueiro Nahím Isaías. Febres-Cordero participou muito de perto da resolução deste grave incidente que terminou com a morte dos autores e dos seqüestrados.

Em 1987, quase no final de seu governo, ele iniciou uma intensa operação de segurança para impedir definitivamente o avanço do grupo guerrilheiro. Essa ação tornou-se uma guerra contra o terrorismo que acabou com a vida dos principais líderes da organização e de vários policiais e militares.

No final de seu governo

O período presidencial de Febres-Cordero foi enfraquecido pela crise econômica, agravada pelo drástico declínio dos preços do petróleo e pelo terremoto no leste que causou milhares de vítimas e um aumento desproporcional dos gastos públicos. Para essa etapa, o governo teve que solicitar ajuda do Fundo Monetário Internacional.

O próprio Presidente Febres-Cordero e vários de seus homens de confiança foram acusados ​​de corrupção e, no final do governo, muitos de seus ministros renunciaram; até aquele que fora seu parceiro no partido e ocupava o cargo de vice-presidente, Blasco Peñaherrera Padilla, começou a se desconectar.

Apesar de todas essas dificuldades, Febres-Cordero estabeleceu como objetivo pessoal concluir todos os projetos iniciados por seu governo.

Trabalha durante sua presidência

Embora o governo de Febres-Cordero nunca tenha sido acompanhado por uma economia estável, ele realizou importantes obras e executou planos sociais relevantes para o benefício dos equatorianos:

– Realizei a construção de hospitais.

– Ele promoveu o Plano Nacional de Alimentação.

– Criou o Fundo Cultural Nacional.

– Impulsionou o aumento das exportações.

– Executei o programa gratuito de entrega de medicamentos pediátricos.

– Promoveu o Plano Nacional de Habitação.

– Iniciou a construção da Rodovia Perimetral de Guayaquil.

– Realizou a construção de estádios de grande contribuição para o setor esportivo, além de novos canais de comunicação.

Depois da presidência

Depois de completar seu mandato presidencial, Febres-Cordero foi eleito prefeito de Guayaquil por dois períodos estabelecidos entre 1992 e 2000. Uma administração que seus seguidores descreveram como bem-sucedida.

Em 2002, Febres-Cordero foi eleito deputado do Congresso do Equador em nome de Guayaquil. Apesar de frequentes ausências dele devido a problemas de saúde, ele foi reeleito em 2006, mas no ano seguinte ele finalmente teve que se aposentar quando sua condição física piorou. Essa renúncia marcou o fim de sua carreira política.

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Comissão da Verdade

Os partidários e detratores de Febres-Cordero concordam que seu governo presidencial foi caracterizado por uma política dura contra adversidades. No entanto, muitos acreditam que essa maneira difícil de agir foi responsável por várias violações dos direitos humanos.

Os relatos contra ele mencionam pelo menos quinhentas queixas de tortura, violência sexual e desaparecimentos forçados. Entre eles, destaca-se o caso emblemático dos irmãos Restrepo, de 12 e 16 anos, detidos pela polícia e que, até hoje, não parecem vivos nem mortos.

Em maio de 2008, o então presidente do Equador, Rafael Correa (2007-2017), estabeleceu uma Comissão da Verdade para investigar irregularidades em governos anteriores, particularmente aqueles que ocorreram durante o mandato presidencial de Febres-Cordero.

Ele defendeu suas decisões, descrevendo Correa como caprichoso e afirmando que, com suas ações à frente da presidência, libertou o país do caos interno e da insurgência poluidora de grupos guerrilheiros da Colômbia e do Peru.

Vida pessoal

Febres-Cordero casou-se em 1954 com Maria Eugenia Cordovez, com quem teve quatro filhas: Maria Eugenia, Maria Fernanda, Maria Liliana e Maria Auxiliadora. Após 34 anos de casamento, o casal se divorciou em 1988. O ex-presidente equatoriano se casou mais tarde com Cruz María Massu, com quem não teve filhos.

Morte

Febres-Cordero, diagnosticado com câncer de pulmão, morreu em Guayaquil em 15 de dezembro de 2008 aos 77 anos. Durante três dias, o povo equatoriano prestou-lhe honras presidenciais na Catedral Metropolitana de sua cidade natal.

Apesar dos aspectos negativos que acompanharam sua presidência, a presença e a marca que Leon Febres-Cordero deixou na vida equatoriana são inquestionáveis.

Referências

  1. Os editores da Encyclopedia Britannica. (2019). León Febres Cordero, Presidente do Equador. Retirado de britannica.com
  2. Simon Romero (2008). Febres Cordero, gigante da política do Equador, está morto. Extraído de nytimes.com
  3. Maggy Ayala Samaniego. (2008). León Febres Cordero, ex-presidente do Equador. Retirado de elmundo.es
  4. Centro de Documentação Diária El Universo. (2009). León Febres Cordero: legado histórico e obras mais importantes. Retirado de eluniverso.com
  5. Solano Gonzalo. (2008). O ex-presidente equatoriano Febres Cordero morre. Retirado de deseretnews.com

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