Origem do Carnaval: história, rituais e evolução da festa

Última actualización: março 12, 2026
  • O Carnaval nasce de antigos rituais pagãos de inverno e fertilidade, depois cristianizados como preparação para a Quaresma.
  • A palavra “Carnaval” reúne sentidos de abandono da carne e de procissões antigas como o carrus navalis romano.
  • Com a colonização, a festa espalhou-se pelo mundo e misturou-se a culturas africanas e indígenas, criando carnavais regionais singulares.
  • Hoje, o Carnaval combina dimensão económica e turística com seu papel simbólico de inversão social e renovação coletiva.

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O Carnaval é hoje sinónimo de festa, fantasias e muita rua, mas por trás dessa explosão de cores existe uma história milenar que atravessa religiões, impérios, perseguições e reinvenções culturais. Entender a origem do Carnaval é mergulhar em rituais agrícolas da Antiguidade, festas greco-romanas cheias de excessos, proibições da Igreja e, depois, numa incrível mistura com as culturas africanas e indígenas nas Américas.

Ao longo dos séculos, o Carnaval foi mudando de forma, mas preservou uma ideia central: por alguns dias, as regras do dia a dia são afrouxadas, os papéis sociais se invertem, a comida e a bebida correm soltas e a sátira às autoridades está liberada. Da Babilónia a Rio de Janeiro, de Veneza a Barranquilla, trata-se de um grande rito de passagem entre um tempo que termina e outro que começa, entre inverno e primavera, entre carne e abstinência.

O que é o Carnaval e como ele se relaciona com a Quaresma

Na tradição do cristianismo ocidental, o Carnaval é o período festivo imediatamente anterior à Quaresma, o tempo de 40 dias de penitência que antecede a Páscoa. Nas regiões católicas, a festa culmina na Terça-feira de Carnaval (a chamada “Terça-feira Gorda” ou Mardi Gras), 47 dias antes do Domingo de Páscoa.

Historicamente, a Quaresma era marcada por jejum rigoroso: evitava-se carne, gordura, laticínios, ovos e doces, exatamente os alimentos que se tornavam escassos no fim do inverno europeu. O Carnaval surgiu como a última oportunidade para consumir esses produtos, gerando banquetes, bebedeiras e muita licença social antes do período de restrição.

Por isso, durante muitos séculos a temporada carnavalesca não se limitava a três dias: em várias regiões católicas, o clima de festa podia ir aproximadamente de Natal até a Quarta-feira de Cinzas, com picos em janeiro e fevereiro, aproveitando folgas do calendário litúrgico para extravasar tensões e frustrações do quotidiano.

Nas tradições luteranas do Norte da Europa, sobrevive algo semelhante chamado Fastelavn (na Dinamarca, Noruega e Estónia), enquanto entre os ortodoxos eslavos existe o Maslenitsa, a “semana da manteiga”, logo antes da Grande Quaresma. Em regiões anglicanas e metodistas, como Inglaterra e sul dos Estados Unidos, a ênfase costuma recair na Terça-feira Gorda com panquecas, jogos e pequenos festejos.

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De onde vem a palavra “Carnaval”

A etimologia de “Carnaval” é tema de debate entre linguistas e historiadores. Há três grandes linhas de explicação, todas ligadas, de algum modo, à carne ou a procissões antigas.

A versão mais conhecida faz derivar o termo de um latim popular carnem levare ou carne levare, algo como “retirar a carne”. Essa expressão refletiria a prática cristã de abandonar o consumo de carne durante a Quaresma. Em muitas línguas europeias, as palavras para Carnaval conservaram essa associação com carne e abandono.

Outra leitura, mais popular, entende o vocábulo a partir de carne vale, “adeus à carne”. Mesmo que essa forma não seja considerada rigorosamente correta por filólogos, ela ilustra bem o sentido simbólico do período: despedir-se dos prazeres ligados à comida e ao corpo antes da disciplina quaresmal.

