Determinismo Filosófico: Características e Representantes

O determinismo filosófico afirma que todos os eventos, incluindo as decisões morais são determinados por causas anteriores. Essa teoria sustenta que o universo é completamente racional porque o conhecimento total de uma determinada situação revelaria seu futuro.

As bases do determinismo filosófico correspondem à idéia de que, em princípio, tudo pode ser explicado e que tudo o que é tem motivos suficientes para ser como é e não de outra maneira. Consequentemente, o indivíduo não teria poder de escolha sobre a sua vida, uma vez que os eventos que o precedem o condicionaram completamente.

Determinismo Filosófico: Características e Representantes 1

Gottfried Leibniz, representante do determinismo filosófico

Este argumento é um dos maiores conflitos morais e éticos da filosofia e da ciência. Se, em um dado momento, um ser intelectual pudesse distinguir a totalidade das forças que se desenvolvem na natureza, também poderia entender o futuro e o passado de qualquer entidade em todas as suas escalas.

O elemento-chave desse conceito é o desapego das responsabilidades morais do homem, porque, se o determinismo for verdadeiro, as ações dos homens não seriam realmente suas ações, mas uma simples consequência na cadeia de eventos do universo.

História e desenvolvimento

O determinismo está presente nas tradições ocidentais e orientais. É evidenciado na Grécia antiga a partir do século VI aC. C., através dos filósofos pré-democráticos como Heráclito e Leucipo, que foram seus maiores expoentes.

Então, no século III aC. C., os estóicos estavam desenvolvendo a teoria do determinismo universal, resultado de debates filosóficos que reuniram elementos da ética em Aristóteles e na psicologia estóica.

O determinismo ocidental está geralmente associado às leis newtonianas da física, que argumentam que uma vez estabelecidas todas as condições do universo, a sucessão do universo seguiria um padrão previsível. A mecânica clássica e a teoria da relatividade são baseadas em equações de movimentos determinísticos.

Existe alguma controvérsia na ciência em relação a essa corrente. Em 1925, Werner Heisenberg anunciou o princípio da incerteza ou da mecânica quântica, expondo a impossibilidade de que duas quantidades físicas idênticas pudessem ser determinadas ou conhecidas com precisão.

Isso aumentou a distância entre ciência e filosofia. Mesmo assim, deve-se notar que a física quântica não é uma teoria contrária ao determinismo e que, de um ponto de vista lógico, é o resultado de seus próprios métodos.

Conceitos semelhantes são tratados nas tradições orientais, especialmente nas escolas filosóficas indianas, onde são estudados os efeitos contínuos da lei do Karma na existência de seres sencientes.

O taoísmo filosófico e o I Ching também contêm doutrinas e teorias equivalentes ao determinismo.

Características principais

O determinismo filosófico vem em muitas variantes, e cada uma delas tem características peculiares. No entanto, é possível detalhar alguns dos elementos mais característicos dessa corrente filosófica:

– Qualquer evento que é gerado no plano físico é condicionado por eventos anteriores.

– De acordo com essa corrente, o futuro é definido a priori pelo presente.

– A chance não é considerada dentro da chamada cadeia de causa e efeito.

– Alguns estudiosos associam o determinismo a cada indivíduo, enquanto outros o associam mais às estruturas e sistemas em que esses indivíduos se desenvolvem.

– O ser humano perde a responsabilidade por suas ações, porque os eventos já são predeterminados.

– Apesar da limitação da cadeia de causa-efeito, alguns deterministas consideram a existência do livre arbítrio.

Ramos de estudo do determinismo filosófico

O determinismo é subdividido em diferentes variantes que dependem da ciência a partir da qual é estudado. Por sua vez, eles são categorizados em três ramos principais: suas formas na cognição, suas formas na natureza e, finalmente, em casos particulares.

Formas na cognição e comportamento humano

Determinismo causal

Onde todos os eventos estão necessariamente relacionados a eventos e condições que os precedem.

Tudo o que acontece, incluindo as ações dos homens e suas escolhas morais, é a conseqüência de um evento passado em conjunto com as leis naturais do universo.

