As 8 principais correntes psicológicas e seus autores

As 8 principais correntes psicológicas e seus autores

As correntes psicológicas  estudam o comportamento do ser humano sob diferentes perspectivas, com diferentes teorias e idéias. Por exemplo, o behaviorismo dá mais importância ao comportamento, enquanto o cognitivismo enfatiza os pensamentos. No entanto, não existem apenas esses dois.

As correntes da psicologia foram desenvolvidas ao longo da história. Como disse Hermann Ebbinghaus, um dos pensadores mais importantes no campo do estudo do comportamento humano, “a psicologia tem um passado longo, mas uma história curta”. Com estas palavras, Ebbinghaus captura a essência do desenvolvimento neste campo.

Todas as escolas de psicologia têm influenciado à sua maneira; no entanto, a maioria dos psicólogos mantém visões ecléticas que combinam aspectos de cada uma das correntes. A seguir, descreveremos as principais escolas que foram as mais influentes na história da psicologia.

Principais correntes psicológicas

– Estruturalismo

As idéias de Wilhelm Wundt, psicólogo alemão que abriu o primeiro laboratório de psicologia experimental em 1879, lançaram as bases para a primeira escola de pensamento em psicologia, conhecida como estruturalismo .

Na verdade, foi um dos alunos de Wundt, Titchener, que estabeleceu formalmente esta escola. O estruturalismo, como o nome sugere, focou-se em investigar a estrutura da mente.

Wundt acreditava que a psicologia deveria se concentrar em dividir a consciência em seus elementos básicos, da mesma maneira que uma criança quebra um brinquedo para revelar suas partes componentes.

A idéia de determinar a estrutura específica de algo tão abstrato e dinâmico quanto a mente pode parecer absurda para muitos hoje. No entanto, os estruturalistas estavam confiantes de que não apenas poderiam alcançar esse objetivo, mas também poderiam fazê-lo cientificamente.

Wundt avançou com a técnica de introspecção como uma ferramenta “científica” que permitiria aos pesquisadores revelar a estrutura da mente. A introspecção envolve olhar para dentro: analisando e tentando entender nossas próprias experiências internas à medida que elas ocorrem.

Usando essa técnica, os sujeitos treinados foram apresentados com várias formas de estímulos e solicitados a descrever da maneira mais clara e “objetiva” possível o que estavam experimentando na época.

Os relatórios foram examinados posteriormente para determinar os elementos básicos da consciência. Por exemplo, se você receber um pedaço de bolo, não seria suficiente simplesmente identificar o tipo de alimento à sua frente. Também seria necessário explicar os elementos básicos do bolo que são identificáveis ​​através dos sentidos.

Por exemplo, o sabor, cheiro, textura, cor e forma do bolo podem ser descritos com o máximo de detalhes possível.

O estruturalismo teve um papel muito importante na formação do campo da psicologia durante os anos em que foi desenvolvido. Wundt e seus seguidores ajudaram a estabelecer a psicologia como uma ciência experimental independente, e sua ênfase no método científico de pesquisa continua sendo um aspecto essencial da disciplina atualmente.

No entanto, os estruturalistas não puderam escapar das críticas a suas teorias. Apesar de suas nobres tentativas de pesquisa científica, a introspecção não era ideal para esse propósito, pois duas pessoas não percebiam a mesma coisa exatamente da mesma maneira. Os relatos dos sujeitos, dessa maneira, tendiam a ser subjetivos e conflitantes.

Algumas das críticas mais agressivas ao estruturalismo vieram de William James, um dos psicólogos que propôs a perspectiva funcionalista da psicologia.

– Funcionalismo

Do ponto de vista do acadêmico americano William James, os estruturalistas estavam profundamente enganados. A mente é flexível, não estável; a consciência é contínua, não estática. As tentativas de estudar a estrutura da mente dessa maneira são inúteis e frustrantes.

Segundo William James, estudar a função era mais útil do que estudar a estrutura da mente. Função, nesse sentido, pode significar duas coisas: como a mente funciona ou como os processos mentais promovem a adaptação.

Claramente influenciado por Charles Darwin e pelo princípio da seleção natural, James acreditava que os processos mentais tinham funções vitais que nos permitiam adaptar e sobreviver em um mundo em mudança.

Portanto, enquanto os estruturalistas perguntavam “o que acontece” quando desenvolvemos atividades mentais, os funcionalistas questionavam mais a maneira pela qual esses processos ocorrem e por quê.

