Contratransferência (psicanálise): o papel da terapia

A contratransferência é uma situação em que um terapeuta, durante o curso de um processo clínico, desenvolver algum tipo de sentimentos positivos ou negativos para com o seu paciente. Essas emoções podem ser um reflexo do inconsciente do psicólogo, que foi removido durante a terapia e direcionado ao cliente.

A contratransferência é a situação oposta à transferência, na qual a pessoa que desenvolve sentimentos inapropriados é quem recebe a terapia. Devido a esse fenômeno, o terapeuta pode começar a se sentir desconfortável com o paciente, com a maneira como o processo está ocorrendo ou com ele mesmo.

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Do mesmo modo que a transferência , esse fenômeno é bastante comum, especialmente em ramos da psicologia, como a psicanálise. Se a situação se tornar muito complicada, o terapeuta deve ser capaz de interromper o processo e redirecionar o paciente para outro profissional.

Contratransferência em terapia

A visão de Freud

A psicanálise foi projetada precisamente com a idéia de que o fenômeno da transferência ocorreu. A lógica de Freud era que, se o paciente sentisse emoções positivas poderosas em relação a seu psicólogo, ele seria mais aberto a ele e o processo terapêutico ocorreria com mais eficácia.

Dessa maneira, Freud incentivou os psicanalistas a serem ambíguos e a não revelar seus sentimentos. Assim, os pacientes projetariam suas crenças sobre eles e assumiriam modos de ser, modos de comportamento e sentimentos concretos que realmente não precisavam estar lá.

Assim, a ideia de Freud era que o paciente sentisse novamente como na presença de seus pais ou de outras figuras de autoridade que influenciaram sua infância.

Este buscou o objetivo de analisar as relações produzidas com eles, do que para a psicanálise com uma chave para o desenvolvimento da personalidade e o bem-estar psicológico.

No entanto, Freud sabia que a transferência era um fenômeno universal e, portanto, também poderia ocorrer na direção oposta.

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Ele não escreveu muito sobre o assunto, mas achou que a contratransferência poderia interferir no desenvolvimento correto da terapia, e que um psicanalista que a sofresse também deveria receber ajuda psicológica.

Visão moderna

Desde a década de 1950, os terapeutas que usam a abordagem psicanalítica ou psicodinâmica têm uma visão mais positiva da contratransferência.

Hoje, o desenvolvimento dessas emoções não é considerado um impedimento para o desenvolvimento do processo, pelo menos não em todos os casos ou inevitavelmente.

Pelo contrário, a contratransferência pode ser usada para fornecer informações importantes ao terapeuta em relação ao processo. Essas emoções podem informar o psicólogo sobre o tipo de interações sociais que o paciente forma e sobre os processos inconscientes que ele cria em outras pessoas.

Por exemplo, se um terapeuta se sente irritado com o paciente sem saber o porquê, ele pode acabar descobrindo alguns comportamentos sutis que o levam a afastar involuntariamente outras pessoas de sua vida.

Origem dos sentimentos

Quando um terapeuta percebe que um processo de contratransferência está ocorrendo, é necessário considerar de onde vêm seus sentimentos.

Em alguns casos, por exemplo, eles podem ser causados ​​pelo paciente. Nesse caso, a situação pode ser muito útil para o psicólogo.

Em outras ocasiões, porém, emoções (negativas e positivas) podem ser causadas por alguma característica irrelevante do paciente, por experiências anteriores com outros clientes ou por fatores que nada têm a ver com a terapia.

Assim, um terapeuta pode sentir emoções de afeto por um paciente por várias razões. Talvez essa pessoa seja realmente amigável e desperte esses sentimentos em todo o mundo.

Mas, em outras ocasiões, é porque ele se parece com o filho do psicólogo, ou que ele está em um estado vulnerável devido a seus problemas pessoais.

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Como distinguir a origem

Devido à dificuldade de distinguir a origem de seus próprios sentimentos, os terapeutas que geralmente seguem uma abordagem psicanalítica ou psicodinâmica devem ir à terapia. Dessa forma, eles serão mais capazes de se conhecer e entender o que está acontecendo com eles.

Outra ferramenta possível para descobrir de onde vem a contratransferência é que o terapeuta se faça uma série de perguntas para refletir sobre seus sentimentos.

Por exemplo, essa emoção sendo sentida apareceu muitas vezes e com pacientes diferentes? Isso tem a ver com alguma característica óbvia do cliente atual? É uma reação estranha no terapeuta, que normalmente não é típico dele?

Se um terapeuta se examinar dessa maneira, será mais fácil do que se ocorrer a contratransferência, ela se tornará uma aliada do processo, em vez de impedir que ela seja realizada da maneira correta.

Como agir contra a contratransferência

Psicanalistas e psicólogos dinâmicos devem estar muito atentos às suas próprias emoções para evitar interferir no processo terapêutico.

Diferentemente de outros ramos da psicologia, nos quais as opiniões do profissional não influenciam o resultado, essas duas abordagens podem fazer a diferença entre sucesso ou fracasso.

Portanto, a primeira coisa que um bom terapeuta deve fazer a esse respeito é estar ciente de seus próprios sentimentos. Isso pode ser alcançado indo à terapia ou trabalhando consigo mesmo e examinando o que acontece lá dentro.

Mais tarde, você poderá deixar suas emoções de lado e agir profissionalmente. Isso geralmente é muito complicado, uma vez que a terapia psicanalítica é por sua natureza muito profissional. No entanto, com treinamento suficiente, é possível alcançá-lo.

Finalmente, se o terapeuta descobrir que suas emoções são intensas demais e estão interferindo na recuperação do paciente, ele deve ser honesto e terminar o relacionamento profissional.

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Nesses casos, a coisa mais normal é que você encaminhe o cliente a outro psicólogo que pode continuar o processo sem problemas.

Referências

  1. “Contratransferência, uma visão geral” em: Psychology Today. Retirado em: 15 de junho de 2018 de Psychology Today: psychologytoday.com.
  2. “Contratransferência” em: Good Therapy. Retirado em: 15 de junho de 2018 de Good Therapy: goodtherapy.org.
  3. “Contratransferência em psicanálise e psicoterapia” em: Psychology Today. Retirado em: 15 de junho de 2018 de Psychology Today: psychologytoday.com.
  4. “Contratransferência em terapia” em: Harley Therapy. Retirado em: 15 de junho de 2018 da Harley Therapy: harleytherapy.co.uk.
  5. “Contratransferência” em: Wikipedia. Retirado em: 15 de junho de 2018 da Wikipedia: en.wikipedia.org.

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