Igreja Presbiteriana: história, características e crenças

A Igreja Presbiteriana ou Presbiteriana é um dos ramos que emergiram da Reforma Protestante iniciada por Lutero no século XVI. Especificamente, o presbiterianismo foi a corrente que se estabeleceu na Grã-Bretanha depois que um discípulo de John Calvin, John Knox, retornou à Escócia depois de um tempo em Genebra.

O conceito de presbiterianismo vem da maneira como esta Igreja organiza seu governo: em vez de fazê-lo hierarquicamente, essa igreja é governada por assembléias de presbíteros. No aspecto doutrinário e teológico, os presbiterianos acreditam que o ser humano será salvo por sua fé e não por suas obras.

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John Knox – Fonte: William Holl [Domínio público]

Outros aspectos doutrinários são a crença de que todos os ensinamentos estão incluídos na Bíblia, ele se recusou a adorar imagens e a necessidade de manter dois sacramentos: o batismo e a eucaristia.

O presbiterianismo estendeu-se da Grã-Bretanha aos Estados Unidos, onde alcançou uma implantação importante. De lá, diferentes missionários viajaram para a América Latina.

Juntamente com a chegada dos imigrantes europeus, o trabalho de proselitismo desses missionários fez com que a Igreja Presbiteriana tivesse uma grande implantação em países como México, Guatemala ou Brasil.

Origem e História

Em 31 de outubro de 1517, Martin Luther pregou um documento no qual apresentou 95 teses no início da Catedral de Wittenberg na Alemanha. Com esse gesto de protesto contra o que ele considerava atitudes impróprias da Igreja Católica, Lutero iniciou a Reforma Protestante.

As idéias reformistas de Lutero se espalharam rapidamente pela Europa. Um dos lugares onde ele encontrou a maior situação foi na Suíça. Lá, Juan Calvino se tornou uma das figuras mais importantes do protestantismo, a ponto de nomear uma de suas correntes: o calvinismo.

Calvin

O centro do desenvolvimento do calvinismo foi Genebra. A partir dessa cidade, a reforma proposta por Calvin se espalhou por todo o resto da Suíça. Depois disso, continuou a se expandir no sul da Alemanha, França, Holanda e Escócia. Os seguidores de Calvino foram chamados reformados.

John knox

A situação política na Escócia durante a primeira metade do século XVI estava intimamente ligada à religião. Diante de boa parte do país, a regente que governava em nome de María Estuardo, ainda criança, mantinha suas crenças católicas. Além disso, ele deu ordens para prender todos os luteranos.

Essa ordem levou à revolta o setor da nobreza que havia se convertido ao protestantismo. Alguns acabaram se refugiando no castelo de San Andrés. Entre eles estava John Knox, um notário que começou a pregar contra o papado e o sacramento da missa.

As tropas enviadas pelo regente conseguiram tomar o castelo e Knox foi capturado. Depois de um tempo como prisioneiro na França, ele foi libertado e pôde retornar à Grã-Bretanha, onde trabalhou como capelão do novo rei.

O Discípulo de Calvino

No entanto, o trono mudou de mãos novamente. Maria Tudor, a nova monarca, era católica e Knox teve que se exilar. Durante sua estada no continente, ele passou um tempo em Genebra, uma cidade na qual ele se tornou discípulo de Calvino. Foi nessa fase que ele tomou conhecimento da teologia reformada.

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Ao retornar à Escócia, Knox se tornou o instigador da Reforma na Escócia. Muitos nobres se juntaram ao seu movimento, que acabou levando a uma verdadeira revolução.

Além das consequências políticas, o trabalho de Knox fez com que, na Escócia, ele deixasse de obedecer ao papa. Junto com isso, ele escreveu uma liturgia semelhante ao que havia aprendido em Genebra, eliminou os feriados (exceto domingo) e suprimiu a cruz. Assim, a Igreja Presbiteriana nasceu.

Cismas

A Igreja Presbiteriana sofreu vários cismas durante o século XIX. Como resultado, surgiram novas organizações, como a Igreja Livre da Escócia, a Igreja Livre Unida da Escócia ou o Presbiteriano da Escócia.

Por outro lado, o presbiterianismo se estendeu à Irlanda, onde os migrantes o levaram às colônias americanas.

