10 Problemas ambientais do Peru e suas características

Os problemas ambientais do Peru estão ligados, principalmente, para a degradação do ar, água ou território terrestre, o uso insustentável dos elementos da natureza, ea perda de espécies e ecossistemas.

Esses problemas ambientais estão associados à aquisição industrial de produtos, bens e serviços projetados para atender às demandas de uma população em crescimento, com padrões de consumo insustentáveis.

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Yanacocha bacia de mineração de ouro perto da cidade de Cajamarca. Fonte: Elbuenminero [CC BY-SA 3.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)]

O desmatamento é o principal problema ambiental neste país sul-americano. Nos últimos 20 anos, estima-se que 2 milhões de hectares foram perdidos, principalmente devido à expansão da fronteira agrícola.

Entre as consequências ecológicas, sociais e econômicas mais importantes dos problemas ambientais do Peru, estão a perda de ecossistemas e seus benefícios, conflitos pela água e perda de qualidade de vida devido a impactos na saúde.

No Peru, o modelo de desenvolvimento predatório que gerou todo esse problema ambiental contrasta com uma cultura de vida ancestral, que durante séculos foi construída a partir do respeito à natureza.

Principais problemas ambientais no Peru

Desmatamento

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O Peru é um dos países mais florestados da América e do mundo. Pensa-se que a extensão original das florestas excedeu 73 milhões de hectares. No entanto, atualmente, apenas 67 milhões de hectares de floresta natural sobrevivem.

Esses altos níveis de desmatamento são devidos principalmente à mudança no uso da terra para a produção de alimentos pelo agronegócio. Em menor grau, esse fenômeno é atribuído ao desenvolvimento de áreas urbanas, construção de estradas, mineração e exploração de petróleo, extração seletiva de madeira, plantações ilegais de coca para produção de cocaína e incêndios florestais.

No departamento de Loreto (no nordeste do Peru), 390 anos de florestas intocadas foram desmatadas em 18 anos devido à construção da rodovia Iquitos – Nauta e à demanda por essas terras para a semeadura de cacau.

Em Ucayali (ao sul) e San Martín (ao centro oeste), 344.000 e 375.000 hectares foram perdidos, respectivamente, nas últimas duas décadas, devido às plantações de dendezeiros.

O desmatamento resulta na perda de diversidade biológica e na degradação de ecossistemas e bacias hidrográficas, além de ser o principal contribuinte das emissões de gases de efeito estufa para o Peru.

Geração e uso insustentáveis ​​de energia

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No Peru, a principal fonte de energia utilizada é o petróleo. Os principais depósitos estão localizados na costa noroeste, no pedestal continental e na selva peruana, sendo esta a zona de petróleo mais importante do país. Enquanto as principais refinarias estão localizadas na zona costeira.

Na floresta peruana, derramamentos de óleo são comuns devido a falhas nos oleodutos. Esses derramamentos ocorreram consecutivamente por mais de 40 anos de exploração de petróleo na área e tiveram efeitos catastróficos sobre a biodiversidade da Amazônia e seus povos indígenas.

O uso de combustível fóssil é destinado principalmente ao setor de transportes (41%), seguido pelo setor industrial (29%). Em geral, o aumento da demanda de energia nos últimos 20 anos tem sido associado a um aumento nos padrões de uso dos diferentes serviços.

O aumento da demanda nacional por fornecimento de eletricidade favoreceu o desenvolvimento de grandes projetos de infraestrutura hidrelétrica e estações termoelétricas, que causaram poluição ou destruição de bacias e ecossistemas florestais, gerando conflitos sociais com a população deslocada.

Mineração

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Em todo o mundo, o Peru ocupa o terceiro lugar na produção de prata, cobre e zinco, quarto na produção de chumbo e estanho e quinto na produção de ouro. Além disso, possui importantes depósitos de ferro, manganês e estanho.

Sua economia é amplamente apoiada pela extração e exportação desses recursos naturais. No entanto, a maneira insustentável pela qual essa atividade foi realizada resultou em sérios problemas ambientais.

Como grande parte das reservas minerais está nos Andes, a exploração ilegal resultou na destruição de ecossistemas estratégicos, como as áreas úmidas altas dos Andes.

Por outro lado, a exploração não autorizada de ouro na Amazônia gerou desmatamento de mais de 95.750 Ha, em mais de 32 anos. Somente no departamento de Madre de Dios, foram relatadas mais de 110 zonas de extração ilegal, sendo o setor da Amazônia o mais impactado pela mineração de ouro.

