Trilobitas: características, habitat, reprodução, alimentação

Os trilobitas eram um grupo de artrópodes originários da era paleozóica, sendo muito abundantes durante o período ordoviciano. Embora estejam extintos, constituem um dos grupos de animais mais conhecidos da pré-história.

A razão é a quantidade abundante de fósseis coletados, que permitiram estabelecer suas características morfológicas e até fisiológicas com mais detalhes do que outros fósseis de seu tempo.

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Representação de um trilobita. Fonte: Trilobite_tracks_at_World_Museum_Liverpool.JPG: Trabalho repetitivo de Rept0n1: JMCC1 [CC BY-SA 3.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)]

Os trilobitas cobriram aproximadamente 4.000 espécies, distribuídas em cerca de 11 ordens.

Taxonomia

A classificação taxonômica dos trilobitas é a seguinte:

– Domínio: Eukarya.

– Reino: Animalia.

– Borda: Arthropoda.

– Subfilo: Trilobitomorpha.

– Classe: Trilobita.

Caracteristicas

Os trilobitas eram animais que pertenciam ao grupo de artrópodes, portanto eram animais complexos. Isso implica que eles eram eucarióticos e multicelulares, pois seus tecidos eram constituídos por células especializadas em diversas funções, seja nutrição, reprodução ou respiração, entre outras.

Como todos os artrópodes, pode-se dizer que os trilobitas eram tripoblásticos, apresentando em seu desenvolvimento embrionário as três camadas germinativas: ectoderma, mesoderma e endoderma. Deles todos os tecidos do animal se originaram.

Em relação aos alimentos, os trilobitas eram heterotróficos, com grande variedade de preferências alimentares. Além disso, eram ovíparos de desenvolvimento direto, pois, para atingirem a maturidade total, precisavam passar por um processo de muda no qual o exoesqueleto era renovado.

Com relação à morfologia dos espécimes de trilobita, pode-se dizer que eles apresentaram dimorfismo sexual, sendo o macho o pigídio mais curto e as fêmeas a área mais estreita ao nível do tórax.

Morfologia

O corpo dos trilobitas era oval e achatado dorsoventralmente. Como todos os membros da borda de Arthropoda, seu corpo foi dividido em três tagmas: cefalon, tórax e pigídio.

Da mesma forma, no nível da superfície, os trilobitas possuíam três lóbulos, delimitados por dois sulcos. O nome desses lobos dependerá do segmento do corpo em que ocorre.

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Esquematização do corpo de um trilobita. (1) Cephalon. (2) Peito. (3) Pigídio. Fonte: Vetor Ch1902, raster Sam Gon III [Domínio público]

É assim que os lobos laterais eram conhecidos como pleura no tronco e géis no cefalon, enquanto o lobo central era chamado de raquis no tronco e glabela no cefalon.

– Cefalão

Correspondeu à cabeça. Isto foi constituído pela fusão de vários metâmeros ou segmentos. Ele não apresentou evidência externa de metamerização.

– Parte traseira

O cefalon foi dividido em três lobos longitudinais: a glabel, com posição central, e os géis, com posição lateral. Por sua vez, as genas foram divididas em duas partes: um móvel (lateral) chamado librigena e um fixo (medial) conhecido como fixigena.

Da mesma forma, o cefalon possuía algumas suturas transversais que constituíam os locais pelos quais o cefalon se separava no momento da muda (ecdisis) do animal. Essas suturas podem ser de quatro tipos: metaparias, opistoparias, proparias e gonatoparias.

Outro elemento característico do cefalon é que eles apresentavam um tipo de extensões, conhecidas como espinhos cefálicos. Em número variável, acredita-se que estes foram destinados a ajudar a proteger o animal.

No nível do cefalon, especificamente na borda externa do fixigena, os órgãos da visão estavam localizados. Os trilobitas tinham olhos muito bem desenvolvidos e eram do tipo composto.

Os fósseis coletados nos permitiram estabelecer que os olhos dos trilobitas eram compostos de duas lentes, uma rígida, que não podia modificar sua forma para focalizar as imagens, e outra um pouco mais flexível do que se permitisse.

– Porção ventral

A parte ventral do cefalon do trilobita tinha uma estrutura chamada hypostoma. Cobriu a área onde a boca está localizada. Sua função ainda não foi totalmente estabelecida, no entanto, muitos especialistas estão orientados para a tese de que o hypostoma cumpria funções como aparato oral.

Continuando na área ventral, várias antenas também foram encontradas aqui, caracterizadas por serem multiarticulares, de grande comprimento e união. Atualmente, estima-se que essas antenas tenham função sensorial, como ocorre com esse tipo de apêndice em muitos grupos de artrópodes.

– Peito

Era a parte do corpo que tinha o maior comprimento. Como o cefalon, tinha três lobos: um central (raquis) e dois laterais (pleura).

