Pensamento Inferencial: Recursos, Ferramentas, Exemplos

O pensamento inferencial ou compreensão inferencial é uma habilidade que corresponde ao do segundo nível de compreensão de leitura. Permite identificar mensagens implícitas no texto a partir de experiências anteriores do sujeito. Essa maneira de entender as novas informações (o texto) é baseada em esquemas, scripts e modelos culturalmente dados.

O pensamento inferencial consiste em raciocinar além do texto e difere do entendimento literal em que se refere às informações explícitas contidas no texto. Essa capacidade é o que permite aos leitores não apenas entender o texto, mas “preencher” as lacunas no texto com sua própria experiência ou conhecimento.

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O que é pensamento inferencial?

O inferencial é um tipo de pensamento que permite combinar idéias diferentes, tirar conclusões, identificar a moral e os temas das leituras, interpretar e discutir as informações lidas.

Trata-se da compreensão das informações alimentadas pelas experiências e esquemas de cada indivíduo.

A disciplina que estuda a compreensão inferencial é a psicolinguística, porque as habilidades inferenciais partem de um componente cognitivo (conhecimento prévio) e um componente lingüístico (características do texto, como conteúdo, forma etc.).

Dentro dessa disciplina, a teoria construtivista é a que estuda o pensamento mais inferencial, em relação à compreensão de textos narrativos (histórias, histórias, entre outros).

Tipos de inferências

Inferências são representações mentais que constroem quem lê ou ouve um texto depois de aplicar seu próprio conhecimento na mensagem explícita. Existem diferentes tipos de inferências com diferentes níveis de complexidade.

– Inferências locais ou coesas

Eles funcionam como formas de conectar informações e são fornecidos durante o processo de compreensão. Podem ser inferências referenciais e inferências causais de antecedentes.

Por exemplo, no texto “Maria estava conversando com a avó, quando de repente começou a chorar”, o leitor deveria entender que “isso” se refere à avó.

Inferências globais ou consistentes

Eles organizam ou agrupam as informações em “pacotes” com temas e permitem conectar os dados locais do texto com os dados da memória .

Essas inferências podem ser objetivos superordenados, inferências temáticas, avaliação de reações emocionais e inferências de subcategorias.

Um exemplo desse tipo de inferência é quando você entende a moral de um texto.

Inferências pós-leitura

Existem inferências dadas após a leitura do texto e complementam as informações lidas para entender por que certas ações ou eventos são mencionados.

Estas podem ser as consequências causais, inferências instrumentais, inferências pragmáticas e inferências preditivas.

Características principais

Compreender um texto é um processo bastante complexo que deve resultar em uma representação do significado de um texto. No entanto, o significado de um texto não é dado pelas palavras escritas, mas é dado na mente da pessoa que o lê.

– A compreensão inferencial vai além da simples compreensão das informações apresentadas no texto. Exige que o leitor comece com o conhecimento que havia adquirido anteriormente.

– O pensamento inferencial é crucial porque nos permite prever e entender a realidade que nos rodeia, o que nos permite não depender do que é dado, mas que podemos ir além. No caso de um texto, essa capacidade nos permite ler nas entrelinhas.

– Essa capacidade de inferir a relação entre dois ou mais eventos requer um raciocínio complexo que envolve diferentes processos mentais.

Esse processo complexo é realizado através de três componentes:

– O sistema sensorial, que processa informações visuais e auditivas.

– A memória de trabalho , onde as informações são processadas ao vivo e sua integração ocorre.

– Memória de longo prazo , onde é armazenado conhecimento prévio com o qual as informações no texto serão comparadas.

Desenvolvimento do pensamento inferencial

Como todas as habilidades, o pensamento inferencial se desenvolve à medida que o processo evolutivo natural ocorre nas crianças. Portanto, essa habilidade é vista em diferentes níveis, de acordo com a idade das crianças avaliadas.

Por exemplo, em crianças de três anos de idade, observa-se um melhor manejo das inferências complementares, que são inferências com menor nível de complexidade.

Aos 4 anos, a capacidade de fazer inferências se torna mais fácil para as crianças e observa-se que elas já podem fazer inferências melhor globalmente. Aos 5 anos, eles podem fazer inferências de um tipo global com melhor desempenho.

Ferramentas para desenvolver o pensamento inferencial

É possível usar e aplicar uma série de estratégias que ajudem os alunos a desenvolver essa capacidade de compreensão inferencial, embora o professor deva adaptá-la à idade e às características das crianças.

As características que demonstraram influenciar a aquisição dessa habilidade são a motivação para esse tipo de tarefa de leitura, com amplo vocabulário e memória de trabalho adequada.

Textos adequados

Para promover o desenvolvimento dessa habilidade, a primeira coisa a considerar é escolher textos que sejam adequados, sem serem fáceis ou difíceis demais.

Da mesma forma, eles devem ser textos não muito explícitos e que permitam um certo nível de inferência.

Professores como modelos

Uma das estratégias mais recomendadas para os professores servirem de modelo para os alunos. Por exemplo, eles podem dizer em voz alta o processo mental inferencial que estão fazendo: “Certamente isso foi uma desculpa para o lobo comer os porcos, porque os lobos geralmente caçam animais de fazenda”.

Importância do vocabulário e léxico

Também é necessário trabalhar na expansão do vocabulário, por exemplo, identificando e definindo palavras desconhecidas no texto. Da mesma forma, os alunos devem ser treinados no uso de pronomes e conectores.

Perguntas e observações

O professor pode fazer perguntas que provocam o processo inferencial. Por exemplo, você pode perguntar a eles como eles sabem um certo fato, quais são as relações entre os personagens, bem como suas motivações.

Você também pode fazer observações, como você verá na última seção deste artigo.

Acompanhamento da leitura

Eles podem ser treinados para acompanhar a leitura, respondendo a perguntas sobre quem está participando, onde ocorre e por que os eventos estão ocorrendo.

Exemplo

Uma maneira de desenvolver o pensamento inferencial é fazendo observações, que incentivam os alunos a extrair possíveis inferências. Por exemplo:

Nota: a grama do playground está molhada.

Possíveis inferências: choveu. O pulverizador estava ligado. Há um orvalho na grama.

Outro exemplo:

Nota: a cauda para beber na fonte de água é longa.

Possíveis inferências: está quente lá fora. Os estudantes acabaram de chegar do recreio.

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