História natural da doença: períodos e prevenção

A história natural da doença refere-se ao processo evolutivo que uma patologia sofre sem a intervenção de qualquer médico. Em suma, é o curso da doença desde o início até sua resolução, mas sem intervenção médica.

Quando há uma alteração leve ou séria do funcionamento normal de um organismo ou de qualquer uma de suas partes, diz-se que está na presença de uma doença. Toda doença que se manifesta no ser humano aparece como resultado de um processo dinâmico no qual vários fatores intervieram.

História natural da doença: períodos e prevenção 1

Lição de anatomia do Dr. Nicolaes Tulp de Rembrandt

A sequência de eventos que ocorrem em um corpo, desde quando as primeiras ações ocorrem até a doença se desenvolver e o resultado ocorre, é conhecida como história natural da doença.

A história natural da doença era amplamente observada até um século atrás, quando não havia muito progresso no tratamento de doenças e, portanto, também no diagnóstico.

Agora que, felizmente, a ciência forneceu soluções no campo da medicina, os médicos não podem facilmente observar esse processo.

No entanto, se não houvesse observação completa da história natural da doença no passado, é possível que os cientistas hoje não pudessem ter entendido o curso das doenças.

Portanto, eles não teriam encontrado uma maneira de detectar doenças precocemente para prevenir sequelas.

Períodos da história natural da doença

A história natural da doença é dividida em dois períodos. O período de gênese, mais conhecido como período pré-patogênico e patogênico, também chamado evolução natural da doença.

– Período pré-patogênico

O período pré-patogênico é a fase pré-doença. Nesta fase, a doença ainda não se desenvolveu, o que significa que a pessoa afetada não apresenta sintomas clínicos, nem alterações nos níveis celular, tecidual ou orgânico.

Mas, embora o corpo esteja em equilíbrio, é nesse momento que o ser humano começa a interagir com o ambiente circundante e, portanto, é quando o processo da doença começa.

Nesta fase ocorre o que é conhecido como tríade ecológica. Isso nada mais é do que a interação entre três componentes essenciais para o desenvolvimento da doença. Estes são o host, o agente e o ambiente.

Convidado

O hospedeiro é a pessoa ou ser vivo que permite a subsistência, acomodação e desenvolvimento de um agente infeccioso causador de doença.

Possui características específicas que devem ser estudadas, como idade, sexo, raça, estrutura genética, estado nutricional, nível de imunidade, fatores hereditários, entre outros.

Agente

Por sua vez, o agente é qualquer força, princípio ou substância viva ou inanimada capaz de agir no organismo de maneira prejudicial.

É quem representa a causa imediata ou seguinte de uma doença. Os agentes podem ser classificados de diferentes maneiras. Mas essencialmente eles são divididos em dois grupos: biológicos e não biológicos.

  • Agentes biológicos : os agentes biológicos são bactérias, protozoários, metazoários, vírus, fungos e / ou suas toxinas, entre outros. Eles são caracterizados por serem patogênicos, ou seja, são capazes de produzir doenças.
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Também por serem virulentos, pois apresentam um grau de malignidade ou toxicidade. Eles também têm um poder antigênico, o que significa que eles têm a capacidade de produzir uma resposta imune no hospedeiro.

  • Agentes não biológicos : os agentes não biológicos podem ser divididos em dois principais: químico e físico. Os primeiros envolvem drogas e substâncias tóxicas, como pesticidas. Os segundos envolvem força mecânica, mudanças de temperatura, radiação, eletricidade, ruído e pressão de gases ou líquidos.

Os agentes não biológicos também podem ser nutricionais, relacionados a dietas inadequadas ou deficiências vitamínicas. E eles também podem ser psicológicos, envolvendo estresse, depressão, entre outros.

Meio Ambiente

O terceiro componente da tríade ecológica é o meio ambiente. É o responsável por promover o link entre o host e o agente.

Diferentes fatores estão envolvidos nesse elemento, que envolve um indivíduo. Apenas fatores diretamente relacionados ao ambiente físico não devem ser considerados.

