Importância de incentivar a financiamento bancária na economia digital

Última actualización: maio 20, 2026
  • O investimento em ativos intangíveis e a digitalização exigem novas formas de financiamento bancário, apoiadas por fatores regulatórios específicos e garantias públicas.
  • A inclusão financeira responsável, estruturada em cinco pilares, amplia o acesso a crédito para segmentos desatendidos, protegendo o consumidor e reforçando a confiança no sistema.
  • A agilidade na resposta de crédito e a oferta de soluções adaptadas ao ciclo de vida das empresas tornam-se vantagem competitiva e impulsionam produtividade e crescimento.

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A discussão sobre a importância de incentivar a financiamento bancária ganhou força com a transformação digital da economia, o crescimento dos ativos intangíveis e a necessidade de inclusão financeira mais ampla e responsável. Ao mesmo tempo em que empresas e governos procuram novas fontes de produtividade, competitividade e bem-estar social, o sistema financeiro enfrenta o desafio de adaptar a regulação, os produtos e os canais de crédito para realidades muito diferentes: desde grandes investimentos em I&D e software até o microcrédito para pequenos negócios rurais.

Neste contexto, entender por que é estratégico reforçar o papel dos bancos na oferta de crédito – especialmente para ativos intangíveis, pequenas e médias empresas (PME) e segmentos desatendidos – torna-se fundamental tanto para a formulação de políticas públicas quanto para as decisões de negócios das instituições financeiras. A seguir, vamos aprofundar como a financiamento bancária se conecta com crescimento da produtividade, inclusão financeira, proteção do consumidor e agilidade nas decisões de crédito, reunindo evidências empíricas, propostas regulatórias e práticas de mercado.

Ativos intangíveis, produtividade e o papel do crédito bancário

Os ativos intangíveis – como I&D, software, bases de dados, design, formação de trabalhadores e melhorias organizacionais – são hoje um dos motores centrais do crescimento da produtividade. Estudos comparativos entre países mostram que as economias com maior produtividade por hora trabalhada são justamente aquelas que mais investem em intangíveis, combinando-os com investimentos tradicionais em máquinas, equipamentos e infraestruturas.

A União Europeia, porém, ainda se encontra atrás dos Estados Unidos em termos do peso dos intangíveis no total do investimento, e países como Espanha aparecem ainda mais distantes da fronteira tecnológica. Enquanto economias como Reino Unido ou França apresentam um esforço robusto em capital intangível, alguns países europeus registram taxas significativamente mais baixas de investimento em I&D, reorganização interna e desenvolvimento de competências digitais.

Quando se observa a composição do investimento total, fica claro que muitos países europeus continuam muito concentrados em ativos tangíveis, ao passo que os intangíveis representam uma fatia relativamente reduzida. No caso espanhol, por exemplo, os ativos físicos chegam a representar perto de três quartos do investimento total, deixando apenas cerca de um quarto para os intangíveis, proporção inferior à média europeia.

A literatura empírica confirma que esse padrão de subinvestimento em intangíveis está associado a menores níveis de produtividade, PIB per capita e capacidade de competir em setores intensivos em conhecimento. A relação positiva entre a intensidade do investimento em intangíveis e o rendimento por habitante aparece de forma recorrente em estudos regionais, setoriais e comparações internacionais, sinalizando que o atraso em capital intangível é parte importante do “gap” de produtividade entre países.

Um ponto crítico é que, na prática, a principal fonte de financiamento desses ativos costuma ser o capital próprio das empresas ou o capital de risco, enquanto o crédito bancário tem participação muito modesta. Como os intangíveis não geram colateral tradicional – não há um imóvel ou uma máquina facilmente penhorável – e a rentabilidade é mais incerta, bancos tendem a considerá-los mais arriscados e, portanto, evitam financiá-los de forma sistemática.