Foi constituído por um número variável de segmentos ou metâmeros, dependendo da espécie. Existem alguns que podem ter até 2 metros, até outros que podem ter até 40 segmentos.

Em cada metâmero, um par de pernas se originou em ambos os lados do animal. Note-se que a união entre um metâmero e outro não era rígida, mas flexível, o que permitia ao animal se enrolar como um mecanismo de defesa contra possíveis predadores.

Finalmente, a raquis, em sua porção dorsal, era coberta por uma espécie de camada composta por alguns minerais, o que parece lhe dar uma consistência robusta. Enquanto em sua zona ventral, também tinha uma camada, mas faltava minerais, por isso era mais flexível.

– Pigidium

Era a parte terminal do corpo dos trilobitas. Foi conformado pela união de vários metâmeros que, aparentemente, formavam uma única peça. Seguindo o mesmo padrão do abdômen, um par de pernas se originou em cada segmento.

A forma do pigidium variou de acordo com cada espécie, de modo que é útil no reconhecimento e classificação de fósseis encontrados. Nesse sentido, os tipos conhecidos de pigídio são 4.

– Isopigium: tinha o mesmo comprimento do cefalon.

– Micropigio: seu tamanho era muito menor em relação à área cefálica.

– Macropigio: era muito maior que o cefalon.

– Subisopigium: ligeiramente menor que a parte cefálica. No entanto, a diferença não é tão óbvia.

– Anatomia interna

Em relação à anatomia interna dos trilobitas, existem apenas conjecturas baseadas nos fósseis coletados, as quais, na maioria dos casos, não são completas.

Sistema respiratório

Acredita-se que, como os trilobitas eram exclusivamente animais aquáticos, seu sistema respiratório deveria ser baseado em brânquias, como a dos peixes.

O principal órgão da respiração trilobita estava localizado na base dos apêndices articulados (pernas), sendo conhecido como episódio. Funcionou sob o mesmo mecanismo das brânquias atuais, filtrando o oxigênio da água.

Sistema digestivo

Atualmente, os especialistas concordam que o sistema digestivo dos trilobitas era bastante simples. Era constituído por um trato digestivo rudimentar, ao qual algumas glândulas digestivas estavam ligadas. Espera-se que essas glândulas sintetizem enzimas para processar os alimentos.

Da mesma forma, novas evidências fósseis permitiram estabelecer que havia espécies de trilobitas que, em seu sistema digestivo, possuíam uma espécie de cultura, algumas com glândulas digestivas ligadas e outras sem elas.

Sistema nervoso

Faltam dados de suporte para estabelecer de maneira confiável como o sistema nervoso dos trilobitas foi constituído. No entanto, especialistas sugerem que isso pode ser modelado da mesma maneira que a dos insetos. Ou seja, pelos gânglios nervosos interconectados através das fibras nervosas.

Sistema reprodutivo

Os fósseis coletados que mantêm suas gônadas em boas condições são muito escassos. Portanto, foi suficiente estabelecer, sem dúvida, como foi formado o sistema reprodutivo dos trilobitas.

No entanto, recentemente alguns pesquisadores de Nova York conseguiram encontrar alguns fósseis nos quais a parte genital estava bem preservada. De acordo com isso, os órgãos genitais dos trilobitas estavam localizados na parte posterior da área cefálica. Precisamos coletar mais fósseis para determinar se esse é um padrão regular.

Origem evolutiva

Como se sabe, os trilobitas são uma classe extinta; portanto, tudo o que se sabe sobre eles vem de fósseis que foram coletados. Levando isso em consideração, os fósseis mais antigos encontrados neste grupo de animais datam da era paleozóica, especificamente do período cambriano.

Em vista disso, esse período é então estabelecido como o ponto de origem dessa classe de animais extintos.

Os ancestrais dos trilobitas ainda estão em discussão. No entanto, na fauna de Ediacara, foram encontrados organismos que poderiam muito bem ser predecessores dos trilobitas. Muitos dos especialistas que se dedicaram a estudá-los concordam com esse ponto.

Sabe-se que no final do Cambriano houve uma extinção em massa que terminou com uma grande porcentagem de seres vivos. Entre os trilobitas, aqueles que conseguiram sobreviver foram os que estavam no fundo do mar.

Aqueles que sobreviveram a espécies diversificadas e novas se desenvolveram a partir daí. Durante os diferentes períodos da era paleozóica, eles continuaram a se desenvolver, alcançando seu maior esplendor durante o Ordoviciano.

Habitat

Os trilobitas eram organismos puramente aquáticos, de modo que seu habitat natural era o fundo dos mares, especialmente nas águas pelágicas. No entanto, como eles diversificaram, eles também começaram a conquistar outros espaços dentro dos ecossistemas marinhos.

