- O NUTRIC Score identifica pacientes críticos em UTI que mais se beneficiam de terapia nutricional precoce.
- Pontuações ≥ 5 indicam alto risco nutricional, exigindo aporte calórico-proteico rigoroso em até 72 horas.
- Existem versões como o mNUTRIC e NUTRIC-SF que adaptam a ferramenta para casos de fragilidade ou simplicidade clínica.
- A ferramenta é superior a métodos genéricos por ser validada especificamente para o ambiente de cuidados intensivos.
Quando falamos de cuidados intensivos, a nutrição não é apenas um detalhe, mas sim uma peça-chave para a recuperação do paciente. O NUTRIC Score surge como a primeira ferramenta de avaliação de risco nutricional desenvolvida e validada especificamente para quem está na UTI, partindo da premissa de que nem todo paciente crítico reage da mesma forma às intervenções dietéticas. Diferente de outros métodos que tendem a classificar quase todo mundo em risco alto, essa ferramenta consegue estratificar melhor quem realmente vai tirar proveito de uma terapia nutricional intensiva.
A ideia central aqui é evitar o desperdício de recursos e focar a energia da equipe médica nos pacientes que apresentam a maior vulnerabilidade. Ao analisar variáveis específicas, o escore permite identificar aqueles que enfrentam um risco nutricional elevado e que, por consequência, podem ter sua mortalidade reduzida se receberem o suporte adequado logo no início da internação. É, basicamente, um guia para que a nutrição enteral precoce seja aplicada de forma inteligente e direcionada.

Como funciona a pontuação e a tomada de decisão

A interpretação dos números é o que define a conduta clínica. Quando um paciente atinge uma pontuação igual ou superior a 5, mesmo que a interleucina-6 (IL-6) não tenha sido incluída no cálculo, isso sinaliza um alto risco nutricional. Para esses casos, a evidência mostra que a nutrição enteral (NE) precoce traz benefícios reais na redução da morbimortalidade. Além disso, para quem está nessa faixa de risco, é fundamental monitorar de perto a síndrome de realimentação e garantir que a meta de aporte calórico e proteico seja atingida em um intervalo de 48 a 72 horas.
Por outro lado, se o resultado for NUTRIC ≤ 5, estamos falando de pacientes que geralmente não tinham problemas nutricionais prévios, possuem baixo risco de desnutrição ou apresentam patologias de menor gravidade. Nesses cenários, a literatura indica que não é necessária uma terapia nutricional especializada durante a primeira semana de hospitalização, permitindo que a equipe foque em outras prioridades clínicas.
Evoluções e Versões do Escore

Com o passar do tempo, a ferramenta evoluiu para se adaptar a diferentes realidades. O mNUTRIC (modified NUTRIC) é uma versão modificada que simplifica a avaliação e continua sendo amplamente validada, inclusive em casos recentes de pacientes com COVID-19, onde se observou que a pontuação elevada estava ligada a um aumento na mortalidade em 28 dias. Existem ainda outras variantes interessantes, como o NUTRIC-SF, que soma a avaliação nutricional a medidas de fragilidade e sarcopenia, e o NUTRIC-S, que utiliza o sistema SAPS 3 em vez do APACHE II para prever a mortalidade.
- NUTRIC Original: Focado em pacientes críticos gerais de UTI.
- mNUTRIC: Versão modificada para maior praticidade clínica.
- NUTRIC-SF: Integra dados de massa muscular e fragilidade.
- NUTRIC-S: Adaptação utilizando a escala SAPS 3.
Comparação com outras ferramentas e validação

O NUTRIC tem sido comparado exaustivamente com outros instrumentos, como o NRS-2002 e o MUST. Estudos indicam que, embora existam concordâncias, o NUTRIC se destaca por ter sido moldado para o ambiente de cuidados críticos. A validação global do método é imensa, com estudos realizados em diversos países e traduções para várias línguas, comprovando que o risco nutricional elevado está sistematicamente associado a desfechos clínicos desfavoráveis e a uma maior taxa de mortalidade se não for tratado.
A aplicação prática desse escore também ajuda a combater a subalimentação iatrogênica, que ocorre quando a equipe médica fornece menos nutrientes do que o paciente realmente precisa. Ao identificar o paciente de alto risco, o médico consegue justificar a necessidade de um aporte proteico mais agressivo, o que pode ser a diferença entre a recuperação da massa muscular e a perda progressiva de quadríceps, comum em pacientes ventilados mecanicamente.
Essa abordagem sistemática de medir o risco nutricional transforma a dieta de um simples suporte em uma estratégia terapêutica ativa. A integração de dados como comorbidades e a gravidade da doença permite que a equipe de nutrição e a medicina intensiva trabalhem em sintonia, garantindo que o paciente certo receba a intervenção certa no momento ideal para maximizar as chances de sobrevivência.
