Construtivismo: origem, contexto histórico, teoria e autores

Construtivismo: origem, contexto histórico, teoria e autores

O construtivismo é um modelo pedagógico que suscita a necessidade de fornecer aos alunos uma série de ferramentas que lhes permitam construir seus próprios critérios e aprendizado, o que os ajudará a resolver quaisquer problemas no futuro.

Para o pensamento construtivista, o conhecimento é entendido como um processo de construção que a pessoa – ou o aluno – deve passar para se desenvolver como ser humano. Esse processo é realizado dinamicamente, portanto o aluno deve ter uma atitude participativa e interativa.

Consequentemente, afirma-se que o construtivismo é um tipo de ensino orientado para a ação; O objetivo é que os alunos se tornem agentes ativos e não apenas recebam informações passivamente, como costuma ser o caso no ensino tradicional.

Da mesma forma, esse modelo pedagógico considera que uma pessoa não é o resultado de seu ambiente. Na realidade, para o construtivismo, todo indivíduo é formado a partir de uma autoconstrução, que é feita continuamente e é influenciada pela realidade e pelas habilidades internas da pessoa.

Essa tendência pedagógica foi defendida por dois autores principais: Lev Vygotski e Jean Piaget. Vygotski focou-se em saber como o ambiente social influencia a construção interna das pessoas; Piaget, por outro lado, concentrou-se em investigar como as pessoas constroem seu conhecimento a partir de sua interação com a realidade.

Embora esses autores sigam perspectivas diferentes, ambos concordaram com a ideia de que todos os seres humanos são discípulos ativos que têm a capacidade de desenvolver conhecimento por conta própria. Eles também consideraram que o conhecimento não pode ser calculado, pois para cada pessoa é diferente e varia de acordo com as experiências e subjetividades de cada indivíduo.

Origem e contexto histórico do construtivismo

Antiguidade Clássica

O construtivismo suscita uma reflexão sobre a maneira pela qual o conhecimento é produzido e obtido; por esse motivo, muitos autores o associam ao pensamento filosófico.

De fato, considera-se que o construtivismo teve seu início nos antigos filósofos pré-socráticos (isto é, antes de Sócrates), especialmente nos Xenófanes (570-478 aC).

Esse pensador considerou que as pessoas não são ensinadas pelos deuses desde o nascimento (como se acreditava anteriormente), mas na verdade requer um processo de busca que acabará por levar a novas descobertas e aprendizados.

Com os Xenófanes, nasceram análises e tradição crítica; Além disso, esse filósofo estava comprometido com a reflexão independente, o que implica que cada pessoa tem as habilidades necessárias para pensar e aprender por si mesma.

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Outro autor importante da antiguidade clássica que influenciou o nascimento do construtivismo foi Heráclito (540-475 aC). Esse pensador afirmou que tudo o que existe muda constantemente; portanto, a vida é um processo cheio de mudanças.

Conseqüentemente, o conhecimento também muda e varia de acordo com as modificações que as comunidades e os indivíduos experimentam.

Séculos posteriores

Mais tarde, há a figura de Descartes (1596-1650), cujas contribuições filosóficas apoiavam a teoria construtivista. De fato, em uma de suas cartas, esse pensador afirmou que as pessoas são capazes apenas de saber o que elas mesmas constroem.

Kant (1724-1804) também foi um autor que abordou o assunto relacionado à aquisição de conhecimento. Para ele, o conhecimento da realidade é um processo constante de adaptação; Segundo Kant, as pessoas desenvolvem seus modelos de realidade ao longo de seu processo evolutivo, permitindo que construam seu comportamento.

Surgimento do construtivismo como modelo pedagógico

Embora outros autores já tivessem feito reflexões sobre o conhecimento, o construtivismo como conceito nasceu com Jean Piaget (1896-1980), um psicólogo que se dedicou a estudar a maneira pela qual o conhecimento infantil evoluiu e mudou.

Através desses estudos, Piaget conseguiu formular uma teoria da aprendizagem. Nele, o autor estabeleceu que cada pessoa tem uma percepção diferente da realidade; portanto, sua maneira de interpretar o conhecimento também é diferente.

Embora as teorias de Piaget sejam consideradas originárias do construtivismo, na realidade o desenvolvimento deste modelo não foi aprofundado até a segunda parte do século XX, especialmente entre as décadas de 1950 e 1970.

Então, a partir de 1980, o modelo construtivista conseguiu se consolidar em sua totalidade. Isso resultou no surgimento de dois aspectos: a tendência crítica e a tendência radical.