Extensão

Como observado, os irlandeses e escoceses trouxeram o presbiterianismo para os Estados Unidos, onde encontrou ampla aceitação. Além disso, missionários encarregados de espalhar sua doutrina por todo o mundo saíram de toda a Grã-Bretanha.

Como resultado, hoje igrejas deste tipo podem ser encontradas na Ásia, América Latina e África.

Características e doutrina

O conceito de presbiterianismo vem da maneira como algumas igrejas são organizadas. Aqueles que adotam esse termo são governados por assembléias representativas formadas por anciãos.

Embora existam várias instituições reformadas que adotaram esse sistema de governo, os presbiterianos (com letras maiúsculas) são apenas os que surgem da Igreja da Escócia. Também é usado com alguns dos grupos que apareceram nos cismas do século XIX.

Anciãos

A Igreja Presbiteriana é governada por dois grupos de presbíteros. O primeiro é composto por ministros que foram ordenados e dedicados ao ensino. O segundo corpo é ocupado pelos anciãos dominantes, eleitos pelas diferentes congregações locais.

Os idosos, com um deles desempenhando o papel de moderador, são os que formam a sessão. Este órgão é a autoridade máxima em tudo que se refere a assuntos espirituais nas congregações.

Diáconos

Além dos dois grupos de idosos, também existem dois conselhos diferentes. Um deles é formado por diáconos, responsáveis ​​pela organização e realização das instituições de caridade. A outra Junta é composta pelos curadores, com competências em relação às finanças da congregação.

Confissão de fé de Westminster

A maior parte do credo da Igreja Presbiteriana é baseada em um documento chamado Confissão de Fé de Westminster. Este trabalho foi preparado em 1643 e seus autores foram eleitos pelo Parlamento Inglês.

Além desse credo, os presbiterianos também usam outros, como o credo dos apóstolos ou o credo niceno, ambos do catolicismo.

Órgãos de governo

Ao contrário do sistema totalmente hierárquico estabelecido na Igreja Católica, os presbiterianos optaram por um modelo organizacional quase representativo.

Nas instituições presbiterianas, existem quatro agências governamentais, cada uma com funções específicas. Eles são o Presbitério, o Sínodo, a Assembléia Geral e a Sessão.

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O Presbitério, composto de presbíteros e ministros, é responsável por controlar as congregações instituídas dentro de uma área geográfica. Por sua vez, o Sínodo é formado por ministros e representantes dos presbíteros de vários presbitérios.

Finalmente, a Assembléia Geral tem funções semelhantes às de um tribunal de apelações e representa toda a Igreja.

Crenças

A Bíblia, tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, é a base das crenças dos Presbiterianos. Para eles, a tradição tem pouca importância.

Nos últimos séculos, eles também escreveram uma série de credos que servem de guia para práticas religiosas, entre os trabalhos mais relevantes desse tipo estão o Credo de Westminster, o Escocês, o Escocês, o Belga ou o Catecismo de Heidelberg.

Antigo e Novo Testamento

Os presbiterianos consideram a Bíblia como “a única regra infalível de fé e prática”. Do seu ponto de vista, trata-se da Palavra de Deus e é considerada a única fonte de verdade.

Segundo os presbiterianos, os autores da Bíblia eram apenas mediadores que Deus costumava espalhar sua palavra. A tradição está muito abaixo em importância.

Graça de Deus e predestinação

Um dos elementos doutrinários que mais separam a Igreja Presbiteriana da Igreja Católica é o conceito de predestinação. Isto é baseado na Graça de Deus, uma doutrina que afirma que o ser humano não é julgado e salvo por suas obras, mas por sua fé.

Dessa maneira, qualquer um pode ser escolhido para ser salvo, mesmo que por suas obras ele seja imerecido. A isto se acrescenta a crença de que Deus selecionou antecipadamente aqueles que salvarão.

Céu e inferno

Céu e inferno, para os presbiterianos, seriam conceitos espirituais que são revelados no material. Dessa forma, são lugares e estados da mente do ser humano. Aqueles que não têm fé abrigam o inferno interior.

Sacramentos

Ao contrário dos católicos, as igrejas presbiterianas só admitem dois sacramentos. Estes, comunhão e batismo, teriam sido criados por Jesus Cristo.

Apesar disso, os presbiterianos não pensam que Cristo esteja fisicamente no sacramento da comunhão, mas apenas em espírito.

