- A disfagia é uma dificuldade para engolir que aumenta o risco de desnutrição, desidratação e pneumonia por aspiração, sobretudo em idosos e doentes neurológicos.
- Gripes, resfriados e outras infeções respiratórias agravam a disfagia ao aumentar secreções, fadiga e desorganizar o ciclo respiração–deglutição, elevando o risco de aspiração.
- O diagnóstico requer avaliação clínica e exames como estudos de deglutição, endoscopia e manometria, com atuação de equipas multidisciplinares e fonoaudiologia.
- Prevenção e controlo incluem adaptação da alimentação, exercícios de deglutição, tratamento de causas como refluxo e vacinação contra gripe, COVID-19 e pneumococo.
A dificuldade para engolir, chamada de disfagia, parece algo simples mas pode transformar completamente o dia a dia de uma pessoa. Engasgos frequentes, tosse ao beber água, sensação de que a comida “fica parada” na garganta ou no peito e perda de apetite são sinais que muita gente associa apenas ao envelhecimento ou a uma gripe mal curada, mas na verdade podem esconder um problema sério que exige atenção médica rápida.
Nos meses de frio, quando aumentam as gripes, os resfriados e outros vírus respiratórios, a situação torna-se ainda mais delicada para quem tem disfagia. O excesso de secreções, a tosse constante, o cansaço e a piora do estado geral facilitam que pequenas quantidades de comida, líquidos ou até saliva “escorreguem” para a via aérea em vez de seguir para o estômago, elevando muito o risco de pneumonia por aspiração, internações prolongadas e até mortalidade.
O que é disfagia?
Disfagia é o nome técnico dado a qualquer dificuldade anormal para engolir alimentos sólidos, líquidos ou até mesmo saliva. Não se trata de uma doença em si, mas de um sintoma que indica que algo está errado no complexo mecanismo da deglutição, que envolve boca, língua, faringe, laringe, esôfago, músculos respiratórios e diversos nervos.
Na prática, a pessoa com disfagia sente que engolir exige mais esforço, demora mais tempo ou causa dor. Pode surgir a sensação de arranhão, de que a comida está presa na garganta, de que o líquido “vai para o lado errado” ou mesmo um bloqueio completo, impedindo que o alimento siga o caminho normal até o estômago. Em quadros mais severos, torna-se impossível ingerir pela boca, o que leva à desnutrição e desidratação se não houver intervenção.
É importante entender que episódios isolados, como engasgar uma vez por comer depressa demais ou engolir um pedaço muito grande, não costumam significar um problema grave. O alerta acende quando a dificuldade é persistente, aparece repetidamente ou piora com o tempo, especialmente em idosos, bebês, pessoas com doenças neurológicas ou após internamentos prolongados.
Os especialistas descrevem dois grandes tipos de disfagia: a orofaríngea e a esofágica. A orofaríngea afeta a fase inicial da deglutição, quando o alimento passa da boca para a garganta; já a esofágica envolve o trajeto a partir da parte baixa da garganta até o estômago, dentro do esôfago. As causas, sintomas predominantes e formas de tratamento tendem a ser diferentes em cada tipo.

Tipos de disfagia e principais sintomas
Na disfagia orofaríngea, o problema está nos músculos e nervos que coordenam o início do ato de engolir. A pessoa tem dificuldades para que o alimento saia da boca e entre de forma segura na faringe e depois no esôfago. Isso leva a tosse, engasgos recorrentes, sensação de sufocamento e, às vezes, saída de comida ou bebida pelo nariz, porque o trajeto normal da deglutição se desorganiza.
Quando falamos de disfagia esofágica, a queixa típica é sentir que a comida ou o líquido param na base da garganta ou no meio do peito depois que a deglutição começou. A pessoa até consegue dar o primeiro “golinho”, mas logo surge a percepção de bloqueio, pressão, dor atrás do esterno ou necessidade de beber água repetidas vezes para tentar empurrar o alimento.
