Acolia: causas, fisiopatologia e tratamento

O acolia é a falta de coloração das fezes devido à falta de pigmentos biliares na sua estrutura. O equivalente em inglês, acholia , refere-se mais à ausência de secreção biliar do que à descoloração fecal, mas eles afirmam que uma das consequências da acolia é a expulsão de fezes pálidas ou brancas.

Sua etimologia é muito simples: o prefixo “a-” significa “sem” ou “falta”, e o restante da palavra, colia , refere-se à bílis e não à cor, como se pode acreditar em sua semelhança em escrito e falado. Seria literalmente traduzido como “sem bílis” ou “sem bílis”.

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Existem várias causas de acólia, todas relacionadas à falta ou diminuição da produção e liberação de bile no duodeno. A principal causa é a obstrução dos ductos biliares, basicamente o ducto biliar. O tratamento dependerá da causa, podendo ser cirúrgico ou médico.

Causas

Colestase

É o bloqueio ou cessação do fluxo biliar, que impede que a bile atinja o intestino delgado, especificamente o duodeno.

Além da acolia, a colestase ocorre com colúria, icterícia e prurido intenso. Essa condição é dividida em dois grandes grupos, dependendo do nível de obstrução ou da origem do problema:

Colestase intra-hepática

Nesse tipo de colestase, os danos que a causa ocorre diretamente no fígado ou nos ductos biliares obstruídos ainda estão dentro do parênquima hepático. Existem patologias que causam colestase intra-hepática aguda ou crônica, entre as quais:

Afiado

– Hepatite viral.

– Hepatite tóxica.

– Colestase benigna pós-operatória.

Abscessos no fígado.

Crônica em pediatria

– Atresia biliar.

Doença de Caroli.

Doença de Byler.

– Displasia arterio-hepática.

– Deficiência de alfa-1-antitripsina.

Crônica em adultos

– Colangite esclerosante.

– cirrose biliar.

– Colangiocarcinoma.

– Hepatite autoimune.

– Sarcoidose

Amiloidose.

Outros

– Insuficiência cardíaca.

– Colestase da gravidez.

Doença de Hodgkin.

– Colestase benigna recorrente.

Colestase extra-hepática

Nesse caso, não há dano direto no fígado, mas uma obstrução exógena dos ductos biliares por diferentes causas, incluindo as seguintes:

– Cálculos biliares (coledocolitíase).

– Tumores na cabeça do pâncreas.

– Câncer do ducto biliar.

– Colangite

– Pancreatite

– Cistos de colédoco.

– Ascaridíase biliar.

Drogas

A hepatotoxicidade induzida por medicamentos é responsável por até 40% dos casos de insuficiência hepática causada por medicamentos e entre suas conseqüências está o comprometimento do fluxo biliar e da acólia.

Existem muitos medicamentos capazes de induzir danos no fígado; portanto, apenas os mais importantes são mencionados por grupo:

Antibióticos

– Cefalosporinas.

Macrólidos.

Quinolonas.

Penicilinas.

Psicotrópico

– clorpromazina.

– Haloperidol.

– Barbitúricos.

Sertralina.

Anti-inflamatório

– Diclofenaco.

– ibuprofeno.

Meloxicam.

Celecoxib.

Anti-hipertensivos

Captopril.

– Irbesartan.

– Metildopa.

Agentes cardiovasculares

– Diuréticos

– Clopidrogrel.

– Varfarina.

Agentes hipoglicêmicos

Glimepirida.

Metformina.

Outros

– Esteróides

– Estatinas.

Ranitidina.

Ciclofosfamida.

– Nutrição parenteral.

Fisiopatologia

A bile, comumente conhecida como bílis, é produzida pelo fígado e armazenada na vesícula biliar. Essa substância não apenas cumpre tarefas digestivas, ajudando na emulsão de ácidos graxos, mas também colabora com o transporte e o descarte de determinados resíduos.

Esta última tarefa é importante quando se trata de degradação da hemoglobina. Os elementos finais quando a hemoglobina é separada são a globina e o grupo “heme”, que é finalmente transformado em bilirrubina e ferro após ser submetido a uma série de processos bioquímicos no fígado.

