Lactogênese: características e estágios

O lactogênese é a fase de abertura da amamentação, marcando o final da diferenciação de tecido da mama. Assim, as glândulas começam com a secreção de leite, graças a um processo finamente orquestrado por enzimas e hormônios com funções reguladoras como prolactina, somatotropia, lactogênio placentário, corticosteróides, etc.

Temporariamente, a primeira fase da lactogênese ocorre nos estágios finais da gravidez, quando o nascimento do bebê se aproxima.

Lactogênese: características e estágios 1

Mamíferos podem produzir leite para alimentar seus filhotes.
Fonte: pixabay.com

Este evento é geralmente dividido em duas fases: I e II. O primeiro inclui todas as mudanças necessárias para a glândula adquirir habilidades secretoras, enquanto na fase seguinte a secreção de leite começa. Cada fase tem seu perfil hormonal e enzimático característico.

Caracteristicas

Durante a gravidez, as fêmeas sofrem uma série de alterações fisiológicas que as preparam para a chegada do bebê. Um deles envolve a produção de leite pelas glândulas mamárias – um fenômeno que ocorre apenas em mamíferos.

Quando a mulher começa a gravidez, a glândula mamária se torna uma estrutura prioritária em relação ao metabolismo. Isso requer o fornecimento de certos nutrientes para poder secretar o leite de maneira eficaz, como água, glicose, diferentes aminoácidos, lipídios e minerais.

Dessa forma, a lactogênese é o processo pelo qual a glândula adquire a capacidade de secretar o leite e envolve a maturação das células alveolares.

Durante o processo, pode-se ver que aumenta o fluxo sanguíneo para as glândulas. Além disso, os receptores de certos hormônios relacionados à lactogênese aumentam em número.

Antes do parto (por volta do quinto ou sexto mês de gravidez), observa-se uma descarga leitosa leve que aumenta vertiginosamente e abundantemente após o nascimento do bebê. A seguir, exploraremos os detalhes da lactogênese, em suas duas fases características.

Etapas

A lactogênese compreende dois estágios: a fase I, que ocorre durante a gravidez, e a fase II, que envolve o início da secreção de leite após o parto.

Fase I

A fase I inclui o início da secreção de leite e geralmente ocorre 12 semanas antes do parto. É caracterizada por elevações na concentração de lactose, imunoglobulinas e proteínas totais.

Além disso, a concentração de sódio e cloreto diminui. A fase I está relacionada à produção de colostro ou “primeiro leite”, uma substância rica em imunoglobulinas.

Nesta fase, todas as modificações necessárias ocorrem na glândula mamária para garantir sua capacidade secretora.

Com a chegada da fase I, o perfil endócrino da mãe é modificado para promover a síntese do leite. Entre as alterações hormonais, destaca-se a ação da prolactina, hormônio com papel de destaque na síntese dos componentes básicos do leite.

Os glicocorticóides estão relacionados ao desvio de nutrientes, e os hormônios da tireóide são responsáveis ​​pela sensibilização dos receptores da prolactina.

Fase II

A segunda fase da lactogênese começa após o parto (geralmente dois ou três dias após o parto) e é caracterizada por uma produção abundante de leite. Em dias consecutivos, eles podem registrar 30 a 150 mL de leite por dia, enquanto após o quinto dia a produção pode exceder 300 mL.

O fluxo sanguíneo para as glândulas mamárias aumenta, assim como a captação de oxigênio, glicose e citrato. A remoção da placenta após o parto resulta em uma diminuição da progesterona e de outros hormônios.

A amamentação é mantida pela remoção do leite e pela estimulação do mamilo, o que causa a liberação de prolactina e ocitocina. A ação conjunta desses hormônios mantém o fluxo de leite.

Foi demonstrado que situações de estresse durante o parto podem atrasar o início dessa segunda fase.

Maturação do leite na fase II

Durante a fase II, o leite também sofre alterações em sua composição química. Nesta fase, considera-se que o leite “amadureceu”. Essas alterações envolvem o aumento do volume produzido e a concentração de lactose, precedida por reduções nos íons sódio, cloreto e certas proteínas.

Após o parto, as concentrações de citrato, glicose, fosfato e cálcio aumentam. Além disso, o pH da secreção diminui – isto é, aumenta sua acidez.

Importância da amamentação

A melhor fonte nutricional que um recém-nascido pode obter é, sem dúvida, o leite materno das glândulas mamárias. O valor do leite secretado vai além do mero conteúdo nutricional, pois em sua composição encontramos um conjunto complexo de anticorpos, enzimas e hormônios necessários para o desenvolvimento do bebê.

A amamentação é uma ação que leva a múltiplos benefícios – e não apenas para o bebê, mas também para a mãe. Os aspectos positivos do aleitamento materno são encontrados nos campos nutricional, ambiental, fisiológico e socioeconômico, entre outros.

Por esses motivos, a Organização Mundial da Saúde recomenda um período mínimo de amamentação de seis meses – que pode ser estendido a critério da mãe e das necessidades da criança.

Evolução da amamentação

O surgimento de adaptações durante o curso da evolução é um fenômeno que continua impressionando os biólogos. Em alguns casos, as adaptações podem evoluir combinando peças que não têm qualquer relação, levando a resultados surpreendentes.

Um exemplo disso é a evolução de uma enzima envolvida na amamentação em mamíferos: lactose sintetase.

A origem desta enzima vem de modificações de duas enzimas existentes – sem nenhuma relação: galactosil transferase, uma enzima do aparelho de Golgi; e alfa-lactalbumina, relacionada à lisozima, uma enzima que participa contra a defesa do patógeno.

Assim, a união de duas estruturas não relacionadas levou à geração de uma das adaptações mais importantes dos mamíferos.

Apenas as mulheres estão amamentando?

A amamentação é um fenômeno que parece ser restrito às mulheres. Embora a maquinaria fisiológica esteja presente no sexo masculino e haja vários fatores ecológicos que possam selecionar positivamente a amamentação masculina, é um evento incomum na natureza.

Nos morcegos do velho mundo, a amamentação paterna tem sido relatada como uma característica adaptativa potencial, única entre os mamíferos. Até o momento, as espécies com essa característica específica são Dyacopterus spadecius e Pteropus capistrastus.

Referências

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