Hiperemia: tipos, complicações, tratamentos

A hiperemia é vermelhidão e congestionamento de uma regi anatica, devido à acumulação de sangue no interior.Mais do que uma doença, é uma expressão sintomática de alguma outra condição clínica, sendo muito importante determinar a causa da hiperemia para poder decidir se é necessário estabelecer um tratamento específico.

Em alguns casos, a hiperemia é fisiológica, o que significa que a área deve ficar avermelhada devido a uma circunstância clínica ou ambiental específica. Quando isso não acontece, ou seja, não se espera que o tecido seja hiperêmico, é hiperemia patológica.

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Fonte: pixabay.com

A hiperemia é um sintoma muito comum que geralmente está associado ao aumento da temperatura local e, às vezes, à dor, porém esses sintomas nem sempre estão associados.

Causas da hiperemia

A hiperemia é causada por processos vasculares que fazem com que o sangue seja “danificado” em uma determinada área.

Nesse sentido, pode ocorrer vasodilatação arterial, responsável por um suprimento sanguíneo maior que o normal para a área hiperêmica. Nestes casos, fala-se de hiperemia ativa.

Por outro lado, pode haver o caso de vasoconstrição venosa que diminui a taxa de fluxo sanguíneo de uma determinada área, para que mais glóbulos vermelhos se acumulem do que o normal e a área se torne vermelha. Quando a hiperemia é causada por vasoconstrição venosa, é conhecida como hiperemia passiva.

Existe uma variante conhecida como “hiperemia reativa” na qual há acúmulo de sangue em uma determinada área após um período de isquemia (ausência de fluxo sanguíneo).

Mecanismos vasculares associados à hiperemia

Embora as condições que podem produzir hiperemia ativa e passiva sejam múltiplas e variadas, todas se reúnem em um mecanismo comum: vasodilatação (hiperemia ativa) ou vasoconstrição (hiperemia passiva).

A resposta nos vasos sanguíneos pode ser mediada pelo sistema nervoso autônomo (simpático: vasoconstritor, parassimpático: vasodilatador), mediadores químicos (aminas vasoativas, prostaglandinas) ou uma combinação de ambos.

Tipos de hiperemia

Embora clinicamente possam ser indistinguíveis, existem vários tipos de hiperemia de acordo com sua fisiopatologia e dentro de cada grupo existem várias causas.

Uma explicação detalhada de cada um deles seguiria todo o caminho da patologia; portanto, será dada ênfase aos tipos mais comuns de hiperemia.

Hiperemia fisiológica

É a hiperemia que ocorre em condições normais. Não está associado a nenhuma doença e não tem impacto negativo sobre quem a apresenta.

A hiperemia fisiológica é uma reação normal a certos estímulos internos ou externos que resultam em vasodilatação dos capilares arteriais.

Uma das situações em que a hiperemia fisiológica é mais frequentemente vista é em ambientes muito quentes. Em tais circunstâncias, o corpo precisa dissipar o calor para manter sua temperatura estável e, para isso, os capilares da pele se expandem, permitindo que o calor seja liberado como se fosse um radiador.

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Quando isso ocorre, a pele fica avermelhada espontaneamente, retornando ao seu estado normal assim que a temperatura ambiente cai.

Outra situação semelhante é durante a atividade física. Nesse caso, o mecanismo é exatamente o mesmo, apenas que o calor, em vez de vir de fora, o faz de dentro do corpo, secundário ao trabalho muscular. Novamente, os capilares da pele se dilatam, fazendo com que a pele (especialmente a pele mais fina do rosto) fique vermelha.

Finalmente, em resposta a certas substâncias, como a adrenalina (secretada pelo organismo para certos estímulos e emoções), os capilares da pele dilatam, tornando-a avermelhada; um fenômeno conhecido como “corar” ou “corar”.

Em todos esses casos, a hiperemia é normal, inócua e temporária, levando a pele à sua cor normal assim que o estímulo que produz a hiperemia cessa.

Hiperemia patológica

É esse tipo de hiperemia que constitui um sintoma de doença ou condição patológica. A hiperemia patológica pode ser dividida em ativa, passiva e reativa.

Hiperemia ativa

Qualquer condição clínica durante a qual ocorra vasodilatação dos capilares arteriais estará associada à hiperemia ativa.

Um dos exemplos típicos e mais frequentes é a febre. Durante os episódios febris, a temperatura corporal aumenta, assim como a freqüência cardíaca (estado hiperdinâmico do sangue), sendo a vasodilatação dos capilares arteriais associada a um mecanismo de compensação da temperatura. É por isso que as pessoas com febre parecem coradas.

Algo semelhante ocorre com queimaduras solares de primeiro grau. A lesão térmica aumenta a temperatura local, causando a dilatação dos capilares arteriais e dando à pele um tom avermelhado. Nesse ponto, também estão associados mediadores químicos, como as interleucinas, secretados em resposta a danos celulares causados ​​pela radiação solar.

