Picnogónidos: características, habitat, reprodução, alimentação

Os picnogonídeos são artrópodes pertencentes à classe Pycnogonida. Eles também são chamados de aranhas do mar, devido à grande semelhança que têm com os aracnídeos. Eles foram descritos pela primeira vez em 1810 pelo entomologista francês Pierre André Latreille.

É um grupo muito particular de animais, pois possuem membros muito longos e um corpo muito pequeno. Devido a isso, os órgãos que integram seus vários sistemas internos tiveram que ser realocados, aproveitando o espaço interior disponível nas pernas do animal.

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Edição de Picnogónido. Fonte: Rickard Zerpe [CC BY-SA 2.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0)]
Entre outras características a serem analisadas, descobrimos que elas apresentam algumas estruturas anatômicas exclusivas, como os ovígeros, que sua reprodução é sexual ou que são ovíparas.

Caracteristicas

Os picnogonídeos são animais constituídos por células altamente especializadas em várias funções. Graças a isso, eles são conhecidos como organismos multicelulares.

Da mesma forma, são animais tripoblásticos, pois durante o desenvolvimento embrionário foi possível demonstrar a presença das três camadas germinativas: ectoderma, mesoderma e endoderme. Estes são de importância vital, uma vez que é a partir deles que são gerados todos os órgãos e tecidos que compõem o animal.

Os picnogónidos são animais quase sésseis, pois apresentam mobilidade e locomoção bastante reduzidas.

São animais cujo tamanho varia, pois existem espécimes de alguns milímetros, até outros que podem atingir mais de 50 cm com as pernas estendidas.

São animais que têm alta capacidade de se camuflar com os elementos do ambiente externo. Com isso, eles conseguem passar despercebidos pelos predadores.

Da mesma forma, os picnogonídeos pertencem ao grupo de animais com simetria bilateral. Isso implica que cada um é composto de duas metades exatamente iguais.

Finalmente, os picnogonídeos são animais dióicos, ou seja, possuem sexos separados, com indivíduos do sexo feminino e masculino.

Taxonomia

A classificação taxonômica dos dinogonídeos é a seguinte:

Domínio: Eukarya

Reino: Animalia

Borda: Arthropoda

Subfilo: Chelicerata

Classe: Pycnogonide

Morfologia

Este tipo de animal possui um corpo de pequenas dimensões, das quais emergem vários apêndices, que são de grande comprimento.

Como em todos os artrópodes, os picnogons têm um corpo segmentado em várias áreas ou áreas. Em geral, o corpo desses animais é dividido em dois segmentos: prosoma (cefalotórax) e opistosoma (abdômen).

Eles também apresentam uma série de apêndices articulados. Há um total de 12 apêndices, distribuídos da seguinte forma: 1 par de chelycer, 1 par de pedipalpos e 4 pares de pernas.

– Prosoma (cefalotórax)

Esta parte do corpo, por sua vez, é composta de duas zonas: o cefalon e o tórax. Primeiro, o cefalon tem uma extremidade anterior e uma extremidade posterior.

Na extremidade anterior, há uma extensão conhecida como probóscide, que abriga a abertura oral. Este último é cercado por três lábios de estrutura quitinosa.

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Na extremidade posterior do cefalon, existe uma protuberância conhecida como tubérculo ocular, na qual os órgãos da visão estão alojados.

Do prosoma, são destacados sete pares de apêndices: os chelyces ou chelyphors, os pedipalpos ou palpos, os ovígeros e as pernas.

Quelíceros (Quelíforos)

Eles constituem o primeiro par de apêndices desses animais. Eles são pequenos e são compostos de um chela (dedo móvel + dedo fixo) e um artefato chamado fuga. A principal função desses apêndices está relacionada ao processo de alimentação e imobilização de barragens.

Pedipalps (Palps)

Eles são o segundo par de apêndices de pynogonid e são pouco desenvolvidos. Eles estão localizados em ambos os lados da tromba. Eles não estão presentes em todas as espécies, pois algumas que não possuem esses apêndices foram descritas. As funções que os pedipalpos cumprem são variadas, dependendo do seu grau de desenvolvimento.

