Rio Paraná: características, rota, foz, tributários

O rio Paraná está localizado no centro da América do Sul, de onde viaja pelos territórios de três países: Brasil, Paraguai e Argentina. Como muitos de seus rios vizinhos, faz parte da Bacia do Prata, o segundo maior do continente, apenas atrás do da Amazônia.

Os governos das três regiões que banham o Paraná fazem uso comercial e industrial de seu canal, que o coloca na categoria de rio internacional. Essas atividades são reguladas por tratados e acordos que garantem um uso razoável e equitativo de seus recursos.

Rio Paraná: características, rota, foz, tributários 1

A bacia do Paraná é a que possui a maior capacidade instalada no Brasil. Foto: Falk2 [CC BY-SA 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0)]

Seu comprimento exclusivo é de 2.570 km, que somados ao comprimento do rio Paranaíba, seu principal afluente, atinge aproximadamente 3.740 km. Isso o torna digno de segundo lugar entre os rios mais longos da América do Sul, sendo superado apenas pelo rio Amazonas.

Características gerais

O Paraná é um rio multifacetado que possui características que o diferenciam de outras correntes da região:

Rio cosmopolita

Caracteriza-se por tomar banho com suas águas em algumas das cidades mais populosas da América do Sul, com um fator de crescimento anual de mais de 1.000.000 de habitantes.

Entre os mais importantes estão: Três Lagoas, Foz do Iguaçu, Encarnação, Ciudad del Este, Posadas, Puerto Iguazú, Rosário e Buenos Aires.

Marco da fronteira

O Paraná, em sua rota sinuosa, serve como um marco para delimitar as fronteiras nacionais e internacionais. Por exemplo, em sua passagem pelo Brasil, separa os estados de Mato Grosso del Sur e São Paulo. No caminho para o sul, separa o território dos países que viaja, servindo até como uma fronteira tripla.

Motor hidroelétrico

A bacia do Paraná é a que possui a maior capacidade instalada no Brasil. Nos 820.000 km 2 da bacia exclusiva deste país, existem mais de 57 barragens. Este número considera apenas aqueles que excedem 10 m.

Graças às barragens instaladas no rio Paraná, o Paraguai é o quarto maior exportador de eletricidade do mundo, fornecendo recursos valiosos aos países vizinhos. Ao longo de toda a rota, possui mais de 100 barragens instaladas, algumas das quais são unidades de controle binacional que alimentam a região com eletricidade.

Via navegável

O Paraná está dividido em dois setores de navegação devido à interrupção causada pela barragem binacional de Itaipú, localizada na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, especificamente entre o município brasileiro Foz do Iguaçulã e o município paraguaio de Hernandarias.

De norte a sul, existem duas hidrovias: Paraná-Tietê e Paraná-Paraguai. O Paraná-Tietê é uma rede exclusiva do Brasil que permite a navegação de embarcações de até três metros ao longo de sua rota, uma vez que as barragens atuais possuem embarcações exclusivas.

O Paraná-Paraguai é internacional e dá acesso ao mar para cidades do interior do Paraguai e Argentina através de sua confluência no Rio da Prata. Permite a navegação de embarcações oceânicas de até 1.500 toneladas aos portos do rio Paraná.

Essa característica faz do rio Paraná um motor para a economia e o comércio nacional e internacional da região, servindo como um meio de integração para o Mercosul (Mercado Comum do Sul).

Reserva de água doce

O rio Paraná faz parte do aqüífero Guarani, considerado a reserva mundial de água doce do mundo, com uma área estimada em 1.194.000 km².

É um acúmulo de água doce principalmente no subsolo que fica no território do Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. A essas águas subterrâneas são adicionadas as bacias dos rios Uruguai, Paraná, Pilcomayo, Paraguai, Salado e Bermejo.

Esse recurso compartilhado é explorado pelos países para uso comercial, industrial, irrigação e recreacional.

Nascimento

O rio Paraná nasce em território brasileiro a 1.448 metros acima do nível do mar, produto da confluência do Rio Grande e Paranaíba na tríplice fronteira entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Via e boca

Desde o seu nascimento no Brasil até sua foz na Argentina, no Rio da Prata, o Paraná segue um curso sinuoso de norte a sul. Sua silhueta desenha inúmeras curvas e curvas cuja causa aumenta e diminui, formando ilhas na planície de inundação.

É considerado o sexto rio simples do mundo. Sua rota é dividida em quatro partes para estudo: alto Paraná, médio curso, baixo curso e Delta del Paraná.