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A digitalização da economia e o atraso europeu em intangíveis

A transição para uma economia digital depende diretamente da capacidade de investir em tecnologias como internet das coisas, inteligência artificial, big data, blockchain, computação em nuvem e comércio eletrônico. Todas essas inovações exigem gastos significativos em I&D, software, bases de dados, competências digitais dos trabalhadores e reorganização interna das empresas – ou seja, uma forte expansão do estoque de ativos intangíveis.

As experiências recentes durante a pandemia de COVID-19 ilustram muito bem esse ponto: empresas que já tinham investido em soluções digitais conseguiram adaptar-se melhor ao teletrabalho, vender online e amortecer parte do choque econômico. Em contraste, organizações pouco digitalizadas tiveram mais dificuldades para manter operações, atender clientes e preservar receitas, evidenciando como o atraso em intangíveis se traduz em maior vulnerabilidade em períodos de crise.

A União Europeia reconheceu essa realidade ao colocar a digitalização como um dos pilares do seu Plano de Recuperação, ao lado de objetivos como transição verde, inclusão social e igualdade de gênero. Mecanismos como o Next Generation EU destinam uma parcela relevante de recursos para acelerar a transformação digital do tecido produtivo, justamente para combater a brecha de produtividade em relação aos Estados Unidos.

No entanto, direcionar recursos públicos não é suficiente se o sistema bancário não consegue acompanhar esse movimento com produtos de crédito adequados e uma regulação que não penalize excessivamente o financiamento de intangíveis. Sem esse complemento, empresas acabam dependendo quase exclusivamente de capital próprio ou de mercados de capital de risco que, na Europa, ainda são menos desenvolvidos do que no contexto norte-americano.

Há também um desequilíbrio interno entre tipos de intangíveis: em alguns países, os gastos em publicidade e construção de marca estão relativamente próximos da média da UE, enquanto o investimento em I&D e em melhorias organizacionais fica bem abaixo. Essa distorção reduz o retorno potencial da digitalização, pois a verdadeira mudança de produtividade vem da combinação de tecnologia, conhecimento incorporado e reorganização eficiente de processos.

Por que a financiamento bancária de intangíveis é tão difícil?

Do ponto de vista bancário, financiar ativos intangíveis é complexo porque estes não geram garantias tradicionais e têm valor residual menos óbvio para efeitos de recuperação de crédito. Ao contrário de um imóvel ou de uma máquina, não é simples executar um software desenvolvido sob medida, um algoritmo, uma base de dados ou um programa robusto de formação de pessoal.

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Além disso, a incerteza quanto à rentabilidade de projetos de I&D ou de inovação organizacional tende a ser mais elevada do que em investimentos tangíveis convencionais. Há uma maior probabilidade de fracasso tecnológico, atrasos, mudanças de mercado e obsolescência rápida, o que aumenta o risco percebido pelos bancos e se reflete em exigências de capital mais pesadas.

Os requisitos de capital baseados em ativos ponderados pelo risco (APR) fazem com que financiamentos considerados mais arriscados exijam mais recursos próprios por parte dos bancos. Na prática, isso encarece ou limita a concessão de crédito para atividades consideradas voláteis, mesmo quando essas atividades são fundamentais para o crescimento de longo prazo da economia.

Assim, criou-se um paradoxo regulatório: justamente os investimentos mais cruciais para a competitividade futura – os intangíveis ligados à digitalização – encontram mais barreiras para acessar o crédito bancário. Este cenário faz com que muitos projetos inovadores dependam de poucas fontes alternativas de financiamento, aumentando a desigualdade entre empresas com fácil acesso a capital próprio e as demais.

Como o peso dos ativos intangíveis está crescendo de forma acelerada em praticamente todas as economias, esse nicho se torna, ao mesmo tempo, um desafio prudencial e uma oportunidade de negócio para o setor bancário. Se forem criados mecanismos para mitigar o risco, os bancos podem abrir novas linhas de produto, diversificar a carteira e posicionar-se no centro da transição digital, em vez de ficar à margem dela.