Ovígero

Eles constituem o terceiro par de apêndices. A função que eles cumprem está diretamente relacionada ao processo de reprodução e consiste em manter os ovos fixos durante o desenvolvimento até a eclosão subsequente. Além disso, os machos usam ovinos para estimular a liberação de óvulos na fêmea.

Como em todos os apêndices de artrópodes, os ovígeros também são feitos de artefatos. O número destes varia de acordo com vários fatores, entre os quais sexo e gênero podem ser mencionados. Em geral, os ovários podem ser compostos de até 10 artefatos.

Pernas

São quatro pares e também são muito longos em comparação com o comprimento do corpo. Eles são compostos por um total de oito artefatos, sendo do distal ao proximal: propod, tarso, duas tíbias, fêmur e três coxas.

A última peça (propod) tem uma unha na extremidade distal, além de hastes auxiliares. Além disso, é comum obter espécies nas quais as pernas estão cobertas por alguns inchaços, como espinhos.

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Esquematização da anatomia de um picnogon. (A) Cefalônia, (B) Tronco, (C) Abdômen, (1) Probóscide, (2) Quelíforos, (3) Pedipalpos, (4) Ovígeros, (5) Sacos de ovos, (6) Pernas locomotivas. Fonte: Sars, GO (1895) .L. Fdez (LP) – digitalização e coloração. [CC BY-SA 2.1 pt (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.1/es/deed.en)]
Da mesma forma, as pernas têm orifícios que correspondem ao sistema reprodutivo, conhecidos como gonoporos. Os encontrados nas fêmeas são ovais, enquanto os gonoporos masculinos são redondos. Elas abrem especificamente para o nível da coxa número 2.

– Opistosoma (abdômen)

É o menor segmento do corpo de dinogonídeos. Em sua extremidade posterior, há uma abertura que corresponde ao ânus, a terminação do sistema digestivo.

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– Anatomia interna

Sistema nervoso

O sistema nervoso dos picnogonídeos é composto de grupos de neurônios que compõem os nós. Como no resto dos artrópodes, o sistema nervoso está intimamente relacionado ao sistema digestivo. Nesse sentido, existem nós periesofágicos e subesofágicos.

Todos esses nós emitem fibras nervosas para várias estruturas do animal.

Sistema circulatório

Os picnogonídeos têm um sistema circulatório de tipo aberto bastante particular, uma vez que não possuem um órgão principal como o coração, mas usam as estruturas do sistema digestivo, especificamente o estômago, para bombear o fluido circulante.

Com relação a isso, o líquido circulante não é sangue, mas hemolinfa.

Apesar disso, há especialistas que afirmam que os picnogonídeos têm um coração de aparência tubular, com alguns ostíolos (2 ou 3).

Sistema digestivo

O sistema digestivo desses animais é completo, com a boca como abertura de entrada e o ânus como abertura de saída.

Começa na tromba, que apresenta a abertura da boca que se abre para uma faringe que continua com um pequeno esôfago. Em seguida é o estômago, que executa funções tanto no sistema digestivo quanto no circulatório. A absorção de nutrientes começa no estômago.

O estômago se comunica com o intestino. O arranjo intestinal é bastante particular. Esta ramifica e é distribuída nas pernas do animal. O intestino também tem uma posição lateral cega.

Finalmente, o sistema digestivo flui para a abertura anal, que é onde os resíduos da digestão são liberados.

Habitat e distribuição

Os picnogonídeos são animais puramente marinhos, sendo encontrados apenas em habitats de água salgada.

Esses tipos de animais são onipresentes, pois estão amplamente distribuídos em todos os oceanos do planeta. A temperatura da água não é uma limitação para eles, pois espécies foram encontradas tanto em águas quentes quanto em águas de baixa temperatura.