Da mesma forma, os especialistas consideram que esses animais permaneceram na maior parte do tempo enterrados na areia do fundo do mar, pois não possuíam apêndices que lhes permitiam nadar. Eles também podiam se mover, embora em um ritmo lento com a ajuda de suas pernas pequenas.

Graças aos diferentes registros fósseis, foi estabelecido que, à medida que evoluíram e até a extinção, os trilobitas também estavam localizados em águas um pouco mais superficiais e até costeiras. Isso é o que permitiu obter o maior número de fósseis, que forneceram informações valiosas.

Reprodução

Registros fósseis nos permitiram inferir que os trilobitas têm o mesmo tipo de reprodução que os artrópodes atuais. É por isso que se pode dizer que eles se reproduziram sexualmente, o que implica a fusão de gametas sexuais masculinos e femininos.

Nesse sentido, ocorreu um processo de fertilização, que não é muito claro se foi interno ou externo. Uma vez que a fertilização ocorreu, a fêmea produziu os ovos, que, acredita-se, foram incubados em uma espécie de saco de incubadora localizado no cefalon do trilobita.

No entanto, de acordo com as evidências coletadas, os trilobitas apresentaram vários estágios larvais: prostase, meraspis e holaspis.

– Prostase: apresentavam uma forma bastante rudimentar e simples, além de um tamanho muito pequeno. Eles também manifestaram um esqueleto mineralizado.

– Meraspis: era um estágio de transição em que o trilobita passou por uma série de mudanças, pelas quais cresceu, passou por muda e passou a desenvolver sua segmentação adulta.

– Holaspis: nesta fase o último segmento foi desenvolvido. Além disso, ocorreram outras modificações secundárias relacionadas ao desenvolvimento de certas ornamentações. Eles também aumentaram de tamanho.

Alimento

Os trilobitas apresentaram várias formas de alimentação. Estes foram determinados pela morfologia do animal. Nesse sentido, eles podem ser: carnívoros, filtros, suspensívoros ou planctívoros.

A maioria das espécies conhecidas é carnívora, sendo geralmente grandes. Acredita-se que eles permaneceram enterrados na areia à espreita de possíveis presas. Para alimentar, eles os capturaram com seus apêndices e, usando coxas (muito fortes), processaram e depois os introduziram na cavidade oral.

No caso dos filtros, sua morfologia era ideal para reter os alimentos presentes nos cursos d’água. Estes tinham uma grande cavidade que estava localizada ao nível do cefalon. Essas cavidades tinham uma série de orifícios, que permitiam reter as possíveis partículas de alimento a serem usadas pelo animal.

Os suspensívoros tinham uma dieta baseada principalmente em algas ou detritos. Finalmente, os especialistas consideram que os trilobitas que eram planctívoros fizeram migrações e se moveram para a superfície através da coluna de água em busca de alimento.

Extinção

Os trilobitas experimentaram uma série de extinções durante o período em que existiram no planeta. No final do Cambriano, houve uma mudança nas condições ambientais, marcada por uma diminuição nos níveis de oxigênio e nas temperaturas dos oceanos.

Isso resultou em uma redução notável nos trilobitas. A isto também é adicionado o aumento de animais predadores de trilobitas, especialmente cefalópodes nautiloides.

Posteriormente, no período devoniano, ocorre um evento de extinção em massa, que causou o desaparecimento de muitas das ordens que compunham a classe trilobita.

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Fóssil de trilobitas. Fonte: Pixabay.com

Os poucos que conseguiram sobreviver permaneceram, tentando diversificar até o final do Devoniano e o início do Carbonífero, ocorreu outro processo de extinção que terminou com outra grande quantidade de trilobitas que conseguiram sobreviver à extinção do Devoniano.

Finalmente, os poucos trilobitas restantes foram completamente extintos durante a chamada Crise Limite Triássica do Permiano, em conjunto com muitas outras espécies animais. Isso possivelmente ocorreu devido à súbita e repentina modificação das condições ambientais, tanto nos mares quanto nos ecossistemas terrestres.

Referências

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  2. Fortey, R. (2000) Trilobite: Testemunha ocular da evolução. Livros antigos.
  3. Hickman, CP, Roberts, LS, Larson, A., Ober, WC e Garrison, C. (2001). Princípios integrados de zoologia (Vol. 15). McGraw-Hill
  4. Hughes, N. (2007). A evolução do padrão corporal dos trilobitas. Revisão Anual da Terra e das Ciências Planetárias 35 (1). 401-434
  5. Liñán, E. (1996). Os Trilobitas Boletim da Sociedade Entomológica de Aragonese. 16. 45-56
  6. Rábano, I., Gozalo, R. e García, D. (2002). Avanços na pesquisa de trilobitas. Instituto Geológico e Mineiro de Espanha.
  7. Waisfeld, B. e Vaccari, N. (2003) Trilobites. Capítulo de livro: fósseis ordoviccianos da Argentina. Universidade Nacional de Córdova.

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