Ao falar sobre o efeito que o ambiente pode ter no curso da doença, há também uma intervenção interpessoal, que inclui as relações de casal e família e grupos próximos de amigos, colegas e até mesmo vizinhos.

Outro fator vinculado ao meio ambiente está relacionado ao nível socioeconômico. Isso inclui as estruturas sociais da comunidade e da nação, bem como o desenvolvimento econômico.

Finalmente, fatores do nível ideológico-cultural devem ser considerados. Nesse caso, a estrutura de crenças e conhecimentos da comunidade ou da sociedade também pode afetar o indivíduo.

– Período patogênico

O período patogênico é aquele que ocorre quando todas as circunstâncias e características do período pré-patogênico coincidem em um hospedeiro.

Nesse caso, o equilíbrio da tríade ecológica é quebrado e é quando o hospedeiro é afetado pela doença. Nesse estágio, as alterações celulares e teciduais começam a ocorrer.

Dependendo do tipo de infecção, essas alterações podem ocorrer rapidamente como resultado da multiplicação de microrganismos, sua virulência e capacidade de produzir toxinas.

No entanto, no caso de doenças mentais e degenerativas crônicas, por exemplo, esse processo pode ser prolongado por meses e até anos até que finalmente ocorram sinais e sintomas da doença.

O período patogênico é dividido em duas etapas. Estes são o período subclínico, também conhecido como período de incubação ou latência e período clínico.

– Período subclínico

É a fase em que um agente causador invade o host. Esse estágio é caracterizado pelo aparecimento de lesões anatômicas ou funcionais, embora sem a presença de sinais ou sintomas da doença.

É então o tempo decorrido entre o momento da estimulação da doença e o momento em que ela se torna evidente.

Nas doenças transmissíveis, essa fase é conhecida como período de incubação e nas doenças crônicas (físicas ou mentais), é conhecido como período de latência.

– período clínico

Essa fase começa com o primeiro sintoma ou sinal da doença. Esse momento é chamado horizonte clínico. Com essa primeira manifestação, surge uma série de sintomas ou sinais, além de complicações e sequelas.

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Quando se fala em complicações, é quando a doença envolve outras condições no corpo que podem ser insuficiência cardíaca, insuficiência renal ou respiratória.

No que diz respeito às sequelas, é o estágio em que as pessoas geralmente apresentam algum tipo de incapacidade ou alteração permanente no organismo.

Como conseqüência da doença, outros elementos que fazem parte desse estágio, como danos, incapacidade, recuperação, cronicidade e morte, também aparecem.

A morte não é necessariamente iminente e, em qualquer uma das fases anteriores, o corpo pode recuperar o equilíbrio, ou seja, a saúde.

Ao longo dessas manifestações, três estágios do período clínico podem ser distinguidos. O primeiro deles é o período prodrômico.

Trata-se da presença de manifestações gerais da doença. Nesse caso, os sintomas e sinais geralmente são confusos, o que dificulta o diagnóstico exato.

A seguir, é o próprio período clínico. Este é o momento em que a doença se manifesta por sintomas de sinais específicos. E, assim, facilita o diagnóstico e o gerenciamento.

Finalmente, o período de resolução é a etapa final. Nesta fase, a doença tem três caminhos: desaparece, torna-se crônica ou o paciente morre. Neste último caso, tanto a morte cerebral quanto a cardíaca devem ocorrer.

Níveis de prevenção

Outros elementos que afetam seu curso evolutivo natural podem estar envolvidos no desenvolvimento da doença. Com a prevenção, é possível interromper a cadeia de eventos que compõem a história natural da doença, que levam à deterioração progressiva da saúde do indivíduo afetado.

As doenças podem ser causadas por múltiplos fatores de risco. Por esse motivo, não é possível controlá-los e muito menos resolvê-los abordando-os a partir de uma determinada disciplina. Portanto, é necessário que sejam colocadas barreiras protetoras, chamadas de níveis de prevenção.

