Paradigma interpretativo em pesquisa: características, autores

O paradigma interpretativo da pesquisa é uma maneira de entender o conhecimento e a realidade científicos. É um modelo de pesquisa que se baseia em uma profunda compreensão da realidade e as causas que a levaram a isso, em vez de simplesmente ficar com explicações gerais e informais.

Esse modelo científico faz parte da pesquisa qualitativa, que busca estudar um tópico em profundidade para entendê-lo completamente. Portanto, é típico das ciências humanas e sociais, ao contrário do paradigma quantitativo que pode ser encontrado com mais frequência nas ciências puras.

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O paradigma interpretativo da pesquisa busca conhecer mais sobre as diferentes culturas, estudando seus costumes, crenças religiosas, formas de comportamento, política e economia. Ele também tenta entender os indivíduos da mesma maneira.

No entanto, em vez de tentar estudar indivíduos e culturas de fora, os pesquisadores que seguem o paradigma interpretativo tentam alcançar isso colocando-se no lugar das entidades que observam.

Características do paradigma interpretativo

O paradigma interpretativo enfoca a maneira pela qual o conhecimento sobre indivíduos e culturas é gerado.

Para os proponentes deste modelo de pesquisa, o conhecimento surge da interação entre o pesquisador e o objeto de estudo. Ambos são inseparáveis, porque o simples fato de fazer uma observação já muda o resultado dela.

– Para cientistas que seguem o paradigma interpretativo, qualquer pesquisa é influenciada pelos valores e pontos de vista da pessoa que o realiza. Esse paradigma, portanto, é mais típico das ciências que estudam o ser humano, como psicologia, antropologia ou sociologia.

– Não procura encontrar explicações gerais para fenômenos a partir de casos específicos, assim como outras tendências quantitativas de pesquisa. Pelo contrário, o objetivo principal é entender em profundidade o objeto de estudo, principalmente através da observação.

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– Os proponentes deste modelo de pesquisa consideram a realidade como algo dinâmico e mutável, para que estivessem dentro das correntes fenomenológicas. Eles vão contra as premissas do positivismo, o que sugere entender a realidade e depois fazer previsões. O paradigma interpretativo só quer descobrir a realidade.

– Os principais métodos de pesquisa do paradigma interpretativo são observação e entrevista; cada um será usado mais ou menos, dependendo do objeto específico de estudo. Por causa disso, uma ênfase maior é colocada na prática do que na teoria e, a partir desse paradigma, grandes corpos teóricos geralmente não são formulados para explicar a realidade.

– Quanto ao relacionamento entre o pesquisador e o objeto de estudo, ambos colaboram e se comunicam para alcançar a melhor versão possível do conhecimento. Isso é muito diferente do que ocorre na investigação quantitativa, na qual a relação entre o pesquisador e o sujeito da investigação não influencia o resultado final da investigação.

Autores Importantes

Embora existam muitos pesquisadores que seguem o paradigma da pesquisa interpretativa, alguns dos autores mais importantes que falam sobre esse tópico são Martin Heidegger, Herbert Blumer e Edmund Husserl.

Martin Heidegger

Martin Heidegger foi um filósofo alemão nascido no final do século XIX. Embora seu primeiro interesse fosse a teologia católica, ele criou sua própria filosofia, que teve uma grande influência em diferentes campos, como ecologia, psicanálise, antropologia cultural e arte. Hoje ele é considerado um dos filósofos modernos mais influentes.

Este autor considerou que era essencial estudar as interpretações e significados que as pessoas dão à realidade quando interagem com ela; Dessa forma, ele tinha uma abordagem construcionista. Baseado em parte nas idéias do interacionismo simbólico, Heidegger pensou que, para adquirir conhecimento, é necessário entender a realidade subjetiva de cada um.

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Herbert blumer

Blumer era um filósofo e pesquisador americano nascido no início do século XX. Influenciado pelas obras de George Herbert Mead, ele foi um dos pais do interacionismo simbólico, uma corrente que estuda como nossas próprias interpretações do mundo influenciam a maneira como a vivenciamos.

Para Blumer, a pesquisa científica deve se basear nas visões subjetivas dos pesquisadores; Segundo ele, somente unindo suas interpretações é que o conhecimento verdadeiro pode ser alcançado.

Edmund Husserl

Edmund Husserl foi um filósofo nascido na Morávia em 1859. Foi um dos fundadores do movimento fenomenológico, que influenciou a maneira de pensar de um grande número de pensadores e cientistas modernos.

Sua teoria é baseada na idéia de que a realidade que experimentamos é mediada pela maneira como a interpretamos. Portanto, seus principais interesses eram os significados que atribuímos às coisas, a consciência e a compreensão dos fenômenos mentais dos seres humanos.

Exemplos

O paradigma interpretativo concentra-se no estudo principalmente de fenômenos sociais, ou que foram causados ​​por seres humanos. Portanto, é um tipo de pesquisa amplamente utilizada em sociologia, psicologia e antropologia.

Alguns dos tópicos mais estudados através do paradigma interpretativo são os seguintes:

– Movimentos e revoluções sociais, bem como a maneira como ocorrem e o que deve acontecer para que um deles surja.

– as características das culturas indígenas; isto é, aquelas pessoas que não estiveram em contato com a civilização ocidental e que, portanto, mantêm seus modos de vida tradicionais.

– Os costumes culturais dos países desenvolvidos, como eles foram produzidos e como mudaram nos últimos tempos. Alguns desses costumes podem ser o casamento, as formas mais comuns de trabalho ou as relações familiares e sociais das pessoas.

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– Estudo de grupos minoritários, como homossexuais, pessoas com deficiência ou pessoas de cor, e que diferenças e dificuldades eles encontram no seu dia a dia.

Referências

  1. “Paradigma interpretativo” em: Calameo. Retirado em: 17 de março de 2018 de Calameo: es.calameo.com.
  2. “Paradigma interpretativo” em: Mais tipos de. Retirado em: 17 de março de 2018 de Mais tipos de: mastiposde.com.
  3. “Pesquisa Qualitativa” em: Wikipedia. Retirado em: 17 de março de 2018 da Wikipedia: en.wikipedia.org.
  4. “Pesquisa Qualitativa” em: Atlas.ti. Retirado em: 17 de março de 2018 de Atlas.ti: atlasti.com.
  5. “Fenomenologia (psicologia)” em: Wikipedia. Retirado em: 17 de março de 2018 da Wikipedia: en.wikipedia.org.

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