Bilirrubina

A bilirrubina é inicialmente encontrada fora do fígado em sua forma não conjugada ou indireta. Transportado pela albumina, atinge o fígado, onde se liga ao ácido glucurônico, conjugando-se e acumulando-se na vesícula biliar. Lá ele se une a outros elementos, como colesterol, lecitina, sais biliares e água, para formar a bile.

Bile

Uma vez que a bile é formada e armazenada, certos estímulos específicos são esperados para liberação. Esses estímulos geralmente são a ingestão de alimentos e a passagem deles pelo trato digestivo. Nesse momento, a bile sai da vesícula biliar e vai para o duodeno, através dos ductos biliares e do ducto biliar.

Uma vez no intestino, uma certa porcentagem da bilirrubina que compõe a bílis é transformada pela flora intestinal em urobilinogênio e estercobilinogênio, compostos incolores e solúveis em água que seguem diferentes vias. O estercobilinogênio é oxidado e se torna estercobilina, o que dá o tom marrom ou laranja às fezes.

Todo esse processo pode ser alterado quando a produção de bile é insuficiente ou quando sua liberação é parcial ou totalmente limitada por uma obstrução do ducto biliar.

Tamborete

Se a bile não atingir o duodeno, a bilirrubina não é transportada para o intestino delgado e a ação das bactérias intestinais não é possível.

Devido a isso, não há produção de estercobilinogênio e menos do produto de sua oxidação, a estercobilina. Na ausência do elemento que mancha as fezes, estas são expelidas sem cor ou pálidas.

Os autores dão cores diferentes ao banco. Alguns os descrevem como pálido, argila, massa, claro, giz ou simplesmente branco.

O significado de tudo isso é que as fezes sempre estarão relacionadas a um distúrbio na produção ou transporte da bile, sendo um sinal clínico muito norteador para o médico.

Tratamento

Para eliminar a acolia, a causa dela deve ser tratada. Entre as alternativas terapêuticas estão as médicas e cirúrgicas.

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Tratamento cirúrgico

Os cálculos coledocianos são frequentemente resolvidos através de endoscopias digestivas inferiores, mas os que se acumulam na vesícula biliar requerem cirurgia.

A operação mais frequente é a colecistectomia ou remoção da vesícula biliar. Alguns tumores podem ser operados para restaurar o fluxo biliar, bem como estenose e cistos locais.

Tratamento médico

As causas infecciosas de colestase, agudas ou crônicas, devem ser tratadas com antimicrobianos. Os abscessos hepáticos e biliares são geralmente causados ​​por múltiplos germes, como bactérias e parasitas, de modo que antibióticos e anti-helmínticos podem ser úteis. Penicilinas, nitazoxanida, albendazol e metronidazol são de escolha.

As patologias autoimunes e de depósito são geralmente tratadas com esteróides e imunomoduladores. Muitas doenças cancerígenas que causam colestase e acólia devem ser tratadas inicialmente com quimioterapia e depois considerar possíveis alternativas cirúrgicas.

Referências

  1. Rodés Teixidor, Joan (2007). Icterícia e colestase.Sintomas gastrointestinais frequentes, capítulo 10, 183-194.
  2. Borges Pinto, Raquel; Reis Schneider, Ana Claudia e Reverbel da Silveira, Themis (2015). Cirrose em crianças e adolescentes: uma visão geral.Wolrd Journal of hepatology, 7 (3): 392-405.
  3. Bellomo-Brandão MA et al. (2010). Diagnóstico diferencial de colestase neonatal: parâmetros clínicos e laboratoriais.Jornal de Pediatria, 86 (1): 40-44.
  4. Morales, Laura; Velez, Natalia e Germán Muñoz, Octavio (2016). Hepatotoxicidade: padrão colestático induzido por drogas.Revista Colombiana de Gastroenterologia, 31 (1): 36-47.
  5. Wikipedia (2017). Acolia Recuperado de: en.wikipedia.org

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