Manuel Bulnes: Biografia, Governo e Obras

Manuel Bulnes , nascido em Concepcion (Chile) em 1799, foi um político e militar chileno que ocupou a presidência do país durante a década de 1841-1851. Ele foi o segundo presidente da chamada República Conservadora, um período de 30 anos em que os governantes pertenciam a essa ideologia.

A presidência de Bulnes é considerada uma das mais importantes do século XIX. Durante os 10 anos em que ocupou o cargo, o Chile estabeleceu os princípios do regime republicano e algumas de suas principais instituições foram fundadas. Da mesma forma, houve uma expansão territorial promovida pelo presidente.

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Antes de entrar na política, Bunes se destacou por seu papel em vários conflitos de guerra. Sendo muito jovem, ele se alistou no exército colonial espanhol, embora muito em breve ele tenha aumentado as fileiras dos independenteistas. Como um fato curioso, isso o levou a enfrentar seu próprio pai no cerco de Chillán, enquanto defendiam lados opostos.

Além de ordenar a construção de várias infra-estruturas e inaugurar a Universidade do Chile, Bulnes também foi quem encomendou a letra da Canção Nacional do Chile, o hino que representa o país.

Biografia

Manuel Bulnes Prieto nasceu em Concepción (Chile) em 25 de dezembro de 1799. Seu pai era militar, tendo o posto de capitão do exército espanhol. Bulnes não foi enviado para a escola, mas fez seus primeiros estudos em sua própria casa.

Entrada no exército

A tradição da família pesava na escolha vital do pequeno Manuel. Com apenas doze anos, ele se juntou ao exército, tornando-se parte de um batalhão de infantaria em sua cidade. Dois anos depois, através da mediação de seu pai, ele foi promovido a brigadeiro assistente.

Ele logo mostrou discrepâncias com o pai, já que não queria apoiar os espanhóis na luta contra a independência.

Bulnes passou alguns meses em Santiago, estudando. Em 1814, os espanhóis fecharam a escola e tiveram que voltar para Concepcion.

Suas simpatias pela causa da independência fizeram com que ele fosse enviado, juntamente com outros 200 jovens de sua localidade, para a Ilha Quiriquina. Dessa maneira, o comando espanhol em Concepcion queria impedir que se juntassem ao Exército Libertador, que estava avançando posições.

Por vários meses, Bulnes e o resto dos prisioneiros ficaram na ilha. Quando a guerra se aproximou do sul do país, os guardas tiveram que se retirar e os jovens aproveitaram a oportunidade para tentar escapar e chegar ao continente. Fornecidos apenas com balsas fracas, 30 deles morreram ao longo do caminho.

Nova Pátria

Foi nessa etapa da história chilena que começou a carreira militar de Manuel Bulnes. Em junho de 1817, ele se juntou à Guarda Nacional com o posto de tenente. Meses depois, ele se juntou ao Exército de Linea.

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Algumas das batalhas em que ele participou foram as de Quechereguas e Cancha Rayada, já em 1818. Da mesma forma, ele esteve presente em uma das lutas mais importantes da guerra pela independência: a de Maipú.

Um dos momentos que marcaram sua carreira militar ocorreu em julho de 1818, no cerco a Chillán. Manuel foi informado de que seu pai, do lado espanhol, estava entre os sitiados.

Ele foi imediatamente falar com ele, tentando convencê-lo a se juntar à sua causa, sem ter sucesso. No final, a batalha não resultou em nenhum vencedor, mas seu pai acabou no exílio no Peru.

Guerra até a morte

As tropas espanholas buscaram aliados para enfrentar a independência. Alguns dos encontrados foram os mapuches, com quem se tornaram fortes na área entre os rios Maule e Biobío.

Bulnes participou de algumas das batalhas contra essa coalizão, sob o comando de Freire. Sua missão o fez alcançar o posto de capitão em 1820.

No ano seguinte, em reconhecimento a suas ações, o general Prieto Vial (seu tio) confiou-lhe uma divisão do exército. Bulnes conseguiu pacificar a fronteira e retornou a Concepcion em março de 1822.

Em Concepción, recebeu a Legião do Mérito do Chile de O’Higgins e foi nomeado sargento-mor.

Primeiro cargo político

A queda de O’Higgins concedeu a liderança dos patriotas a Freire, que ofereceu a Bulnes o cargo de governador de Talca. Em 1823, ele foi eleito para fazer parte do Congresso Constituinte, embora suas obrigações militares não lhe permitissem participar das sessões.

Revolução 1829

Anos depois, Bulnes participou da revolução contra o governo que ocorreu em 1829. Foi seu tio José Joaquín Prieto quem o convenceu a se envolver nesse levante.

Em 1830, ele também esteve presente na batalha decisiva de Lircay, que marcou a derrota dos liberais liderados por Freire.

Guerra contra a Confederação Peru-Boliviana

Antes de chegar à presidência, Manuel Bulnes participou da guerra que confrontou o Chile com a Confederação Peru-Boliviana. Entre 1838 e 1839, ele assumiu a liderança das tropas, derrotando seus inimigos em batalhas como Yungay. Isso lhe rendeu reconhecimento nacional, sendo promovido a divisão geral.

Pessoalmente, Bulnes se casou em 1841 com a filha de uma das famílias da aristocracia chilena. Por meio de sua esposa, Enriqueta Pinto Garmendia, ele se relacionou com o presidente Francisco Antonio Pinto, além de outro futuro presidente, Aníbal Pinto.

Nesse mesmo ano, José Joaquín Prieto, que ocupava a presidência na época, o nomeou Conselheiro de Estado. Este foi o passo anterior à sua candidatura nas eleições seguintes.