Uma terceira hipótese, com forte apoio entre estudiosos modernos, liga o Carnaval ao carrus navalis ou Navigium Isidis, uma antiga procissão romana em honra à deusa Ísis. Nela, um barco ricamente decorado era levado em cortejo até a água para abençoar a temporada de navegação. Máscaras, danças e um “navio em carros” poderiam ser os ancestrais diretos dos carros alegóricos que hoje cruzam sambódromos e avenidas.

Além dessas teorias, autores modernos lembram possíveis conexões com divindades como Carna (ligada a feijões e toucinho em tradições célticas) ou ainda com figuras do panteão hindu, como Kārna e Kāmadeva, que representam desejo e fertilidade. Essas propostas reforçam a ideia de que o Carnaval carrega uma longa herança de rituais agrários e cultos ao amor e à abundância.

Festas pagãs que prepararam o caminho do Carnaval

Muito antes de a festa ser associada ao calendário cristão, povos da Antiguidade celebravam o fim do inverno e o retorno da luz com rituais de inversão e excesso. Entre as referências mais citadas estão as festas de Sumer e do Egito, as Saturnalia, Bacchanalia e Lupercalia romanas, além de cultos a Dioniso (ou Baco, para os romanos).

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Na Grécia Antiga, as Dionisíacas envolviam vinho, música, danças frenéticas e peças teatrais que mobilizavam toda a cidade. Em Roma, as Saturnais traziam banquetes, troca de presentes, uso de máscaras, inversão simbólica entre senhores e escravos e suspensão temporária de normas sociais — tudo muito parecido com o espírito carnavalesco.

Paralelamente, impérios do Oriente Próximo e civilizações como a egípcia organizavam comemorações em honra a divindades da fertilidade, como Apis, com cortejos, música estridente, danças e permissividade sexual. Em muitos desses rituais, acreditava-se que expulsar simbolicamente os espíritos do inverno era necessário para garantir boa colheita e fecundidade.

Povos germânicos também realizavam festas para marcar o retorno da luz. Há relatos da veneração da deusa Nerthus, cujo ídolo era conduzido sobre um “barco com rodas” acompanhado de homens e mulheres mascarados, às vezes trocando de papel e gênero, num claro ritual de fertilidade. Em certas versões, consumava-se um casamento simbólico a bordo para garantir prosperidade.

Em todos esses exemplos, aparece um padrão: um período liminar em que a ordem é afrouxada, as hierarquias são parodiadas, e o riso convive com a ideia de morte e renascimento. Essa estrutura simbólica seria mais tarde incorporada, reinterpretada e parcialmente cristianizada pelo Carnaval medieval.

Igreja, repressão e cristianização do Carnaval

Com a expansão do cristianismo na Europa, a Igreja tentou por séculos conter ou proibir práticas consideradas pagãs ligadas ao período pré-quaresmal. Sínodos e concílios condenavam mascaradas, procissões com carros em forma de navio, danças licenciosas e travestimentos.

Já no Concílio de Niceia (325), encontramos tentativas de eliminar festas de origem pagã na virada do inverno. Bispos e pregadores, como Cesário de Arles, denunciaram essas celebrações em sermões que mais tarde inspirariam listas de “superstições” a serem combatidas. Textos penitenciais dos séculos VIII e IX condenam explicitamente pessoas que se vestiam como animais ou idosos, algo típico de festas de janeiro e fevereiro.

Ainda assim, a repressão nunca foi totalmente eficaz. Aos poucos, a própria Igreja percebeu que seria mais produtivo absorver e cristianizar certos elementos do que tentar bani-los por completo. O Papa Gregório Magno (séculos VI-VII), por exemplo, reorganizou o calendário fixando o começo do jejum na Quarta-feira de Cinzas e, na prática, reconhecendo a existência de um período de extravasamento logo antes.

Desse movimento ambíguo nasceu um Carnaval integrado ao ano litúrgico, mas carregando traços inequívocos de rituais pré-cristãos: zombaria das elites, comidas fartas, bebidas, erotismo e desobediência controlada. Em muitos lugares, era comum eleger um “Rei do Carnaval” que, após reinar simbolicamente por alguns dias como figura grotesca e exagerada, terminava “morto” ou queimado, reforçando o ciclo morte-renascimento.

