Diferenças entre unitaristas e federais na Argentina

As diferenças entre movimentos políticos unitários e federais do século XIX tornaram-se latentes na Argentina, sendo uma rivalidade que nasceu das lutas pelo poder que surgiram com a revolução de maio de 1810 .

Esse acontecimento histórico marca o fim do vice-reinado do Rio da Prata, ou seja, da dominação hispânica nos atuais solos argentino, peruano, chileno, uruguaio, boliviano ou brasileiro, entre outros.

Diferenças entre unitaristas e federais na Argentina 1

Esquerda: Jose de Urquiza, líder unitário. Direita: Juan Manuel de las Rosas, líder federal.

Nesta luta, os unitaristas e federais mantiveram o poder por diferentes períodos de tempo até 1853.

Neste ano, após um longo processo de organização política, é promulgada uma constituição federal que dá origem à República Argentina.

Enquanto os unitaristas eram compostos principalmente por pessoas ricas cuja influência cultural era marcada pelo estilo europeu, os federalistas eram principalmente líderes das províncias que procuravam manter sua autonomia.

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Principais diferenças entre unidades e federais

Unidade e Autonomia

A principal diferença entre unitaristas e federais na Argentina era a maneira de conceber a organização do país e os conceitos de unidade e autonomia.

Os unitaristas buscavam uma política centralista, com um governo que mantivesse o poder sobre todo o território em uma unidade nacional.

Por outro lado, os federais procuraram manter a unidade entre as províncias, mantendo a autonomia de cada uma.

Uma das principais disputas nesse sentido envolveu a cobrança de impostos. Os unitaristas sustentavam que era necessário lidar com impostos e taxas alfandegárias de Buenos Aires.

Os federais, por outro lado, argumentaram que a autonomia das províncias exigia que cada um deles tivesse o poder de cobrar impostos e benefícios alfandegários.

Proclamação das constituições entre 1810 e 1853

As diferenças entre unitaristas e federais se manifestaram na proclamação de três constituições diferentes durante o período de maior conflito entre os dois movimentos (1810-1853).

As duas primeiras constituições foram proclamadas em 1819 e 1826, respectivamente, e tinham caráter unitário.

A constituição de 1819 promoveu a concentração de poder no poder executivo, embora tenha mantido a participação das províncias no poder legislativo e na câmara.

Esta constituição foi fortemente rejeitada pelas províncias que tinham principalmente uma posição federal.

Por sua vez, a constituição de 1826 conseguiu incluir parcialmente a ideologia unitária em seu conteúdo, dada a necessidade de união que o país teve que travar a guerra que teve com o Brasil na época.

No entanto, a pressão das províncias levou à luta entre federais e unitaristas que levaria os federais ao poder e à criação de uma nova constituição.

A última constituição desse período, proclamada em 1853, foi um claro triunfo do federalismo.

Esta constituição ainda está em vigor hoje, embora com importantes reformas, muitas das quais ocorreram no governo de Perón.

Outras diferenças entre unitário e federal

A diferença política entre os dois movimentos foi resultado das diferenças ideológicas, históricas e culturais de seus membros.

Essas diferenças podem ser apreciadas descrevendo cada um desses movimentos.

Unitário

Os unitaristas eram um movimento com tendências liberais, com importantes líderes da elite social como José de Artigas e José de Urquiza.

A base deste movimento foram as elites alfabetizadas unidas do país que tiveram uma grande influência da cultura européia.

Federal

Um de seus principais representantes foi Juan Manuel de Rosas, governador da província de Buenos Aires por mais de 20 anos.

A base desse movimento foram as massas provinciais e os líderes que as lideraram. Ao contrário do movimento unitário, os federais não tinham um único partido, mas vários partidos se uniram em oposição ao sistema unitário.

Referências

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