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Picnogónido em seu habitat natural. Fonte: NOAA Ocean Exploration & Research dos EUA [CC BY-SA 2.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0)]
No que diz respeito à localização nos oceanos, os picnogonídeos podem ser localizados no fundo do fundo do mar, bem como em áreas mais superficiais.

Por terem mobilidade reduzida, devem ser adequadamente camuflados para se protegerem de possíveis predadores. É por isso que às vezes são encontrados escondidos entre as algas marinhas, enterrados ou embaixo de algumas rochas que possam estar lá.

Alimento

Os membros da classe Pycnogonida podem ser de dois tipos, de acordo com sua dieta: predadores e saprophages. Esses animais são predadores conhecidos de outros que, como eles, são encontrados no fundo do mar. Entre estes, podemos citar anêmonas marinhas.

Por outro lado, os picnogónidos se alimentam de resíduos que flutuam perto deles. Esses resíduos são representados principalmente por restos de algas orgânicas.

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O modo de alimentar-se quando são predadores é o seguinte: quando pegam suas presas, projetam sua probóscide e a atacam, usando-a também para absorver os líquidos provenientes da presa.

É importante lembrar que a maioria das espécies possui um trato digestivo de tamanho reduzido, para que não consumam grandes quantidades de alimentos e, portanto, se alimentem de substâncias de consistência mais macia, como mingau ou líquidos.

Reprodução

A reprodução dos picnogonídeos é sexual. Isso significa que deve haver uma fusão de um gameta feminino com um gameta masculino. Além disso, possuem fertilização externa, são ovíparas e têm desenvolvimento indireto.

Quanto ao tipo de adubação, isso é externo, pois nas diferentes espécies conhecidas de ginogonídeos não se observa que exista um processo de acoplamento. Pelo contrário, a fertilização dos ovos ocorre fora do corpo da fêmea.

Especialistas relataram que esses animais têm um namoro antes da fertilização. Esse processo é iniciado pelo macho, que, quando conhece a fêmea, passa a esfregar seu ovo no corpo, estimulando-o. Como resultado dessa estimulação, a fêmea libera os ovos.

Em seguida, os ovos são transferidos para as pernas ovígeras do macho, onde finalmente ocorre o processo de fertilização. Nesse momento, o muco secretado pelas glândulas que estão no nível do fêmur masculino (cimentação) mantém os óvulos juntos, formando uma grande massa de relatório.

Em um caso um tanto atípico do reino animal, o homem é quem transporta os ovos até que eclodam. Quando isso ocorre, dos ovos emerge uma larva conhecida como protonina, que é exclusiva para esse tipo de animal.

Essas larvas são caracterizadas por possuir três pares de apêndices e uma probóscide. Posteriormente, para completar seu desenvolvimento, sabe-se que aderem a vários animais invertebrados marinhos. No entanto, o processo de maturação após a eclosão dos ovos ainda permanece em grande parte desconhecido.

Referências

  1. Arango, C. (2001) Aranhas do mar (Pycnogonida) da Grande Barreira de Corais, Austrália, alimentam-se de corais de fogo e zoantídeos. Memórias do Museu Queensland.
  2. Brusca, RC & Brusca, GJ, (2005). Invertebrados, 2ª edição. McGraw-Hill-Interamericana, Madri
  3. Cano, E. e López, P. (2015). Ordem Pantopoda. Revista IDEA – MAR
  4. Curtis, H., Barnes, S., Schneck, A. e Massarini, A. (2008). Biologia Editorial médico pan-americano. 7ª edição.
  5. Hedgepeth, JW (1947). Sobre o significado evolutivo da Pycnogonida. Coleções diversas Smithsonian,
  6. Hickman, CP, Roberts, LS, Larson, A., Ober, WC e Garrison, C. (2001). Princípios integrados de zoologia (Vol. 15). McGraw-Hill
  7. Ros, J. e Munilla, T. (2004). Picnogónidos ou aranhas do mar. Generalidades e fauna andaluza. Em: Projeto Andaluzia. Natureza XVI: Zoologia. Publicaciones Comunitarias, SL

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