Alfonso Quiroz Cuarón: biografia e contribuições

Alfonso Quiroz Cuarón: biografia e contribuições

Alfonso Quiroz Cuarón (1910-1978) era um criminologista mexicano considerado o pai da disciplina no país. Nascido em Ciudad Jiménez em 1910, o assassinato de seu pai em 1925 foi o gatilho de seu interesse em analisar e entender as motivações que levam os criminosos a agir.

Depois de ficar órfão, como sua mãe faleceu, Quiroz se mudou para a capital do país. Lá ele foi treinado em várias disciplinas, da psicologia à medicina legal. Em 1939, ele se tornou o primeiro mexicano a se formar em criminologia pela Universidad Autónoma.

Antes de obter o título, entre 1932 e 1933, Quiroz participou de um extenso estudo criminológico na prisão de Lecumberri. Uma de suas contribuições foi sua recomendação de que o objetivo de reabilitar condenados fosse levado em consideração, além de executar políticas preventivas levando em consideração aspectos sociais, psicológicos e econômicos.

Durante sua carreira profissional, Quiroz participou de algumas das investigações criminais mais conhecidas do país. Entre eles, o assassinato de Trotsky, o assassino Goyo Cárdenas ou o falsificador francês Enrico Sampietro. Embora Quiroz não tenha gostado da comparação, a revista Time o chamou de mexicano Sherlock Holmes em um artigo.

Breve biografia

Alfonso Quiroz Cuarón nasceu na cidade de Jiménez (Chihuahua), em 19 de fevereiro de 1910. O futuro criminologista permaneceu parte de sua infância naquela cidade, até que seu pai, que trabalhava nas ferrovias, se mudou para Tampico por motivos de trabalho. .

Morte do pai

Alfonso cursou o ensino fundamental em Tampico. Aos 14 anos ele ficou órfão pela mãe e um ano depois também perdeu o pai.

A princípio, o jovem recebeu a notícia de que seu pai havia morrido devido a um acidente. Este evento foi fundamental para a carreira profissional de Quiroz. A partir daquele momento, sentiu a necessidade de responder a uma pergunta: o que leva uma pessoa a se tornar um assassino?

Cidade do México

A perda de seus dois pais fez com que Quiroz se mudasse para a Cidade do México em 1929, sob os cuidados de seu tio José. Ele procurou seu primeiro emprego, o de um assistente no tribunal da prisão de Belém.

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Além de trabalhar, Quiroz estudou medicina na Escola Médica Militar e era um leitor apaixonado das obras de Sigmund Freud.

Mais tarde, como membro do Serviço Médico Forense, ele completou seu treinamento estudando medicina legal e psiquiatria. Além disso, ele realizou necropsias suficientes para poder se especializar.

Um dos momentos-chave da carreira de Quiroz ocorreu em 1932. Nesse ano, ele participou junto com vários especialistas de um dos primeiros estudos sobre a personalidade dos presos.

Como resultado desse trabalho, Quiroz estava convencido de que o isolamento não poderia ser a única função da política criminal, mas também deveria se concentrar na reabilitação e prevenção.

Alfonso Quiroz tornou-se em 1939 o primeiro criminologista formado pela Universidade Autônoma do México. Ele foi imediatamente nomeado chefe da Seção de Psicologia Médica do Centro de Observação do Tribunal de Menores.

Vida pessoal

Alfonso Quiroz foi caracterizado por sua discrição sobre sua vida pessoal. Segundo seus biógrafos, três mulheres tiveram uma influência decisiva em sua vida.

O primeiro foi sua tia Elia, que cuidou dele depois de ficar órfã; a segunda, Maria Aparicio, uma criminologista brasileira que desapareceu durante a ditadura de Castelo Branco e que Quiroz tentou encontrar sem sucesso; e a terceira, Yolanda de la Rocha, a que muitos pensavam ser sua esposa, embora na realidade nunca se casassem.

Organização das Nações Unidas

O prestígio dos perfis criminais feitos por Quiroz não se limitava ao seu país. Uma prova foi a sua nomeação como enviado das Nações Unidas para a República Dominicana. Sua missão era fazer um relatório sobre os atos criminosos cometidos pelos soldados americanos que haviam participado da invasão do país.

Morte

Alfonso Quiroz Cuarón morreu em 16 de novembro de 1978. Um infarto do miocárdio causou sua morte enquanto participava de sua cadeira na Universidade Autônoma do México.

Contribuições

Alfonso Quiroz aplicou métodos científicos e técnicos à criminologia para aumentar sua eficácia. Graças a isso, ele conseguiu encontrar uma explicação para muitos dos comportamentos criminosos e usar os resultados para evitá-los.

