Filosofia moderna: características, etapas e representantes

A filosofia moderna é a corrente de pensamento representou uma mudança na noção de que a religião era para o centro da vida dos indivíduos. Ou seja, o homem se interessou mais por questões humanísticas e naturais, o que implicava o deslocamento das idéias e crenças que a Igreja havia imposto.

Nesse sentido, essa manifestação afirmava que os seres eram sujeitos racionais com a capacidade de desenvolver seus conhecimentos e estabelecer suas próprias opiniões sobre a realidade que os cercava.

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Thomas Hobbes foi um dos representantes da filosofia moderna. Fonte: John Michael Wright [Domínio público]

Esse era um aspecto de grande relevância, pois anteriormente se considerava que a verdade era possuída apenas pelos reis e pela instituição eclesiástica, que tinham um relacionamento direto com Deus.

Uma das perguntas que gerou uma certa rejeição da ideologia que dominava a época foi por que Deus se comunicaria apenas com reis ou sacerdotes e não com todos os homens igualmente.

Da mesma forma, essa pergunta representou o motivo pelo qual surgiu a idéia de que o raciocínio até então não tinha base científica, motivo pelo qual procuramos realizar uma análise a partir do zero.

No entanto, nesse período a existência de Deus não foi questionada, apenas o papel da Igreja e do Estado (governado por uma monarquia) para beneficiar através de sua imagem foi repudiado. A relevância da filosofia moderna era proclamar o homem como uma entidade capaz de renovar o mundo através de sua visão subjetiva.

História

A filosofia (termo que deriva do grego e significa “amor à sabedoria”) pode ser conceituada como uma doutrina que visa estudar a busca de uma possível veracidade dos eventos e idéias que giram em torno do indivíduo.

Dessa maneira, a filosofia moderna é identificada pela diversidade de argumentos que surgem de uma única verdade.

No entanto, o pensamento moderno não foi implantado de um momento para outro, mas através de vários movimentos que se desenvolveram ao longo da história.

Entre esses movimentos estavam os escolásticos, que tiveram seu pico entre os séculos XI e XV; e as primeiras manifestações renascentistas, localizadas por volta dos séculos XV e XVI.

A influência do escolasticismo – especificamente de duas de suas disciplinas: nominalismo e voluntarismo – foi essencial para entender a ligação entre fé e razão; por outro lado, com as expressões renascentistas, foi criada uma nova maneira de orientar a reflexão e o julgamento do homem. Daí as primeiras expressões da filosofia moderna.

Essas manifestações foram caracterizadas porque os seres não mais justificaram suas idéias para convencer, mas para mostrar a relação causal entre ações e decisões. Portanto, era necessário retirar os pensamentos dos preconceitos transmitidos pelo conhecimento medieval.

Antecedentes

A partir do século XV, o continente europeu refletiu um novo estilo de vida impulsionado pelo desejo de liberdade. Uma liberdade que não tinha propósito material senão mental, pois se buscava conhecimento e verdade; É por isso que surgiu uma pluralidade de abordagens. Esse fato gerou a ruptura da unidade que prevaleceu na Idade Média.

Essa ruptura foi realizada principalmente devido à separação entre dogma e razão, porque as hipóteses que focavam apenas a fé foram rejeitadas por não terem base lógica ou evidência física. Isso não teria acontecido se o método da universidade não tivesse sido alterado.

O objetivo dessa mudança era que o raciocínio fosse sistematizado, ou dito de outra maneira, que cada argumento fosse registrado em um ensaio ou tratado, que constituísse o valor científico das idéias.

Ao mesmo tempo, essa técnica de estudo fez com que o somatório teológico (1265) de São Tomás de Aquino não fosse revisto como o texto que continha todas as respostas às perguntas dos aprendizes.

Por outro lado, não apenas o clero ensinava as matérias, pois desde o século XVII professores que eram políticos, diplomatas e até leigos ingressaram nas universidades. Tal transformação no campo estrutural foi associada à descoberta científica e aos movimentos protestantes.

Crise religiosa

A instituição eclesiástica estava em conflito desde o cisma de 1378. Mesmo assim, conseguiu preservar a unidade, até que, no decorrer do século XVI, surgiu na Alemanha uma ideologia restauradora chamada reforma protestante.