Por outro lado, os crentes nessa corrente religiosa não consideram o batismo obrigatório para obter a salvação. É um elemento simbólico que representa mudança interna.

O costume é que os batismos sejam realizados borrifando água em crianças ou jovens. No entanto, os presbiterianos não acreditam que os não-batizados que morrem sejam automaticamente condenados.

Igreja Presbiteriana da América Latina

A história da América Latina não facilitou o aparecimento do presbiterianismo na região. A coroa espanhola que dominara as colônias era profundamente católica e deixara um terreno importante na região.

Além disso, a própria Igreja Católica gozava de amplos privilégios, mesmo após diferentes independências.

Os primeiros protestantes da América Latina remontam aos séculos XVI e XVIII. Eles eram, acima de tudo, calvinistas e tiveram que enfrentar a rejeição de seu culto.

Foi durante a segunda metade do século XIX que a situação começou a mudar um pouco. Por um lado, alguns dos setores liberais da sociedade começaram a admitir ou mesmo professar protestantismo. Sua chegada aos governos também levou a uma certa liberdade de culto.

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Da mesma forma, em muitos países da América Latina foram estabelecidas missões que procuravam espalhar o presbiterianismo.

Atualmente, os países com o maior número de presbiterianos são México, Colômbia, Brasil e principalmente Guatemala.

Missões

As missões estabelecidas na América Latina vieram da Escócia, Inglaterra e Estados Unidos.

A princípio, eles só encontraram apoio entre os liberais, pois usaram alguns dos elementos da Reforma para se opor à Igreja Católica, ligada à era colonial e aos setores conservadores.

Em Guatemala

A Guatemala apresenta um caso peculiar na implementação da Igreja Presbiteriana na América Latina. No país da América Central, foi o Presidente da República, Justo Rufino Barrios, quem solicitou a vinda dos missionários.

O primeiro missionário a aceitar a oferta foi John Clark Hill, em novembro de 1882. Com apoio do governo, ele construiu uma igreja no lugar mais central da capital. Segundo especialistas, esse processo se deveu à relação entre a burguesia liberal da época e a Igreja Presbiteriana.

No México

A história do presbiterianismo no México já tem mais de 130 anos. Sua presença é desigual no território nacional, destacando sua implementação nos estados do sul.

Ao longo dos anos, a Igreja Presbiteriana foi dividida em duas organizações: a AR Nacional do México e a Reforma do México. Ambos apresentam diferenças organizacionais e ideológicas, uma vez que o segundo apresenta características mais conservadoras.

Diante da chegada de outras confissões protestantes, o presbiterianismo manteve uma força maior. Segundo os dados coletados pelo Ministério do Interior, em 2009 havia até 83 organizações que aderiram a essa corrente religiosa.

Na Colômbia

Foram missionários dos Estados Unidos que fundaram a primeira Igreja Presbiteriana na Colômbia.

A data em que começaram suas atividades foi o primeiro domingo de agosto de 1856. Naquele dia, Henry Barrington ofereceu o primeiro culto presbiteriano na Colômbia.

Em apenas 80 anos, a Igreja Presbiteriana da Colômbia se espalhou por todo o país, por isso organizou seu primeiro Sínodo com sede em Medellín.

No Brasil

O presbiterianismo está presente no Brasil desde 1862, quando Ashbel Green Simonton, um missionário dos Estados Unidos, fundou a primeira Igreja desse culto.

Hoje, a Igreja Presbiteriana do Brasil tem quase 800.000 membros e mais de 6000 centros de culto distribuídos por todo o país.

Referências

  1. Meta-religião Presbiterianos Obtido em meta-religion.com
  2. Cervantes-Ortiz, Leopoldo. Presbiterianismo e Reforma na América Latina. Obtido de protestantedigital.com
  3. Faculdade de Medicina Doutrina do Presbiterianismo. Obtido em escuelapedia.com
  4. Casanova, Amanda. Presbiteriano: 10 coisas a saber sobre sua história e crenças. Obtido de christianity.com
  5. Fairchild, Mary. História da Igreja Presbiteriana. Obtido em learnreligions.com
  6. Fatos da religião História do Presbiterianismo. Obtido em religionfacts.com
  7. Os editores da Encyclopaedia Britannica. Presbiteriana Obtido em britannica.com

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