Mendocino Codex: origem e autoria, características, conteúdo

O Mendocino Codex , também conhecido como Mendoza Codex, foi uma publicação em que cenas pictóricas em estilo nativo foram coletadas, tendo a particularidade de serem incorporadas em artigos europeus.

Esta publicação foi encomendada e concluída no século XVI, por volta de 1541 e 1542, durante a administração de Antonio de Mendoza e Pacheco. Mendoza ocupou o cargo de vice-rei na Nova Espanha, sendo o primeiro nessa posição.

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Fonte: [[File: CodexMendoza01.jpg | CodexMendoza01]], via Wikimedia Commons.

Este códice recebeu o nome de Mendoza pelo vice-rei de origem espanhola. Serviu para capturar as informações mais relevantes em relação à história imperial e à organização, tanto econômica quanto socialmente, que existia na sociedade asteca. Ou seja, sua função era fornecer dados sobre o antigo império ao governo espanhol.

Na época, tinha grande valor em nível prático para os espanhóis, mas também em nível histórico. Mais da metade do Mendocino Codex se refere a cópias de fontes pictóricas dos tempos pré-hispânicos.

Origem e autoria

O Mendocino Codex era um manuscrito sobre civilizações astecas. Sua criação ocorreu após 14 anos do início da conquista espanhola no México, iniciada em 1521. A idéia desta publicação era que ela deveria chegar a Carlos V, o rei da Espanha, durante esse período.

Nas páginas do Mendocino Codex, refletia-se a história dos governos astecas e as conquistas que eles tiveram antes da ocupação espanhola. Também incluiu uma lista de impostos pagos pelas populações locais e uma descrição detalhada de como era seu estilo de vida diário.

Os pictogramas foram utilizados para transmitir a informação. O uso destes consistia em signos como representação de objetos, figuras ou conceitos reais. Além desses pictogramas, que faziam parte da escrita asteca, o códice tinha algumas explicações e comentários em espanhol.

O termo Mendocino foi concedido ao códice por Antonio de Mendoza e Pacheco, que poderia encomendar o manuscrito em 1541. Também era conhecido como o códice de Mendoza ou a coleção de Mendoza.

Outros códices

Na história mexicana, existem vários códigos que foram criados para preservar ou coletar dados sobre civilizações antigas. Havia códices que lidavam com as civilizações astecas e outras publicações sobre as mixtecas.

No caso do códice asteca, como no caso de Mendocino, eram manuscritos menos complexos em termos de uso de elementos pictóricos. Isso, apesar do fato de os astecas herdarem grande parte de sua cultura pictórica dos mixtecas.

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Não há nenhum manuscrito asteca que não teve nenhuma influência das colônias européias. Além disso, foi criado o Códice Borbonicus, cujo estilo era Nahuatl, anterior ao período da conquista espanhola.

Os códices astecas foram queimados pelos espanhóis devido ao seu conteúdo pagão e também foram destruídos pelos reis astecas que tinham o objetivo de reescrever sua história.

Eles diferiam dos códices anteriores à conquista porque tinham uma ótima combinação de escrita com pictogramas, ideogramas e símbolos fonéticos. Os manuscritos durante a era colonial tiveram grande influência da Espanha.

A representação que foi feita nesses trabalhos foi sobre os mexicanos nativos e foi usada uma escrita com letras latinas ou em espanhol.

Entre os códices coloniais estavam: o Códice Mendocino, a Matrícula Fiscal, o Códice Borbonicus, o Azcatitlan, o Códice Florentino, a Serra, a história dos Toltecas-Chichimeca ou o Xicotepec, entre muitos outros.

Caracteristicas

O Mendocino Codex foi caracterizado como a primeira cópia que foi escrita usando um estilo fortemente influenciado pela cultura e arte européias.

Foi concluída alguns anos após a conquista e estava encarregado de escribas nativos que eram supervisionados por padres missionários que chegavam à Nova Espanha. Esses padres também foram responsáveis ​​por adicionar anotações em espanhol.

É considerado em muitas ocasiões como um livro europeu, uma vez que foram utilizados papéis e encadernações europeus que se assemelhavam ao estilo do Velho Continente. Tinha 71 folhas cujas medidas eram de 33 centímetros por 23. As representações ou temas foram divididos em três.

Os livros indígenas anteriores à conquista caracterizavam-se, pelo contrário, por terem sido pintados em papel feito de casca de árvore ou pelo uso de pele de veado.

Muito poucas referências sobre a religião asteca foram refletidas no manuscrito. A crença é de que o códice possuía apenas um mestre pintor, embora outros nativos estivessem envolvidos em sua criação, especialmente no momento de alistar as pinturas e aplicar as cores.

A profissão de pintor dessas obras era muito bem vista pela sociedade, pois possuía grande importância para a cultura asteca.Embora os astecas não tivessem um sistema definido de escrita, usavam pictogramas para capturar suas histórias.

