Rodolfo Usigli: biografia, estilo e obras

Rodolfo Usigli (1905-1979) foi escritor, dramaturgo, poeta e diplomata mexicano. Seu trabalho foi focado no desenvolvimento de teatro moderno e de vanguarda. Ele é considerado um dos pioneiros na inovação das artes cênicas de seu país.

A produção teatral de Usigli foi caracterizada por mostrar a realidade social de sua terra natal. O escritor, dos diferentes cargos públicos que ocupou, foi responsável por difundir a cultura, além de promover as diferentes peças apresentadas em seu tempo.

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Rodolfo Usigli (à esquerda), recebendo reconhecimento por seus 50 anos de trabalho. liFuente: CDMX do governo [CC0], via Wikimedia Commons

Algumas das peças mais conhecidas de Rodolfo Usigli foram: O gesticulador, A família janta em casa e a Corona de fuego. Por outro lado, embora sua produção narrativa não tenha sido ampla, com a vida criminosa de Archibaldo de la Cruz, ele conseguiu revolucionar a literatura hispânica.

Biografia

Nascimento e família

Rodolfo nasceu em 17 de novembro de 1905 na Cidade do México. O poeta veio de uma família de imigrantes europeus de classe média. Seus pais eram Pablo Usigli, italiano, e Carlota Wainer, austro-húngaro. Usigli teve três irmãos: Ana, Aida e Alberto; Seu pai morreu quando eles eram apenas crianças.

Estudos Usigli

Rodolfo Usigli foi educado em instituições na Cidade do México. Ele sempre expressou sua atração pelas artes e pela literatura e, por um tempo, estudou no Conservatório Nacional de Música. Lá estava até que, finalmente, ele decidiu pelo teatro e foi estudá-lo na Universidade de Yale.

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Conservatório Nacional de Música do México, um dos locais de estudo de Usigli. Fonte: AB [CC BY-SA 3.0], via Wikimedia Commons

De volta ao México

Depois de concluir estudos superiores em Yale, Estados Unidos, Usigli retornou ao México, carregado de idéias novas e renovadoras. Assim que pisou em solo asteca, dedicou-se à criação do Midnight Theatre. Ele também se relacionou com os intelectuais de Los Contemporáneos, mas não fazia parte do grupo.

O trabalho de reconhecimento

Nos anos trinta, Usigli desenvolveu várias peças, como O Apóstolo, a Criança e a Névoa e O Gesticulador. S o entanto, foi com a abertura da terceira peça, em 1937, que alcançou o reconhecimento. Isso se deve ao tema que ele abordou em relação à política e despotismo daqueles que tinham o poder.

Teatro da realidade social

Rodolfo Usigli baseou sua produção teatral no conteúdo de interesse social. Suas obras eram uma espécie de crítica, com elementos satíricos e irônicos das circunstâncias políticas e sociais de seu país natal, o México. Graças à arte que ele criou, ele conseguiu conscientizar e identificar os cidadãos que seguiram seu trabalho.

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Escudo da Universidade de Yale, local de estudos de Usigli. Fonte: Universidade de Yale [Domínio público], via Wikimedia Commons

A dramaturgia

O interesse persistente de Usigli pelo teatro o levou a desenvolver um tratado sobre dramaturgia. Em 1940, ele publicou sua peça Itinerário do autor dramático; nele ele deixou as bases a seguir para escrever sobre as artes do espetáculo.

Com a publicação do Itinerário do autor dramático, Usigli se tornou o primeiro autor latino-americano a indicar um caminho para a criação de peças e tudo o que elas envolvem.

Afinidade com Contemporâneos

O escritor mexicano não era um membro ativo do grupo de jovens intelectuais Los Contemporáneos. No entanto, ele tinha afinidade com suas atividades e com muitos de seus membros. E, embora sua poesia não fosse abundante, era semelhante à dos poetas que a formaram.

No pequeno trabalho poético de Usigli, havia muita qualidade, habilidade e criatividade. Sua poesia tinha um caráter pessoal; Foi em busca do que gerou interesse, como a velhice. Mas foi no teatro que ele fortaleceu seu profissionalismo, e seu reconhecimento internacional foi dado graças à sua encenação.

Diplomata de Usigli

Rodolfo Usigli era um homem ligado à política e ao serviço externo do México, conseguindo realizar algum trabalho diplomático. No início dos anos quarenta, ele serviu em Paris como delegado dos Assuntos Culturais da Embaixada do México.

Mais tarde, em meados dos anos cinquenta, ele deixou seu país por mais de seis anos, entre 1956 e 1963, para servir como embaixador no Líbano. Então, de 1963 a 1970, ele foi um representante do México na Noruega. Ele fez tudo isso sem abandonar sua obra literária e teatral.

Últimos anos e morte

Depois de ter realizado suas diferentes missões diplomáticas, Rodolfo Usigli retornou ao México no início dos anos setenta. Naquela época, ele desenvolveu qual seria sua última peça, que ele batizou de reunião. O escritor morreu em 18 de junho de 1979, na Cidade do México, aos 73 anos de idade.

Prêmios e reconhecimentos

– Prêmio América em 1970.

– Prêmio Nacional de Ciências e Artes em 1972.

Estilo

O estilo literário de Usigli, em termos de teatro, foi caracterizado pela exposição de temas relacionados ao contexto histórico mexicano. Ao mesmo tempo, ele trouxe questões sociais e políticas para as mesas. Seu teatro era sobre a realidade, sendo crítica, ironia e precisão da linguagem, elementos-chave.