O funcionalismo contribuiu muito para o desenvolvimento da psicologia. Ele estendeu o assunto da psicologia e a variedade de métodos usados ​​para obter dados. Por exemplo, a ênfase colocada pelos funcionalistas na adaptação os levou a promover o estudo da aprendizagem, pois acredita-se que ela melhora nossa adaptabilidade e chances de sobrevivência.

O interesse deles pela razão da ocorrência de alguns processos mentais também os levou a realizar uma extensa pesquisa sobre motivação. Os funcionalistas também são responsáveis ​​por trazer estudos sobre animais, crianças e comportamentos anormais na psicologia, além de enfatizar as diferenças individuais.

Além disso, enquanto os estruturalistas estabeleceram a psicologia como uma ciência pura, os funcionalistas expandiram esse foco limitado, concentrando-se também nas aplicações práticas da psicologia em problemas do mundo real.

Quanto aos métodos de pesquisa, os funcionalistas ampliaram o repertório existente, utilizando testes, questionários e medidas fisiológicas, além da introspecção.

No entanto, os funcionalistas também tiveram suas deficiências. Como os estruturalistas, eles se apoiaram demais na técnica de introspecção, com todas as desvantagens mencionadas anteriormente, e foram criticados por fornecer uma definição vaga do termo “função”.

Nem o estruturalismo nem o funcionalismo permaneceram na vanguarda da psicologia por um longo tempo. Ambos fizeram contribuições significativas à psicologia, mas negligenciaram uma influência muito importante no pensamento e no comportamento humano: o inconsciente. Foi aqui que Sigmund Freud fez sua grande estréia.

– Psicanálise

Ao mencionar a palavra psicologia, quase todo mundo vem à mente Sigmund Freud. Como os estruturalistas e funcionalistas antes dele, Freud estava interessado em estudar comportamento secreto, mas, ao contrário de seus antecessores, Freud não estava satisfeito apenas em examinar o pensamento consciente e começou a estudar também o inconsciente.

Freud comparou a psique humana a um iceberg: apenas uma pequena parte é visível para os outros; a maioria está abaixo da superfície. Freud também acreditava que muitos dos fatores que influenciam nossos pensamentos e ações estão fora da consciência e operam inteiramente em nosso inconsciente.

A psicologia, portanto, precisava estudar esses motivos e impulsos inconscientes para chegar a uma compreensão mais completa do indivíduo.

Nem todos os psicólogos modernos apóiam a teoria psicanalítica de Freud, mas ninguém pode negar o impacto que esse homem teve na psicologia.

Abriu novas fronteiras nessa área e propôs uma das mais completas teorias de personalidade já escritas, com explicações sobre como a mente inconsciente funciona e como a personalidade se desenvolve nos primeiros anos de vida.

Muitos teóricos posteriores foram influenciados direta ou indiretamente por Freud, quando construíram, modificaram ou reagiram às suas visões às vezes controversas. O trabalho de Freud levou ao desenvolvimento da primeira forma de psicoterapia, que foi modificada e usada por inúmeros terapeutas ao longo da história da psicologia.

Tudo isso, usando a analogia de Freud, é apenas a “ponta do iceberg” em termos da importância de suas contribuições.

Nenhuma outra escola de psicologia recebeu tanta atenção, admiração e crítica quanto a teoria psicanalítica de Freud. Uma das críticas mais populares questiona o fato de as teorias de Freud carecerem de suporte empírico, pois seus conceitos não puderam ser cientificamente comprovados.

Freud também não forneceu informações sobre como as experiências pós-infância contribuem para o desenvolvimento da personalidade. Além disso, concentrou-se principalmente em distúrbios psicológicos, em vez de comportamentos mais positivos e adaptativos.

– Behaviorismo

Apesar de suas diferenças, estruturalismo, funcionalismo e psicanálise tinham em comum a ênfase nos processos mentais: eventos que não podem ser percebidos a olho nu.

John B. Watson, o pai do behaviorismo, se opôs fortemente a essa abordagem e iniciou uma revolução na psicologia. Watson era um defensor do escrutínio científico, mas para ele comportamentos secretos, incluindo processos mentais, não podiam ser estudados cientificamente.

A ênfase, dessa perspectiva, deve ser focada apenas no comportamento observável. Os behavioristas acreditavam que o comportamento humano poderia ser entendido examinando a relação entre estímulos (eventos que ocorrem no ambiente) e respostas (comportamentos observáveis).

Os behavioristas não viram necessidade de usar técnicas subjetivas, como a introspecção, para inferir processos mentais. O que antes fora o estudo da mente se tornara o estudo do comportamento observável.

BF Skinner, outro famoso behaviorista, apoiou a visão de Watson, promovendo a idéia de que o comportamento humano poderia ser explicado por reforços e punições (fatores observáveis ​​do ambiente ao nosso redor), sem sequer considerar os processos mentais internos.