Propostas regulatórias: fatores de apoio (supporting factors) e garantias públicas

Uma das propostas mais discutidas para incentivar a financiamento bancária de ativos intangíveis é a criação de um fator de apoio específico no cálculo dos ativos ponderados pelo risco. Esse mecanismo já existe em duas frentes importantes na regulação europeia: o fator de apoio às PME e o fator de apoio a determinadas infraestruturas estratégicas.

No caso das PME, reconhece-se que essas empresas são altamente dependentes do crédito bancário e têm enorme relevância econômica em termos de emprego e valor acrescentado. Por isso, a regulação concede um coeficiente redutor nos requisitos de capital para exposições a esse segmento, com o objetivo de facilitar o fluxo de crédito e apoiar o crescimento e a sobrevivência dessas empresas.

Algo semelhante foi implementado para exposições a infraestruturas físicas consideradas essenciais, como redes e instalações que suportam serviços públicos críticos. Também aí se adotou um fator de apoio que reduz o consumo de capital regulatório, reconhecendo o interesse público na expansão e modernização dessas infraestruturas.

Seguindo a mesma lógica, diversos especialistas defendem que a financiamento bancária de ativos intangíveis ligados à digitalização deveria contar com um fator de apoio próprio. A justificativa combina vários elementos: o impacto desses ativos na produtividade, o papel da transformação digital para o crescimento sustentável, o atraso dos mercados de capital de risco europeus em relação aos EUA e a necessidade de novas áreas de negócio para a banca num contexto de margens comprimidas.

Outra ferramenta complementar seria a criação ou ampliação de esquemas de garantias públicas específicas para operações de crédito destinadas a investir em intangíveis. Esses avales funcionariam de forma semelhante aos programas criados em muitos países durante a pandemia, nos quais o Estado assumiu uma parte do risco de crédito para evitar o colapso do financiamento às empresas.

Ao compartilhar uma fração das perdas potenciais, o setor público reduziria o risco esperado para as instituições financeiras, tornando mais viável aprovar empréstimos que, de outra forma, seriam recusados ou teriam condições demasiado onerosas. O resultado esperado é um aumento do volume de investimento em ativos intangíveis, com reflexos positivos sobre a produtividade, a inovação e, a médio prazo, a própria base tributária.

É claro que há quem defenda uma visão “pura” da regulação bancária, segundo a qual os APR deveriam refletir apenas o risco intrínseco de cada ativo, sem exceções. No entanto, essa posição ignora que a regulação financeira também tem um componente de política econômica de longo prazo: ao modular requisitos de capital, é possível orientar o crédito para áreas alinhadas com objetivos estratégicos como a transição verde e a digitalização.

Inclusão financeira e financiamento bancário: o enfoque integrado do Banco Mundial

Para além dos ativos intangíveis das grandes empresas, outro campo em que a incentivo à financiamento bancária é crucial diz respeito à inclusão financeira de populações desatendidas, pequenas empresas e microempreendedores. O Grupo Banco Mundial atua como um dos principais articuladores globais nessa agenda, combinando conhecimento técnico, dados, financiamento e influência em organismos internacionais e no G20.

O Banco Mundial estruturou um enfoque integrado de inclusão financeira baseado em cinco pilares interligados, que procuram ampliar o acesso a serviços financeiros formais de maneira responsável. Esses pilares abrangem desde a formulação de estratégias nacionais até o desenho de produtos inovadores para segmentos pouco atendidos, passando por proteção do consumidor, educação financeira e melhoria do financiamento a microempresas e PME.

O primeiro pilar concentra-se na elaboração de políticas e estratégias nacionais de inclusão financeira e tecnofinanças (fintech). Isso inclui avaliações do setor financeiro realizadas em conjunto com o FMI, desenho e implementação de estratégias nacionais de inclusão Financeira e desenvolvimento de infraestrutura de dados para medir com precisão quem está sendo incluído e em que condições.