Quanto à sua poesia, ele refletiu sua capacidade de lirismo através de uma expressão precisa, criativa e às vezes sensível, alinhada com certos desejos pessoais. Sua prosa, tão curta quanto sua poesia, era real, crua, sinistra e distorcida, como pode ser visto em A vida criminal de Archibaldo de la Cruz.

Trabalhos

Teatro

O apóstolo (1931).

– O garoto e o nevoeiro (1936).

– O gesticulador (1937).

– Sonho do dia (1942).

– A família janta em casa (1942).

– Coroa das sombras (1943).

Jano é uma menina (1952).

– Coroa de fogo (1960).

– Coroa de luz (1963).

– O caso Flores (1968).

– O encontro (1971).

Breve descrição de algumas de suas peças

O gesticulador (1937)

Foi um dos trabalhos mais importantes e reconhecidos de Rodolfo Usigli, embora também tenha sido controverso e controverso, devido a seu argumento. Embora o autor tenha escrito em 1937, foi apresentado pela primeira vez publicamente em 1947 e depois foi censurado.

A peça em três atos foi uma crítica e, ao mesmo tempo, uma zombaria da política do México. Usigli usou um suposto combatente da Revolução Mexicana de 1910 para expor crimes burocráticos, abuso de poder e a maneira ineficiente, em sua opinião, de dirigir para o país.

Fragmento

“César: – Você está cansado, Miguel?

Miguel: –O calor é insuportável.

César: – É o calor do norte, que, de fato, eu precisava do México. Você verá o quão bem você mora aqui.

Julia: (descendo) – duvido.

César: Sim, você não gostou de vir à cidade.

Julia: – Ninguém gosta de ir ao deserto quando tem vinte anos.

César: Vinte e cinco anos atrás, era pior, e eu nasci aqui e morava aqui. Agora temos a estrada a um passo de distância.

Julia: Sim, eu posso ver os carros enquanto as vacas assistem os trens passarem. Vai ser divertido.

… Elena está chegando.

Julia: – Mas por que foi necessário? Eu posso te dizer pai. Porque você não poderia ganhar dinheiro no México.

Miguel: –Você pensa demais em dinheiro.

Julia: –Em troca de pouco dinheiro pensa em mim. É como o amor quando nada mais do que um de nós quer.

César: – O que você sabe sobre o amor?

Julia: – Demais. Eu sei que eles não me amam. Mas neste deserto eu posso até ficar bonita.

Coroa das Sombras (1943)

Este trabalho é o primeiro da trilogia de Usigli, também é composto pela Coroa de Fogo e pela Coroa de Luz. Neles, o escritor expôs a situação histórica do México, através do estabelecimento do Império de Maximiliano e Carlota. Além disso, trouxe à tona os conflitos que surgiram nacional e internacionalmente.

O drama da peça enfocou a loucura da imperatriz após a perda do marido. Embora existam elementos históricos, nem todas as ações estão sujeitas a eles. A criatividade e a imaginação prevalecem e, portanto, o anti-histórico, como afirmou o autor na época.

Intencionalidade

A principal intenção de Rodolfo Usigli, com a realização desse tipo de trabalho, era aumentar a conscientização social. Ou seja, torne o público capaz de se interessar pela história e discuta-a para entender o presente. A peça estreou no Teatro Arbeu, na Cidade do México, em 1947.

Coroa de Luz (1963)

Com este trabalho, Rodolfo Usigli culminou na trilogia das “coroas”. A peça também era do tipo “anti-histórico”. Isto é dito porque, através da imaginação do dramaturgo, foi exposto um evento histórico que não coincidia necessariamente com o real.

O trabalho foi desenvolvido dentro do gênero de comédia e tratou da fé do povo em relação à Virgem de Guadalupe. O autor montou a peça na época da colonização espanhola e refletiu com ela a influência que a aparência mariana havia exercido sobre o povo mexicano.

Novel

– A vida criminosa de Archibaldo de la Cruz (1955).

Breve descrição da vida criminal de Archibaldo de la Cruz (1955)

Este trabalho foi talvez a única peça narrativa destacada de Usigli. Porém, bastava deixar clara sua capacidade de criar um enredo fantástico, bem elaborado, onde o implausível e incomum transportam o leitor para um mundo cheio de perversidade e fatalidade.

O romance contou a história de um criminoso que deu título ao trabalho, cujas atrocidades estão em constante contato com o fim da vida. Como a história, a linguagem usada pelo autor pode ser grosseira e densa. Foi adaptado ao cinema pelo espanhol Luís Buñuel, com o nome de Ensayo de una Crime.

Outras publicações

– México no teatro (1932).

– Anatomia do teatro.

– Itinerário de um autor dramático (1940).

Teatro completo

– Volume I (1963).

– Volume II (1966).

– Volume III (1979).

Poesia

– conversa desesperada.

Referências

  1. Rodolfo Usigli (2018). Espanha: Wikipedia. Recuperado de: es.wikipedia.org.
  2. Tamaro, E. (2004-2019). Rodolfo Usigli (N / a): Biografias e Vidas. Recuperado de: biografiasyvidas.com.
  3. Coroa de luz (S. f.). México: Enciclopédia da Literatura no México. Recuperado de: elem.mx.
  4. Coroa da sombra. (S. f.). México: Enciclopédia da Literatura no México. Recuperado de: elem.mx.
  5. Álvarez, D. e Martínez, D. (2018). Rodolfo Usigli México: Enciclopédia da Literatura no México. Recuperado de: elem.mx.

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