Outros behavioristas posteriores adotaram um ponto de vista mais equilibrado, aceitando o estudo de comportamentos ocultos e observáveis. Esses behavioristas são conhecidos como behavioristas cognitivos.

A necessidade de Watson por maior objetividade ajudou a psicologia a se tornar uma ciência e não um ramo da filosofia. Muitas das teorias de aprendizado usadas pelos psicólogos hoje nasceram da escola comportamental do pensamento e são freqüentemente usadas na modificação do comportamento e no tratamento de alguns transtornos mentais.

No entanto, o estrito ponto de vista comportamental de Watson não era superior à ênfase que estruturalistas e funcionalistas colocavam na vida mental. Certamente, “muitos aspectos da experiência humana (pensamento, motivação intrínseca, criatividade) estão fora da estrita definição comportamental do que é a psicologia” (Walters, 2002, p.29).

Esses aspectos também devem ser estudados para entender a mente do indivíduo de uma maneira mais completa. Esse foi um dos principais argumentos de outra das escolas emergentes de pensamento, conhecida como psicologia da Gestalt.

– Psicologia da Gestalt

A palavra “Gestalt” significa “forma, padrão ou tudo”. Os psicólogos da Gestalt acreditavam que a psicologia deveria estudar a experiência humana como um todo, não em termos de elementos separados, como os estruturalistas pretendiam.

Seu slogan, “o todo é mais do que a soma das partes”, transmitia a idéia de que o significado geralmente se perde quando os eventos psicológicos são separados; Somente quando essas peças são analisadas juntas e todo o padrão é visível é que podemos encontrar um verdadeiro significado em nossas experiências.

Por exemplo, imagine separar as palavras que você está lendo em letras e colocá-las na página como quiser. Você não seria capaz de discernir nada com significado. Somente quando as letras são combinadas adequadamente para formar palavras e estão estruturadas em frases, é possível extrair significado delas. O “todo” então se torna algo diferente, algo maior que a soma de suas partes.

Psicólogos da Gestalt, como Max Wertheimer, investigaram extensivamente vários aspectos da cognição, incluindo percepção, resolução de problemas e pensamento.

Além disso, sua insistência em estudar indivíduos e experiências como um todo ainda é preservada na psicologia atual. Seu trabalho também levou ao surgimento de uma forma de psicoterapia amplamente praticada pelos psicólogos modernos.

– Psicologia humanista

Com o surgimento das escolas de pensamento mencionadas anteriormente, a psicologia gradualmente tomou forma. No entanto, nem todos estavam satisfeitos com o andamento das coisas.

Entre essas pessoas estavam psicólogos humanistas, como Carl Rogers, que não estavam confortáveis ​​com a visão determinista que as duas principais forças da psicologia tinham: psicanálise e behaviorismo.

Determinismo é a ideia de que nossas ações são controladas por forças que estão além do nosso controle. Para os psicanalistas, essas forças são inconscientes; Para behavioristas, eles existem no ambiente ao nosso redor.

Psicólogos humanistas, como Abraham Maslow, vêem os seres humanos como agentes livres capazes de controlar suas próprias vidas, tomar suas próprias decisões, estabelecer metas e trabalhar para alcançá-las. O humanismo mantém uma visão positiva da natureza humana, enfatizando que os seres humanos são inerentemente bons.

Uma forma única de terapia também emergiu dessa escola de pensamento, com ênfase em ajudar as pessoas a alcançar seu pleno potencial. Essa é uma grande diferença da psicanálise, que se concentrava apenas na redução de comportamentos desadaptativos.

– Cognitivismo

Também chamada psicologia cognitiva, é a corrente que estuda processos mentais internos, como atenção, memória , percepção, uso da linguagem, pensamento, resolução de problemas ou criatividade. 

Albert Ellis é considerado o pai desta disciplina desenvolvida para fornecer ferramentas que ajudam o indivíduo a se recuperar de lesões cerebrais e melhorar sua memória ou possíveis distúrbios de aprendizagem.

– Psicologia sistêmica

Há controvérsia sobre se é uma corrente psicológica ou melhor, uma técnica, uma vez que sua base deriva da teoria geral dos sistemas, cibernética e comunicação e não de sua própria teoria.

De qualquer forma, é uma disciplina com fins terapêuticos que visa melhorar distúrbios e doenças decorrentes de sua interação com o contexto social e de sua relação com ele.

Deixe um comentário

Este site usa cookies para lhe proporcionar a melhor experiência de usuário. política de cookies, clique no link para obter mais informações.

ACEPTAR
Aviso de cookies