Apesar dessas diferenças, alguns sintomas são comuns aos dois tipos e servem como sinal de alerta: dor ao engolir (odinofagia), sensação constante de corpo estranho na garganta, rouquidão ou voz “molhada”, engasgos com líquidos e sólidos, tosse durante ou logo após a refeição, excesso de salivação, regurgitação de alimentos, azia frequente, perda de peso sem explicação e maior tempo para terminar as refeições.
Nos casos mais graves, a disfagia pode provocar complicações sérias como desnutrição, desidratação e infecções respiratórias recorrentes. Isso acontece porque restos de comida, bebidas ou secreções podem ser aspirados para a traqueia e chegar aos pulmões, originando a chamada pneumonia aspirativa, que tem alta mortalidade, sobretudo em idosos e doentes neurológicos.
Outro aspecto muitas vezes esquecido é o impacto emocional da disfagia. O medo de engasgar, a vergonha de tossir ou babar à mesa e a frustração por não conseguir comer como antes levam muitos pacientes a evitar refeições em grupo, a comer menos ou a escolher apenas alimentos muito limitados, o que agrava, por sua vez, o estado nutricional e a qualidade de vida.
Causas da disfagia: nervos, músculos e envelhecimento
Nem sempre é possível identificar exatamente o que está por trás da disfagia em cada caso, mas sabemos que, de forma geral, o problema costuma estar ligado a alterações neurológicas, musculares ou estruturais ao longo da via digestiva alta. Com o passar dos anos, esse risco aumenta, motivo pelo qual a disfagia é mais comum em pessoas idosas e em alguns bebês e lactentes com imaturidade ou doenças associadas.
Na disfagia esofágica, destacam-se causas como a acalasia, os espasmos esofágicos e os estreitamentos do esôfago. A acalasia é uma falha de relaxamento da válvula entre o esôfago e o estômago, associada a fraqueza da musculatura esofágica, o que dificulta a passagem do bolo alimentar. Já o estreitamento (estenose) pode surgir devido a tumores, cicatrizes após lesões químicas ou por refluxo crônico, ou ainda pela presença de corpos estranhos presos no esôfago.
Outras doenças que irritam ou alteram a parede do esôfago também podem originar disfagia, como o refluxo gastroesofágico crônico, a esofagite eosinofílica (um quadro inflamatório de base alérgica), a esclerodermia (doença autoimune que endurece os tecidos) e as sequelas de radioterapia de tórax ou pescoço, bastante comuns em pacientes oncológicos.
Já a disfagia orofaríngea está muito associada a problemas neurológicos e musculares que afetam o controle fino da deglutição. Doenças como acidente vascular cerebral (AVC), esclerose múltipla, doença de Parkinson e demências (incluindo Alzheimer) comprometem os nervos e os centros cerebrais responsáveis por coordenar o ato de engolir. Estima-se que até oito em cada dez pessoas com Parkinson e cerca de dois terços dos pacientes com Alzheimer desenvolvam algum grau de disfagia.
Além das patologias neurológicas, podem causar disfagia orofaríngea os divertículos na faringe (como o divertículo de Zenker), tumores de cabeça e pescoço, cirurgias complexas nessa região e traumatismos da boca ou da garganta. Em muitos desses casos, há alteração anatômica e funcional combinadas, dificultando tanto o transporte do alimento quanto a proteção da via aérea.
O envelhecimento por si só é reconhecido como fator de risco importante. Há perda progressiva de massa, força e coordenação muscular (sarcopenia), desgaste da dentição, diminuição da sensibilidade da mucosa da faringe e da laringe, além da chamada presbifagia, termo usado para descrever mudanças da deglutição típicas da idade avançada. Isoladamente, essas alterações podem ser discretas, mas somadas a outras doenças aumentam muito o risco de disfagia.
Em recém-nascidos e lactentes, a situação é diferente, mas igualmente delicada. A imaturidade fisiológica, com musculatura orofaríngea fraca, reflexo de deglutição ainda em desenvolvimento e padrão de sucção irregular, somada a pulmões imaturos ou frágeis, facilita episódios de aspiração. Nessa faixa etária, doenças neurológicas, cardiopatias, displasia broncopulmonar e alterações anatômicas como fendas palatinas são fatores de risco importantes.