Alto Paraná

Vai desde o nascimento na confluência do Rio Grande e Paranaíba, no Brasil, até a confluência com o rio Paraguai, na fronteira entre o Paraguai e a Argentina. Tem 1.550 km de extensão e atravessa o maciço de Brasília. É caracterizada pela presença de corredeiras e saltos que foram utilizados para a instalação de barragens.

Curso do meio

Com uma extensão aproximada de 722 km, vai da confluência com o rio Paraguai até a cidade de Diamante, no território argentino. Nesta seção, o Paraná é transformado em um rio simples, em sentido estrito, com suas ilhas características e serpenteia sobre um vale inundado. Os altos saltos do Paraná cedem nesta seção a uma inclinação aproximada de 3 a 4 centímetros.

Curso inferior

Vai da cidade de Diamante (Argentina) até a confluência com o rio Uruguai. Nesta seção, o Paraná apresenta cânions ativos e mortos. Através das ravinas ativas, o canal regular passa a caminho da boca. As ravinas mortas inundam apenas as águas do rio.

Uma característica que se destaca nesse percurso é a presença de uma rede labiríntica de ilhas e bancos de areia que se formam com os sedimentos que chegam ao Paraná a partir de seus afluentes.

Delta do Paraná

Vai da confluência com o rio Uruguai até a foz do Rio da Prata, tem um comprimento linear aproximado de 320 km em uma extensão de 14 100 km².

Como o nome indica, é caracterizada pela presença de ilhas fluviais atravessadas por canais em terrenos alagados. A largura de seus braços varia de 18 a 65 km, tornando-se uma importante atração turística na região. Ao contrário de outros deltas, o Paraná é constituído exclusivamente de água doce.

Tributários

O Paraná possui um fluxo médio de 17.300 m³ / s, que pode atingir um máximo de 65.000 m³ / s, devido à influência das chuvas em seu nascimento, sua rota e a de seus afluentes. Apresenta seu fluxo máximo entre fevereiro e março e o mínimo entre agosto e setembro.

Entre seus afluentes estão os rios Verde, Carcarañá, Bermejo, Pardo, segunda-feira, Ivinhema, Tieté, Paranaíba, Ivaí, Negro, Gualeguay, Iguazú, Guayquiraró, Piquirí, Corriente, Paraguai, Santa Lucía e Salado.

Flora

Em sua rota, o rio Paraná atravessa várias bioregiões que, juntas, proporcionam uma grande biodiversidade.

Espécies em Alto Paraná

Esta seção está localizada na Mata Atlântica, mais conhecida como Mata Atlântica, um bioma declarado reserva da biosfera em 1992 pela Unesco, graças à grande diversidade de fauna e flora que abriga.

Esta floresta possui espécies vegetais com mais de 35 metros de altura, com uma variedade de orquídeas, trepadeiras e samambaias que cobrem a cúpula das árvores, buscando aproveitar a luz do sol.

Espécies representativas da área são o cedro, o pinheiro do Paraná, o anchicho, o guayaibí, o timbó, o guatambu, o papagaio preto, o lapacho, a vilca, o ibirapitá e o pau de coca.

Devido ao desmatamento causado pela indústria madeireira e gerado pela criação de espaços para cultivo, algumas espécies endêmicas estão ameaçadas pela perda de seu habitat.

Tipos no meio do caminho

Nesta seção, florestas abertas, florestas xerófilas, pradarias e áreas de inundação são combinadas. A presença de uma grande planície e sua baixa inclinação tornam a área propensa a inundações, essa característica se reflete na flora que predomina na seção.

As espécies comuns são juncos, salgueiros, ceibos, ñandubay, taboa de totora, camalotales, espécies flutuantes, palmeirais de caranday, alfarroba, juncos e palmeirais de yatay.

Tipos no curso inferior

Nesta seção, estão as mesmas espécies do percurso do meio, dando passagem progressiva à vegetação do delta. Destaca-se a presença das seguintes espécies: amieiro, salgueiro crioulo, timbo branco e vermelho, curupi, ceibo e louro, além de pastagens em solos bem drenados.

Diversidade no Delta do Paraná

80% da superfície é coberta por formações herbáceas. Vascular, pajonal, juncales e plantas de pastagem abundam. Nas florestas nativas existem alfarrobeiras, derrubadas e espinhas. Grande parte da floresta nativa foi removida para o desenvolvimento de atividades de monocultura e fruticultura.

