Realidade virtual: conceito, história e aplicações

A Realidade Virtual é uma nova tecnologia que permite que o profissional para criar um espaço cibernético onde o paciente pode interagir com diferentes objetos ou personagens virtuais simulados.

Seria como uma interface criada onde a pessoa mergulha em uma simulação 3D gerada por um computador e onde ele pode interagir em tempo real e em tempo real.

Realidade virtual: conceito, história e aplicações 1

Dessa forma, o ambiente simulado tenta substituir a realidade e a pessoa tem a sensação de estar dentro desse mundo artificial.

Na realidade virtual, a pessoa sente que está fisicamente no ambiente que está sendo gerado virtualmente e pode interagir com ela em tempo real.

Pode ser considerado como uma espécie de “laboratório”, onde você pode estudar o comportamento, pensamentos e emoções da pessoa e pode ser útil em alguns aspectos de caráter metodológico disfuncional em alguns experimentos psicológicos.

As três características fundamentais da realidade virtual são: a possibilidade em tempo real, a imersão completa em que o contato com a realidade é perdido e a interação com os elementos.

O termo foi cunhado em 1986 por Jaron Lanier.

A diferença entre Realidade Virtual e Realidade Aumentada

É importante aprender a distinguir entre Realidade Virtual, que é o que nos interessa aqui, e Realidade Aumentada.

O último implica introduzir elementos virtuais no mundo real. Para isso, são criadas imagens, objetivos ou situações virtuais diferentes, incluídas no mundo real.

Dessa forma, você vê o mundo real, mas ao mesmo tempo esses elementos criados pela cibernética também estão incluídos. Obviamente, é baseado no sentido de que deve ser útil para o paciente.

É diferente porque, na realidade virtual, o contexto ou a situação permeia toda a experiência do sujeito, de modo que todos os seus canais de percepção são nele colocados. Essa é a sua realidade.

No entanto, no caso da Realidade Aumentada, a experiência que o sujeito vive através da inclusão de elementos virtuais complementa a experiência real que também está acontecendo, ou seja, a verdadeira realidade.

Realidade virtual em psicologia

A razão pela qual as novas tecnologias e a realidade virtual, em particular na Psicologia, são cada vez mais usadas, é porque são propostas como uma ferramenta para desenvolver e beneficiar pessoas em qualquer área de suas vidas.

Novas tecnologias atingem todos os cantos de nossas vidas. As primeiras plataformas criadas a partir da realidade virtual o fizeram para grandes indústrias que desejavam projetar cenários para profissionais em que pudessem treinar em diferentes situações.

Os primeiros desenhos em psicologia com realidade virtual foram para transtornos de ansiedade. Quando se provou ser eficaz contra grupos controle, foi proposto expandir o alcance para distúrbios mais complexos.

Especificamente, o primeiro estudo de Realidade Virtual em transtornos psicológicos focou na acrofobia, expondo a pessoa a situações virtuais que causavam ansiedade.

Seu uso é ainda mais importante se considerarmos que a Realidade Virtual é apresentada, em muitos casos, como uma alternativa eficaz para o tratamento de desordens nas quais as técnicas tradicionais eram ineficazes.

Além disso, em relação à exibição na imaginação, por exemplo, ela também oferece vantagens, pois existem diferenças individuais na imaginação (pessoas que têm mais dificuldades) e fornece uma sensação de presença que não dá imaginação.

Aplicações da realidade virtual em transtornos psicológicos

Já comentamos anteriormente que a Realidade Virtual foi desenvolvida para diferentes áreas da psicologia.

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No que diz respeito à psicologia clínica e distúrbios psicológicos, diferentes sistemas foram desenvolvidos usando novas tecnologias para melhorar o estado de saúde das pessoas e, assim, ajudar os profissionais de psicologia no tratamento.

a) Transtornos de ansiedade

Para os transtornos de ansiedade, um dos tratamentos mais eficazes é a exposição, ou seja, para enfrentar de forma gradual e sistemática o que o sujeito teme.

No entanto, alguns pacientes abandonam esse tratamento ou o rejeitam porque, por exemplo, é aversivo demais para eles, então encontramos um grupo de pacientes com dificuldades quando se trata de intervenção.

A Realidade Virtual permite intervir em pacientes com transtornos de ansiedade em um ambiente virtual, para que a pessoa possa interagir com esse espaço e com objetos da mesma maneira com que poderia fazê-lo em um ambiente real.

E assim, como não são objetos ou situações “reais” temidas, os pacientes que não aceitam a exposição podem aceitar esse modo de lidar com eles em maior grau.

Diferentes estudos argumentam que muitas pessoas preferem a exposição em ambientes virtuais à exposição real ou in vivo.