Disfagia, gripe e resfriados: por que o risco aumenta no frio
Nos meses frios, a combinação de disfagia com infeções respiratórias como gripe, resfriados, rinovírus, adenovírus, coronavírus e o vírus sincicial respiratório cria um cenário de alto risco, sobretudo para idosos frágeis, pacientes neurológicos, pessoas com longa permanência em UTI e doentes oncológicos em recuperação de cirurgias de cabeça, pescoço ou tórax.
Quando o organismo está a combater uma infeção respiratória, cresce a quantidade de secreções nas vias aéreas e a pessoa passa a tossir mais, respirar mais rápido e sentir maior cansaço. Em quem já tem dificuldade em coordenar respiração e deglutição, esse excesso de muco e a instabilidade respiratória favorecem que parte das secreções ou dos alimentos vá parar na traqueia e nos pulmões, em vez de seguir pelo esôfago.
A médica de reabilitação e foniatria explica que, nesse contexto de gripe e vírus respiratórios, há também maior fadiga muscular, redução do estado de alerta, sonolência e muitas vezes obstrução nasal. A obstrução do nariz empurra o paciente para uma respiração predominantemente oral, inclusive durante o momento da deglutição, quando o alimento está na faringe. Isso desorganiza o ciclo respiração-deglutição e reduz a eficácia da proteção da via aérea.
Além de facilitar a aspiração, a infeção respiratória piora o apetite e diminui a ingestão de alimentos e líquidos. O resultado é um círculo vicioso: o doente come menos, emagrece, perde massa muscular, fica mais letárgico, com imunidade mais fraca e reflexo de tosse menos eficaz. Com isso, torna-se ainda mais difícil expelir secreções e partículas aspiradas, o que aumenta a probabilidade de pneumonia aspirativa.
Estudos citados por sociedades científicas de reabilitação mostram que o risco de infeções respiratórias em idosos com disfagia é mais do que duplicado. Esses pacientes têm cerca de 2,39 vezes mais chance de desenvolver infeções respiratórias, 1,82 vezes mais probabilidade de reingressar no hospital por pneumonia e até 5,07 vezes mais risco de reingresso por aspiração pulmonar. Metade das pessoas que aspiram acabam por desenvolver pneumonia aspirativa, cuja mortalidade aos 30 dias ronda 21%.
Na prática hospitalar, isso se traduz em internamentos mais longos, maior necessidade de antibióticos, fisioterapia respiratória, nutrição por sonda e cuidados intensivos. Em Espanha, por exemplo, o custo médio estimado de uma pneumonia por aspiração ultrapassa seis mil euros por episódio, além de causar perda de autonomia funcional, piora cognitiva e grande impacto para famílias e sistemas de saúde.
Pacientes mais vulneráveis e sinais de alarme
Alguns grupos são claramente mais vulneráveis às complicações respiratórias associadas à disfagia, sobretudo em épocas de gripe e resfriados. Entre eles estão os idosos frágeis com sarcopenia e presbifagia, pacientes neurológicos (AVC, Parkinson, esclerose múltipla, demências), pessoas com longa permanência em UCI que necessitaram de intubação ou traqueostomia e doentes internados após cirurgias complexas de cabeça, pescoço, coluna cervical ou tórax.
Em neonatos e crianças pequenas com patologias complexas, a presença de dificuldades de deglutição também contribui para internamentos muito prolongados, com relatos de permanência entre 1 e 84 dias em unidades especializadas. Nesses casos, os bebés com disfagia tendem a ser os que acumulam maior tempo de hospitalização e maior complexidade de cuidados.
Reconhecer cedo os sinais de alarme é decisivo para evitar complicações. Entre os sintomas que exigem avaliação rápida por equipa de reabilitação, fonoaudiologia ou otorrinolaringologia estão: escapes de saliva ou baba constantes, restos de comida na boca após as refeições, aumento significativo do tempo para comer ou beber, tosse associada à deglutição, voz húmida ou gorgolejante, febre ou muco persistente sem causa respiratória clara.