Esse movimento, inaugurado por Martin Luther (1483-1546), pretendia transmitir que a salvação da alma era possível se o ser se afastasse do espírito mercantilista e dos organismos centralizados. A aspiração desse frade católico-agostiniano era mostrar ao homem que sua suposta autoconfiança era apenas uma ilusão.

Para Lutero, os seres eram mínimos na presença de uma entidade superior. Para provar isso, ele traduziu a Bíblia, para que ela fosse acessível e que todos os cidadãos pudessem interpretá-la seguindo suas consciências.

Portanto, o arbítrio dos indivíduos era limitado pela vontade de Deus, uma vez que a bondade divina superava as forças humanas.

Como Lutero, João Calvino (1509-1564) afirmou que a salvação foi conquistada pela fé e não por atos. No entanto, para Calvino, a liberdade de consciência não existia porque o homem já estava predestinado: seu futuro já estava escrito além de sua escolha.

Desse modo, pode-se ver que ambas as doutrinas foram fundamentais para o desenvolvimento do pensamento moderno, porque de certa maneira proclamavam o livre conhecimento do indivíduo.

Renascença (séculos XIV-XIX)

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Florença no Renascimento

O pensamento moderno não foi forjado apenas através de mudanças religiosas, mas também através da organização do estado, desde que os primeiros estados foram formados; estes projetavam uma estreita união social, política e econômica. Da mesma forma, na França, Espanha e Alemanha, as nacionalidades foram configuradas.

Essas nacionalidades foram identificadas com o absolutismo total, razão pela qual o tempo depois iniciou as lutas para conquistar a liberdade. Tais lutas foram uma fonte para o desenvolvimento de abordagens filosóficas que, no final, levaram ao crescimento de ideais revolucionários.

Nesse momento, o comércio também aumentou. Os comerciantes ganharam mais influência e poder porque transportaram mercadorias que não eram encontradas em alguns países: havia pequenas regiões que tinham mais recursos do que as nações antigas. Por esse motivo, a descoberta da América teve um papel primordial.

Outro fato elementar foi a invenção da imprensa de Johannes Gutenberg (1400-1468), que permitiu a disseminação da cultura e do progresso intelectual das elites universitárias. Todas as manifestações acima mencionadas desempenharam um papel radical porque foram participantes e instrumentos para a evolução da filosofia moderna.

Caracteristicas

A filosofia moderna foi caracterizada porque seus representantes orientaram suas idéias e estudos em três áreas: natureza física (ou o mundo), Deus e homem; Estes não eram entendidos como objetos reais, mas como imagens da razão.

A figura do homem recebeu um caráter preponderante, que causou o deslocamento de uma crença teocêntrica medieval para um antropocêntrico nascente. Ou seja, o indivíduo se concebeu como criador e guia da realidade, mesmo antes do reflexo de Deus a quem cabia apenas transmitir a verdade.

A razão foi a primeira dessa corrente de reflexão, pois foi exposta como um elemento que continha toda certeza. Assim, durante a modernidade, o pensamento racional adquiriu uma dinâmica reflexiva na qual não era tão necessário conhecer os fatos, mas conhecer a si mesmo.

Destacou-se o vínculo entre indivíduo e natureza, que se tornou uma contemplação silenciosa para um domínio ativo. Nesse sentido, o mundo foi o meio utilizado para originar uma ciência experimental.

Outra visão

A filosofia moderna também foi determinada desfocando o objeto da contemplação: a natureza não era mais sinônimo de beleza e perfeição, era apreciada apenas como o meio em que o homem agia.

Da mesma forma, essa disciplina alimentou a crença de que deveria haver apenas uma ciência que englobasse todos os campos do conhecimento humano, razão pela qual um método foi constituído.

Este último não precisava funcionar como uma maneira de alcançar o conhecimento, mas como uma ferramenta que decifraria a chave para revelar a estrutura do pensamento e da realidade.

Finalmente, o ideal desse movimento filosófico era construir-se como a única ciência que se concentrava na razão e nos sentidos, distanciando-se da autoridade e da tradição.

Etapas da filosofia moderna

A história da filosofia moderna está intimamente relacionada à exposição de uma definição diferente de verdade, que foi especificada como certeza. Este foi o entendimento completo do conteúdo que não deve causar nenhuma dúvida.