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Pai de criminologia mexicana

Como observado, Quiroz se tornou o primeiro mexicano a se formar em criminologia. Antes de obter o título, ele havia participado de um estudo ambicioso na prisão de Lecumberri,

Naquela prisão, ele usara métodos científicos para analisar as diferentes personalidades atípicas dos presos. Quiroz afirmou que o Estado deveria procurar estabelecer políticas que permitissem a reabilitação dos presos, além de prevenir o crime, levando em consideração aspectos econômicos, psicológicos e sociais.

Seu trabalho, a médio prazo, também levou à construção de novas unidades penais e ao fechamento da prisão de Lecumberri.

Dinheiro falso

Um dos casos mais famosos em que Quiroz participou foi o da perseguição a Alfredo Héctor Donadieu, mais conhecido como Enrico Sampietro. Este falsificador chegou ao México em 1934 após cometer crimes em todo o mundo, de Marselha à Venezuela.

O criminoso instalou-se em Tampico em sua fuga da polícia e continuou sua principal atividade: falsificação de contas. No entanto, um cúmplice o traiu e ele foi preso.

Sampietro foi preso em Lecumberri em 1936, mas um ano depois ele conseguiu fugir com a ajuda de uma organização cristero.

Em 1941, o dinheiro falso havia se tornado um grande problema para o país. O Banco de México escolheu Quiroz para chefiar seu Departamento de Investigações Especiais e tratar do assunto.

Quiroz conseguiu capturar vários falsificadores durante os sete anos seguintes. No entanto, Enrico Sampietro ainda estava solto.

Um denunciante deu a Quiroz a última pista para pegar o falsificador em Iztapalapa. Curiosamente, o criminologista e o criminoso acabaram forjando uma boa amizade. Depois de cumprir sua sentença, Sampietro retornou a Marselha e sabe-se que Quiroz o visitou em pelo menos uma ocasião.

Ramon Mercader

O caso que tornou Quiroz famoso começou com a visita à sua casa de Raúl Carrancá e Trujillo, juiz criminal em Coyoacán e professor universitário de direito. O motivo da visita foi solicitar a Quiroz que estudasse a personalidade de Jacques Mornard, que havia sido preso por assassinar León Trotsky naquela mesma manhã.

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Quiroz aceitou a comissão e, juntamente com o Dr. José Gómez Robleda, fez um estudo do assassino o mais completo possível. O resultado afirmou que Mornard era um mitomaníaco e que ele era mentalmente saudável. No entanto, Quiroz não estava satisfeito com a conclusão.

Por 10 anos, Quiroz estava investigando por conta própria. Finalmente, em 1950, ele encontrou todas as evidências para provar a verdade: Mornard era na verdade chamado José Ramón Mercader e ele não era belga, mas espanhol. A investigação de Quiroz provou que Mercader havia assassinado Trotsky por motivos políticos depois que Stalin ordenou sua morte.

Outros casos famosos

Alfonso Quiroz participou de muitos outros casos criminais nas décadas de 1940 e 1950. Um dos mais importantes foi a investigação dos crimes de Gregorio Goyo Cárdenas, um serial killer de mulheres. Quiroz analisou o assassino e mostrou que não tinha problemas mentais. No entanto, ele nunca foi condenado.

Quiroz foi caracterizado por ser totalmente objetivo em suas análises. No caso de Higinio Sobera de la Flor, autor de duas mortes, sua opinião era a favor do acusado. A doença mental detectada pelo criminologista causou a transferência do prisioneiro da prisão para um asilo.

Além de sua atividade criminosa, Quiroz também recebeu outras comissões. Um deles, realizado em 1952, consistia em dirigir a investigação que deveria determinar se os restos encontrados pela arqueóloga Eulalia Guzmán pertenciam ao imperador asteca Cuauhtémoc.

Referências

  1. Hernández, Bertha. Alfonso Quiroz Cuarón, pioneiro da criminologia no México. Obtido de relatosehistorias.mx
  2. Beauregard, Luis Pablo. Do machado de gelo que matou Trotsky aos ossos falsos de Cuauhtémoc. Obtido em elpais.com
  3. Durango Alfonso Quiroz Cuarón: Oficialmente o Primeiro Criminologista do México. Obtido de durangomas.mx
  4. Ilan Stavans, Lewis-Sebrin. Anti-heróis: México e seu romance policial. Recuperado de books.google.es
  5. Elaboração do processo. Quiroz Cuarón levou a ciência criminológica ao seu ponto nodal pelo assassinato de seu pai. Obtido em proces.com.mx

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