A mineração contaminou bacias hidrográficas e ecossistemas em todas as regiões do país que afetam tanto a diversidade da vida quanto os próprios habitantes locais. Altas concentrações de metais pesados, um produto da mineração, foram relatadas em peixes e crianças e mães grávidas.

A mineração ilegal também ameaça a invasão de áreas naturais protegidas e áreas arqueológicas de grande importância para a humanidade.

Centros urbanos

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Senhor dos Milagres em Lima

Em 2018, o Peru tinha 32.162.184 habitantes, sendo o quinto país com a maior população da América do Sul. 76% da sua população vive concentrada nas cidades.

A cidade mais populosa é Lima, com 9.562.280 habitantes (quase 30% da população total do país), seguida por Arequipa (com 1.008.029 habitantes), Trujillo (com 919.899 habitantes) e Chiclayo (com 326.040 habitantes). Essas quatro cidades constituem as áreas metropolitanas do Peru.

Os centros urbanos constituem um importante problema ambiental para o Peru devido ao seu crescimento não planejado. Eles geram poluição da atmosfera, águas correntes e solos resultantes de atividades econômicas, de falhas no gerenciamento de resíduos sólidos, emissões e efluentes.

Altas concentrações (acima dos padrões internacionais) de chumbo produzido pelas emissões das indústrias e dos transportes e pela desintegração mecânica de partículas, poeira tóxica das fábricas, agricultura e indústria industrial foram relatadas nas cidades. construção civil

O setor de transportes é uma das principais causas da poluição do ar nas cidades. Entre as causas estão a existência de um estacionamento obsoleto, que não possui regulamentação, combustíveis líquidos com alto teor de enxofre e atividades produtivas e extrativas realizadas com tecnologias arcaicas.

Agricultura

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A agricultura tradicional do Peru pré-hispânico foi substituída pela agricultura industrial, começando com a revolução verde que ocorreu em meados do século XX.

Essa agricultura tem um importante impacto ambiental, devido ao uso de agrotóxicos (fertilizantes e biocidas), organismos geneticamente modificados e grandes quantidades de terra.

Da mesma forma, a agricultura industrial tem uma alta demanda por combustíveis fósseis destinados a máquinas para plantio, colheita, transporte, processamento e armazenamento da produção.

No Peru, os efeitos da agricultura industrial envolvem a contaminação da água e dos solos, a degradação dos solos agrícolas, o desmatamento da Amazônia devido à expansão das fronteiras agrícolas e a perda de germoplasma nativo, como a alta quinoa andina, alpacas coloridas.

A agricultura é a segunda atividade com as maiores emissões de gases de efeito estufa no Peru.

Sobrepesca

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O Peru possui uma grande diversidade de recursos hidrobiológicos devido à corrente de ressurgência fria que ocorre no mar do sul.

O principal recurso pesqueiro é o biqueirão, usado para a produção de farinha de trigo, sendo o Peru o principal produtor mundial. Outros recursos importantes são: pescada, pota, corvina, bonito e carapau.

Apesar da grande importância ecológica, econômica e social dos recursos hidrobiológicos do Peru, houve uma superexploração deles e uma distribuição inadequada de benefícios. Essa pressão está impactando a renovação desses importantes recursos para o país.

Entre os problemas do setor pesqueiro, há uma frota pesqueira de grandes dimensões e capacidade de desembarque, falta de controle da pesca ilegal e protocolos de pesca de tamanho mínimo para a maioria das espécies e poluição aguda devido aos efluentes da indústria de pesca. Farinha de peixe e farinha de peixe enlatada.

Degradação de fontes de água doce e desertificação

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O Peru possui 4% da água doce do planeta, distribuída em um grande número de pequenas bacias que drenam para o Oceano Pacífico e em duas grandes bacias: a bacia amazônica, que drena para o Atlântico, e a bacia endorréica do lago Titicaca.

Esse importante patrimônio natural está ameaçado pela destruição das cabeceiras e nascentes dos rios, a poluição causada pelos agrotóxicos da agricultura industrial e a inadequada geração, gerenciamento e disposição de efluentes e resíduos industriais e urbanos.