Paradoxalmente, a própria Igreja participou de práticas hoje vistas como chocantes, como obrigar judeus a correrem nus em Roma durante celebrações saturnais reativadas no século XV, sob o pontificado de Paulo II. A fronteira entre ritual religioso e festa profana era, muitas vezes, fluida, cheia de tensões e sobreposições.

O Carnaval como ritual de inversão social

Do ponto de vista antropológico, o Carnaval é frequentemente descrito como um “ritual de reversão”. Nesse tipo de rito, as estruturas normais são temporariamente invertidas: pobres parodiam ricos, subordinados imitam chefes, homens vestem-se de mulheres e vice-versa, e a linguagem grosseira e obscena ganha espaço público.

Essa inversão não é apenas brincadeira: ela funciona como “válvula de escape” para tensões sociais acumuladas. Ao permitir que as pessoas riam das autoridades, satirizem a ordem e realizem fantasias proibidas, a comunidade renova, paradoxalmente, a aceitação da própria ordem quando a festa termina.

Nas festas carnavalescas medievais, era comum ridicularizar diretamente figuras de poder. Máscaras representando nobres, clérigos obesos, juízes corruptos e até caricaturas de Cristo e da Virgem eram usadas em desfiles. Em algumas cidades, organizavam-se “festas dos loucos” e “festas do asno”, nas quais liturgias eram parodiadas de forma escancarada.

Em termos simbólicos, o Carnaval marca uma passagem: do inverno para a primavera, da escuridão para a luz, do excesso para a contenção, da vida desenfreada para a reflexão quaresmal. Não à toa, muitas comunidades terminam a temporada com a queima de um boneco — o “Rei Momo”, “Juan Carnaval”, “palhaço” ou “Carnavalón” — como oferecimento coletivo que encerra o ciclo.

Datas do Carnaval e relação com o calendário lunar

A data do Carnaval varia ano a ano porque depende diretamente da Páscoa. De acordo com a regra cristã, o Domingo de Páscoa é o primeiro domingo após a primeira lua cheia posterior ao equinócio da primavera (no hemisfério norte) ou do outono (no sul). A partir dessa data, contam-se 47 dias para trás para chegar à Terça-feira de Carnaval.

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Como o cálculo é lunar, o Carnaval pode cair em fevereiro ou início de março. Em alguns séculos, há datas extremamente precoces (como início de fevereiro) e outras excepcionalmente tardias (por volta de 9 de março). Casos raros incluem Carnavais em 29 de fevereiro, que só ocorrem em certos anos bissextos.

Essa elasticidade explica por que, em alguns anos, as festas coincidem com outras celebrações móveis, como o Ano Novo Chinês, ou se aproximam de feriados civis em diferentes países, gerando combinações únicas de folga, turismo e religiosidade.

Da Europa à América: difusão mundial do Carnaval

Com a colonização portuguesa, espanhola e francesa, o modelo europeu de festas pré-quaresmais viajou para América, África e Ásia. Em muitos portos coloniais, esses rituais encontraram populações indígenas e fluxos intensos de africanos escravizados, dando origem a novas formas híbridas de Carnaval.

Na Península Ibérica, o que se chamava entrudo incluía jogos de água, farinha, ovos e frutas, frequentemente com grande violência simbólica. Já na Itália, Veneza se destacou pelas máscaras elegantes e bailes de salão, enquanto cidades como Nice e Paris organizavam desfiles com carros ricamente decorados, modelo que inspiraria futuras festas em Nice, Santa Cruz de Tenerife, Toronto, Nova Orleães e Rio de Janeiro.

Em muitos lugares, o entrudo e o Carnaval europeu foram proibidos ou controlados por autoridades civis e eclesiásticas por causa da desordem que causavam. Mesmo assim, persistiram com adaptações locais. Nas Américas, essas festas foram apropriadas por escravizados e libertos como espaço de expressão cultural e resistência, incorporando ritmos africanos, danças de origem indígena e sátiras ao sistema colonial.