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Também se trabalha fortemente em temas de género, com ferramentas específicas para melhorar o acesso das mulheres a serviços financeiros, reconhecendo que a exclusão financeira tem uma forte dimensão de desigualdade entre homens e mulheres. A partir de diagnósticos detalhados, são propostas ações coordenadas para expandir contas, serviços digitais e crédito para grupos historicamente invisibilizados.

Produtos e provedores para segmentos desatendidos

O segundo pilar do enfoque integrado do Banco Mundial foca em produtos financeiros e tipos de provedores voltados a segmentos desatendidos, como mulheres, população rural, microempresas e pequenas e médias empresas. A ideia é que não basta aumentar o número de contas ativas; é preciso oferecer produtos adequados à realidade e às necessidades desses grupos.

Entre as principais linhas de trabalho, destaca-se a assistência técnica para conceber produtos inovadores centrados no público desatendido, como linhas de microcrédito adaptadas ao fluxo de caixa sazonal de agricultores, ou contas digitais de baixo custo para trabalhadores informais. Pesquisas do lado da demanda ajudam a calibrar melhor características como valor mínimo, prazos, tarifas e interfaces de uso.

Do lado da oferta, o Banco Mundial apoia a criação de marcos regulatórios que permitam a entrada e o funcionamento de provedores inovadores, como empresas de telecomunicações, fintechs, serviços postais, cooperativas de crédito e redes de agentes. Ao diversificar os provedores, aumenta-se a competição e o alcance territorial, reduzindo o custo de servir regiões remotas.

Também há um esforço para fortalecer a concorrência e ampliar pontos de acesso – agências, correspondentes, caixas eletrônicos, pontos de atendimento digital – de forma a criar condições de igualdade entre bancos e não bancos. Esse equilíbrio é importante para garantir que as inovações não criem riscos sistémicos desnecessários, mas ao mesmo tempo removam barreiras desproporcionais para novos entrantes.

Proteção do consumidor financeiro e confiança no sistema

A expansão do crédito e da inclusão financeira só é sustentável se caminhar junto com uma sólida proteção do consumidor, especialmente para usuários que estão entrando pela primeira vez no sistema financeiro formal. Esse é o foco do terceiro pilar do enfoque do Banco Mundial.

Uma parte essencial desse trabalho são os diagnósticos completos sobre proteção do consumidor financeiro, que avaliam o quadro jurídico e institucional, bem como as práticas de mercado. A partir desse exame, são sugeridas melhorias na legislação, nos mecanismos de supervisão de conduta de mercado, na transparência de informações e na forma como reclamações são recebidas e tratadas.

A assistência técnica inclui apoio à redação de regulamentos específicos de proteção do consumidor financeiro, que podem abranger desde a forma de divulgação de taxas de crédito ao consumidor até a regulação de seguros, contas correntes e investimentos coletivos. Em paralelo, trabalha-se em estratégias de supervisão focadas em risco, formação de equipas supervisoras e desenho de relatórios padronizados.

Outro campo sensível é o da privacidade e proteção de dados, especialmente diante do uso crescente de big data, modelos de scoring alternativos e algoritmos complexos em tecnofinanças. Ferramentas são desenvolvidas para ajudar países a adaptar princípios gerais de proteção de dados à realidade específica do setor financeiro, incluindo temas como discriminação algorítmica, consentimento informado e gestão de riscos cibernéticos.

Por fim, reforçam-se canais acessíveis e eficazes de resolução alternativa de disputas, como ombudsmen financeiros ou mecanismos de mediação, que podem reduzir custos judiciais e dar respostas mais rápidas aos consumidores. Para isso, oferece-se apoio na concepção legal, desenho institucional, financiamento e operação desses organismos.

Capacidade financeira, comportamento e desenho de políticas

O quarto pilar destaca que inclusão financeira não é apenas oferecer produtos, mas também garantir que as pessoas tenham capacidade de tomar decisões informadas e adequadas ao seu contexto. Capacidade financeira abrange conhecimentos, atitudes, habilidades e comportamentos que determinam como indivíduos e famílias gerem dinheiro, escolhem produtos e usam serviços financeiros.

