Gamal Abdel Nasser: biografia, pensamento político e contribuições

Gamal Abdel Nasser (1918-1970), também escrito como Yamal Abd Al Nasir, foi o maior líder político e estrategista egípcio do século XX. Ele promoveu a independência e a dignificação do povo egípcio e, por sua vez, levantou sua voz em defesa dos países árabes contra o imperialismo britânico.

Seu pensamento e ações são uma referência obrigatória e objeto de estudo para líderes de todas as partes do mundo. O estudo de suas ações e ideais arvoram as bandeiras da soberania dos povos e da união dos países explorados contra as potências imperiais opressivas.

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Ele foi um ideólogo e fundador do Movimento Não-Alinhado e promotor do chamado socialismo árabe, conhecido em sua homenagem sob o nome de “Nasserismo”.

Biografia

Yamal Abd Al Nasir nasceu em 15 de janeiro de 1918 no bairro populoso de Bakos, em Alexandria. Esta cidade, fundada por Alexandre, o Grande, tinha um passado brilhante porque era considerada a capital cultural do mundo antigo. Atualmente, a cidade é a segunda maior cidade do Egito e berço de homens e mulheres notáveis.

Sua mãe era Fahima Nasser Hussein (natural de Mallawi- El Miynya) e seu pai Abdel Nasser Hussein (nascido em Bani Murr-Asiut). Eles se casaram em 1917.

Mais tarde, seus dois irmãos, Izz al-Arab e depois al-Leithi, nasceram. O nascimento deste último morreu sua mãe em 1926, um evento que o afetou profundamente.

Como seu pai tinha os correios, ele teve que se mudar várias vezes, primeiro para Asyut (1923) e depois para Khatatba. Seu tio materno deu-lhe acomodações na capital (Cairo) para que ele pudesse frequentar a escola primária em Nahhassin.

Naquela época, o garoto Gamal Abder tinha um relacionamento muito próximo com a mãe, a quem escrevia com muita frequência, pois sentia um verdadeiro e grande carinho por ela. Sua morte representou um golpe no que seria o futuro líder do mundo árabe. Seu pai, viúvo, com dois filhos pequenos e um recém-nascido, casou-se novamente.

Aos 10 anos, órfão como mãe, ele estava no comando de seu avô materno, que morava em Alexandria e continuou seus estudos primários lá. Então ele começou o ensino médio em Ras El Tin e, paralelamente, apoiou seu pai em seu trabalho postal.

Primeiras ações políticas

Adolescente e impulsivo, ele testemunhou um confronto na Praça Manshia entre militantes da Sociedade da Juventude e as forças policiais da monarquia egípcia.

Gamal Nasser se envolveu em se colocar ao lado de seus contemporâneos, mas ignorando a motivação que os levou a protestar: o fim do regime colonialista no Egito. Ele caiu prisioneiro pela primeira vez, embora seu pai tenha conseguido resgatá-lo.

Em 1933, seu pai foi transferido para o Cairo, capital do Egito, e com ele Gamal, já convertido em um garoto de 15 anos. Ele continuou seus estudos, desta vez em Masria (Al Nahda). Nesse momento, suas inclinações humanistas floresceram.

Ele também se aproximou do mundo do teatro em sua instituição educacional e até fez alguns artigos para o jornal da escola. Um dos escritos foi dedicado ao filósofo Voltaire e suas idéias libertárias.

O futuro político de Nasser já era vislumbrado quando ele tinha 17 anos e liderou um protesto anti-britânico para jovens. Nasser recebeu um ferimento na cabeça das forças policiais e foi revisado por nome e sobrenome em uma matéria publicada na imprensa nacional através do jornal Al Gihad.

O ativismo político que Gamal Nasser manteve em seu último ano do ensino médio foi notório. Ficou registrado que sua participação nas aulas era de apenas um mês e 15 dias.

Formação ideológica

O jovem Gamal era um leitor regular em seu tempo livre. Viver perto da biblioteca nacional de seu país o motivou a ler. Ele gostava das biografias de grandes líderes que lutavam para reivindicar seus países.

Ele também admirou os autores que promoveram o nacionalismo, como Mustafa Kamel, Ahmed shawqi e Tawfik Al Hakimde. Este último foi o autor de Return of the Spirit, uma obra que o inspirou a fazer a Revolução em 1952, como declarado pelo próprio Nasser.