As interleucinas têm propriedades vasodilatadoras, de modo que na presença de queimadura solar ou qualquer outra noxa (trauma, infecção, inflamação de qualquer tipo) induzem vasodilatação arteriolar e, portanto, hiperemia.

Conclui-se que qualquer situação em que ocorram danos nos tecidos pode estar associada à hiperemia ativa, com sintomas associados frequentes sendo inchados (devido ao aumento da permeabilidade capilar na área) e ao aumento local da temperatura.

Hiperemia passiva

A hiperemia passiva ocorre quando, para alguma condição, os capilares venosos se contraem, diminuindo a drenagem do sangue de uma determinada área anatômica.

Um exemplo clássico é quando uma pessoa passa muito tempo descansando em seu braço ou perna em uma determinada posição. Depois de um tempo, o ponto de apoio fica vermelho. Isso acontece simplesmente porque a pressão nessa área oclui os capilares venosos, para que o sangue possa entrar, mas não sair, de modo que parte da anatomia fique vermelha.

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Embora todos os casos de hiperemia na pele tenham sido descritos até agora, do ponto de vista patológico essa condição também pode ocorrer nos órgãos internos.

Nesses casos, a hiperemia passiva é chamada de “hiperemia congestiva”, que nada mais é do que o acúmulo de sangue nas vísceras devido à incapacidade de drenar adequadamente o sangue.

Isso ocorre frequentemente na insuficiência cardíaca congestiva, onde o coração não é capaz de mobilizar todo o sangue do corpo com eficiência, permanecendo reprimido nos órgãos periféricos, especialmente no fígado e no baço.

Hiperemia reativa

É o tipo mais frequente de hiperemia em pacientes com patologia arterial. A hiperemia reativa ocorre quando após um período mais ou menos prolongado de isquemia (suprimento insuficiente de sangue para um membro ou órgão) o fluxo sanguíneo normal é restaurado.

Durante a isquemia, os capilares arteriais se dilatam o máximo possível para fornecer o máximo de glóbulos vermelhos (e, portanto, oxigênio) aos tecidos que irrigam. Como a isquemia é mantida ao longo do tempo, cada vez mais capilares se dilatam na tentativa de manter constante o suprimento de oxigênio, no entanto, devido à obstrução do fluxo (que causa isquemia), o membro permanece pálido.

Agora, uma vez que o fluxo sanguíneo normal é restaurado, os capilares não se contraem ipso facto; na verdade, leva algumas horas, até dias (dependendo do tempo da isquemia anterior), em que o leito capilar arterial volta ao normal.

No entanto, como o suprimento de sangue para a área aumentou, agora a pele parece avermelhada porque, através dos capilares dilatados onde o sangue circulava, o faz agora em grandes quantidades.

Complicações

Por se tratar de um sintoma de hiperemia em si, não apresenta complicações, embora o mesmo não possa ser dito das condições que produz.

Assim, as complicações da hiperemia são as da condição que a produz; por exemplo, na hiperemia ativa secundária a uma queimadura solar, as complicações da hiperemia serão aquelas associadas ao referido tipo de queimadura.

Por outro lado, se a hiperemia for devida a febre ou infecção da pele (celulite), podem ser esperadas complicações da febre ou da infecção.

O mesmo vale para a hiperemia passiva. Quando uma pessoa tem hiperemia passiva em uma área de suporte devido à mobilidade reduzida, pode-se esperar que um escaras (úlcera por pressão) seja associado à hiperemia mais cedo ou mais tarde, de modo que, neste caso, a complicação seja a que deriva de limitação de mobilidade

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Esta dissertação pode ser realizada uma a uma com todas as causas da hiperemia, de modo que, como corolário, basta lembrar, como afirmado acima, que as complicações da hiperemia são aquelas associadas à condição que a causa.

Tratamento para hiperemia

Assim como nas complicações, não existe tratamento específico para a hiperemia; nesse sentido, o tratamento definitivo deve ter como objetivo melhorar, aliviar ou eliminar a condição inicial que causou a hiperemia.

No entanto, existem medidas gerais que podem ajudar a aliviar os sintomas na maioria dos casos; nesse sentido, a aplicação do resfriado local por meio de compressas de gelo, compressas de gelo ou loções frias é uma solução comum, eficaz e econômica.

Por outro lado, em casos de hiperemia secundária à liberação de histamina (como nas reações alérgicas ou picadas de alguns insetos), a administração de bloqueadores H1 é útil.

Em geral, pode-se concluir que o tratamento da hiperemia se baseia em três pilares:

– Eliminar a exposição ao agente causador (se possível).

– Controle, tanto quanto possível, a condição básica que produziu a hiperemia.

– Tratamento sintomático através da administração de medidas gerais paliativas.

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