Ao longo dos séculos XVIII e XIX, o Carnaval assume feições distintas em cada região: procissões de máscaras em Colónia e Mainz, lutas de laranjas e desfile de “gilles” em Binche (Bélgica), festas de rua em Havana e Santiago de Cuba, carros sonoros e blocos em Salvador, candombe e murgas no Uruguai, comparsas em Barranquilla, corsos em Montevidéu e Gualeguaychú, entre muitos outros exemplos.

Carnaval no Brasil: do entrudo às escolas de samba

No Brasil, os primeiros registos de entrudo português remontam ao século XVI, trazidos pelos colonos às capitanias iniciais como Pernambuco. Jogava-se água, lama, farinha e até “limões de cheiro”: pequenas bolas de cera cheias de água perfumada ou, por vezes, líquidos desagradáveis, atiradas em transeuntes desavisados.

No século XVII, festas como a aclamação de D. João IV no Rio de Janeiro já exibiam elementos de folguedos públicos associados a mascaradas. Escravos e famílias brancas participavam juntos (embora em papéis muito desiguais), e a rua começava a transformar-se em palco privilegiado para brincar o Carnaval.

Aos poucos, especialmente no século XIX, o entrudo brutal vai cedendo lugar a formas mais organizadas: clubes carnavalescos, ranchos, cordões e grupos de música que desfilam pelas ruas do Rio, Recife e Salvador. Nesse período, o Rio de Janeiro olha para os carnavais de Paris e Nice, importando a ideia de desfiles com carros alegóricos, ao mesmo tempo em que incorpora fortemente ritmos e religiões afro-brasileiras.

No início do século XX, aparecem as primeiras escolas de samba, associações de bairro majoritariamente negras, com forte ligação às comunidades de morro e aos terreiros. Elas passam a organizar desfiles com enredo, samba próprio, alas coreografadas e carros gigantes. Com o tempo, o poder público canaliza essa energia para espaços específicos — culminando na construção de sambódromos como o do Rio e o do Anhembi em São Paulo.

Hoje, o Carnaval brasileiro é um complexo ecossistema cultural e económico: grandes desfiles televisionados, blocos de rua que reúnem milhões, trios elétricos na Bahia, maracatus e frevos em Pernambuco, bailes de salão, micaretas fora de época e festas regionais que vão de Ovar a Mindelo, passando por Mindelo (Cabo Verde) e por cidades inteiras da Amazónia.

Principais modelos de Carnaval pelo mundo

Ao longo do tempo, consolidaram-se alguns modelos de Carnaval com grande projeção internacional, cada qual enfatizando elementos diferentes da tradição comum.

No Brasil, destacam-se o Carnaval do Rio de Janeiro, considerado pelo Guinness World Records como o maior do planeta em público diário, o de São Paulo com suas escolas de samba no Anhembi, o Carnaval de Salvador com os trios elétricos e o axé, e o de Recife-Olinda com o frevo e o bloco Galo da Madrugada, um dos maiores do mundo.

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Na Colômbia, o Carnaval de Barranquilla reúne expressões indígenas, africanas e europeias, com eventos como a Batalla de Flores, a Gran Parada de Tradición e a “morte de Joselito”, personagem que encarna o fim da folia. Também se destaca o Carnaval de Negros y Blancos em Pasto, com fortes raízes andinas e reconhecimento da UNESCO.

Na Bolívia, o Carnaval de Oruro mistura devoção à Virgem do Socavón com danças ancestrais como a Diablada, num sincretismo religioso riquíssimo. Em Uruguai, o Carnaval de Montevidéu é conhecido como o mais longo do mundo, com cerca de 40 dias de espetáculos de murga, candombe, parodistas, humoristas e revistas em tablados espalhados pela cidade.