O construtivismo crítico se concentra principalmente nos processos internos do indivíduo, enquanto o construtivismo radical se baseia na premissa de que é impossível entender completamente o real.

Teoria construtivista

Pode-se dizer que a teoria construtivista se baseia em cinco princípios:

– A interação do ser humano com o meio ambiente

Esse princípio refere-se ao fato de que a construção do conhecimento é influenciada pela relação que os seres humanos mantêm com o ambiente em que se desenvolvem. Por exemplo, uma pessoa desenvolverá seu conhecimento com base em sua família, trabalho, experiências educacionais, entre outros.

– A experiência anterior condiciona o próximo conhecimento a ser construído

Isso significa que as experiências que os seres humanos criam ao longo de suas vidas influenciarão a maneira como abordam novos conhecimentos. Em outras palavras, o conhecimento adquirido anteriormente terá um peso considerável na construção de novos aprendizados.

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Por exemplo: um jovem aprendeu que, para cozinhar feijão, é recomendável mergulhá-lo no dia anterior. Esse conhecimento influenciará o jovem quando ele decidir preparar outros tipos de grãos, como as lentilhas.

– A elaboração de um “sentido” a partir de experiências

É através das experiências e conhecimentos adquiridos que o ser humano dá sentido à realidade; isto é, dota sua existência de significado.

– A organização ativa

Como mencionado anteriormente, o construtivismo considera o aprendizado uma construção contínua, onde o aprendiz participa ativamente desse processo.

Por esse motivo, afirma-se que é uma organização ativa: o aluno ou aprendiz está organizando suas novas experiências e conhecimentos à medida que as obtém. Isso permite que você modele sua percepção da realidade.

– A adaptação entre conhecimento e realidade

Esse princípio estabelece que, à medida que o ser humano adquire novos conhecimentos, ele se adapta às necessidades da realidade e do ambiente em que vive; Essa adaptação permite que ele se desenvolva cognitivamente ao longo de sua vida.

Autores e suas idéias

Jean Piaget (1896-1980)

Ele era um psicólogo e biólogo suíço, conhecido por suas contribuições à epistemologia genética; Ele também se destacou pelo desenvolvimento da teoria construtivista e pelo estudo dos padrões da infância.

Quanto a suas idéias, Piaget se caracterizou por defender que o conhecimento humano é uma conseqüência da interação entre o indivíduo e a realidade em que ele vive. O indivíduo, ao agir no ambiente em que atua, constrói estruturas em sua própria mente.

No entanto, esse autor chegou a reconhecer que existem certas capacidades inatas no ser humano que lhe permitem atuar no mundo desde o nascimento; Isso é visto na capacidade das pessoas de transmitir ou receber informações desde tenra idade.

– Assimilação e acomodação

Em termos gerais, Piaget afirmou que a inteligência e as capacidades cognitivas das pessoas estão intimamente ligadas ao ambiente social e físico em que operam. Esse fenômeno se desenvolve em dois processos: assimilação e acomodação.

O primeiro se refere à maneira pela qual as pessoas integram novos conhecimentos em seus esquemas mentais; o segundo se refere à capacidade de ajuste que as pessoas têm para introduzir esse novo conhecimento em sua realidade.

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Lev Vygotski (1896-1934)

Ele era um psicólogo russo, que se destacou por sua teoria do desenvolvimento e por fundar a psicologia histórico-cultural. Hoje ele é considerado um dos psicólogos mais famosos e influentes.

– A influência cultural no desenvolvimento cognitivo

Este autor caracterizou-se por defender a importância da cultura no desenvolvimento das crianças. Para Vygotsky, o desenvolvimento individual de cada pessoa não pode ser entendido sem levar em consideração o ambiente em que essa pessoa se desenvolve.

Por esse motivo, a criança desenvolverá habilidades e experiências relacionadas ao seu ambiente cultural.

Em outras palavras, as habilidades de percepção das crianças são modificadas de acordo com as ferramentas mentais que a cultura lhes oferece; Vale ressaltar que a cultura engloba vários elementos e conceitos como religião, tradições, história e linguagem.

Da mesma forma, depois que a criança – ou a pessoa – tiver contato com um aspecto de seu ambiente social, ela poderá internalizar a experiência e transformá-la em uma nova forma de conhecimento.

Para entender essa teoria, Vygotsky propôs o seguinte exemplo: se uma criança visualiza um adulto apontando o dedo, ela primeiro perceberá esse gesto como um movimento insignificante; mas, observando a resposta de outras pessoas a esse gesto, a criança atribuirá um significado a ele.

Dessa forma, é apreciado como o ambiente cultural influencia o desenvolvimento cognitivo dos seres humanos.

Referências

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