Dessa maneira, a Realidade Virtual já foi usada antes, por exemplo, fobia de aranha, fobia voadora, claustrofobia ou agorafobia.

Em 1998 (Botella et al, 2007), eles projetaram o primeiro tratamento para a claustrofobia e outros o sucederam, onde colocaram diferentes cenários, como uma sala com janelas que se abriam e fechavam, outra sala sem janelas ou elevador.

Por exemplo, no caso da agorafobia, diferentes situações tipicamente agorafóbicas foram projetadas, como o metrô ou o shopping e, ao mesmo tempo, foram simuladas experiências interoceptivas.

Podemos concluir, portanto, que a Realidade Virtual se mostrou eficaz para diferentes transtornos de ansiedade, como medo de altura ou claustrofobia, onde os resultados são mantidos ao longo do tempo.

Também na fobia de pequenos animais, fobia de voar , fobia de dirigir, medo de falar em público , transtorno do pânico e agorafobia .

b) Distúrbios alimentares e imagem corporal

Distúrbios alimentares representam um sério problema de saúde. Tanto a anorexia nervosa quanto a bulimia nervosa implicam um desejo patológico da pessoa de ser magra.

Além da Anorexia Nerviosa e da Bulimia Nerviosa, também foram desenvolvidos simuladores de alimentos para obesidade e transtorno da compulsão alimentar periódica .

A realidade virtual também trabalhou para distorções na imagem corporal. É muito útil para a distorção de pessoas com distúrbios alimentares.

Diferentes vantagens estão incluídas no uso da Realidade Virtual para esse problema, começando com a facilidade de definir o próprio construto da imagem corporal, difícil de definir e operacionalizar.

Através da realidade virtual, damos à pessoa a possibilidade de projetar sua própria imagem em 3D (ao mesmo tempo em que o psicólogo pode visualizá-la).

A realidade virtual permite observar o corpo em sua totalidade, onde a pessoa o tem cara a cara, além de avaliá-lo por áreas específicas do corpo.

Também no caso da imagem corporal, a Realidade Virtual mostrou sua eficácia em relação aos tratamentos tradicionais de primeira escolha do corte cognitivo-comportamental.

É eficaz porque as pessoas com Distúrbios Alimentares sentem que o computador é um “juiz mais imparcial” e, portanto, aumentam sua adesão terapêutica e sentem maior probabilidade de aceitar alterações na imagem corporal.

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c) Dependências químicas e comportamentais

Alguns pesquisadores também fizeram aplicações através da Realidade Virtual para trabalhar dependências de substâncias como nicotina ou heroína, bem como para o jogo patológico.

Por exemplo, no jogo patológico, o paciente acessa cenários com situações relacionadas, como cassinos, para que eles possam aprender a controlar o impulso.

d) Psicologia da Saúde

Outras aplicações da realidade virtual se concentram no campo da psicologia da saúde, como a dor associada a alguns procedimentos médicos, como a queimação.

e) Distúrbios relacionados ao estresse

O uso da Realidade Virtual também foi usado para o Transtorno de Estresse Pós-Traumático para produzir eventos traumáticos para a pessoa, como combatentes de guerra ou ataques terroristas de 11 de setembro, com resultados mostrando que poderia ser útil para a redução de sintomas. .

Também para distúrbios adaptativos ou sofrimento patológico pode ser útil. Nos dois casos, são pessoas com situações complicadas da vida que não foram capazes de resolver.

f) Alguns distúrbios da infância

Por exemplo, alguns mundos virtuais foram projetados para o Transtorno do Espectro do Autismo e também para avaliar e tratar o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) .

g) Distúrbios sexuais

Por exemplo, alguns pesquisadores relataram o desenvolvimento da realidade virtual a partir da corrente psicanalítica para tratar a disfunção erétil e a ejaculação precoce e relatam bons resultados com a manutenção das realizações em 6 meses.

Vantagens da realidade virtual

A realidade virtual oferece algumas vantagens sobre outras técnicas, como mencionamos na seção anterior, a exposição in vivo:

1. Muitas pessoas preferem a realidade virtual a se expor antes da exposição in vivo, o que lhes permitirá agir com pacientes que não aderem à terapia para esse tipo de inconveniência.

2. Da mesma forma, a Realidade Virtual permite repetir quantas vezes forem necessárias a tarefa a ser executada sem modificar nenhum de seus parâmetros, uma vez que são artificialmente controlados.

3. Você pode formar mais situações. É permitido graduar o objeto de maneira muito precisa, levando em consideração as diferenças individuais dos pacientes e projetar tudo à sua medida.

4. Para fazer uma exposição, não é necessário acessar outros espaços e isso pode ser feito na clínica ou no local em que a psicoterapia está sendo realizada (por exemplo, no caso de fobia voadora, não seria necessário entrar em um avião).