Nos idosos, as infeções respiratórias podem ter uma apresentação atípica. Em vez de febre alta e tosse intensa, é comum surgirem maior sonolência, dificuldade para caminhar, queda do apetite, confusão mental súbita ou desorientação. Diante desses sinais em pessoas com possível disfagia, os geriatras orientam procurar atendimento médico urgente, pois pode tratar-se de uma pneumonia aspirativa em fase inicial.
A capacidade de tossir de forma eficaz é outro elemento chave. Se o paciente está muito fraco, letárgico, com musculatura respiratória debilitada e reflexo de tosse reduzido, torna-se incapaz de expulsar secreções e partículas aspiradas, o que agrava a infeção e prolonga o quadro. Por isso, melhorar a capacidade tusígena e o manejo de secreções faz parte do plano de reabilitação.
Diagnóstico da disfagia e papel das equipas multidisciplinares
O diagnóstico da disfagia começa sempre pela observação clínica cuidadosa e pela história detalhada do paciente. O médico avalia quando surgiram os sintomas, com que tipo de alimento ocorrem (sólidos, líquidos ou ambos), se há perda de peso, doenças associadas, internamentos recentes e uso de medicações que possam interferir na deglutição.
Depois dessa avaliação inicial, vários exames podem ser utilizados para esclarecer o tipo de disfagia e a sua gravidade. Entre os mais comuns estão a radiografia com contraste (estudo contrastado de deglutição), exames dinâmicos que filmam a passagem do alimento em tempo real, endoscopia digestiva alta, manometria esofágica (que mede a pressão dentro do esôfago), tomografia computadorizada e ressonância magnética em casos selecionados.
Esses testes ajudam a identificar se a origem do problema é estrutural, motora ou neurológica, e se há risco elevado de aspiração. A partir daí, a equipa pode definir se o paciente pode manter alimentação por via oral com adaptações, se precisará de alteração de consistência dos alimentos ou se terá de ser encaminhado para nutrição por sonda enquanto se realiza a reabilitação.
O papel da equipa multidisciplinar é central no cuidado da disfagia. Médicos de diferentes especialidades (otorrinolaringologistas, gastroenterologistas, geriatras, neurologistas, fisiatras), fonoaudiólogos (logopedas), nutricionistas, enfermeiros e fisioterapeutas respiratórios precisam atuar em conjunto, com protocolos claros de rastreio precoce, plano nutricional individualizado e algoritmos de atuação em cada tipo de paciente.
Apesar disso, ainda não existe, em muitos sistemas de saúde, uma obrigatoriedade formal de incluir o fonoaudiólogo ou logopeda em todas as unidades que recebem pacientes de risco, como hospitais gerais, unidades de dano cerebral e centros sociosanitários. Frequentemente, a presença desse profissional depende da visão de cada gestor, mesmo com o reconhecimento, por neurologistas, otorrinos e médicos de reabilitação, da importância do seu trabalho na prevenção de pneumonia aspirativa e na melhoria da qualidade de vida.
Tratamento da disfagia: do exercício à cirurgia
O tratamento da disfagia é sempre personalizado e depende diretamente do tipo (orofaríngea ou esofágica), da causa de base e do estado geral do paciente. Não existe uma única medida que resolva todos os casos; o sucesso vem da combinação adequada de estratégias para cada situação clínica.
Na disfagia orofaríngea, o foco está em treinar e coordenar melhor os músculos envolvidos na deglutição e em estimular os nervos que disparam o reflexo de engolir. O fonoaudiólogo orienta exercícios específicos para língua, bochechas, lábios e músculos da garganta, além de técnicas de deglutição compensatória, como mudanças de postura da cabeça, ajustes no ritmo de ingestão e manobras que aumentam a proteção da via aérea.
Para muitos pacientes, é fundamental modificar a consistência dos alimentos e bebidas. Em vez de líquidos muito ralos, podem ser indicados líquidos espessados; no lugar de comidas secas e duras, preferem-se preparações macias, húmidas, fáceis de mastigar e engolir. Recomenda-se também evitar pedaços grandes, dar mordidas menores, manter postura ereta durante as refeições e não se deitar logo após comer para reduzir refluxo e risco de aspiração.
