José Gorostiza: biografia, estilo e obras

José Gorostiza Alcalá (1901-1973) foi um escritor, poeta e diplomata mexicano. Sua vida foi passada entre escritórios do governo e escritos; Embora seu trabalho literário não fosse exatamente extenso, ele gozava de profundidade e originalidade, o que o destacou entre muitos colegas.

No campo da literatura, Gorostiza era conhecido como “o poeta da inteligência”, em virtude da natureza intelectual e analítica de sua obra. Um dos títulos mais importantes e reconhecidos do autor mexicano foi Death Without End, que se referia à decadência e extinção de todas as entidades.

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Sua vida também foi orientada para a disseminação da cultura e arte em seu país. Ele fazia parte do grupo de intelectuais conhecido como “Os Contemporâneos”, que através de uma publicação divulgou as mudanças, inovações e transformações da literatura.

Biografia

Nascimento de Gorostiza

José Gorostiza Alcalá nasceu em 10 de novembro de 1901, na cidade de Villahermosa, Tabasco. Embora não haja informações suficientes sobre sua vida familiar, presume-se que ele tenha vindo de uma família culta, devido ao treinamento acadêmico recebido.

Formação acadêmica

José Gorostiza estudou na escola primária e secundária em sua cidade natal, Villahermosa. Depois foi morar na Cidade do México, onde estudou no ensino médio, que culminou em 1920. Mais tarde, estudou cartas na Universidade Nacional Autônoma do México.

Gorostiza entre os contemporâneos

Na juventude, José Gorostiza fez parte do grupo Los Contemporáneos, entre os quais destacam-se Carlos Pellicer, Xavier Villaurrutia, Antonieta Rivas Mercado e Salvador Novo. Eles foram responsáveis ​​pela propagação dos avanços culturais no México, entre 1920 e 1931.

Primeiro trabalho profissional de José Gorostiza

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Antonieta Rivas Mercado, membro do Los Contemporáneos. Fonte: Veja a página do autor [CC BY-SA 4.0], via Wikimedia Commons

A preparação e a formação acadêmica de José Gorostiza o levaram a ocupar diferentes posições. Ele trabalhou inicialmente na Universidade Nacional Autônoma do México, onde ensinou literatura mexicana. Mais tarde, em 1932, ele foi professor de história moderna na Escola Nacional de Professores.

Gorostiza no governo e diplomacia mexicanos

Gorostiza era um homem que provou ter qualidades tanto para cartas quanto para missões diplomáticas. Então, ele teve a oportunidade de ocupar vários cargos no governo mexicano. Em 1927, ele foi chanceler de seu país em Londres, Inglaterra.

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Imagem do Ministério da Educação Pública, onde Gorostiza atuou como diretor. Fonte: Miki Angel Maldonado [CC BY-SA 4.0], via Wikimedia Commons

Mais tarde, no início dos anos 30, atuou como diretor na seção de Ministério de Educação Pública da área de Belas Artes. Ele também foi secretário de governo em Copenhague, na Dinamarca, entre 1937 e 1939. E de 1939 a 1940, ele foi diplomata na capital da Itália.

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Caminhos literários

José Gorostiza era apaixonado por letras e literatura, então sua vida também foi orientada para a escrita. Dois de seus primeiros trabalhos foram publicados entre os anos vinte e trinta. Os títulos eram Canções para cantar nos barcos e Morte sem fim, sendo o último o mais famoso.

Ampliação de seu trabalho diplomático

Pode-se afirmar que, praticamente, toda a vida do escritor mexicano foi passada na política. Sua atuação diplomática o tornou responsável, em 1944, pela direção do serviço diplomático e, seis anos depois, integrou o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

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Brasão de armas da UNAM, universidade onde Gorostiza estudou. Fonte: Ambos, o escudo e o lema, José Vasconcelos Calderón [Domínio público], via Wikimedia Commons

No início dos anos cinquenta, ele foi morar na Grécia por um ano para servir como embaixador. Gorostiza, por mais de dez anos, também estava destinado a dar palestras e conferências em todo o mundo. Depois disso, assumiu a presidência da delegação de energia nuclear, de 1965 a 1970.

Gorostiza, reconhecido academicamente

Embora José Gorostiza não tenha sido o mais prolífico de escritores e poetas, seus dois primeiros trabalhos lhe deram reconhecimento público e também acadêmico. Foi assim que em 1954 a Academia Mexicana de Idiomas o escolheu como membro. Um ano depois, ele assumiu a cadeira número XXXV.

Morte

Os últimos anos de vida José Gorostiza Alcalá viveu entre seu trabalho e posições políticas, além do desenvolvimento de suas duas últimas publicações: Poesia e Prosa. Ele morreu aos setenta e um anos, na Cidade do México, em 16 de março de 1973.

Prêmios por sua obra literária

– Prêmio Mazatlan de Literatura em 1965.

– Prêmio Nacional de Ciências e Artes em 1968.

Estilo

A obra literária de José Gorostiza foi enquadrada nos movimentos de vanguarda e modernismo. O autor usou em seus escritos uma linguagem culta, simples e precisa. Além disso, em suas palavras, havia uma forte carga lírica e expressiva.

A poesia do escritor mexicano caracterizou-se por ser reflexiva, analítica e profunda. Ao mesmo tempo, dava a impressão de ser leve; mas, no fundo, seu conteúdo era um produto do interesse absoluto que Gorostiza tinha sobre o ser humano, o mundo em que ele se desenvolveu e o fim da existência.