5. Favorece aspectos éticos, pois não sair da consulta garante seu direito à privacidade.

6. Promove a motivação para a adesão terapêutica em muitos casos, como nos distúrbios alimentares. Nesses casos, os pacientes se sentem mais seguros em ambientes virtuais e sua motivação para psicoterapia aumenta.

7. Pode ser usado em problemas que não poderiam ser tratados de outra maneira (por exemplo, no caso de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, em que você não pode voltar à situação).

8. Além de perguntar à pessoa o que acontece, podemos obter informações visualizando na primeira pessoa o que acontece quando a pessoa está no momento problemático.

9. Controle da situação, uma vez que o terapeuta sempre sabe o que acontece, os elementos que o paciente enfrenta, o que o perturba …

10. Permite que a pessoa se sinta competente. Dá muita informação sobre eficácia pessoal. É tão flexível que permite criar diferentes cenários onde você pode desenvolver suas próprias expectativas.

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11. Permite que você execute um determinado comportamento sem esperar que ele ocorra na vida real (por exemplo, falar em audiência).

12. Permite criar situações que vão além da realidade para facilitar o aprendizado.

Além disso, várias investigações demonstraram que os tratamentos de realidade virtual são mais eficazes que os controles e que são tão eficazes quanto o tratamento de primeira escolha, ou seja, a exposição in vivo.

A realidade virtual tem desvantagens?

A realidade virtual também tem algumas desvantagens, como:

1. O custo econômico, uma vez que o psicoterapeuta precisa ter tecnologia e diferentes ambientes virtuais para lidar com os diferentes problemas, o que dificulta seu uso na prática clínica. Está trabalhando para que no futuro seu custo seja mais baixo e adequado para mais público.

2. Ainda alguns mundos virtuais são rudimentares.

3. Pode ter alguns efeitos colaterais, como desorientação, tontura, náusea. Estes são efeitos leves que desaparecem rapidamente. Além disso, a pessoa pode tomar precauções como as tomadas em tonturas ao viajar.

4. Ainda devemos investigar mais e acumular mais dados sobre eficácia, além de pesquisas sobre muitas outras questões.

5. Os psicólogos não estão familiarizados com essa técnica; portanto, se aplicados, devem ser treinados para isso.

Conclusão

As novas tecnologias da informação e comunicação são propostas como ferramentas úteis e eficazes para resolver problemas psicológicos.

Eles mal começaram a se desenvolver recentemente e são incorporados como os primeiros passos no desenvolvimento de tratamentos futuros.

Todos os avanços que ocorrem em torno da realidade virtual resultarão na melhoria da saúde dos pacientes e em uma atenção mais completa.

A realidade virtual vem crescendo aos trancos e barrancos e, embora ainda não seja possível para todos acessá-la, dados seus custos econômicos, à medida que progride em seu desenvolvimento, seus custos também diminuirão e estarão disponíveis para todos os públicos.

O que é verdade é que, na psicologia, evoluiu significativamente e provou sua utilidade em inúmeras investigações.

E você, você acha que a realidade virtual pode ser útil no tratamento de problemas psicológicos?

Referências

  1. Baños, R., Botella, C. e Perpiñá, C. (1998). Psicopatologia e realidade virtual. Jornal de Psicopatologia e Psicologia Clínica, 3 (3), 161-177.
  2. Botella, C., Baños, R., García-Palacios, A., Quero, S., Guillén, V. Y Marco, H. (2007). O uso de novas tecnologias da informação e comunicação na psicologia clínica. Revista sobre a sociedade do conhecimento, 4, 32-41.
  3. Botella, C., García-Palacios, A., Baños, R. e Quero, S. (2007). Realidade virtual e tratamentos psicológicos. Cadernos de Medicina Psicossomática e Psiquiatria, 82, 17-31.
  4. Gutiérrez Maldonado, J. (2002). Aplicações da realidade virtual em psicologia clínica. Sala de aula de medicina psiquiátrica, 4 (2). 92-126.
  5. López Hernández-Ardieta, M. (2010). Uso da realidade virtual na prática psicológica. Boletim de Pesquisa Eletrônica da Associação de Psicologia Oaxaca AC, 6, (2), 161-163.
  6. Naranjo Omedo, V. Realidade virtual a serviço do bem-estar social. Universidade politécnica de Valência.
  7. Pérez Martínez, FJ (2011). Presente e futuro da tecnologia de realidade virtual. Criatividade e sociedade, XVI, 16, 1-39.
  8. Quero, S., Botella, C., Guillén, V., Moles, M., Nebot, S., García-Palacios, A. e Baños, R. (2012). Artigo Monográfico: Realidade virtual para o tratamento de transtornos emocionais: uma revisão. Anuário de Psicologia Clínica e da Saúde, 8, 7-21.

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