Esses termos foram entendidos de várias maneiras nos séculos XVII e XVIII, de acordo com os estágios que moldaram essa corrente. Havia três arestas que cobriam a doutrina filosófica: racionalismo, empirismo e idealismo.

Racionalismo

Sob a designação do racionalismo, surgiu uma teoria epistemológica cujo princípio era o conhecimento.

Essa teoria se referia apenas ao conhecimento que se desenvolvia mentalmente e não através dos sentidos, uma vez que este último era de categoria inferior. Entre seus filósofos, René Descartes se destacou.

Empirismo

Se para o racionalismo as idéias eram fundamentais, para o empirismo a coisa relevante era a experiência – fosse sensível ou factual – para obter o conhecimento verdadeiro.

No empirismo, considerou-se que a certeza era encontrada quando o entendimento se limitava às impressões. Um dos representantes mais destacados foi Thomas Hobbes.

Idealismo

Por outro lado, idealismo era a expressão na qual se manifestava que as idéias eram o princípio do saber e do ser.

Ele também enfrentou o materialismo porque, de acordo com sua teoria, os objetos não poderiam existir se não fossem imaginados por uma mente consciente da sua tangibilidade. Entre seus precursores na modernidade estava Immanuel Kant.

Representantes principais

Alguns dos filósofos modernos mais importantes são:

Racionalismo: René Descartes (França, 1596 – Suécia, 1650)

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4 Invenções de René Descartes

Em uma era de transformações científicas e novas leis físicas, René Descartes optou por duvidar de Deus e da sociedade para recriar a realidade através de seu conhecimento, pois era a única coisa que garantia um verdadeiro entendimento. Daí surgiu sua norma conhecida como dúvida metódica.

Ao criar esse método, o filósofo explicou que só se poderia saber se um pensamento e um pensamento deveriam existir, mas essa existência não era física, mas racional.

A base do racionalismo era um assunto pensante. Portanto, o pensamento de Descartes enfatizava o mundo das idéias, que poderiam ser externas, imaginárias e inatas, mas que buscavam construir conhecimento.

Empirismo: Thomas Hobbes (Inglaterra, 1588-1679)

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Thomas Hobbes foi um dos representantes da filosofia moderna. Fonte: John Michael Wright [Domínio público]

Thomas Hobbes foi grande parte de sua vida cercado por famílias nobres, razão pela qual aprendeu a atuar no tribunal. Além disso, ele desenvolveu uma filosofia sobre idéias políticas através da qual rejeitou a democracia como um sistema ineficaz, uma abordagem que apoiava o absolutismo.

Além do argumento político, Hobbes estabeleceu que havia apenas uma realidade substancial e que era o corpo, uma vez que podia ser visto como um vaso que absorvia o sensível, o experimental, o divisível e o composto. Então, o corpo era o motor do conhecimento.

A importância de seu pensamento era que ele explicou que a maior qualidade do homem era o egoísmo, porque sempre buscava poder e prazer. Da mesma forma, ele estabeleceu um tipo de materialismo quando afirmou que o ontológico era reduzido ao corporal.

Idealismo: Immanuel Kant (Prússia, 1724 – 1804)

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Immanuel Kant, um homem de caráter escrupuloso, tinha o objetivo de forjar uma teoria através da qual explicava o valor da ética, estética e metafísica. Embora ele tenha focado a maioria de seus estudos na ciência, ele fez um tratado no qual tentou expor que todos os elementos do mundo eram complementares.

Em seu julgamento – além de separar a ética do estudo do homem – a idéia era que a natureza do conhecimento seria uma síntese. Ou seja, o fundamento de toda pesquisa foi o sujeito com seu intelecto, lógica e sensibilidade.

Referências

  1. Lamana, EP (2010). História da filosofia moderna: De Descartes a Kant . Recuperado em 12 de abril de 2019 da Academia de História: atmb.mil.ve
  2. Papp, D. (2005). O século da iluminação . Recuperado em 13 de abril de 2019 de Mielli: books.org
  3. Severino, E. (1986). Filosofia moderna . Recuperado em 12 de abril de 2019 da filosofia da Ariel: documents.ariel.es
  4. Toro, M. (2007). História da filosofia moderna . Retirado em 14 de abril de 2019 de History of Philosophy: compilacionesmodernas.com
  5. Villacañas, J. (1988). A falência da razão ilustrada: idealismo e romantismo. Formão Editorial. Espanha

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