Na Europa, Veneza encanta com suas máscaras refinadas e bailes aristocráticos; Nice e Dunkerque apostam em grandes desfiles de carros alegóricos e tradições seculares; cidades alemãs como Colónia, Düsseldorf e Mainz organizam rosenmontagszüge (desfiles de Segunda-feira de Rosas) com forte componente satírico e patriótico local.

Outros focos importantes incluem os carnavais caribenhos (Trinidad e Tobago, Havana, Santiago de Cuba), os carnavais centro-americanos (como o de San Miguel, em El Salvador, e de Las Tablas, no Panamá), e uma vasta constelação de festas no México, Peru, República Dominicana, Venezuela, Espanha e Portugal, cada uma com seus personagens típicos, músicas e rituais finais de queima de bonecos.

Trajes, máscaras e carros alegóricos: símbolos centrais

Três elementos atravessam praticamente todas as variantes de Carnaval: fantasias, máscaras e veículos decorados. Juntos, eles expressam a ideia de metamorfose, exagero e teatralização da vida social.

As máscaras permitem que a pessoa “abandone” sua identidade cotidiana, assumindo temporariamente outro papel: rei, mendigo, diabo, animal, personagem histórico ou figura mítica. Nas tradições de Veneza, Podence (Portugal), Lazarim, Binche (Bélgica) ou dos caretos portugueses, esse disfarce está profundamente ligado a rituais agrários e a um humor agressivo, às vezes erótico.

As fantasias variam de roupas improvisadas a elaboradas criações com plumas, pedrarias e materiais de luxo. Em muitos carnavais latino-americanos, vestir-se de figuras como diabos, mouros, ciganos, “lechones”, “diablos cojuelos” ou “guloyas” retoma e reinventa memórias de escravidão, colonialismo e resistência.

Os carros alegóricos, por sua vez, ecoam aquele antigo “navio sobre rodas” do Navigium Isidis ou do carrus navalis romano. Hoje, eles funcionam como palcos móveis onde se exibem temas mitológicos, políticos, históricos ou fantasiosos, ao mesmo tempo em que marcam a grandiosidade do evento e a capacidade criativa das comunidades envolvidas.

Em muitas cidades, a produção de fantasias e carros é uma atividade que ocupa o ano inteiro, envolvendo costureiras, artesãos, cenógrafos, músicos e voluntários. O Carnaval, assim, torna-se também motor económico, gerando empregos, turismo e uma indústria cultural robusta.

Entre o sagrado e o profano: o Carnaval hoje

Na contemporaneidade, o Carnaval em grande parte do mundo perdeu a ligação direta com a vivência religiosa da Quaresma para muitas pessoas, mas continua a ser calculado em função da Páscoa e a carregar, mesmo que de forma secularizada, o seu simbolismo de transição.

Em países com forte tradição católica ou protestante, ainda há quem associe o período a excessos que precisam ser compensados por práticas de abstinência subsequentes. Ao mesmo tempo, cresce a dimensão turística e mediática das festas, com grandes patrocínios, transmissão televisiva internacional e forte presença nas redes sociais.

Apesar da comercialização, o núcleo ritual permanece: brincar com a identidade, desafiar a ordem estabelecida, rir do poder, dançar até o amanhecer, celebrar a fertilidade e a capacidade de recomeçar depois da crise. Em bairros populares de Montevidéu, em comparsas de Oruro, nos blocos de periferia de Salvador, nas quadrilhas de Tlaxcala ou nas murgas de Buenos Aires, o Carnaval segue sendo um momento em que comunidades inteiras se reconhecem e se reinventam.

No fim das contas, quando o boneco é queimado, o Rei Momo é deposto, o “Juan Carnaval” é enterrado ou o “palhaço” é destruído em praça pública, o que está em jogo é uma negociação coletiva com a ideia de morte e renovação. Entre confetes e serpentinas, povos de origens muito diferentes continuam a encenar, ano após ano, a mesma pergunta antiga: como atravessar o inverno, os conflitos e as crises e, ainda assim, renascer em comunidade?

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