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Presidência

Após a votação, em 18 de setembro de 1841, Manuel Bulnes foi eleito presidente do Chile. Seu primeiro passo foi tentar acabar com as divisões da nação e decretar a anistia dos derrotados em Lircay. Da mesma forma, ele fez gestos de reconciliação com San Martín e O’Higgins.

Revolução de 1851

Após 10 anos de governo – desde que foi reeleito em 46 – a situação no país estava mudando. A chamada República Conservadora tinha entre suas principais características uma maneira autoritária de exercer poder, o que fez com que os adversários aparecessem.

Estes, especialmente liberais e parte dos crioulos, fundaram a Sociedade da Igualdade, que buscava um aumento das liberdades públicas. Os governantes viam isso desde o início como uma ameaça, então tentaram eliminá-lo.

Isso apenas forçou a sociedade a se esconder. Em 20 de abril de 1851, seus apoiadores fizeram uma revolta contra o governo, que foi esmagada pelo exército sob Bulnes.

Embora a tensão não tenha diminuído, o próximo candidato conservador, Manuel Montt, foi eleito presidente.

Últimos anos e morte

O fim de seu mandato presidencial não significou que Bulnes deixou a vida pública. Os levantes que ocorreram em várias áreas do país o forçaram a liderar as tropas do governo. Como chefe do exército, ele se dedicou ao fim dos tumultos.

Bulnes manteve o cargo de chefe do Exército do Sul até 1863, após o qual ele poderia se aposentar para sua vida privada. No entanto, ele foi novamente candidato à presidência em 1866, embora tenha sido derrotado nas eleições. Nesse mesmo ano, em 18 de outubro de 1866, Manuel Bulnes morreu em Santiago.

Governo

Os dois períodos de governo de Manuel Bulnes mantiveram grande parte das características da República Conservadora, embora seja verdade que ele tentou acabar com os confrontos ocorridos no país. Para isso, ele anistiou os liberais e reabilitou os “pipiolos” militares que haviam sido dispensados ​​por seu antecessor.

Ele também lançou as bases do regime republicano chileno. Foi durante sua presidência que a Espanha finalmente reconheceu a independência do país, para que Bulnes pudesse finalmente estabelecer a estrutura de governança que se consolidaria ao longo dos anos.

Outro aspecto que caracterizou sua ação política é a grande importância que ele deu à educação. Sob sua presidência, numerosas instituições educacionais foram fundadas e disponibilizadas a todo o povo.

Autoritarismo

Embora Bulnes tenha tentado reconciliar e estabilizar o país, seu governo também teve as folhas autoritárias desse período histórico. As liberdades públicas eram muito limitadas e a oposição foi reprimida, embora não tanto quanto com seu antecessor.

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Por outro lado, o sistema eleitoral significava que o candidato oficial não tinha realmente nenhum problema para ser eleito. O mesmo aconteceu com outros cargos, como prefeitos ou governadores, que foram colocados pelo presidente.

Soberania

Naquela época, as fronteiras chilenas não estavam claramente definidas e o governo Bulnes estabeleceu como uma de suas prioridades para defini-las definitivamente.

Por isso, por exemplo, ele ordenou a construção de fortes no Estreito de Magalhães, a fim de tornar clara sua soberania. No norte, ele também fez expedições para espantar os bolivianos de algumas áreas.

Economia

A questão econômica mais importante durante o governo de Bulnes foi tentar acabar com a dívida que o país mantinha com os britânicos. Isso fez com que o Chile adquirisse maior estabilidade econômica e pudesse atrair mais investidores.

Trabalhos

Consolidação de terras

O governo de Manuel Bulnes foi muito minucioso em trabalhos em todas as áreas de ação. Um dos aspectos mais importantes foram suas ações para fortalecer o país territorialmente. Com ele começou a colonização do sul do Chile, além de alcançar o reconhecimento espanhol pela independência.

Hino Nacional

Este último o levou a solicitar uma nova carta para o hino nacional, já que o anterior continha uma parte bastante ofensiva para a Espanha. A primeira vez que a nova música nacional foi tocada foi durante os feriados nacionais de 1847.

Educação

Outra questão em que Bulnes se esforçou mais foi na educação. Além das reformas educacionais, o governo procurou especialistas estrangeiros para ajudar a modernizá-lo. Durante seu mandato, instituições como a Universidade do Chile e a Escola de Artes e Ofícios foram criadas.

Economia

Na economia, o presidente promoveu uma lei sobre costumes, com uma filosofia baseada no liberalismo. Por outro lado, em 1843 entrou em vigor a Lei dos Pesos e Medidas, com a qual o sistema decimal começou a ser utilizado.

Criação da Instituição

Outras realizações de seu mandato foram a Escola Normal de Preceptores, o Corpo de Engenheiros e o Bureau of Statistics. Finalmente, a Escola Militar foi reaberta e foi ele quem iniciou as obras que levaram a ferrovia ao Chile.

Referências

  1. Biografia do Chile. História do Chile: Presidentes. Manuel Bulnes (1841-1851). Obtido em biografiadechile.cl
  2. Biografias e vidas. Manuel Bulnes Obtido de biografiasyvidas.com
  3. Icarito Governo de Manuel Bulnes Prieto (1841-1851). Obtido de icarito.cl
  4. Os editores da Encyclopaedia Britannica. Manuel Bulnes Obtido em britannica.com
  5. Thebiography Bulnes Prieto, Manuel. Obtido em thebiography.us
  6. Wikiwand Manuel Bulnes Obtido em wikiwand.com
  7. Paul W. Drake, Marcello A. Carmagnani. Chile Obtido em britannica.com
  8. Bizzarro, Salvatore. Dicionário Histórico do Chile. Recuperado de books.google.es

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