Na disfagia esofágica, algumas situações exigem tratamento endoscópico ou cirúrgico. Estreitamentos (estenoses) por cicatrizes, anéis ou tumores podem ser dilatados com dispositivos específicos introduzidos através de endoscópio; divertículos ou tumores maiores podem necessitar de intervenção cirúrgica. Nos casos de acalasia e distúrbios de motilidade, associam-se medicações, técnicas endoscópicas e, por vezes, cirurgia para melhorar o esvaziamento esofágico.
Quando existe refluxo gastroesofágico significativo, é indispensável tratá-lo com fármacos que reduzam a acidez do estômago e protejam o esôfago. Isso não só alivia sintomas como azia e dor retroesternal, como também previne cicatrizes e estreitamentos que poderiam agravar a disfagia com o tempo. Medidas comportamentais, como elevar a cabeceira da cama, evitar refeições volumosas à noite e reduzir álcool e tabaco, complementam essa abordagem.
Em situações graves, nas quais a segurança da deglutição está muito comprometida, pode ser necessária a nutrição por via alternativa, através de sondas nasogástricas ou gastrostomias endoscópicas. Embora pareça uma medida radical, ela pode ser temporária e é muitas vezes a forma mais segura de garantir hidratação, calorias e proteínas suficientes enquanto se trabalha a reabilitação da deglutição.
Prevenção, rastreio precoce e cuidados no dia a dia
Nem todas as formas de disfagia podem ser prevenidas, especialmente quando resultam de doenças neurológicas ou tumores, mas há várias atitudes que reduzem o risco e, sobretudo, diminuem as complicações respiratórias e nutricionais associadas.
No nível mais simples, comer devagar, mastigar bem os alimentos e evitar falar ou rir com a boca cheia já diminui bastante os engasgos ocasionais. Nas pessoas com refluxo gastroesofágico, o diagnóstico e tratamento precoces são prioridade para impedir que anos de inflamação acabem estreitando o esôfago. Manter uma boa higiene oral também contribui para reduzir a carga bacteriana que pode ser aspirada para os pulmões.
Em idosos e pacientes com doenças neurológicas, o mais importante é o rastreio precoce. Protocolos hospitalares de cribagem na admissão, muitas vezes realizados por enfermeiros treinados, permitem identificar rapidamente quem tem sinais de disfagia e acionar o médico de reabilitação e a fonoaudiologia para avaliação detalhada. Isso é crucial, por exemplo, em doentes internados por pneumonia suspeita de origem broncoaspirativa.
A vacinação regular contra gripe, COVID-19 e pneumococo é outra estratégia de grande impacto para reduzir infeções respiratórias em pessoas vulneráveis. Quanto menos episódios de infeção pulmonar essas pessoas tiverem, menor será a probabilidade de entrarem no ciclo vicioso de debilidade, perda de massa muscular, piora da tosse e maior risco de aspiração.
Manter um bom estado nutricional e nível razoável de atividade física diária também faz diferença. Força muscular preservada e melhor condicionamento físico ajudam tanto na eficácia da deglutição quanto na capacidade de tossir e limpar secreções. Em idosos hospitalizados, recomenda-se mobilização precoce, evitar encamamento prolongado e adotar medidas ambientais para prevenir desorientação e declínio funcional.
Para as famílias e cuidadores, o recado é claro: qualquer suspeita de dificuldade para engolir, mudança na voz após refeições, tosse inexplicada com a comida, mucosidade na garganta sem causa evidente ou tempo excessivo para terminar um prato merece conversa com um profissional especializado em disfagia. Quanto mais cedo o problema é identificado, menores as chances de que uma simples alteração da deglutição evolua para uma infeção respiratória grave, perda de autonomia e internamentos prolongados.
A disfagia, especialmente quando combinada com gripes e resfriados, é muito mais do que “engasgar de vez em quando”. Trata-se de um sintoma com impacto direto sobre nutrição, respiração, tempo de internamento, mortalidade e qualidade de vida, que pede um olhar atento de profissionais e familiares, rastreio sistemático em hospitais e lares, presença ativa de equipas de reabilitação e fonoaudiologia e, acima de tudo, uma atitude preventiva: reconhecer cedo, tratar de forma integrada e proteger o paciente em todas as fases do cuidado.