Sendo de origem humilde e movendo-se com frequência, ele foi capaz de testemunhar de perto as enormes e injustas diferenças sociais que surgiam ao seu redor. O sentimento de amor por seu país e o desejo de libertá-lo se apoderaram de sua alma desde a adolescência.

Esses ideais nunca o abandonaram até que ele desse sua última pausa no exercício da presidência da República do Egito.

Quando jovem, com 19 anos, compreendeu claramente a necessidade de ingressar na carreira militar para iniciar as transformações de seu país. Por isso, ele foi candidato na Academia Militar.

No entanto, seu histórico indisciplinado em defesa de causas adversas ao sistema e suas múltiplas incursões na prisão por razões políticas geraram seu repúdio na instituição.

Estudos universitários

Diante dessa situação, ele se matriculou na faculdade de direito da Universidade King Fuad. Lá, ele estudou por um ano, após o qual insistiu novamente na academia militar.

Desta vez, ele teve como padrinho Khairy Pasha, que foi secretário de guerra e membro do Conselho de Seleção Acadêmica. Foi ele quem fez os arranjos que prepararam o caminho para ele e o levaram à aceitação em 1937.

Foram anos de intenso aprendizado que alimentaram ainda mais o fogo libertário, aprofundando o conhecimento da vida e obra de grandes líderes militares e heróis universais.

Ele se formou em 1938 e já tinha um grupo de colegas que reconheciam sua liderança natural. Desde então, eles aderiram à sua causa.

Casamento

Em 1944, Nasser casou-se com Tahia Kazem e teve cinco filhos: duas filhas e três meninos.

Primeira experiência de guerra

Em 1948, ele participou de sua primeira experiência militar no confronto árabe-israelense. Nasser foi dirigido no sexto batalhão de infantaria e atuou como subcomandante em Falluja, que pelas negociações foi cedido a Israel.

Durante sua estada na região, ele e seu grupo foram considerados heróis. Eles resistiram ao duro teste dos atentados isoladamente. Foi precisamente durante essa experiência crítica que ele começou a trabalhar em seu livro Filosofia da Revolução.

Pensamento nasserismo do pós-guerra

Após a guerra, Nasser voltou a completar tarefas como instrutor na Academia. Ao mesmo tempo, o grupo de oficiais insurgentes e adversários estava construindo a monarquia egípcia pró-imperialista, que mais tarde ele batizou como Movimento dos Oficiais Livres.

O objetivo deste movimento era a restituição da dignidade ao Egito e a consolidação de sua soberania como nação. Nasser presidiu esse grupo.

Em 1952, as circunstâncias estavam causando um levante. Assim, em 22 de julho, o Movimento de Oficiais Livres deu um golpe de estado ao rei Farouk. Em seguida, foi marcado o início da Revolução Egípcia, e o regime monárquico foi abolido em 1953.

O general Muhammab Naguib foi declarado presidente, já que Nasser era apenas o tenente-coronel e considerava que sua posição era muito baixa para ocupar tal cargo. Mas, dessa maneira, ele estava servindo como vice-presidente.

No entanto, a liderança indiscutível era de Nasser, por isso, em 1954, e sob pressão de Nasser, Naguib renunciou e foi colocado sob regime de prisão domiciliar. Nagib tentou levar seus partidários a retomar o poder, mas a tentativa não teve sucesso diante das táticas inteligentes de Nasser.

As forças dissidentes contrárias a Nasser, que autodenominavam a irmandade muçulmana, realizaram um ataque em 26 de outubro de 1954. O líder, ileso e mantendo a calma, aproveitou o incidente para catapultar ainda mais sua popularidade perante as massas.

Consolidação da liderança

Nasser agarrou e controlou firmemente seus adversários, estabelecendo-se como o líder indiscutível do Egito.Seus ideais nacionalistas e a defesa do povo egípcio o levaram a elaborar o projeto para estabelecer a represa de Aswan no rio Nilo, que foi realizado com o objetivo de alcançar dois objetivos.

O primeiro, controla as inundações do mesmo para evitar a perda de colheitas. O segundo gera eletricidade para abastecer a população.

Ele então solicitou apoio internacional para este projeto. No entanto, não encontrando apoio, tomou uma decisão radical: a nacionalização do Canal de Suez, a fim de gerar recursos para a construção da barragem e outras infra-estruturas em seu país.