Quando falamos de prevenção, falamos de antecipação para reduzir as chances de uma eventualidade. E se assim for, o progresso disso pode ser resolvido ou evitado.

A prevenção só pode ser feita com base no conhecimento da história natural da doença, pois, neste caso, o objetivo sempre será reduzir a probabilidade de progressão da doença.

Existem três níveis de prevenção: nível primário de prevenção, nível secundário de prevenção e nível terciário de prevenção.

– Nível de prevenção primária

Este primeiro nível de prevenção é aplicado durante o período de gênese da doença. Ou seja, durante o período pré-patogênico.

Nesse caso, o objetivo é tentar eliminar ou reduzir os fatores de risco presentes na comunidade. Esse nível de prevenção busca manter a saúde do indivíduo e promovê-lo através de diferentes ações.

Para prevenir doenças e promover a saúde, medidas econômicas, educacionais e sociais são frequentemente aplicadas. Isso inclui atividades relacionadas à alimentação, educação em higiene, desenvolvimento da personalidade, exames periódicos, saneamento da água, lixo, alimentos, ruídos e tudo o que tem a ver com o meio ambiente.

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Entre as medidas específicas de prevenção aplicadas estão imunizações, proteção contra acidentes, atenção à higiene pessoal, eliminação de focos infecciosos, entre muitas outras coisas.

No entanto, embora todas essas atividades façam parte do chamado nível de prevenção primária, é importante observar que a prevenção e a promoção da saúde não são ações iguais.

Enquanto a prevenção visa impedir que a doença deteriore o estado de saúde do indivíduo, a promoção é responsável por facilitar a manutenção da condição de uma pessoa, aumentando sua saúde e bem-estar.

– Nível secundário de prevenção

Esse tipo de prevenção é aquele aplicado quando a prevenção primária falha e, portanto, o indivíduo doente. Este nível inclui medidas que são aplicadas no período latente da doença.

Nesse nível de prevenção, o objetivo é fazer um diagnóstico precoce que possa dar origem ao tratamento oportuno subsequente.

Quando a prevenção secundária é aplicada, é porque não é mais possível aplicar ações que impedem o aparecimento de doenças. Essa barreira se concentra em fazer um diagnóstico precoce, de preferência antes que ocorram manifestações clínicas.

Também se concentra na cura do paciente antes que danos irreversíveis possam ocorrer. Ou mesmo na prevenção de complicações e sequelas, entre outras coisas.

Nesse nível de prevenção, também são realizadas ações terapêuticas para reduzir as consequências de uma doença. Essas ações podem ser físicas, cirúrgicas, dietéticas, medicinais ou psicoterapêuticas.

Uma vez que uma doença se manifesta, um bom diagnóstico, que também é oportuno e acompanhado de tratamento adequado, são as melhores medidas preventivas que podem ser aplicadas para impedir que a doença progrida.

– Nível de prevenção terciária

Este é o nível de prevenção que é aplicado quando não é mais possível aplicar os dois níveis anteriores. Essas são medidas que são aplicadas durante o período de expressão da doença.

Ou seja, em sua fase sintomática. Nesse caso, é realizado um tratamento agudo e de reabilitação. Você pode se concentrar em um processo de reabilitação que inclua elementos físicos, socioeconômicos e psicológicos.

O objetivo é tentar recuperar o indivíduo doente, na medida do possível, levando em consideração as habilidades que permanecem.

Entre as medidas que podem ser aplicadas nesse nível de prevenção estão a recuperação máxima da funcionalidade, a mudança psicossocial do paciente, a terapia ocupacional, a utilização máxima de habilidades, a educação de familiares, grupos escolares e até empresas para divulgar suporte para deficientes, entre outras coisas.

Referências

  1. Urquijo, L. (sem data). História natural da doença.
  2. Donis, X. (sem data). Compilação e ilustração para fins didáticos. História natural da doença. Universidade de San Carlos da Guatemala. Recuperado de saludpublica1.files.wordpress.com.
  3. Morales, A. (sem data). História natural da doença e níveis de prevenção. Recuperado de academia.edu.

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