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Trabalhos

O trabalho literário de Gorostiza não era abundante. Talvez isso se devesse às incessantes atividades diplomáticas e políticas que ele exercia. No entanto, os quatro títulos que ele conseguiu publicar foram suficientes para deixar um legado e ser conhecido como um dos poetas mexicanos mais importantes do século XX.

– Canções para cantar nos barcos (1925).

– Morte sem fim (1939).

– Poesia (1964).

– Prosa (1969).

Breve descrição de sua obra poética

Canções para cantar nos barcos (1925)

Foram os primeiros poemas do autor mexicano, cuja característica mais notável foi a mudança que Gorostiza fez, do tradicional e do habitual, para a vanguarda e a inovação. O trabalho foi composto por cerca de vinte e cinco poemas, cheios de elegância e expressividade.

Boa parte dos versos era composta de rimas de arte maior e menor, também de tetrassílabos e endecasílabos. Por outro lado, a publicação foi bem recebida pelos críticos, e muitos argumentaram que o escritor teve uma influência marcante de escritores espanhóis, especialmente Luís de Góngora.

Linguagem

A linguagem que o escritor usou para o desenvolvimento dos poemas era simples e simples. No entanto, nem todos são facilmente compreendidos, porque muitos dos versículos são de alguma complexidade em termos de contexto e significado. Assim, o leitor pode perceber uma certa desconexão entre estrofes.

Autocrítica

O próprio José Gorostiza criticou sua primeira obra literária, disse que alguns dos poemas surgiram da leitura de outros escritores. Além disso, ele considerava que era “pobre”, que nela havia uma estruturação métrica pouco cuidada e um sentimento muito pessoal.

Poemas mais relevantes do trabalho

– “Noite”.

– “mulheres”.

– “Desenhos em uma porta”.

– “Quem me compra uma laranja?”

– “A beira do mar”.

– “O mar está feliz.”

– “pescador da lua”.

– “Água, não corra de sede, pare.”

Fragmento de “O mar está contente”

“Nós vamos encontrar

Folhas de bananeira ao chapear.

O mar está contente.

Vamos encontrá-los na estrada,

pai dos novelos de linho.

Porque a lua (o aniversário vale a pena) …

… o mar está feliz.

Sete paus de tuberosa; apenas um perfume,

uma única brancura da pena de uma pomba.

O mar está contente.

A vida – eu digo – branca – eu os entreguei, eu sei bem,

Para a minha linda namorada.

O mar está contente.

A vida – eu digo – branca – eu os entreguei.

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Não fique escuro porque sou eu!

O mar está alegre.

Fragmento de “A costa do mar”

“Não é água ou areia

a beira do mar.

a água do som

espuma simples,

a água não pode

formar a costa.

E por que descansar

no lugar da primavera,

não é água ou areia

a beira do mar.

… Os mesmos lábios,

Se eles querem beijar

Não é água ou areia

a beira do mar.

Eu apenas olho para mim

pela coisa morta;

sozinho, desolado,

Como um deserto

O choro chega até mim,

Bem, eu devo punir.

Não é água ou areia

a beira do mar”.

Morte sem fim (1939)

Foi o segundo trabalho publicado do autor, caracterizado por um alto grau de intensidade e profundidade. O escritor desenvolveu um tema filosófico relacionado ao confronto entre a água e o reservatório que a coleta; O poema foi dividido em vinte conjuntos de versos.

A característica crítica, inteligente e reflexiva da personalidade de Gorostiza se refletia nos interesses que o escritor tinha sobre argumentos relacionados à vida, seres humanos, Deus e o fim da vida. A linguagem que ele usava estava carregada de metáforas, que acrescentavam expressividade e beleza.

Fragmento

“Cheio de mim, sitiado na minha epiderme

Para um deus ilegível que me afoga,

mentiu talvez

por sua atmosfera radiante de luzes

que esconde minha consciência derramada,

minhas asas quebradas em lascas de ar,

meu desajeitado tateando na lama;

Mais do que vidro também é mais previdente!

Talvez esse buraco que nos estreita

em ilhas de monólogos sem eco,

embora o nome dele seja Deus,

ser nada além de um copo

que a alma perdida se adapta a nós,

mas talvez a alma apenas avise

em uma transparência acumulada

Eu pintei sua noção de azul.

… Na rede de cristal que a estrangula,

a água toma forma,

o bebê, sim, no módulo de vidro,

para que também seja transfigurado

com o tremor da água estrangulada

ainda lá, sem voz, marcando o pulso

glacial da corrente … “

Referências

  1. Ruíz, H. (2010). Canções para cantar nos barcos: entre tradição e vanguarda. (N / a): Biblioteca Virtual de Direito, Economia e Ciências Sociais. Recuperado de: eumed.net.
  2. José Gorostiza Alcalá. (2018). Espanha: Wikipedia. Recuperado em: wikipedia.org.
  3. Jose Gorostiza. (S. f.). Cuba: Ecu Red. Recuperado de: ecured.cu.
  4. Morales, T. (2017). José Gorostiza, o poeta da inteligência. México: Aion.mx Arborescências do Pensamento. Recuperado de: aion.mx.
  5. Morales, J. (2007). México: A Claro del Bosque. Recuperado de: unclarodelbosque.blogspot.com.

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