Isso lhe rendeu ameaças e ataques do governo britânico e do governo francês, ambos poderes com ações na estrutura. Nasser argumentou que o canal correspondia ao Egito, primeiro por ser em solo egípcio e segundo por ter sido construído pela força de trabalho do campesinato egípcio, no qual morreram mais de 120 mil homens.

Essa ação catapultou sua popularidade não apenas em seu país, mas entre os países do então chamado terceiro mundo.

Morte

Gamal Abdel Nasser morreu em 1970 de um ataque cardíaco, profundamente afetado por sua derrota em face da guerra com Israel.

Pensamento político

Nasser foi o criador e fervoroso promotor do chamado socialismo árabe. Seu objetivo era a recuperação das nações árabes pós-coloniais que tiveram que se unir a um bloco chamado panarabismo, para combater os países imperiais.

Sua particularidade era combinar postulados socialistas tradicionais com a influência religiosa e cultural das doutrinas muçulmanas com base em seu livro sagrado, O Alcorão. A influência de seu pensamento se espalhou como uma onda expansiva em todos os países árabes.

Seus postulados defendiam a igualdade social e a busca de um caminho alternativo ao capitalismo e ao socialismo não religioso extremo. Essa corrente foi uma opção transcendente pela qual os povos árabes encontraram um porta-voz.

Esse líder unificou suas preocupações e seus desejos de libertação e autonomia, criados durante centenas de anos de submissão pelos impérios otomano e europeu. Durante a ascensão do socialismo egípcio, a questão dos direitos das mulheres foi colocada sobre a mesa.

Além disso, reivindicações importantes foram alcançadas, como a obtenção do voto feminino, em 1954. Infelizmente, depois do que foi alcançado, ficou embaçado.

Declínio do nasserismo

A chamada Guerra dos Seis Dias contra Israel começou o declínio do nasserismo. O exército egípcio ficou completamente desmoralizado após a destruição maciça de sua frota aérea.

Nasser tentou realizar a união árabe, juntando-se à Síria na chamada República Árabe Unida (RAU), mas esse experimento não prosperou. Ele estava perto da URSS, uma nação que prestou apoio e defesa em várias ocasiões contra os gigantes da época: Grã-Bretanha, França e o poder inicial dos EUA.

Mas então esse relacionamento se enfraqueceu e isso também contribuiu para o desaparecimento do socialismo árabe na região.

Ele evidenciou as intenções pró-imperialistas e expansionistas de Israel como contrapartida na chamada Guerra dos Seis Dias (1967), um confronto bélico no qual ele foi derrotado.

Nesse conflito, ficou evidenciado que Israel foi organizado com um poderoso aparato de espionagem (Mosab) e apoio militar e financeiro americano que contribuiu muito para sua vitória.

Contribuições

Durante seu mandato, Nasser obteve numerosos avanços para seu povo. Entre eles está a Reforma Agrária de 1952, a nacionalização das principais indústrias do país e o setor bancário.

Em 1955, ele fundou o Movimento Não-Alinhado. Ele era um comunicador nato que usava mídias como rádio para espalhar sua mensagem. Seu programa “A voz dos árabes” foi um gerador de várias revoltas nos países onde foi transmitido.

Nasser foi inspirador de inúmeros líderes que estavam próximos de seus ideais. Ele chegou a conhecê-los pessoalmente. Foi o caso de Ernesto Ché Guevara, líder da revolução cubana.

Da mesma forma, em nossos dias, esses militares e políticos serviram como um guia para a nova liderança do século XXI. Assim, em latitudes tão distantes quanto a América Latina, seu pensamento também foi elogiado e admirado.

Nasser tornou-se um dos referentes de combatentes universais contra abusos imperiais. Isso foi afirmado por líderes como o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que em mais de uma ocasião confessou ser um seguidor do pensamento nasseriano.

Referências

  1. Maestre, E. (2011) A Revolução Inacabada e a tese de Gamal Abdel Nasser. Albatv Recuperado em: albatv.org
  2. Ocaña, J (2003) Gamal Abdel Nasser. Historiasiglo20.com. Recuperado em: historiasiglo20.org
  3. Halim, A (2016). Filosofia, modernidade e revolução no Egito. Recuperado em: diverscultural.net
  4. Velandia, C (2016). Projeto nacionalista de Nasser no Egito: uma tentativa de unidade nacional. Recuperado em: repository.javeriana.edu.co
  5. (2018) As pessoas famosas. Recuperado em: thefamouspeople.com

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