O Banco Mundial utiliza evidências de economia comportamental para aconselhar autoridades sobre como integrar mensagens de educação financeira em programas já existentes, como transferências sociais, iniciativas de apoio às mulheres empreendedoras ou programas de crédito agrícola. Em vez de campanhas isoladas, procura-se “injetar” conteúdos educativos em momentos críticos da relação do usuário com o sistema financeiro.

Também se promove o desenvolvimento de abordagens estratégicas nacionais de capacidade financeira, articuladas com as estratégias de inclusão financeira e finanças digitais. Isso envolve identificar públicos prioritários, canais de comunicação efetivos (escolas, plataformas digitais, centros comunitários) e mecanismos de avaliação de impacto.

Outro eixo é a concepção de intervenções de capacidade financeira que complementem reformas regulatórias, por exemplo, explicando ao público mudanças em produtos digitais, novos direitos de proteção de dados ou requisitos para utilização segura de meios de pagamento eletrónicos. A combinação de regulação robusta e educação financeira aumenta a probabilidade de que os benefícios da inclusão sejam efetivos, reduzindo riscos de sobre-endividamento e fraudes.

Financiamento de microempresas e PME: informação, monitorização e riscos

O quinto pilar centra-se no financiamento das microempresas e das pequenas e médias empresas, reconhecendo que muitos formuladores de política carecem de sistemas eficientes para acompanhar esse mercado. Sem dados de qualidade, fica difícil identificar se existem falhas de crédito graves ou segmentos em sobreaquecimento com riscos para a estabilidade.

Uma das dificuldades é a falta de definições padronizadas de micro, pequena e média empresa, somada à enorme heterogeneidade desse universo. Essa ambiguidade torna complexa a tarefa de monitorar fluxos de crédito, níveis de endividamento, garantias utilizadas e estrutura de taxas, prejudicando a formulação de respostas precisas.

O Banco Mundial oferece ferramentas para que reguladores e autoridades construam processos sistemáticos de diagnóstico do lado da oferta de crédito às PME, não como um estudo pontual, mas como um ciclo contínuo de monitorização. Os resultados são compartilhados com bancos, cooperativas, fintechs e demais stakeholders, ajudando a alinhar ações e prevenir riscos.

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Além disso, essa agenda de financiamento a micro e pequenas empresas se conecta com outras frentes de desenvolvimento, como a transição de pagamentos de programas sociais em dinheiro para transferências digitais, o reforço do setor agrícola e iniciativas de identificação digital (ID4D). Ao integrar essas políticas, é possível expandir o acesso ao crédito, reduzir custos de transação e melhorar a transparência.

Em nível global, o Banco Mundial colabora com plataformas como a Aliança Global para a Inclusão Financeira (GPFI) do G20, contribuindo para a criação de princípios de alto nível de inclusão financeira digital e indicadores comuns. Documentos como o relatório Payment Aspects of Financial Inclusion (PAFI) sugerem medidas concretas para ampliar o acesso a contas de transação e digitalizar pagamentos governamentais, reduzindo custos, corrupção e fugas de recursos.

Agilidade na resposta de crédito: vantagem competitiva para empresas

A discussão sobre incentivo à financiamento bancária também passa, na prática, pela rapidez com que as instituições respondem aos pedidos de crédito das empresas. Uma resposta ágil não é apenas questão de conforto; pode ser a diferença entre aproveitar ou perder uma oportunidade de negócio.

Quando um banco consegue dar uma decisão rápida sobre um pedido de financiamento, a empresa ganha capacidade de planear melhor, ajustar estratégias e executar projetos no timing certo. Essa agilidade é crucial em contextos de forte competição, em que oportunidades de investimento – como compra de ativos a preços atrativos ou entrada em novos mercados – têm “janela” curta.