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Esse códice consistia em 72 folhas com conteúdo pictórico, das quais 63 eram páginas com comentários em espanhol.

Conteúdo

O conteúdo do Mendocino Codex foi baseado na coleta de informações sobre as civilizações astecas e seu império. Nesse código, é possível encontrar dados sobre a organização dos astecas, tanto econômica quanto socialmente, bem como o fundamento de suas civilizações.

A capa do Mendocino Codex também forneceu informações sobre a antiga capital asteca, Tenochtitlán, bem como suas origens. Na capa, dividida em quatro partes, observou-se que a cidade era formada por canais.

Por outro lado, o interior do códice foi dividido em três seções que tratavam de diferentes elementos das civilizações astecas.

A primeira parte

A primeira seção do Mendocino Codex variou da primeira página ao número 18. No total, consistia em 19 páginas pictóricas. Informações sobre a fundação do Império Asteca, iniciada em 1324, foram expressas nesta parte.

Esta seção foi concluída com a etapa da conquista do México, iniciada em 1521, um ano antes da morte de Moctezuma.

Em suas páginas não foram encontradas todas as guerras que viveram, pois não faziam referência às derrotas. Entre as guerras que tomaram forma estão a guerra com Chalco ou a conquista de Coaxtlahuacan.

A segunda etapa

A segunda parte na qual o códice foi dividido correspondia às páginas 18 a 55. Esta seção do manuscrito foi caracterizada por suas grandes semelhanças com o Registro de impostos. Este foi um códice que foi escrito por volta das décadas de 20 e 30 do século XVI. Ele se referiu aos impostos pagos pelas comunidades colonizadas.

Esta seção e a primeira parte do manuscrito tiveram a presença de imagens que representavam tempos anteriores ao período pré-hispânico. Ambas as partes se complementaram em termos das informações que ofereceram.

Não é por esse motivo que foram expressas todas as informações existentes sobre os confrontos militares ou a organização econômica.

Terceira parte

A última seção em que o Codex Mendocino foi dividido variou entre as páginas 56 e 71. Essas páginas continham informações relevantes sobre a vida cotidiana dos nativos dos povos mexicanos. Eles conversaram sobre costumes desde o nascimento até a morte.

Alguns marcaram esta seção do códice como um romance. Ele apresentou imagens muito coloridas.

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Importância

A importância do Códice Mendocino é apenas comparável à relevância do Códice Florentino, que foi um manuscrito criado pelo espanhol Bernardino Sahagún. Ambos são manuscritos que significavam uma fonte de informações vitais histórica, política e etnograficamente sobre o México, antes e durante a conquista.

No caso do códice de Mendoza, foi de grande importância reconstruir dados sobre o Império Asteca, para os quais as duas primeiras partes dos manuscritos foram fundamentais.

Autores como Barlow, Hassig, Van Zantwijk foram encarregados de resumir e explicar de maneira simples as informações presentes no códice. Essas publicações permitiram que o códice atingisse um público muito maior.

Proprietários

A culminação do códice foi feita apressada, uma vez que teve de ser enviada para a Espanha quando uma das frotas conquistadoras partiu. O manuscrito nunca chegou ao seu destino, pois foi capturado por piratas franceses que estavam no Caribe.

O códice terminou na época nas mãos do francês Andre Thevet, um cosmógrafo que fez um grande número de anotações no manuscrito original, onde sua assinatura pode ser observada várias vezes.

Após a morte de Thevet, o códice continuou a mudar de propriedade. Um embaixador inglês na França, chamado Richard Hakluyt, assumiu o trabalho e o transferiu para a Inglaterra. Lá, tornou-se propriedade de Samuel Purchase e depois filho de Purchase.

Mais tarde, chegou às mãos do colecionador John Selden, o último proprietário antes do códice finalmente fazer parte da Biblioteca Bodleian, na Universidade de Oxford, onde permanece hoje.

Versão digital

Embora o manuscrito original seja encontrado na Universidade de Oxford, o Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH) criou uma versão interativa para consultar o documento original.

O recurso interativo tem explicações e detalhes em inglês e espanhol. Você também pode baixar um aplicativo para verificar o codex.

Referências

  1. Berdan, F. (1996). Estratégias imperiais astecas . Washington, DC: Biblioteca e coleção de pesquisa de Dumbarton Oaks.
  2. John, L. (1984). Passado e presente no americano: um compêndio de estudos recentes . New Hampshire: Manchester University Press.
  3. Jovinelly, J. e Netelkos, J. (2002). O artesanato e a cultura dos astecas . Nova York, NY: Rosen Central.
  4. Leon Portilla, M. (1990). Pensamento e cultura asteca . Norman: University of Oklahoma Press.
  5. Ross, K. (1984). Codex Mendoza . Londres: Regent Books / High Text.

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