Determinismo teológico

Ele sustenta que tudo o que acontece é pré-escrito ou predestinado por uma divindade por causa de sua onisciência.

Determinismo lógico

É a noção de que o futuro é igualmente definido como o passado.

Determinismo fatalista

É uma idéia próxima da teologia e implica que todos os eventos estão destinados a acontecer. Essa noção está livre de causas ou leis e age pela força de uma divindade.

Determinismo psicológico

Existem duas formas de determinismo psicológico. O primeiro argumenta que o homem deve sempre agir em seu próprio interesse e em seu próprio benefício; Esse ramo também é chamado de hedonismo psicológico.

O segundo defende que o homem age de acordo com sua melhor ou mais forte razão, seja para si mesmo ou para um agente externo.

Formas no mundo natural

Determinismo biológico

É a idéia de que os instintos e comportamentos humanos são completamente definidos pela natureza de nossa genética.

Determinismo cultural

Ele afirma que a cultura determina as ações que os indivíduos tomam.

Determinismo geográfico

Ele sustenta que fatores físicos ambientais, acima dos fatores sociais, determinam o comportamento do homem.

Formulários em casos particulares

Determinismo tecnológico

A tecnologia é sugerida como base do desenvolvimento humano, determinando suas estruturas físicas e morais.

Determinismo econômico

Ele afirma que a economia tem uma influência maior do que estruturas políticas, determinando relacionamentos e desenvolvimento humano

Determinismo linguístico

Ele mantém essa linguagem e condição dialética e delimita as coisas que pensamos, dizemos e sabemos.

Livre arbítrio

Uma das idéias mais controversas do determinismo é aquela que argumenta que o destino de um homem já está pré-estabelecido e, portanto, carece de responsabilidades morais na hora de agir.

Em resposta a esse argumento, surgiram três maneiras de interpretar o determinismo em relação ao livre arbítrio; estes são:

– Compatibilidade

É a única maneira de conceder a possibilidade de que o livre arbítrio e o determinismo existam juntos.

– Incompatibilidade forte

Ele sustenta que nem o determinismo nem o livre arbítrio existem.

– Liberais

Eles reconhecem o determinismo, mas o excluem de qualquer influência contra o livre arbítrio.

Representantes do determinismo filosófico

1- Gottfried Leibniz

Filósofo, matemático e político alemão. Ele escreveu O princípio da razão suficiente , uma obra considerada a raiz do determinismo filosófico.

2- Pierre-Simon

Também conhecido como Marquês de Laplace, ele era um astrônomo francês, físico e matemático que trabalhou na continuação da mecânica newtoniana clássica. Além disso, no século XIX, ele introduziu o determinismo na ciência através do método científico.

3- Friedrich Ratze

Geógrafo alemão, expoente do determinismo geográfico do século XIX. Suas obras de Antropogeografia e Geografia Política ajudaram a moldar esse ramo do determinismo.

4- Paul Edwards

Filósofo moral austro-americano. Com seu trabalho, determinismo rígido e flexível (1958), ele influenciou a concepção de determinismo nas ciências.

5- Sam Harris

Filósofo americano e um dos pensadores vivos mais influentes. Entre muitos de seus escritos, destaca-se o livre arbítrio (2012), onde aborda questões de determinismo e livre arbítrio.

Exemplos de determinismo

– O idioma e o vocabulário espanhol que uma pessoa aprendeu determina o que pensa e diz.

– A cultura de uma pessoa da Ásia determina o que ela come, faz e pensa.

– O comportamento de uma pessoa – dormir, comer, trabalhar, interagir – depende de seus genes.

– Os eventos que acontecem são predestinados por uma divindade.

Referências

  1. Chance Loewer B (2004) Determinismo e Chance Recuperados de philsci-archive.pitt.edu
  2. Enciclopédia Britânica. Determinismo Recuperado de britannica.com
  3. JR Lucas, (1970) Determinism Logical or Fatalism: Universidade de Oxford. Recuperado de oxfordscholarship.com
  4. Harris, S. (2012) Livre arbítrio. Recuperado de media.binu.com
  5. Enciclopédia de Stanford de filosofia. Determinação Causal Recuperado de dish.stanford.edu

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