Uma demora excessiva, ao contrário, aumenta a incerteza e o stress financeiro, dificultando a gestão de tesouraria e prejudicando o relacionamento com fornecedores, que podem ficar na dúvida sobre a capacidade de pagamento pontual. Para muitas PME, a previsibilidade no acesso ao crédito é tão importante quanto a própria taxa de juro.

Instituições que estruturam processos internos eficientes, com gestores especializados que acompanham de perto a realidade das empresas, conseguem transformar agilidade numa verdadeira vantagem competitiva. A existência de diretores de conta que antecipam necessidades, analisam a situação global do negócio (visões 360º) e ajustam soluções sob medida contribui para decisões mais rápidas e bem informadas.

Dados internos de bancos mostram que, quando a maioria dos pedidos é respondida em poucos dias, a satisfação das empresas aumenta e a percepção de confiança no parceiro financeiro se fortalece. Esse efeito positivo ajuda a construir relações de longo prazo, facilitando a concessão futura de crédito e criando um círculo virtuoso entre informação, confiança e velocidade de decisão.

Tipos de financiamento e soluções bancárias para empresas

Para que a incentivo à financiamento bancária se traduza em crescimento real, é essencial que as instituições ofereçam um leque amplo de soluções adaptadas ao ciclo de vida das empresas e à sua estrutura financeira. Isso inclui linhas de curto prazo para gestão do circulante, crédito de investimento, garantias, bem como instrumentos mais sofisticados em operações estruturadas.

Na esfera do curto prazo, o crédito voltado à tesouraria permite que as empresas façam a ponte entre pagamentos a fornecedores e recebimentos de clientes, incluindo operações ligadas ao comércio exterior. Esse tipo de financiamento é vital para evitar rupturas de liquidez, sobretudo em setores com forte sazonalidade ou prazos de recebimento longos.

Ao mesmo tempo, bancos podem apoiar as empresas na identificação e gestão de riscos financeiros – como risco cambial, de taxa de juro ou de crédito de contrapartes – e na definição de estratégias de cobertura. Isso é particularmente relevante em operações internacionais e em segmentos expostos a volatilidade de preços.

Para projetos de expansão, inovação ou entrada em novos mercados, soluções de médio e longo prazo – incluindo financiamento sustentável, linhas oficiais e avales – desempenham papel decisivo. Em muitos casos, o acesso a produtos de banca de investimento, financiamento estruturado e soluções sob medida para middle market permite que empresas de porte intermédio realizem projetos que antes ficariam reservados apenas a grandes corporações.

A ligação entre a estrutura de financiamento utilizada hoje e as perspetivas de crescimento futuro não deve ser subestimada. Uma combinação adequada de recursos próprios, crédito bancário e outros instrumentos influencia não só a viabilidade dos investimentos atuais, mas também a forma como os mercados encaram a capacidade da empresa de sustentar novos financiamentos no futuro.

Em muitos casos, a agilidade e a flexibilidade na concessão de crédito tornam-se um componente direto da reputação da empresa perante fornecedores, clientes e parceiros, ao sinalizar capacidade de execução e solidez financeira. Por isso, bancos que mantêm condições claras, garantem segurança regulatória e respondem com rapidez agregam valor que vai além do mero fornecimento de capital.

Quando se observa em conjunto o crescimento dos ativos intangíveis, a necessidade de digitalização, os desafios de inclusão financeira e o peso das PME nas economias, fica evidente que incentivar a financiamento bancária não é apenas uma questão de aumentar volumes de crédito. Trata-se de repensar regulação, desenhar produtos alinhados com segmentos desatendidos, fortalecer a proteção do consumidor e investir em capacidade financeira, tudo isto aliado a processos ágeis e soluções flexíveis. Ao articular essas dimensões – desde supporting factors para intangíveis até esquemas de garantias públicas e estratégias nacionais de inclusão financeira – bancos e formuladores de políticas têm a oportunidade de transformar o crédito num verdadeiro motor de produtividade, competitividade e bem-estar social de longo prazo.

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