Vida selvagem

O rio Paraná possui uma grande diversidade de espécies, algumas das quais são endógenas e protegidas. Seu estudo e descrição são muito extensos e sua observação é uma das principais atrações turísticas da região. Existem parques nacionais como o Pré Delta, localizado na província argentina de Entre Ríos, criado no leito do rio Paraná para a proteção da flora e fauna.

Entre os répteis, destacam-se a tartaruga de pescoço longo, a tartaruga terrestre, a yarana, o yacaré preto e o ñato, o lagarto, a víbora de coral e a cascavel.

Há também um grande número de aves, nativas e migratórias, entre elas, podemos revisar:

A fornalha, a aranha de rosto preto, o sapinho enegrecido, o cardeal, o bico de prata, a cabeça preta, a torcacita, o pintassilgo, o tacuarita azul, a benteveo, o carpinteiro real, o chingolo, o sapinho vermelho, o cardeal , o caraú, a garça-real, a garça-real, a garça-real, a pequena gallareta, a torneira da água e o pampa sirirí, a andorinha doméstica e a parda, o suiriri real e a peruca.

No caminho, abrigos naturais como o estabelecido na província argentina de Misiones, onde a observação de aves selvagens é promovida para incentivar a proteção ambiental.

Os mamíferos mais característicos são o tatú, a onça, o lobo do rio, a capivara, o cervo dos pântanos, o puma, o gato dos pajonales, o rato aquático e a colorada, o rato do campo, a culinária comum, o coipo, a doninha vermelha e o overa, o pampas colicorto, o morcego-de-cauda-rato, o morcego marrom, a jaguatirica, a anta, a anta, a capivara, o koatí, a queixada, o queixo e o guillock, a raposa do vinagre e o macaco bugio preto

Pescar no rio Paraná

A pesca esportiva, artesanal e comercial é abundante no rio Paraná, por isso representa uma importante atividade econômica na região.

Estima-se que existam cerca de 212 espécies de peixes em suas águas, dentre as quais destacam-se carpa comum e herbívora, peixe-gato, surubíes, patíes, dorado, mojarras, dentes, água velha, ricola, corvina, tarpon e bogas. A espécie com maior exploração comercial é a sável, capturada para consumo regional e para exportação.

No rio Paraná, são realizadas várias competições de pesca de grande atração turística para a região, entre elas o Festival Nacional de Ouro, o Festival Nacional de Pesca Fluvial e o Festival Nacional Surubí.

Perigos ambientais

Sua localização o torna uma fonte de água acessível para centros, indústrias e terrenos agrícolas povoados. Infelizmente, é feito uso irresponsável dos resíduos produzidos nesses casos e estes acabam no leito do rio.

O desenvolvimento econômico da região, principalmente o desmatamento da flora nativa para a criação de terras destinadas ao cultivo e pastagem, modificou o perfil das margens do Paraná.

Isso afeta diretamente a quantidade de sedimentos que chega às suas águas devido à baixa proteção que o solo possui contra fatores ambientais, como a precipitação.

O excesso de sedimentos afeta a qualidade da água, afetando a fauna e a vegetação que dependem dela para sua subsistência. A baixa qualidade da água produz um efeito dominó devastador para a diversidade da região, uma vez que cada elo depende de outro, quando uma espécie está ameaçada, toda a cadeia é afetada pela impossibilidade de se ajustar à mudança.

Outro perigo decorrente do desenvolvimento econômico da região se manifesta nos projetos de novas barragens no leito do rio. Isso implica a inundação de áreas virgens que subtraem mais espaço aos ambientes nativos já esgotados das espécies, que são irremediavelmente deslocadas.

Referências

  1. A bacia do rio Paraná até Confluencia, Ministério do Interior da Argentina, retirada de mininterior.gov.ar
  2. Hidrovia Paraguai-Paraná: como é a saída para o mar pelo Atlântico que a Bolívia começou a usar como alternativa em sua disputa histórica com o Chile, publicada pela BBC News Mundo em 7 de abril de 2019 na versão digital, extraída de bbc.com
  3. A importância do rio Paraná, publicada pela Comissão Mista do Rio Paraná em seu site, retirada de comip.org.ar
  4. Bacia do meio do Paraná, Ministério do Interior do governo argentino, extraído de mininterior.gov.ar
  5. Linha de Base Ambiental PIECAS DP (Plano Estratégico Integral de Conservação e Uso Sustentável no Delta do Paraná), novembro de 2011, extraído de cauceecologico.org

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