O lago Titicaca, compartilhado pelo Peru e pela Bolívia, é o lago navegável mais alto do mundo. Apesar de sua importância econômica, cultural e ecológica, está seriamente contaminado pela descarga de grandes quantidades de efluentes industriais e domésticos, resíduos sólidos e agrotóxicos.

Foi determinado que tanto a lama quanto as plantas aquáticas e a fauna filtrada do Lago Titicaca têm grandes concentrações de metais pesados, como cromo, cobre, ferro, chumbo, zinco, arsênico e cádmio.

Além da poluição da água, o Peru está enfrentando um grave problema de desertificação, com 3,8 milhões de hectares de desertificados e 30 milhões em processo de desertificação.

As causas diretas desse fenômeno são pastagem excessiva, desmatamento, manejo agrícola inadequado, industrialização, urbanização e construção de grandes infra-estruturas.

Emissões de Gases de Efeito Estufa

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As emissões totais de gases de efeito estufa para o Peru em 2012 constituíram 0,34% das emissões globais e 3,5% das emissões da América Latina e do Caribe.

As emissões devido a mudanças no uso da terra e no desmatamento representaram 46% do total das emissões nacionais durante 2012, com um aumento de 60% entre 2003 e 2012.

Por outro lado, as emissões de CO2 geradas pela queima de combustíveis fósseis representaram 0,14% das emissões globais e apresentaram um aumento de 82% desde 2003. Essas emissões provêm de 39% dos transportes e 25%. da geração de eletricidade e calor.

Espécies ameaçadas

O Peru é o quarto país com a maior biodiversidade do mundo. No entanto, uma longa lista de problemas ambientais resultou em uma forte ameaça à sua biodiversidade, o que resultou em alterações nos ecossistemas naturais e na dinâmica populacional das espécies.

Em um diagnóstico feito em 2018, foi determinado que no Peru existem 777 espécies de flora selvagem ameaçadas. No livro vermelho da fauna, publicado em 2018, foi obtida uma lista de 64 espécies ameaçadas de extinção, 122 ameaçadas, 203 categorizadas como vulneráveis, 103 como quase ameaçadas e 43 com dados insuficientes.

Além da degradação, fragmentação e perda de habitat, o tráfego ilegal é uma das causas mais importantes de perda da diversidade biológica no Peru. Somente em 2017, mais de 10.000 espécimes de animais selvagens foram apreendidos pelas autoridades peruanas.

A cabeça e os membros do urso de óculos ( Tremarctos ornatus ) são comercializados para uso em rituais de cura. As presas, caveiras, peles e garras da onça – pintada são vendidas ilegalmente nos mercados das cidades amazônicas. Diferentes aves e répteis são comercializados como animais de estimação.

O sapo gigante do lago Titicaca ( Telmatobius culeus ) é uma espécie endêmica desse lago e está em perigo crítico, a categoria mais alta de ameaça. Este sapo é comercializado para uso gastronômico e medicinal.

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Geração e disposição de resíduos

A produção per capita de resíduos sólidos no Peru sofreu um aumento de mais de 85% na última década.

Do total de resíduos sólidos gerados, 84% são coletados, dos quais 31% são descartados em aterros e 14,7% são recuperados ou reciclados. Os 46% restantes estão disponíveis em aterros informais.

Por outro lado, atividades agrícolas, domésticas, industriais e de saúde pública geram resíduos perigosos.

61.468 toneladas por ano de resíduos perigosos são produzidas e a infraestrutura para seu gerenciamento é insuficiente. Existe apenas uma empresa autorizada para disposição final e um aterro especializado.

Portanto, a maior parte desse material é descartada como resíduo sólido, tornando-se um problema de saúde pública e um risco para a poluição do solo e da água.

Referências

  1. Banco Mundial (2007). Análise ambiental do Peru: desafios para o desenvolvimento sustentável Resumo executivo. Peru
  2. Ministério do Meio Ambiente (2016). Estratégia nacional de combate à desertificação e à seca 2016-2030. Lima
  3. Dancé, JJ e Sáenz DF (2013). Situação da situação e gestão ambiental no Peru. Universidade de San Martín de Porres.
  4. Ráez Luna, E. e Dourojeanni, M. (2016). Os principais problemas ambientais politicamente relevantes no Peru. 14 pp.
  5. Wikipedia, A Enciclopédia Livre. Peru Data da consulta: 21:40, 5 de março de 2019.
  6. Serviço Nacional de Floresta e Vida Selvagem. 2018. Ameaça da vida selvagem do Peru.

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